Amanheceu um gelo.
Poderia dizer que chove fino o dia todo, mas não é chuva e sim quase um vapor gelado, de tão fina. E o vento nos molha de baixo para cima.
Poderia dizer que chove fino o dia todo, mas não é chuva e sim quase um vapor gelado, de tão fina. E o vento nos molha de baixo para cima.
Vento sul, indica permanência do tempo fechado.
No Arraial do Cabo, baleias cachalote se divertem – para elas é verão – enquanto um Leão Marinho desembarca nas praias de Tamoios. Ainda não tive notícia dos pinguins, mas breve chegarão. Sempre passam por aqui, no inverno. Essa turma toda vem de carona na Corrente das Malvinas, então o bonde tá formado.
Só que eu moro na zona rural da cidade, a praia mais perto (em linha reta) é a da Rasa, em Armação dos Búzios, mas nem a maresia chega ao meu nariz aqui. Só o frio. Frio de rachar.
É o nome da cidade. Faz sentido.
Bois, vacas, cabras, cavalos e até as galinhas tratam de suas vidas com discrição, naquele vai-vem amuado e silencioso dos dias gélidos. Só as garças se exibem, junto com os marrecos que chegam e um ou outro pica-pau em busca de vida fácil, martelando troncos de coqueiro.
Eu aqui, olhando tudo isso.
Queria um jipe.
Nem sei pra onde iria.
Mas queria.
Queria uma casa, cozinha com o amarelo das lâmpadas incandescentes iluminando o café, servido direto do bule fumacento, pães franceses quentinhos e um bom queijo polenghi derretido.
Sim: lâmpadas incandescentes são de casa, com sua luz amarelada. Luz branca, led, é pra escritório, repartição pública ou gente de dinheiro novo.
Um bom café às 5 da tarde, pão quentinho, o amarelo das lâmpadas e um leve cheiro de gasolina do Jeep estacionado no terreno de chão, lá fora.
Dia nublado, névoa de chuva e o vento cortante.
E, já que estou sonhando, que seja com ela me servindo o café e provando o polenghi comigo.
É pelo sonho que prefiro dormir.
Walter Biancardine
Nenhum comentário:
Postar um comentário