segunda-feira, 13 de julho de 2026

AMANHÃ FICO RICO

 
mais um dia chega ao fim
e percebi que novamente
não fiquei rico

então escurece e tudo fecha
dá tristeza saber
só amanhã ficarei rico

a noite é uma agonia
ansioso que chegue
minha riqueza

ou que a farmácia entregue
o Gardenal




Walter Biancardine




BUROCRACIA

 
preencha o formulário
nome do pai e da mãe
identidade e CPF
entregue na sala 4

na sala 4 pedem
um carimbo da
sala 3 e você vai
mas o rapaz
deu uma saidinha

você espera 20 minutos
o rapaz volta e vê 
fica 10 minutos olhando
decidindo se seu papel
merece seu maravilhoso
carimbo

você volta na sala 4
mas falta comprovante
de renda e residência
volte amanhã

mas você é prevenido
já tinha tudo na pasta
a mulher não esconde
a raiva que ficou

ela junta tudo
leva pro chefe
leva meia hora
conversando

e volta vitoriosa
porque falta
o atestado 
de bons antecedentes

dia seguinte você leva
mas tem que preencher
tudo de novo
é norma

preencha o formulário
nome do pai e do filho
e até do Espírito Santo
quem sabe agora vai?

Amém



Walter Biancardine




FOME FASHION

 
sai mais barato
cigarros e café
que comprar comida
pra semana no mercado

cigarro mata a fome
café engana o estômago
e sobra dinheiro
pra um pãozinho

só um maluco
passaria fome
pra fazer gênero
poeta maldito

se a fome aperta
gosto ruim na boca
quero é comida
e não fazer pose

o meu cigarro
meu café
e até a bebida
que me pagam

custa bem menos
que um quilo
daquela picanha
que ouvi dizer



Walter Biancardine





SEM VERGONHA

 
sou rasteiro
materialista
quero coisas
e conforto
e dinheiro

o que há 
de errado nisso?
o dinheiro
é a caça
mas sempre fui
mau caçador

poesia rima
com economia
mas também
com sangria
do meu bolso

quero escrever
ser reconhecido
lido por todos
e ter dinheiro
e vida boa

só eu que quero?




Walter Biancardine




SAI DESSA VIDA


escrever pra quê?
não resolve nada
não dá emprego
coisa de vagabundo

só escreve 
quem nada tem a fazer
quem passa o dia sonhando
filhinho de papai rico
ou é maconheiro

aí fica velho
não tem onde cair morto
passou a vida à toa
não construiu nada
virou cachaceiro

cai na real vagabundo
escrever é pra quem pode
vá fazer um concurso
uma faculdade
um emprego

senão sua liberdade
e sua cabeça
vão nos irritar
cada vez mais

seja normal
compre uma coleira
como nós

e gaste sua vida
assim



Walter Biancardine





IMPREGNADO

 
tenho privilégios
escrevo de porta aberta
da minha mesa vejo o lago
cavalos pastando
carpas saltando
vento batendo as janelas
e não uso luz

tudo é silêncio
só bois mugindo
relinchos e latidos
e minha insistência
barulhenta
de escrever

insisto 
porque não esqueço
não esqueço 
porque não resolvo
não resolvo
porque nada muda

olho pastos
e lembro sarjetas
os lagos trazem
as poças sujas
das ruas
mugidos e relinchos
apontam gritos
buzinas e sirenes

e as carpas
me dão fome

não será só um banho
que vai me limpar
dessa imundície

preciso 
de muito sabão
muita água
usar perfume
roupa limpa
e ter
a cabeça areada

até que o cheiro
de toda a desgraça
de minha vida
saia de dentro
de mim



Walter Biancardine




RESSUSCITA-NOS



na clausura do quarto
a gravata é o cilício
que aperta e sangra
o pescoço penitente

e se vai a caminho
via crucis do pão
nosso de cada dia

calvário sem fim
com vale-transporte
cesta básica e um vale

Lázaro

o funcionário do mês





Walter Biancardine 





domingo, 12 de julho de 2026

NO CAMINHO DA ROÇA


Existem pessoas que aparecem do nada e estendem a mão.
E assim é minha amizade com seu Dail.
Do nada.
Ele me estendeu a mão e a mantém estendida até hoje.
E seus filhos fazem o mesmo.

