terça-feira, 31 de dezembro de 2024

31 DE JANEIRO DE 2024: O SOFRIMENTO ACABOU?


Parece que 2024, ao menos aqui na região, quis se despedir com sol - sol não, um maçarico bico 8 na vertical, torrando tudo e todos que ousem se expor.

Se ontem relatei, com raiva, o festival de gente atafulhando-se nas estradas, chafurdando no barro, bebendo cerveja até azedar e ouvindo pancadões, hoje meu desgosto atingiu o paroxismo: sim, o verão faz o brasileiro entrar no cio e o sol propicia a busca de semelhantes para acasalar.

Mas o desejo procriatório de tais espécies me irrita? Não exatamente, o que me tira do sério são seus rituais e danças de acasalamento.

"Senta, senta, senta, senta, senta" repetidos, como inspirado refrão, 948 vezes ao longo da música - minto, dos guinchos gravados que clamam por fêmeas - acompanhados sempre de um baixo sintético, cuja potência nos sons graves sempre desmonta peças e partes da lataria dos carros nos quais são instalados, e tocados em um volume que julgo ser possível ouví-los de Piracicaba - SP, isso sim é o que me irrita.

Mas está sol, é virada de ano e não só jovens nóias dedicam-se à busca do acasalamento: circunspectos adultos - em seus eternos uniformes de bermudas cargo, camisa sem mangas e sandálias Havaianas - também se dedicam, discretamente, a sacudirem suas enormes barrigas e insinuarem que "estão na pista pra negócio". Por óbvio que tais "amadurecidos" anseiam por uma "novinha", que os faça abandonar seu casamento de 20 anos, comprar um carro novo (velho), óculos escuros, correntes prateadas e desfilar nas melhores ruas de chão das redondezas exibindo a ambos - a novinha e os velhinhos (carro e motorista).

É tiro e queda, pois em questão de minutos - principalmente se um nóia der sobregiro em sua potente CG125 e fizer o escape dar tiros - legiões de periguetes se aproximarão, na intenção de escolherem quem de pior puderem encontrar. Sim, sempre o pior, ou não terão como engravidar, fazer os pais construírem um puxadinho pra ela, o nóia meter o pé no mundo e ela poder viver sozinha e sair quando quiser, dando pra quem quiser. Ah, claro: as pensões alimentícias se acumulam e ajudam muito no orçamento. Aliás, são o único orçamento.

Tais rituais de acasalamento, sempre aumentados no verão e carnaval, são reproduzidos desde a grande mutação genética do brasileiro, ocorrida em meados da virada dos anos 70 para os 80, do século passado, quando o cromossomo VNC (Vergonha Na Cara) evoluiu para as variantes TNA (Tô Nem Aí) e QSF (Que Se F*), dando origem a toda essa nova espécie.

É certo que a mutação não se deu, ainda, por completo pois muitos pais e mães de família ainda votam em Bolsonaro, aplaudem o mito, frequentam até mesmo igrejas e anseiam por um Lula na cadeia.

Mas sempre terão uma filha, galinha e grávida, a exigir o tal puxadinho e um filho nóia, que trabalha no nobre ofício de "vapor", para "aqueles minino" alí de baixo.

Assim, o Brasil cumpre sua sina de deixar entrar e sair os anos, sem que nada mude ou melhore na qualidade da população que o habita. O país pode até mudar, mas o povo, jamais.

Não perca tempo desejando entregar um mundo melhor para seus filhos.

Crie vergonha na cara e entregue filhos melhores ao mundo.



Walter Biancardine



domingo, 29 de dezembro de 2024

A ROTINA DO BRILHO -


Todo aquele que trabalha ou pratica atividades sujeitas ao julgamento do público já se deu conta - e cuidadosamente "esqueceu" de comentar - que é impossível ser "brilhante" todos os dias.

Artistas, escritores, atletas ou mesmo advogados (submetidos à julgamentos muito mais fatais) sabem perfeitamente quando apresentam um desempenho fantástico, que arranque aplausos de admiração, e quando arrastam-se em meio à mediocridade de ideias, cabeça vazia e árida de inspiração. Sim, naquele dia específico, o cidadão "não estava bem" e ponto, assim é a vida.

O problema é a avaliação e cobrança daqueles que nos assistem ou mesmo lêem: é uma cobrança, ao fim das contas, até justa pois vendemo-nos como um "produto para consumo", e o comprador não aceita pagar mais por menos.

O tempo de labuta e a experiência, entretanto, acabam por nos fornecer algumas saídas - gambiarras, é a verdade - das quais podemos nos valer, em tais e secos momentos.

No meu caso, como escritor, jornalista e aprendiz estagiário "trainee" na filosofia, também desenvolvi meus próprios macetes: em tais dias, busco textos antigos e os refaço ou mesmo misturo dois ou mais artigos pretéritos; recorto trechos dos mesmos e os compilo em forma de "reflexões" e rezo para que ninguém note aquilo que eu mesmo considero quase uma fraude - nada pior que um elevado padrão de qualidade, auto-imposto.

Mas é quando adentro na seara filosófica que a coisa se torna pior pois, para mim, o filosofar é quase oriundo de uma "inspiração"; como se fosse eu um poeta e vagasse em busca das musas, que me elevariam às alturas necessárias para a composição de minhas - no caso - teses.

Aprendi, com meu professor Olavo de Carvalho, a filosofar para minha própria salvação e sobrevivência. Mas, a bem da verdade, não são todos os dias que estou disposto a salvar-me. Assim, posso assumir a obrigação de escrever artigos e crônicas diárias e, neles, me sairei melhor ou pior segundo as vicissitudes que já mencionei.

Mas, para este pobre e porco aprendiz de filósofo, não há como filosofar 365 dias por ano. Nem mesmo pela salvação de meu espírito e psique - e talvez, por isso, eu seja o que sou.

Esta confissão profissional é uma dívida que tento pagar aos meus escassos leitores que, certamente, já se deram conta da montanha-russa contida na qualidade de meus escritos.

Com tal obrigação moral cumprida, sinto-me mais à vontade para seguir em frente, pedindo a Deus - e às musas também - que iluminem as trevas que em mim habitam, para continuar produzindo artigos e teses - vá lá - que sejam úteis e acrescentem alguma coisa aos caridosos que ainda gastam seu tempo comigo.

Um feliz e inspirado 2025 para todos nós!



Walter Biancardine




sábado, 28 de dezembro de 2024

COMO FOI SEU 2024? COMO SERÁ SEU 2025?


Livre arbítrio é tudo aquilo que planejamos, prometemos ou idealizamos, principalmente nestas vésperas de Révéillon: novo emprego, dietas, novos amores e por aí vai.

Nos sentimos poderosos, donos de nossos próprios narizes, firmes e determinados no novo ano que inicia - mas, por via das dúvidas, pulamos sete ondas, usamos branco ou amarelo e pedimos a Deus que tudo se realize. E isto configura nosso livre arbítrio e o novo 2025.

Determinismo - o velho e cruel destino - encarna-se, nestes dias, no terrível 2024 que passamos. Sonhos e casamentos desfeitos, empregos perdidos, saldos bancários hemorrágicos e toda uma série de desgraças que, conformados, suspiramos: "era o destino, mesmo".

