Odeio falar sobre arte.
O assunto fede à arrogância.
Exibicionismo cultural.
Vendem conceitos experimentais e revolucionários.
Pra mim, vigarice ou vazão de taras secretas.
Tenho cuidado quando o assunto são escritores e poetas, também.
Escavam fósseis pra provar sua cultura fantástica.
Não tenho saco pra isso.
Perambulo por Hemingway, John Donne, Bukowski e poucos mais.
Dostoievski é proibido.
Virou moda nas redes.
Arte não é pra ser falada.
Não julgo conceitos de feiúras óbvias.
Nem quero fofocar sobre a depressão de um ou amantes de outro.
Se quiser conversar sobre ideias, aceito.
Podem levar a um conto, poesia e até um romance.
Dos mais íntimos – por acaso, ninguém – até aceitaria sugestões sobre algum exagero em adjetivos ou sobre a mania jornalística de explicar a cena.
O tal do “se aprende pelo exemplo, não pelas lições”.
E disso não passa.
Já convivi com artistas plásticos, pintores, escultores e até atores e diretores de teatro.
Nunca dei pitaco nas técnicas deles.
E nem daria tempo, pois só falavam de política.
Não quero saber.
A única coisa que me mantém na mesa é a bebida.
Sempre farta, generosa, excessiva até.
E isso é bom.
Baco traz a arte na garrafa.
O resto crio sozinho.
Walter Biancardine