Não sou diferente de ninguém.
Quando leio os grandes escritores – Orwell, Hemingway, Virginia Woolf ou mesmo Camus – penso igual a todo mundo e tenho a certeza que tudo o que escreveram na vida foi obra de gênio – até a lista de compras do supermercado seria um best seller.
Quando leio os grandes escritores – Orwell, Hemingway, Virginia Woolf ou mesmo Camus – penso igual a todo mundo e tenho a certeza que tudo o que escreveram na vida foi obra de gênio – até a lista de compras do supermercado seria um best seller.
Mas não é a verdade. O mesmo homem capaz de escrever “Por Quem os Sinos Dobram” talvez tenha escrito muitas merdas – e vou além: merdas horríveis, inacreditáveis, agravadas pelo seu alcoolismo e depressão.
Mas, diferente de mim, acertou o suficiente pra ser eterno.
E esta é toda a diferença entre o gênio e o medíocre.
Tempos atrás lia um Bukowski. Excessos, excessos, excessos.
Mas às vezes ele esquecia disso. E o gênio se fazia presente.
Toda a aflição do leitor escapava pela fresta entre duas frases do autor.
Isso é talento.
Não quero dizer que todo gênio tem um lado podre.
Meu objetivo é – isso sim – fazer quem me lê aceitar as porcarias que escrevo, na esperança que um dia eu mostre algo genial e ele possa dizer, com ar superior: “farejei o gênio antes de todos”.
Como se diz na rua Barreiros, lá em Olaria, o nome é “conto do vigário”.
Afinal, preciso vender meus livros.
Walter Biancardine



