Do triunfante livre arbítrio ao desconsolado determinismo, onde ficamos? O quê escolhemos?

Pedir a Deus um bom novo ano? Mas não temos livre arbítrio?

Esconjurar um 2024 maldito, cuja força do destino sobrepujou nossas mais fervorosas orações?

E nossas vitórias no ano que agora finda? Não temos mérito? Foi apenas o destino?

O que escolher? Deus, livre arbítrio, determinismo ou os três juntos?

Pois esta é a maior "pegadinha" filosófica já lançada, e que incontáveis pensadores insistem em cair.

Como a mesma não tem solução lógica, tranque-se no banheiro e reflita quando puder.



Walter Biancardine



quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

terça-feira, 24 de dezembro de 2024

FELIZ NATAL E UM PRÓSPERO 1957!

 



Abundam no YouTube canais como este acima, principalmente em épocas natalinas.

Em ousados sonhos, mesclam estilos e lembranças de um passado seguro, acolhedor, com elementos futuríscos exatamente ao estilo dos antigos filmes de ficção científica dos anos 50/60.

Como não notar os enormes automóveis rabos-de-peixe? Os eletrodomésticos e utensílios de cozinha que nós, os mais velhos, assistiamos nossas mães servirem-se? A maneira de se vestir nestes vídeos, tanto de homens quanto mulheres, nos chuta violentamente ao glamour de um passado em que sonhávamos ser logo adultos e poder, finalmente, adentrar aquele fantástico mundo dos adultos.

Tais filmes nos esfregam na cara o charme, a sofisticação e a sensação de segurança e acolhimento do passado - e isso não significa riqueza, mas hábitos e pessoas decentes.

Fácil é concluir que vivemos em uma sociedade esquizofrênica, onde a grande maioria de nós anseia retornar ao "way-of-life" de anos passados, mas a grande mídia e a cultura de massa nos violentam - diuturna e incansavelmente - à promiscuidade holocáustica, suja, escura, dos escombros de uma civilização que eles, e só eles, rejeitam.

Temo a reação do leitor ao afirmar que o mundo precisa, realmente, de uma guerra - uma grande, devastadora e apocalíptica guerra que nos faça reerguer, das sobras de um mundo podre e destruído por tais tarados ideológicos, como um novo e lindo lugar para se viver, com valores e princípios regendo a vida que realmente queremos.

O ambiente nos contamina, a grande mídia e a cultura de massa dão o toque final.

Havemos, pois, que impor o que, de fato, queremos.

Tenham um bom Natal ouvindo discos em suas vitrolas, tirando os presentes das crianças da mala de seus rabos-de-peixe e presenteando suas esposas com gracioso colar de pérolas, enquanto ela ajeita sua gravata e oferece-lhe um vinho.

Tal como um dia foi.

Feliz Natal e próspero 1957!


Walter Biancardine






segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

TIC-TAC


O papel é meu melhor amigo: com ele desabafo, conto meus medos, fracassos, vitórias e até alguns planos. Nele também deposito minhas neuras, tornando-o diplomado na nobre terapêutica dos malucos sem fundos suficientes para um analista de carne e osso.

E é hora da terapia, já que a angústia pré-natalina se apossou do meu ser, fazendo com que eu deseje adiantar o relógio - bem como o calendário - para meados de janeiro, ao menos.

Não, não quero saber de sinos badalando, árvores de Natal - até porque não tenho nenhuma - renas ou mesmo presentes, que só um amigo muito oculto (tão oculto que sequer conseguiria vê-lo por perto) traria para mim.

Do mesmo modo o Ano-Novo, atualmente, me repugna: mais um ano que se vai, menos um ano que tenho de vida - comemorar o quê?

Os finais de ano se transformaram, para mim, em dolorosa expectativa de uma aniquiladora explosão de lembranças, coisas mal-resolvidas, obrigação em ser gentil e sinto-me, na verdade, como se estivesse acorrentado a frente de uma bomba-relógio, que tudo destruirá na sequência de três detonações fatais: Natal, Ano Novo e aniversário - e eis a tríade do terror.

Desejo a todos um Feliz Natal e próspero Ano Novo, mas não os quero. Na realidade, sequer desejo o verão - a sempre suarenta e superpovoada estação de alucinados, cumprindo suas obrigações de gritarem e mostrarem ao mundo como são felizes e ricos.

O que quero é a paz do inverno, e seu frio que acorda minha alma.

Cobertores, café quente e livros são coisas que só podem ser verdadeiramente desfrutadas à sós, e sob temperaturas glaciais.

Suar é para adolescentes, e a introspecção trazida pela solidão exige o frio.

Anseio pelas águas de março, fechando o verão.


Walter Biancardine



domingo, 22 de dezembro de 2024

KEEP ON BURNING...



"Keep boiling", they say...
"Keep on burning", they say...
I'm trying...
I swear I'm trying...
But the past turn off my fire.

Walter Biancardine



SE FECHAR OS OLHOS, O NATAL PASSA MAIS RÁPIDO?



O glorioso dia do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo tem, para minhas empedernidas lembranças de infância, somente o gosto de casa cheia, mesa farta e presentes - previamente suplicados durante o ano inteiro.

Nenhuma criança imagina-se já velho, nenhum adolescente especula como será sua ceia aos sessenta anos e todo jovem crê-se imune à solidão - eu, inclusive.

Pois eis que é chegada a hora; olho em volta e nada ou ninguém vejo. Impossibilitado momentaneamente de ver meu filho - novamente uma calamidade imperdoável - sigo derivando e relembrando os antigos natais de infância. E é aí que o bicho pega.

Refugio-me vivendo uma ceia virtual, de hologramas da memória, pois as árvores que me cercavam e davam sua sombra se foram, todas.

Natal é família; pais, filhos e netos reunidos, e nada sobrou da minha.

Natal é hora de rever amigos, brindar com eles e não tenho mais nenhum.

Natal é hora do suave vinho com a amada, e sou só.

Talvez fechando os olhos passe mais rápido, e eu só acorde em 2025.

Feliz Natal para quem tem o privilégio e o tormento de ter uma família - bebam um Jack Daniel's por mim!


Walter Biancardine





domingo, 3 de novembro de 2024

POR QUEM OS SINOS DOBRAM?

 


Na famosa novela de Ernest Hemingway um homem chamado Roberto, dinamitador inglês, chega ao esconderijo de guerrilheiros a favor da república espanhola e conhece Maria, uma bela mulher que havia sido salva pelo grupo.

Não houve romance, a não ser em suas almas e na linguagem muda dos sentimentos. Eram tempos de uma sangrenta guerra civil, cotidiano de medo, caos e Guernica. A atração foi imediata, a morte os espreitava e, sem maiores conversas ou galanteios se uniram em amor, pois o amanhã era improvável.

O tema enfoca o quanto o sangue alheio nos importa, e a pressa do amor diante da morte - morte essa, por vezes, de quem sequer conhecemos: "Nenhum homem é uma ilha, inteiramente isolado; todo homem é um pedaço de um continente, uma parte de um todo. Se um torrão de terra for levado pelas águas até o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar de teus amigos ou o teu próprio; assim, a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti", escreveu John Donne.

