Fui almoçar no restaurante aqui em frente e bebi como um gambá.
Notei que o povo local começa a se referir a mim como “Walter, o escritor”.
Não sei se é motivo de orgulho – muito melhor “escritor” que “jornalista” – ou de vergonha, pela pobreza explícita que o designativo emana.
Ainda assim, prefiro “escritor”.
Melhor ser pobre que pilantra, que é onde minha antiga profissão se abrigou nos últimos anos.
Prefiro “escritor” porque posso dizer que não tomei vacina, relembrar “eu avisei” pra todo mundo, escrever isso em forma de poesia e ninguém reclamar.
Basta ver o depoimento de Fauci.
Gramsci era um filho da puta.
Mas estava certo.
E eu aqui, bêbado como um gambá.
Walter Biancardine














