Só por isso me dei a esse trabalho.
Agora, mais de uma hora da manhã e eu ainda meio de ressaca, mas não quero deixar em branco.
Já basta o branco na cabeça, esterilizada pelo álcool.
Dei uma rodada pelo Substack - ou Studebaker, como o ato falho da velhice me faz chamar - e li algumas coisas. Umas interessantes, outras não, outras ainda como pequenos tuítes, só que mais educadinhos.
Mas vi uma coisa que me chamou atenção: duas postagens citavam outros substaquianos como referência em seus artigos.
Aliás, me lembro de ter visto ontem alguém dizendo que sua crônica foi citada em um TCC.
E me dei conta de que tal coisa jamais se dará comigo e com o que escrevo.
Quem citaria um cara cujo universo são fracassados, bêbados, putas, botequins, estradas, falsidade, acostamentos, meio-fios, becos, hipocrisia, gente sem vida interior, bebidas, cigarros, traição, miséria, solidão… e, vá lá, uma ou outra recordação náutica do tempo em que eu era gente?
Isso, a bem da verdade, não é universo.
É uma amostra grátis do inferno.
Mas não tenho culpa se é a vida que vejo.
Não sou apropriado para ser citado e, muito menos - de acordo com as editoras respeitáveis - publicado.
Talvez seja melhor escrever angústias existenciais de um jovem deitado no carpete de seu quarto, sob o ar-condicionado, com um delivery de sashimi ao lado, do que descer à imundície de botequins de chão meloso e gente cujo aperto de mão já transmite algum vírus.
Já ouvi, de editores renomados, que “não sou vendável”.
Agora me dei conta de que também “não sou citável”.
Vida que segue.
Walter Biancardine