A velhice leva o homem á guerra civil de sua existência; a luta cotidiana contra o fim de seus dias, a ceifadeira sempre à espreita – hoje, amanhã, depois. Quem sabe?

Sob o impiedoso ataque dos dias, meses ou anos, aqueles que ousaram resistir ao tempo aprenderam que já não mais restam tantos entardeceres para o romance e, tal qual Roberto e Maria, devem expressar seu amor urgente através de olhares, gestos e mesmo tons de voz.

Para mulheres mais jovens, impossível crer que tal secura tenha nascido sob manto tão pesado; para as mais velhas, o medo – de tudo, todos e da pouca vida que resta – as impede, em forma de recato.

Assim, os velhos percebem-se isolados e lamentam a falta de pedaços do coração, que oceanos tempestuosos da vida levaram. Muitos disso se dão conta, buscando a juventude no fundo de um copo ou em conversas desaforadas e mentirosas com amigos.

Mas pouquíssimos – homens ou mulheres – cresceram e resignaram-se ao ponto de considerar que nenhum sentimento é uma ilha.

Sim, pois todo amor é parte de um coração, de uma história, e se tal fervor for levado pelos dias negros da vida, o homem diminui-se: torna-se menor e apartado, como náufrago em ilha deserta, cercado apenas de lembranças por todos os lados. Assim é o fim de cada amor, somado ao tempo impiedoso, que insiste em passar; corações amputados de tais pedaços, esses, tanto nos diminuem por também sermos sentimentos, coração e história.

Solidão é o tamanho do espaço que sobra à nossa volta e corações sofridos são minúsculas ilhas, cercadas por um oceano de indiferença juvenil e bela.

Por isso não perguntes por quem os velhos choram. 

Eles choram por ti.


Walter Biancardine



segunda-feira, 28 de outubro de 2024

POR TODA ETERNIDADE

 


Um texto de uma moça que não conheço, chamada Rosemeri Martins, eventualmente visto em redes sociais mas que abriu-me o coração:

"Porto Alegre, 1983 -

O Hotel Majestic colocou Mário Quintana no olho da rua.

A miséria havia chegado absoluta ao universo do poeta.

Mário não se casou e não tinha filhos.

Estava só, falido, desesperançoso e sem ter para onde ir.

O porteiro do hotel, jogou na calçada um agasalho de Mário, que tinha ficado no quarto, e disse com frieza: - Toma, velho!

Derrotado, recitou ao porteiro: - A poesia não se entrega a quem a define.

Mário estava só.

Absolutamente só.

Onde estavam os passarinhos?

A sarjeta aguardava o ancião. Alguém como Mário Quintana jogado à própria sorte!

Paulo Roberto Falcão, que jogava na Roma, à época, estava de férias em sua cidade natal e soube do acontecido.

Imediatamente se dirigiu ao hotel e observou aquela cena absurda.

Triste, Mário chorava.

O craque estacionou seu carro, caminhou até o poeta e indagou: - Sr. Quintana, o que está acontecendo?

Mário ergueu os olhos e enxugou as lágrimas - daquelas que insistem em povoar os olhos dos poetas - e, reconhecendo o craque, lhe disse: - Quisera não fossem lágrimas, quisera eu não fosse um poeta, quisera ouvisse os conselhos de minha mãe e fosse engenheiro, médico, professor. Ninguém vive de comer poesia.

Mário explicou a Falcão que todo seu dinheiro acabara, que tudo o que possuía não era suficiente para pagar sequer uma diária do hotel.

Seus bens se resumiam apenas às malas depositadas na calçada.

De súbito, Falcão colocou a bagagem em seu carro, no mais completo silêncio.

E, em silencio, abriu a porta para Mario e o convidou a sentar-se no banco do carona.

Manobrou e estacionou na garagem de um outro hotel, o pomposo Royal.

Desceu as malas.

Chamou o gerente e lhe disse: - O Sr. Quintana agora é meu hóspede!

Por quanto tempo, Sr. Falcão? - indagou o funcionário.

O jogador observou o olhar tímido e surpreso do poeta e, enquanto o abraçava, comovido, respondeu: - POR TODA ETERNIDADE.

O Hotel Royal pertencia ao jogador!

O poeta faleceu em 1994.

Por isso sou fã desse ex jogador!

POR TODA ETERNIDADE"

__ O Hotel Majestic, abriga hoje em dia, a Casa de Cultura Mário Quintana, na Rua dos Andradas ( conhecida como Rua da Praia) no Centro Histórico de Porto Alegre -RS


Não me contive, e escrevi:

Não sou poeta, apenas teimoso prosador.

Não tenho o dom divino de um Quintana, não arrebato almas e sentimentos de ninguém, eis que somente escrevo nossas misérias cotidianas e derivo em sonhos filosóficos.

Não tenho amigos ricos ou poderosos, apenas um único - e sob seu teto vivo até hoje, abençoada mão estendida.

Jamais serei lembrado, muito menos louvado e aclamado.

Mas algo em comum tenho com o poeta: ambos conhecemos o gosto da rua, do desalento; saber-se em fim de linha à caminho da morte indigente.

Se em nada me posso comparar aos grandes, ao menos sobreviví ao oblivio - a carne, não o dom.

Mas já me basta ao meu orgulho combalido.

Não fale da fome, do desamparo e da solidão quem jamais os viveu em casos terminais - tudo isso pode rechear as páginas de um romance ou inspirar versos, mas não alimenta a barriga nem nos mantém de pé.

Bendito seja Deus, que me deu um único amigo e sua mão estendida.

Mesmo novamente de pé, jamais o esquecerei.


Walter Biancardine



terça-feira, 15 de outubro de 2024

PENSO, LOGO DESANIMO

 


Tenho lutado uma batalha inglória contra o desânimo, contra a sensação de mentir para mim mesmo e insistir em não enxergar que agora é tarde – não há mais lugar para mim, a vida está lotada e seguiu em frente.

Não há como me comparar a um jovem brilhante, verdadeiramente portador de um dom e grande promessa em sua vocação: tal jovem terá, ao mínimo, mais uns 40 anos de produtividade e ascensão profissional, encantando a todos por sua precoce perspicácia e eficiência.

Um velho não deslumbra ninguém. Não há dom, mas experiência. Não há brilho, apenas o mínimo que se poderia esperar dele. Não nos faz transcender, mas nos deprime em sua decrepitude física e lembrança da morte iminente. Para piorar, nos obriga a perdoar eventuais esquecimentos e a sublimar as inúmeras rugas – físicas e espirituais – indisfarçáveis em suas produções, cada vez mais esparsas.

Mas teimo em mentir para mim mesmo, fingindo acreditar que submeter-me a um ritmo alucinado de trabalho – ao menos para meus 60 anos – escrevendo para duas revistas ao mesmo tempo e sem nada receber por isso  estará “abrindo portas para que alguma oportunidade apareça”.

Sim, nada recebo e trabalho de graça. Mas creio, piamente, que me abrirá portas para alguma oportunidade. Apenas desconheço quais chances estariam disponíveis para quem já não tem mais o viço da juventude ou, sequer, o dom dado por Deus. Ao contrário dos jovens talentosos, velhos como eu não são promessas, mas lembranças.

