O caso é que já passou da hora de fundarem um grupo de apoio aos viciados em internet – leia-se “viciados em um orgasmo de dopamina a cada quinze segundos”, pois os reels, vídeos do Tik Tok, tweeters ou o tempo que se leva para ler o primeiro parágrafo de uma postagem no Facebook e dar uma resposta furiosa é exatamente esse: quinze segundos.
Na era pré-internet sabíamos das coisas lendo jornais, ouvindo comentários nos botequins, salas de espera do dentista ou mesmo das vizinhas fofoqueiras. E isso tinha seu tempo próprio, um ritmo normal, humano, potável. Um boato por mês? Um escândalo a cada quinze dias? Uma nova fofoca toda semana? Sem problemas, tudo digerível, avaliável, julgável e – principalmente – sabidos de forma absolutamente passiva: sabíamos, nos escandalizávamos, comentávamos com o fofoqueiro e pronto, morria aí o assunto.
Hoje não. Hoje somos “celebrities das redes sociais”, não podemos decepcionar nosso público se não postarmos nossos comentários furibundos e dar a todos o merecido orgasmo de quinze segundos. Sim, somos ídolos. Temos públicos. Viramos, todos, artistas. Até nossa casa é mostrada em fotos, junto com as férias na praia ou o prato cheio na churrascaria.
A verdade é que somos todos doentes, e não nos demos conta.
O viciado nunca admite o vício. O paranóico jamais admite sua patologia. E a cura, infelizmente, será compulsória – tal como a dos citados.
Chegará o dia em que teremos uma guerra. Uma guerra não, uma hecatombe, uma catástrofe – é questão de apenas esperar. E neste dia as redes ficarão fora do ar. Bombardeios, explosões, tudo isso levará pelos ares nosso mundo de fantasias. Deixaremos de ser “celebrities” e passaremos a ser novamente pessoas comuns. Pior: refugiados. Sobreviventes. Nenhum glamour. E sem instagram.
Mas sei que perco meu tempo. Eu mesmo estou aqui, na internet.
Mas ao menos jamais escondi meus tombos.
Eu bebo. Eu fumo. E uso a internet.
Walter Biancardine




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