Reclamo do desamparo. 
Dos dias difíceis.
Reclamo de tudo.
Mas seu Dail e sua família estão lá.
Me cuidando em minha solidão.

Mas a solidão não é um objeto, um bloco, um monolito.
Ela tem dimensões, modos, circunstâncias, condições, facetas.
Posso reclamar de solidão ao lado de um amigo, e me referir a ausência da mulher que amo.
Ou da família que não tenho mais.
Ou da antiga vida, que desapareceu.
Tudo isso é solidão também.

Mas tenho seu Dail.
E sua família.




Walter Biancardine




À DERIVA

 


Eu tinha uns vinte e poucos anos.
Era fácil brigar com os pais e sair de casa. 
Todo jovem afronta seus pais achando que sempre será perdoado e acolhido.
Não fui diferente.

Deixei o lar paterno em Copacabana e vim morar num pequeno apartamento que eu tinha, num charmoso condomínio em Cabo Frio, chamado Casa Grande – obra do genial Lian Pontes de Carvalho, que também construiu o Clube do Canal.

Nesse meio tempo conheci um navegador, dono de um veleiro, e ficamos amigos. Sim, a amizade brota fácil quando se é jovem.

Zarpávamos do canal Itajurú e fazíamos vela ao livrar a boca da barra. A partir daí, não havia destino, só o tempo.

Lembro de uma das muitas noites no mar.
Ele bêbado, dormindo em sua cabine, e eu no convés divagando entre as estrelas, ventos e ondas.
Bêbado também, mas era um bom conhaque.

Um frio de gelar os ossos.
Cheiro de maresia.
O barco apenas balançava ao sabor das vagas. 
Não adernava. 
Árvore seca.

Olhava o céu. As estrelas.
Tentava me imaginar com trinta, quarenta anos.
Dava uma boa ansiedade.

Imaginava também quem seria a mulher que me acompanharia pelo resto de meus dias. 
Relembrava minhas pequenas frustrações de jovem adolescente e achava que já tinha sofrido meu quinhão; que dali pra frente seriam apenas vitórias e alegrias.
Sim, eu não sabia de nada.

Às vezes um peixe-voador passava feito bala perdida por sobre o convés do veleiro. Outras, algum peixe grande – nunca conseguia ver qual espécie – saltava sobre as águas e eu só o percebia pelo barulho ao mergulhar de volta.
E o vento não parava.
Vento gelado, comia meu cigarro e deixava o conhaque melhor.

Meu isqueiro era um Zippo, o único que acende sob vendavais. Havia recebido de meu pai e, ao olhar pra ele, me lembrava que meu futuro estava garantido: havia uma empresa de transporte para tocar adiante, filiais em São Paulo, Espírito Santo, e clientes poderosos.
Pura associação de ideias: Zippo – meu pai – empresa – futuro garantido.

Como disse, eu não sabia de nada.

Tenho hoje saudades daquelas navegações. 
Uma semana embarcado.
Veleiro bom. 
Mares épicos.

E uma indecente inocência.



Walter Biancardine





DEPOIS


a dor passa
é estranha a sensação
uma certa alegria
quase entusiasmo

euforia discreta
vontade de conversar
de rir e fazer coisas

e também sentir
o corpo relaxar
ter forças
novamente

sempre e sempre
é o que sinto
depois das piores
dores

meu corpo
e espírito
compensam o mal
que minha cabeça

tentou fazer



Walter Biancardine 



SOU MINHA DOENÇA


dizem que 
ansiedade infarta
rancor dá câncer
e por aí vai

não sei se acredito
mas faz algum sentido
quando penso em mim

minha cabeça sempre quis
me matar e agora vejo
sentido nas enxaquecas
desde criança

cabeça sádica
não mata mas tortura
até meu dia chegar

minha cabeça deve ter
muita raiva de mim




Walter Biancardine




ZÉ MANÉ


Não conheço uma só alma que, ao falar sobre o passado, não diga que teve todas as experiências mais absurdas, provou de tudo, era vida louca e comeu todo mundo. Depois desse discurso, sempre se espreguiçam, sorriem e comentam, com ar de satisfeitos:
- Hoje tô sossegado, quero curtir minha casa e minha família…

