Uma página de poesias andou postando "recomendações sutis" sobre o uso eventual de "palavras de baixo calão" em alguns poemas.
Isso é o fim da picada. Não é defesa da pornografia, mas da palavra exata. Usar "nádegas" onde o poema pede "bunda" o enfraquece tanto quanto dizer "atendente genital" no lugar de "puta".
Poesia não é questão de educação, mas de expressão - dentro dos óbvios limites do bom senso.
Mas se todos tivéssemos bom senso, não seria preciso religiões.
E por isso fiz o poema abaixo, para responder seus administradores:
QUALQUER COISA -
a poesia pode falar
de qualquer coisa
desde que não seja
qualquer coisa
rimem tempestades
desde que não chova
escrevam sobre flores
mas não sobre o adubo
sobre o amor
mas não sobre a cama
sobre a vida
mas não sobre o aluguel
sobre a alma
mas não sobre o corpo
admirem o biquíni
esqueçam o cu
Walter Biancardine

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