Parei de falar de política porque mais pareciam sessões de masturbação mútua: eu dizia minhas indignações, ouvia a dos outros, todos saíamos irritados e nada - nada - fazíamos.
Parei de falar de política porque me dei conta que eu não convertia ninguém, apenas falava pra uma bolha de simpatizantes que em nada mudava o contexto geral.
Desde que Jair Bolsonaro subiu à Presidência da República eu já dizia: "não se combate demônios usando as armas de anjos". E sua irritante mania de "seguir as quatro linhas da Constituição" me exasperava. E completei: "Moisés não teria tirado os judeus do Egito se obedecesse as leis de Faraó". Sim, porque uma vez que a ditadura se implante, não serão eleições que a removerão.
Pois temos agora um condenado em três instâncias (jamais inocentado) recebendo mais votos que o número de eleitores. Fraude explícita, esfregada em nossa cara. E o que faremos?
Nada. Como sempre, nada.
É por isso que o atrevimento chega a esse ponto. Eles não tem medo do povo, sabem que nada faremos.
Caro leitor, entenda: não haverá recurso legal ou manobra política que tire a ditadura do poder. Esqueça.
Só o sangue tira esses assassinos traficantes do poder. O seu sangue.
É isso. Ou se acostume e não reclame mais.
Por isso não falo mais de política.
Este artigo foi um surto.
Walter Biancardine