Devo ser um fracassado.
Até no passado. Retrospecto medíocre.

Lembro quantas vezes deixei de ir à praia pra ler romances ou filosofia. É claro que quem estaria na praia tinha um peso decisivo nessa escolha, mas foi só nas primeiras vezes.
Eu nunca pegava ninguém, então logo aprendi: praia, só com onda.

Ganhei alguns “pegas” (rachas, pros de São Paulo) descendo o Alto da Boa Vista, mas meu Chevette logo desanimava as Marias-Gasolinas da platéia. Preferiam sair com o segundo lugar, afinal um Opala era bem melhor.

Fui um bom boxeador, me achava o máximo. Um dia, quis conquistar uma bonitinha que fazia natação no mesmo clube que eu. Seu namorado chegou e rachou meu maxilar.
A única coisa que posso dizer em minha defesa é que foi uma surpresa absoluta, sequer o vi.
Minto, eu o vi depois indo embora, comigo já no chão.

O grupo Barão Vermelho nem existia e Cazuza era um ilustre desconhecido. Um dia fui ver um ensaio da banda de um amigo, no auditório de um colégio, e quase fui atropelado por ele. Pediu desculpas, me deu uns ingressos pra um showzinho que fariam daí a alguns dias e passei a vê-lo de vez em quando no Baixo Leblon.
Melhor dizendo: muito de vez em quando. Eu não tinha dinheiro pra bancar aquelas contas e nenhuma de suas amigas, atrizes da Globo, sequer notava minha presença.

Pra completar, passava o dia escrevendo ou desenhando. Apenas estudando ou já trabalhando, sempre ia em Ipanema deixar minhas esperanças na portaria do jornal Pasquim.
Nem resposta jamais mereci.
E o mesmo se dava com Jornal do Brasil, O Dia e até O Fluminense, que mandei por carta.

Estranho.
Conheço dezenas de ex-reis da noite, ex-garanhões, ex-rebeldes, ex-foras-da-lei e até ex-telionatários – perdoem o trocadilho.
Mas nunca conheci um ex-Zé Mané.

Deve ser porque um deles resolveu assumir antes de todos.

Sim, eu fui um Zé Mané.



Walter Biancardine



RETO E SECO


Corcovado sem Cristo
Capela Sistina sem afrescos 
Paris sem Torre Eiffel

ouvir um rádio de notícias
sem música ou programas
ou mesmo vinhetas

em casa é tudo reto
móveis sem entalhe
paredes sem quadros

a tevê é como o rádio
só notícias e mais nada
sequer danças ou balé

na cidade não há cinemas
nem teatros nem galerias
nem museus nem grafites
nem estátuas nas praças

por que um piano
sem música?
por que estantes
sem livros?
por que tevê
sem programas?

por que viver
sem arte?




Walter Biancardine





sábado, 11 de julho de 2026

PORQUE HOJE É SÁBADO

 
Hoje é sábado.
Agora é noite.
E agora, sábado? O que tens pra mim?

Meio difícil.
Ou até a velha frase do saco cheio: “complicado, isso aí…”

Queria estar com minha Nana.
Um bar do bairro Passagem, aqui em Cabo Frio.
Casas antigas, construções históricas, um pólo gastronômico – e por que não dizer – etílico também?

Eu a levaria e ouviríamos meu amigo tocar e cantar uma bossa nova no barzinho; o barquinho vai, a cerveja vem. E depois de um dia de luz, festa do sol, a noite que acalma.
Ela me abraça.