Bati em muitas portas; em algumas até ouvi elogios, mas não há quem se arrisque a pagar salários a um velho – curto prazo de vida útil e, pior, sem nenhum dom.

Mesmo os três livros que venho escrevendo, destes quase tenho desistido. Embrenhar-me em ensaios filosóficos sobre determinismo e livre arbítrio, a influência das ideologias sobre o estilo cotidiano ou mesmo uma introspectiva análise sobre solidão e transcendência pouco ou nada me dizem, neste momento.

Diante das pífias vendas de meus livros anteriores ou as nenhumas repercussões de meus artigos, a mera lógica aponta que ninguém está realmente interessado naquilo que um velho, desconhecido e apenas mediano autor tem a dizer. Sinto-me tentado a voltar à ficção, criar histórias sem a exaustão intelectual que teses filosóficas me provocam e, nelas, desaguar todo o velho hábito de escrever que ainda tenho – útil ferramenta que me ocupa os dias e esconde a solidão.

Sim, a solidão. Não basta apenas pensar-me um inútil, é impossível esquecer que sou um excluído: sem amigos, sem família, sem trabalho, sem colegas, sem vizinhos – pois moro no meio do mato – e sem, sequer, ter onde cair morto pois a casinha em que vivo me é emprestada pelo favor da única alma que ainda me enxerga ocupando um lugar no espaço.

Isolado do mundo profissional, desaparecido do mundo pessoal e sem um tostão no bolso, considero-me um cadáver, que insiste em vagar pelo mundo dos vivos mentindo para si mesmo, e fazendo de conta que o cheiro de sua putrefação não é notado por ninguém.

Vivo de lembranças e esperanças, o tempo presente a idade me tirou.

Mas não se preocupem com tais momentos de tristeza, pois amanhã estarei melhor e escrevendo novos artigos gratuitos.

Sabe lá se alguém os "lê e abre uma porta" para mim?

Sim, na velhice a mentira é terapêutica.


Walter Biancardine

quinta-feira, 3 de outubro de 2024

ENEL: UM MONOPÓLIO PRIVADO -

 


Depois de três dias de trevas, sem energia elétrica e que me deixou sem internet - notícias e trabalho - sem geladeira (tudo estragou), sem tomar banho (acreditem, sem energia a bomba de água não funciona) e quase enlouquecendo, nas noites e madrugadas absolutamente escuras destes vastos pastos, eis-me aqui de volta.

O problema foi causado por uma "banana" - espécie de disjuntor - em um dos postes de transmissão, na estrada em frente onde moro. Houve alguma sobrecarga, ela desarmou (como todo disjuntor) e, para consertar, bastaria um funcionário com o bastão apropriado para religá-la, Sim, só isso, e que pode ser feito em cinco minutos sem, sequer, subir ao poste.

Pois bem: após três dias, nove reclamações à Enel, uma reclamação à ANEEL e mais uma queixa ao programa de meu amigo Eduander “Panorama”, aparentemente o problema foi solucionado.

Dois pontos nisso tudo merecem destaque: o primeiro é o absoluto descaso que a Enel ostenta aos seus clientes, principalmente aos que, como eu, moram em áreas rurais e são de baixa renda. Bem sabem eles que nenhum poder econômico ou - muito menos - político nós temos e, por isso, nos desprezam.

O segundo é a necessidade de aprendermos que fomos vítimas de um engodo esquerdista, promovido pelo sr. Fernando Henrique Cardoso em seus anos na presidência do Brasil, quando levou à cabo seu conhecido e extenso programa de privatizações.

Áreas como a telefonia, água e esgoto e energia elétrica foram privatizadas sob a alegação que "a concorrência entre as empresas favoreceria o consumidor, não só pela qualidade dos serviços como, também, pelos preços cobrados". Pois bem, à exceção da telefonia celular, todas as demais áreas simplesmente transformaram-se, de monopólios estatais, para monopólios privados!

Quais opções tenho, se estou insatisfeito com a Enel ou mesmo Prolagos? Há outra opção? Não, e para que uma companhia destas perca seu contrato com o Estado seria necessário um escândalo sem precedentes, amparado por extensos e vantajosos acordos políticos.

Reconheço que, em minha ignorância na engenharia civil e urbanismo (apesar de minha faculdade de arquitetura), pouco ou nada consigo imaginar em termos dois ou mais encanamentos de água e esgoto por baixo das ruas e calçadas ou fiações de várias companhias elétricas compartilhando o mesmo poste. A logística é, de fato, difícil.

Isto não nos exime, entretanto, da obrigação em cobrar tais companhias e mesmo exigir ações contundentes do Poder Público - concedente da licença - contra empresas relapsas ou incompetentes.

Somos nós, pagando nossas contas em dia, que concedemos a tais empresas suas condições de funcionamento, lucratividade e mesmo salários de funcionários, diretores e suas excelsas presidências.

Também somos nós, votando em pessoas certas, que "assinamos uma procuração" para que o eleito represente nossos interesses e conveniências - todos são nossos empregados.

Sim, o povo é quem manda.



Walter Biancardine




quarta-feira, 21 de agosto de 2024

CONFISSÕES INDECENTES -

 


Haveremos de concordar que a palavra “acostumar” é um verbo perigoso, e mais traiçoeiro torna-se a depender da ocasião em que é dito e, pior, por quem é utilizado.

O brasileiro médio se “acostumou” à criminalidade onipresente nas ruas; fulano pode comer baiacu pois já está “acostumado”, beltrana “acostumou” às surras que leva do marido ou mesmo sicrano está “acostumado” a subir no telhado. Tudo isso, mais que um jeito coloquial de falar, reflete a aceitação passiva de fatos inusitados ou, até mesmo, ilegais – e, de fato, nos “acostumamos” a ter o STF montado em nossos cangotes, controlando, regulando e impondo o que bem entender, de acordo com as onze Constituições vigentes naquela casa, em Brasília.

Quando o Ministro Luís Roberto Barroso afirma que “houve uma mudança no papel do STF nos últimos tempos”, ele não está mentindo: de fato – e bem o sabemos, em nossa própria pele – houve, só que, tal como as sentenças acima, nos “acostumamos” a isso e sequer pouco ligamos.

Fossemos menos bovinos e perguntaríamos quem mudou esse papel? Quem autorizou? Qual lei assim prevê e o permite?

Ninguém, essa é a verdade. Assim, tal declaração significa verdadeira confissão de culpa e admissão do reconhecimento daquela casa como um “Soviete Supremo”, um desvio inconstitucional de suas atribuições, a impor o arbítrio togado por sobre todo o país.

Barroso diz que “o judiciário deixou de ser um departamento técnico especializado e passou a ser um poder político” e isso nos leva a outra pergunta: quantos votos ele teve? Quem os elegeu para tal finalidade? Em último caso, indaguemos quando ocorreram tais eleições porque, eu ao menos, sequer tomei conhecimento ou ouvi propagandas eleitorais.

