Li um famoso traçando linhas sobre o estilo de Ernest Hemingway.
Tentava se aprofundar e descobrir coisas que ninguém, quase setenta anos após sua morte, teria sido sensível o suficiente pra notar.
Mas não fugiu do lugar comum: falou sobre suas frases curtas, sentenças breves, falta de adjetivos e diálogos e ações que explicam mais que descrições.
E gastou dezenas de laudas discorrendo sobre a brevidade de Hemingway.
Ernest era, como eu, jornalista. E a função obriga a concisão, não admite gorduras e devemos primar pela clareza e objetividade. Até aí, sem mstério.
Mas ele foi pra guerra. Duas delas, além da guerra civil espanhola. E assim, à concisão uniu-se a economia de adjetivos. Empregá-los seria hipocrisia ou sensacionalismo diante de tanto sangue e desgraça.
Só isso.
O que o famoso não ponderou é o que nossos tempos atuais reservariam para ele, oferecendo barbáries diárias que nenhuma das duas guerras as imaginariam em tempos de suposta paz.
Como usar adjetivos hoje? Por quê? Pra quê?
É uma pergunta que os escritores contemporâneos terão de responder.
Jamais, em tempo algum, rolou tanto sangue na face da terra.
E tanta besteira foi escrita.
Walter Biancardine
Tentava se aprofundar e descobrir coisas que ninguém, quase setenta anos após sua morte, teria sido sensível o suficiente pra notar.
Mas não fugiu do lugar comum: falou sobre suas frases curtas, sentenças breves, falta de adjetivos e diálogos e ações que explicam mais que descrições.
E gastou dezenas de laudas discorrendo sobre a brevidade de Hemingway.
Ernest era, como eu, jornalista. E a função obriga a concisão, não admite gorduras e devemos primar pela clareza e objetividade. Até aí, sem mstério.
Mas ele foi pra guerra. Duas delas, além da guerra civil espanhola. E assim, à concisão uniu-se a economia de adjetivos. Empregá-los seria hipocrisia ou sensacionalismo diante de tanto sangue e desgraça.
Só isso.
O que o famoso não ponderou é o que nossos tempos atuais reservariam para ele, oferecendo barbáries diárias que nenhuma das duas guerras as imaginariam em tempos de suposta paz.
Como usar adjetivos hoje? Por quê? Pra quê?
É uma pergunta que os escritores contemporâneos terão de responder.
Jamais, em tempo algum, rolou tanto sangue na face da terra.
E tanta besteira foi escrita.
Walter Biancardine