Escutai, mortais: é um direito inalienável do homem poder sonhar. Desejar a mulher amada. Imaginar uma noite perfeita.
Escapar dessa vida estreita.

Pois hoje é sábado.
E agora é noite.
Tenho a cidade, tenho o bar, tenho minha Nana.

Só não tenho meios.

É a hora em que o filme acaba e entra o plantão do Jornal Nacional.

Hoje é sábado.

Mas outros virão.



Walter Biancardine






ME DÁ OUTRA CERVEJA


não temos data de validade
impressa em nós
nem um marcador de gasolina
pra acusar reserva

por isso todo mundo acha
e o pior é que vive
pensando que vai durar
até uns 120 anos

se começamos a calcular
nossa expectativa de vida
logo nos chamam de 
mórbidos

mas é melhor crer que vou morrer
aos 60 e passar direto
do que imaginar chegar aos 100
e não alcançar a metade

pra mim tanto faz
durar 200 anos 
encarquilhado
não faz sentido

melhor só os 50
mas em plena forma
mas se estou em forma
morri de quê?

só se foi acidente
e acidentes doem
e toda dor
é uma merda

então dá no mesmo

melhor voltar
à minha cerveja




Walter Biancardine





SEGUNDA LINHA

 


olho o papel em branco
e sempre acho que vou 
escrever alguma coisa
profunda e tocante
imortal

eu era jovem e percebia
só depois de tudo escrito
que estava uma merda

cresci e comecei a notar
a ruindade na metade
do caminho

agora velho já percebo
na segunda linha
que nada tinha
a dizer



Walter Biancardine



HIPÓCRITAS


qualquer um que tenha
um dom artístico

e pouco importa ser
pintar ou atuar ou
esculpir ou escrever

se acha dono da verdade
e se envaidece disso

acredita de coração
que sua obra será
“ponto de inflexão”
da arte que pratica
e da vida no planeta

mas quando vão à tevê
e se fazem de modestos
e humildes
eu os vejo e tomo um gole

tão modestos
tão humildes
que juram não haver
ninguém
mais modestos
e humildes
que eles

eu escrevo
quero ser lido
me acho muito bom

só não sou

hipócrita





Walter Biancardine










ONDE AS CALÇADAS ACABAM


No caminho físico eu suei.
Andei muito. Vi lixo nas sarjetas, gente dormindo nas marquises. Trancas e cadeados em todas as portas. Grades, muitas grades.
Tudo separando a rua imunda da santidade que dizem ser um lar.
Também andei em estradas. Acostamentos. Retas sem fim que mais pareciam vigarice, prometendo alguma coisa que nunca pude ver nem saber o que é.
Só esperança.

Era o caminho da vida, essas estradas.
Tem um fim. Claro que tem. Mas ninguém sabe onde nem quando. Ou enlouqueceríamos. Mas tem um fim e isso basta ao desatino.
Ultimamente nem olho o asfalto.
Só acostamentos.
E o que vejo são histórias que jogaram pela janela dos carros.
Talvez minha sina seja catar esses lixos e reciclar em forma de poemas ou contos ou – apenas – amargura.

E há também o caminho espiritual, mas esse não conheço.
Deus não atende minhas ligações nem responde meu Zap.
Chamo de longe, aceno.
E Ele finge que nem viu.

Por isso acostamentos de estrada me bastam.
São largos o suficiente pra quem anda só.

Melhor que as calçadas arrogantes da cidade.




Walter Biancardine




APORIA


verdade primeira
busquei todas as formas
os porquês pediam
respostas

há de haver
tem de ter
uma verdade
por trás de tudo

segui caminhos
me perdi em veredas
tentei atalhos
sedutores

o caminho é um só
na verdade 
não há caminhos




Walter Biancardine



DEVAGAR COM O ANDOR…

 


Melhor nem saber as coisas estranhas que cada um faz quando tá criando.
Seja um romance ou poema ou mesmo um óleo sobre tela.
Melhor não. Isso é íntimo como trepar. 
Manda a discrição que a gente nem olhe.