E então percebemos que o feio defeito de “acostumar” não contamina somente a nós, raia miúda: o mesmo infecta, igualmente, figuras de alto escalão como este senhor togado que, “acostumado” que está com o poder nas mãos, sequer enrubesce ao dar declarações como essa. Foram absurdas? Sim, foram, mas Barroso está “acostumado”… Reagiremos? Não, pois também estamos “acostumados” ao arbítrio, às ilegalidades e desvios de função, nesta gloriosa República.

O brasileiro se acostumou a acostumar-se.

Triste fim.


Walter Biancardine






sábado, 3 de agosto de 2024

ALMA NOBRE -


Acossado por diversos compromissos, não houve como postar meu artigo diário ontem. Entretanto, já havia planejado para este sábado - dia ameno, em geral - escrever algumas breves linhas em agradecimento à alma caridosa que presenteou-me com obeso PIX e salvou a estiagem de meus rendimentos, fazendo chover em minha horta.

Não estou autorizado a citar seu nome e tão pouco o conheço. Aliás, sequer sei qual plataforma teria inspirado a generosidade, pois não há nenhum comentário com seu nome no YouTube ou mesmo X-Twitter, Facebook, Instagram ou sequer em minha página pessoal.

Na verdade, tal busca deveu-se apenas à vontade de agradecê-lo diretamente, mas o que importa é que - contrariando artigo por mim escrito, recentemente - ainda existem brasileiros desejosos de contribuir em causas que acreditam ou apoiar financeiramente pessoas ou instituições, que espelhem seus pensamentos e sejam sua voz perante muitos.

Infelizmente esta boa alma é uma exceção, ou meus agradecimentos seriam feitos de modo mais genérico, a um número indefinido de pessoas.

Não encerro estas linhas, entretanto, sem fazer meus agradecimentos públicos a tal pessoa generosa e que me deixa ciente da enorme responsabilidade que tenho, ao escrever sobre o que for.

Deixo um 'muito obrigado' ao meu benfeitor e desejo um excelente fim de semana a todos!


Walter Biancardine



quinta-feira, 1 de agosto de 2024

VÍCIOS DE LINGUAGEM -



Nada difícil encontrar pessoas cultas, inclusive com preparo acadêmico e que, por circunstâncias diversas, acabam por adotar termos e expressões pertencentes a determinados círculos sociais, profissionais ou até religiosos, epidemicamente crescentes nos dias atuais.

Acabo de ver uma doutora, médica, que luta pela inclusão de novos medicamentos contra a DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica) no SUS. À parte a nobre causa que está envolvida, contudo, entristece-me ver que mesmo alguém como ela está empenhada para que novos remédios sejam "OFERTADOS" pelo Sistema Único de Saúde.

"OFERTADOS"? Serão colocados em um altar e destinados, em holocausto, à Deus? Ou ela quis dizer "OFERECIDOS"?

Não condenem a doutora, pois tal cacoete difundiu-se tão gravemente pelo Brasil que hoje, dificilmente, se escutará alguém usar o termo correto, independente de suas convicções religiosas - sim, pois tal expressão é característica de fiéis evangélicos.

E não ficamos apenas nesta palavra, pois até "coisas" como o termo "desconstrução" - sabidamente pertencente à militância esquerdista - é desavergonhadamente utilizado por notórios - e autointitulados - direitistas.

Tristemente, a verdade é que a adoção de termos e expressões, tais como as citadas acima, apenas reflete a pobreza vernacular de quem tenta se expressar e não encontra as palavras necessárias e corretas.

Mais triste ainda é o fato de que um povo que não encontra palavras para falar, também não encontrará para pensar: não há como refletir sobre algo que não conseguimos expressar, e o crescimento de orelhas asininas é inevitável e certo.

Há que se ler, e muito. Aprender, ampliar o vocabulário e ter o poder de pensar e falar.

Um Machado - de Assis - pode abrir poderosa clareira no denso matagal da ignorância.


Walter Biancardine



terça-feira, 30 de julho de 2024

ZOOLÓGICO HUMANO -


Qual a mensagem por trás do show de deformidades, na abertura das Olimpíadas?

O entendimento é fácil e primário: tal como um mendigo exibe a perna purulenta em busca de esmolas, estes outros desfilam suas chagas morais e físicas em clara intenção de agredir, misturada com busca de piedade e bem mais, além disso.

A agressividade explícita em todos estes eventos deixa claro que eles nos desejam iguais, em suas desgraças. Seremos disformes como eles, pervertidos como eles, atormentados como eles e sofreremos - por culpa das taras e perversões - tal como eles.

Se nos recusarmos, ameaçam-nos com suas leis, seu predomínio e impõem obrigatoriedade em servi-los, adulá-los e confessarmos nossa inferioridade.

Almas assim convivem com o ódio de si mesmo, complexos de inferioridade, sociopatias graves, toneladas de antidepressivos e a mais atormentadora solidão. 

Mas são alimentados - feito feras - pela grande mídia, que os exibe e proclama sua "superioridade", no triste e diário zoológico da comunicação global.

Já sofrem, na prática, a condenação das almas.

Detalhe: ainda em vida.


Walter Biancardine



segunda-feira, 29 de julho de 2024

HORA DE REPENSAR -


Não é de hoje que a censura se abate nas redes sociais, seja por imposição da ditadura ou de livre iniciativa, já que Google, Facebook e tantas outras pertencem a metacapitalistas globalistas.

Sabemos, entretanto, que vídeos e fotos podem ser usadas como desmentidos cabais das mentiras noticiadas pela grande mídia ou proferida por governos espúrios e, por isso, são alvos preferenciais de ações censórias. Mesmo canais do YouTube onde uma pessoa apenas argumenta, sem valer-se de fotografias, prints ou vídeos, também é igualmente retaliado pelo poder de persuasão que a palavra pode exercer sobre as pessoas - não à toa existem a retórica, oratória e outras ferramentas de convencimento através do discurso.

O que é novidade - e que tive o desprazer de ser "desvirginado" pela mesma - é a ação censória contra a palavra escrita; algo somente visto nos regimes mais absolutistas e repressivos que já existiram.

Cabe notar que - para o bem de minha vaidade profissional e frustração da missão a qual sou imbuído - este tipo de censura, sobre aquilo que é escrito, normalmente é exercida mirando grandes escritores, verdadeiros magos literários e senhores de tamanha carpintaria gramatical que a simples leitura de seus textos, artigos ou livros pode abrir os olhos de toda uma população e subverter, perigosamente, o silêncio imposto pelas ditaduras.

Quando a gigantesca Google, através do Blogspot, veta e exclui meu artigo sobre a perseguição lacradora contra o jornalista Emílio Surita - algo que eu, com 27 vídeos excluídos, 3 contas extintas no Twitter e censuras contumazes no Facebook jamais havia sofrido, em 15 anos de página pessoal - isto quase me envaidece, fazendo com que meu ego carente considere a mim mesmo um verdadeiro artista das letras e, portanto, "merecedor" de tais atenções e perseguições, normalmente reservada aos grandes escritores.

Por outro lado, é inevitável a sensação de pequenez diante de forças tão enormes, que jogam no lixo anos de estudos, análises, buscas de aperfeiçoamentos pessoais e mesmo espirituais, invalidando todas os esforços por cultura superior, conhecimento e elevação do nível de consciência.