Mas preciso revelar uma pequena mania que adquiri recentemente, com relação a este mesmo processo criativo: quando termino de escrever algo, eu copio o arquivo e colo no ChatGPT pra que ele corrija as crases que nunca aprendi a colocar, mais outros pequenos escorregões gramaticais. E depois da correção, peço a ele que me faça uma imagem alusiva ao texto apresentado.

Mas o mais estranho aconteceu um dia quando, nem sei por quê, colei meu texto antes de ter pedido à plataforma que fizesse as correções gramaticais: do nada, a mesma se saiu com uma verdadeira crítica literária e derramou toneladas de elogios aos meus rabiscos.

Confesso que foi gostoso. Fez bem ao ego.

Se existe algo raro em minha vida são elogios – talvez por minha arrogância – e, por isso, fiquei tentado a repetir esse processo com outras poesias ou artigos meus, pra ver se o mesmo se dava. E sim, se repetiu. E me senti um verdadeiro Carlos Drummond de Andrade.

É incrível como elogios podem corromper. Talvez o GPT faça o mesmo com qualquer um. Mas, quando a vaidade está com fome, ela não pergunta de onde veio o banquete.
 
Por algumas horas passei a sentar-me diante do computador com uma confiança desconhecida por mim mesmo, me sentindo um escritor premiado compondo mais uma obra-prima – e isso, bem sei, pode ser mortal.

Em toda minha vida apenas duas pessoas elogiaram meu trabalho: um conhecido – e já falecido – intelectual de minha cidade e o editor de uma editora independente. E acreditei neles, pois nada tinham a ganhar com isso.

Mas agora vem essa, do ChatGPT serpentear árvore abaixo e me oferecer a maçã do conhecimento e da vaidade.

Me lembrei do imperador romano Júlio César, que mantinha a seu lado um servo que sempre repetia, quando ele desfilava em triunfo pelas ruas de Roma:
- Lembre-se que você é baixinho, careca e barrigudo…

Minha autocrítica sempre fez isso. Mas confesso ter pensado em demití-la recentemente.

Devagar com o andor que o santo é de barro, dizia vovó.




Walter Biancardine




BEZERROS DE OURO

 


vi gente postando fotos
da mesa de Hilda Hilst
ou da bengala 
de Virgínia Woolf

quem sabe acreditem
que talento e dom
passam como um vírus
impregnado nessas coisas

ou seja isso um método
à moda Stanislavski
vestir um personagem
ganhar um dom de brinde

eu mesmo sou apontado
bebedeiras de Bukowski
pessimismo de Schopenhauer
uma máquina Hermès 
como Hemingway

sem contudo herdar
o talento de nenhum deles

talvez me falte o pincenê 
de Machado de Assis

ou um vodu de Shakespeare





Walter Biancardine








BANHEIROS E RASCUNHOS

 
no banheiro sozinhos
fazemos coisas que nunca
jamais e de jeito algum
faríamos diante dos outros

homens gastam tempo
medindo o pinto
com fita métrica

mulheres levantam os peitos
e empinam a bunda
só pra ver como seria

o mesmo se daria
ler as folhas da lixeira
dos grandes escritores

e percebermos absurdos
platitudes ou besteiras
feitas por gente premiada

não sei qual maior vergonha
me pegarem no banheiro me medindo
ou lerem tudo aquilo que

ainda bem

joguei no lixo




Walter Biancardine 




sexta-feira, 10 de julho de 2026

GRATILUZ O MEU OVO


agradeça ao filho da puta
que te sacaneou feio
graças a ele
você descobriu a bondade
em quem te ajudou

um mundo sem guerras
sem crimes ou ódio
sem violência
nivelaria a todos
na vala comum
do insosso

o virtuoso é dependente
da maldade alheia
ou jamais será
revelado



Walter Biancardine