De modo pior e raiando a paranóia, chego a temer que tal inclemência desta ditadura chegue - quem sabe? - ao ponto de retirar, vetar ou mesmo proibir os livros que já escrevi e, pior, inviabilize minhas pretensões de publicar, futuramente, em quaisquer editoras.

Para finalizar, confesso que ainda não decidi como devo pensar ou mesmo reagir. De um lado, a fúria contra o despotismo arbitrário e ditatorial em que vivemos e, por outro, a secreta alegria - vaidade mesmo - por desconfiar ser um escritor de calibre bem superior ao que eu mesmo me classificava.

Abandonei o YouTube por causa da censura e meus vídeos roubados - digo, excluídos. Agora, meu artigo foi roubado - digo, excluído - pelo Google.

Se sou censurado onde quer que eu vá, talvez seja a hora de reconsiderar a volta ao YouTube.

Veremos.


Walter Biancardine



A CENSURA, O ÓDIO E OS PRIVILÉGIOS DAS "MINORIAS" -


Mantenho minha página pessoal desde 2007 e, nestes 17 anos de publicações, JAMAIS TIVE UMA POSTAGEM EXCLUÍDA.

Já sofrí 27 exclusões de vídeos (roubos, porque sequer posso baixá-los para mim) no YouTube - o qual é desmonetizado e está em "Shadow Ban" até hoje -, o X-Twitter fechou três (03) perfis meus (sempre às vésperas de eleições), o Telegram já excluiu minha conta uma vez e mesmo o Facebook igualmente censurou-me inúmeras vezes como, tal qual todas as outras redes, mantém-me em "Shadow Ban".

Pois bem, hoje chegou o dia de censurarem o que se escreve, estuprarem a livre expressão de ideias, violarem a Constituição - que me garante a liberdade de expressão - e, de simples plataforma de publicação de opiniões alheias, o Google e sua subsidiária, Blogspot transformaram-se em editoras das visões e óticas de terceiros.

O que há de inaudito nesta CENSURA do Blogspot é o fato de REMOVEREM um artigo, algo escrito, tal qual os piores regimes ditatoriais fazem com livros e revistas, recolhendo-os das bancas, lojas e queimando-os em praça pública.

Inadmissível, criminoso, baixo, torpe e verdadeiro troféu que a atual DITADURA DO JUDICIÁRIO BRASILEIRO, bem como o ÓDIO WOKE GLOBAL - o mesmo que nos "presenteou" com o BACANAL OLÍMPICO - podem ostentar, classificando o leitor como um estúpido e o autor como depravado, capaz de sequelar mentes com suas opinões.

Recorri desta CENSURA MEDIEVAL, mas sob outro título - menos "ofensivo" à minorias tão pudicas, REPOSTEI o artigo, cujo link segue abaixo: https://walterbiancardine.blogspot.com/.../preferencias...

Igualmente, ilustra este artigo um print do e-mail que recebi hoje, comunicando que meu escrito foi lançado às fogueiras medievais das trevas lacradoras:


Acesse o link e divulgue o artigo, sempre frisando: NO BRASIL JÁ SE QUEIMAM LIVROS!!!!


Walter Biancardine



PREFERÊNCIAS NÃO SÃO PRIVILÉGIOS - A CENSURA É UMA ARMA


 Tempos idos, ainda Presidente ou depois VP do motoclube que fundei, usávamos um ditado bastante popular no meio motociclístico: “o que acontece na estrada, fica na estrada”.

Sirvo-me de tais dizeres para fazer analogia com todos aqueles que souberam-se, em algum momento, homossexuais e seguiram suas vidas sem maiores problemas. E por quê faço isso?

Em primeiro lugar é preciso deixar claro que tenho amigos gays, trans, negros, amarelos, herbívoros e alguns até, suspeito, extra-terrestres. Sempre tive relações excelentes com os mais próximos e cordiais com os mais afastados e pouco se me dá o que fazem nas intimidades de seus quartos – do mesmo modo que creio ser um abuso intrusivo especularem sobre meus próprios hábitos sexuais, até porque Caetano Veloso já dizia que “de perto, ninguém é normal”.

O problema não é o que fazemos na cama: o problema é quando nos deixamos levar como massa de manobra de alpinistas políticos, oportunistas demagogos, que rotulam escolhas sexuais como “bandeiras de luta” e as transformam, de simples preferências, em “luta por direitos” – como se o fato do sujeito gostar de um boy magia o transformasse, automaticamente, em membro de uma minoria perseguida e morta – antes mesmo do café da manhã – por “nazistas, fascistas, direitistas” e etc.

Usar características pessoais como bandeiras ideológicas é golpe sujo, estelionato político, má-fé eleitoreira mas que, com o amparo da grande mídia – sempre ela, a eterna criminosa – arrebanha defensores até mesmo fora do espectro sexual abrangido. 

A mãe do falecido humorista Paulo Gustavo, que tornou-se famoso com personagens femininos ou que satirizavam gays, é uma dessas pessoas que condenam héteros satirizando homossexuais mas esquecem-se, convenientemente, que seu próprio filho beneficiou-se deste mesmo tipo de humor. Um negro pode chamar a si próprio de "crioulo" (tal como aquele cantor) e tudo estará ok. Gays podem chamarem-se "bichas", em referências entre si, e igualmente não haverá problemas. Mas se eu apontar o dedo para um crioulo bicha na rua, serei eletrocutado na cadeira elétrica, é isso?

Infelizmente, tais idiossincrasias são uma das razões do linchamento moral que o nosso grande Emílio Surita (Pânico na TV, Jovem Pan) enfrenta.

Jamais vivemos tempos tão liberais em termos de sexualidade mas, paradoxalmente, pudicos em relação a quaisquer comentários ou, principalmente, piadas sobre ela. A verdadeira peste negra do pensamento, o “politicamente correto”, manietou a liberdade de fazermos simples comentários e matou – a sangue frio – o humor no mundo. Tudo é “discriminação”, tudo é “racismo”, “homofobia” e, segundo tais histéricos, o ser humano não tem o direito de comentar, ter opiniões ou mesmo fazer piadas.

O caso se deu pelo fato do excelente Surita ter imitado, de maneira humorística e em um programa misto de informativo e humor, alguém conhecido do público e que é homossexual. A atual direção da Jovem Pan – vendida e submissa à nossa ditadura – entendeu como verdadeira “blasfêmia” contra os “sacrossantos” e supostos “direitos” dos gays e isso bastou para dar o início a uma chuva de comentários, irados e raivosos, contra o pobre Emílio – que só fez uma piada.

Pergunto: um conhecido Foucault, que gastava-se em hipóteses filosóficas vãs e depois ia a clubes gays para deixar-se chibatear por garotões, deveria ter direitos diferenciados por isso? Um sujeito que apaixonou-se por outro cara deve ter algum privilégio legal, tal como leis específicas para ele? Ou mesmo meu falecido amigo Sergei – padroeiro do Rock and Roll – que transava com samambaias, mereceria leis que o “protegessem”?

Por óbvio que existe preconceito contra gays. Mas também existe contra nordestinos, negros, japoneses e até contra motociclistas (“são todos uns bandidos”) ou gente que usa óculos, os eternos “quatro-olhos”. Mas vale notar que o preconceito – no referente da palavra – só se dá quando o gay, negro ou seja quem for, é literalmente prejudicado, preterido ou discriminado por isso, tal como em uma seleção de emprego ou na utilização de um elevador – e exemplifico com elevadores propositalmente, pois remete diretamente aos banheiros masculinos e femininos.

A biologia não muda, e só existem dois sexos. Um trans terá de usar o banheiro masculino e pronto, pois a transexualidade – mais que uma homossexualidade de nascença – é uma escolha pessoal e o fato de alguém “sentir-se uma mulher”, árvore ou cachorro não cambiará seus cromossomos ou teores de testosterona. Isso não é preconceito, é fato.

Por outro lado, ao encontrar um amigo trans e o mesmo exibir o real aspecto de uma mulher – e conheço alguns assim – eu o chamarei de “ela” e cumprimentarei com um par de beijos no rosto, pois é o que meus olhos veem e pouco se me dá se utilizará o banheiro masculino. Já um Pablo Vittar, por exemplo, para mim é “ele” – pois é o que meus olhos veem – e fim de papo. Como me definiriam agora? “Nazista, fascista, direitista, taxista, onanista” ou “bicha enrustida”?

Quando alguém é ofendido por sua cor ou escolhas pessoais – sejam sexuais ou mesmo políticas – tal fato merece a execração do círculo de pessoas, o repúdio da sociedade contra aquele que assim age, mas nunca o longo braço do Estado onipresente punindo, por vias legais, um simples imbecil. E este é o risco que Emílio Surita corre, atualmente.

Quando uma ideologia castra-nos o riso, o sagrado direito de fazer piadas sobre os outros, tal fato apenas espelha uma conjuntura doente e que regrediu o povo aquém de uma das principais características da vida em sociedade, impondo um cotidiano sisudo, soturno, que nos ameaça até mesmo pela eventualidade de nossos pensamentos ou espontaneidade de opiniões – e isso é doença, causada por um Estado mau e opressor.

Nada tenho contra gays ou trans, mas abomino os “movimentos gays”, siglas com quase um alfabeto inteiro que as defina – pois que para cada gosto criou-se uma nova “espécie” sexual – ou quaisquer e óbvios instrumentos de utilização das pessoas como simples massa de manobra política.

Tal pensamento também se estende aos negros, nordestinos, gordos ou seja lá quais forem as novas categorias de “minorias discriminadas” que, diariamente, a mídia inventa.

O que fazem com Emílio Surita é pura catarse, expectoração de ódios e recalques pessoais – muitos de nascença e outros impostos pela mídia – e todo o escândalo nos mostra, na justa medida, as enormes dimensões de uma máquina política criada para arrebanhar e cevar grande e inocente massa de manobra, nutrindo-os com a clara fúria divisionista esquerdista.

Um gay que deseje casar não mudará os dogmas e a Verdade Revelada.

Um trans que precise ir ao banheiro – por linda que seja – usará o banheiro masculino, pois o DNA não converteu-se.

Um homem qualquer continuará fazendo piadas sobre magricelos, gente de óculos, gays, mulheres dirigindo, negros ou até macumbeiros, pois ideologias só transformam a psique quando aquele que a adota sucumbe ao poder patológico de seu doutrinador, e torna-se um doente – não um idealista.

Que Emílio Surita largue a pútrida Jovem Pan em boa hora, pois tanto ele quanto seus associados no Pânico serão muito bem vindos ao nosso “suposto Gabinete do Ódio” conservador, que contamina a internet com as verdades que ninguém quer ouvir.


Walter Biancardine


domingo, 28 de julho de 2024

QUANDO PASSAMOS DO LIMITE - BACANAL OLÍMPICO


Basta ver a ilustração acima: tal como escrevi em meu artigo de ontem, "talvez estejamos em um raro momento da humanidade em que reina o assombro mútuo, tanto por parte dos agressores quanto dos agredidos, ambos pasmos com a enormidade do ato.

Os agressores sentem, neste momento, que ultrapassaram – em escala bíblica – todos os limites da ignomínia, baixeza e depravação em sua ânsia iconoclasta, revelando-se verdadeiramente surpresos com as dimensões inauditas das enormidades cometidas."

Acertei em cheio. Não apenas os patrocinadores correm em debandada como até mesmo inusitado "apagão" tomou conta das ruas de Paris, restando iluminada apenas a Basílica católica...

Surpresos com a própria podridão, agora tentam se desculpar...

sábado, 27 de julho de 2024

A BABILÔNIA FESTIVA DE MACRON: VITÓRIA DA AGENDA WOKE 2030?

 


Um misto dos mais alucinados filmes de Fellini com toques do pavoroso “Pink Flamingos” (Divine/ John Waters) e toneladas de pornografia, deboches e deformações dos mais simbólicos e caros elementos do cristianismo: assim podemos resumir, de modo bastante breve e comedido, a abertura das Olimpíadas 2024 em Paris, França.

Em verdadeiro acesso de vômito, uma hemoptise cultural, expuseram ao mundo um show de péssimo gosto, envolvendo drag queens caricatas e demônios – sim, pois o mesmo lá esteve como anfitrião e representado por incontáveis símbolos, que esbofetearam não somente a cara de Jesus Cristo como, também, de toda a sociedade judaico-cristã ocidental – mera exibição e promoção de rituais satânicos, práticas anormais e psicopáticas.

Exultante, o auxiliar corcunda de Belzebú – mais conhecido como Macron – exclamou: “Conseguimos!”, e talvez semelhante besta apocalíptica não esteja, de todo, errada. Com sua aprovação, na capital de seu país (que foi, outrora, referência em cultura, civilização e mesmo finesse para o mundo), o Primeiro Ministro Quasímodo exibiu ao mundo estupefato não uma simples festa de abertura de Jogos Olímpicos, mas uma real missa satânica.

Um atleta brasileiro, que competirá no surf, não pode representar o Cristo Redentor na sua prancha mas travestis puderam escarnecer Jesus na abertura, profanando descaradamente a Santa Ceia na cerimônia – sim, o surfista “Chumbinho” foi obrigado a remover a pintura do Cristo Redentor em suas pranchas porque “os jogos tem regras focadas na neutralidade religiosa”… Certamente tal “neutralidade” foi deixada bem clara nos deboches aos valores cristãos – sempre representados por deformidades humanas no palco – enquanto a religião de Maomé sequer foi lembrada por nenhum dos marginais hereges envolvidos.

Curioso comportamento de isenção, em um país que teve um jornal dizimado e jornalistas mortos à bomba – Charlie Hebdo – apenas por terem feito uma charge de Maomé. Talvez o segredo para os cristãos obterem um mínimo de respeito seja esse: para cada deboche, dez almas.

Donald Trump disse: “A cerimônia das Olimpíadas foi um show de drag satânico. Eles estavam zombando de Deus, dos cristãos e do cristianismo. Vou parar com esse satanismo doentio já no primeiro dia”, afirmou. E não é preciso ser um estudioso do simbolismo religioso para identificar, de pronto, todas as ofensas que foram atiradas às faces cristãs, tais como bezerros de ouro, cavaleiros do apocalipse, entre outros.

Tal festa bacante – bacanal – exibiu sobejamente o colapso da civilização e da cultura cristã na Europa Ocidental, com travestis retratando a Última Ceia, mas os organizadores das Olimpíadas declararam, candidamente, que a imagem é apenas “interpretação do deus grego Dionísio, para nos tornar conscientes do absurdo da violência entre os seres humanos" – e talvez estejamos presenciando o ápice da hipocrisia que um satanista confesso possa alcançar, confiante em nossa passividade quase apóstata.

Uma criança – sim, elas não podem faltar em tais tipos de bacanais – em meio a drag queens, representava o papel de discípula enquanto uma mulher, obesa ao limiar da explosão, aparecia no centro fazendo às vezes de Jesus, em clara escatologia (uso o termo como sinônimo de cropologia) e nos remetendo à Santa Ceia – pura profanação – e dando a chocante percepção que todos os telespectadores tiveram, ao assistir semelhante e bizarra cena.

A conhecida Karina Michelin escreveu, no X-Twitter, que “não é a França somente que fala, mas sim uma minoria da esquerda radical, progressista, filhos do globalismo prontos para qualquer provocação e degradação da humanidade.”, e a mesma está certíssima.

Também acrescentou que a Conferência Episcopal Francesa repudiou as cenas de zombaria do cristianismo, e constatou – tal como todos que assistiram o bacanal olímpico – que “os satanistas sequer tentaram esconder seu desdém pelo sagrado, vergonhosamente abordando todas as questões sociais que eles próprios criaram para fomentar o caos na humanidade”.

Segundo Karina, “está tudo bem para a religião satânica do Woke (pós-modernismo neo-marxista) zombar e debochar do cristianismo, afinal qual religião está dominando a França mesmo?”, pergunta. E eu respondo: a França – tal como Inglaterra e Alemanha – já é, de fato, um califado muçulmano e, por isso, nenhuma menção a quaisquer outras religiões foi feita.

Por óbvio a enormidade, mundialmente assistida, provocou revolta e fúria em milhões de pessoas (não as fazendo, entretanto, levantar do sofá para quebrar a cara dos apóstatas) e a reação dos procuradores de Belzebú não poderia ser outra: igual ao Brasil do STF, a censura.

Usando como pretexto a violação de “copyright” os procuradores de Satanás tentam, agora, controlar os danos causados pelo impacto negativo das ofensas, cometidas na cerimônia de abertura – melhor dizendo, bacanal – de ontem.

O conhecido Lorenzo Ridolfi diz que “praticamente todos os usuários da plataforma X receberam notificações de DMCA dos Jogos Olímpicos hoje. Mesmo que todos os clipes postados estivessem na diretriz de ‘20 segundos’ para eventos esportivos (a maioria dos clipes tinha menos de 10 segundos), os Jogos Olímpicos estão forçando a remoção desses vídeos”. E acrescenta: “eles estão tentando apagar e controlar a cobertura da cerimônia de abertura da noite passada. Não é difícil imaginar o motivo por trás dessa tentativa de censura, mas fica claro que há uma preocupação em suprimir as críticas e os comentários negativos que surgiram após o evento”.

Talvez estejamos em um raro momento da humanidade em que reina o assombro mútuo, tanto por parte dos agressores quanto dos agredidos, ambos pasmos com a enormidade do ato.

Os agressores sentem, neste momento, que ultrapassaram – em escala bíblica – todos os limites da ignomínia, baixeza e depravação em sua ânsia iconoclasta, revelando-se verdadeiramente surpresos com as dimensões inauditas das enormidades cometidas. Reagem censurando, buscando apoio em mitologias da era do bronze e, de alguma maneira, esperando emprestar um caráter não tão profano e belicoso ao bacanal que Macron – o Quasímodo de Paris – aplaudiu.

Os agredidos por sua vez – toda a civilização judaico-cristã ocidental – apavora-se e refugia-se em “prenúncios do fim do mundo”, para não ser obrigada a fazer o que verdadeiramente deveria ser feito; como seja, tirar dos armários as velhas espadas e roupas de “Cruzados”, Cavaleiros de Cristo, e empreender verdadeira e furiosa cruzada contra não apenas os inimigos da fé como, também, igualmente destruidores de nossa civilização e que, brevemente, nos escravizarão sem dó ou piedade.

Momento tristemente marcante na história do homem, a bacanal de abertura dos Jogos Olímpicos foi, na verdade, uma cerimônia de encerramento da humanidade por sobre a terra.

Bergoglio? Esqueça-o. E que a consciência dos eternos omissos seja-lhes leve.


Walter Biancardine








quarta-feira, 24 de julho de 2024

OS SÍMBOLOS EM TRUMP E O SONHO AMERICANO -

 


Recentemente comentei em meu perfil, no Facebook: “em Michigan, todos aguardando a chegada de Trump para seu comício de hoje. Enquanto isso, nos alto falantes, uma deliciosa ‘Dancing Queen’ ecoa pelo estádio. (...) PS: agora toca um bom e americaníssimo Elvis Presley. Um dia discorrerei sobre todos estes simbolismos evidentes.

Pois chegou a hora de falar sobre Trump e seus símbolos – o “sonho americano”.

Devolver à América sua grandeza perdida é a palavra de ordem que norteia e transpira em todas as aparições, discursos, falas e atitudes deste senhor Donald, o Trump. Entretanto, para o cidadão comum tal grandeza não se resume, necessariamente, ao poderio militar norte-americano; mesmo a parte que diretamente o afeta – mais empregos, menos impostos e uma vida confortável – se resumiria a uma coleção de chavões, promessas e propostas se não fossem acompanhados de elementos que atingem, em cheio, o subconsciente emocional da grande maioria dos habitantes daquele país.

O que era a “grandeza” americana, outrora ostentada e hoje perdida? Apenas dinheiro, poder militar e conforto?

Não, era muito mais que isso. Um verdadeiro universo de elementos afetivos, emocionais, lembranças de infância, músicas, casas, carros e outros detalhes, que tornavam aquele país prontamente identificável em qualquer fotografia exibida aleatoriamente, mesmo sem legendas ou descrições.

Como seria um retrato dos USA em 1975 – ano em que o Abba lançou seu sucesso “Dancing Queen” – ou mesmo nos anos 60, relembrados pelas canções de Elvis nos “rallyies” de Trump?

Nos bastaria, para ficarmos nos anos 60, rever alguns episódios das antigas e populares séries de TV, tais como “Jeannie é um Gênio” (I Dream of Jeannie) ou “A Feiticeira” (Bewitched), onde a sua poderosa indústria cinematográfica, por mais antiamericana que fosse em seu íntimo, refletia obrigatoriamente a vida invejável desfrutada pela classe média nativa, com suas grandes casas sem muros, dois enormes carros na garagem, uma infinidade de eletrodomésticos inacreditáveis e as doces confraternizações no “Thanks Given” ou Natal.

Neste passado glorioso – à parte os feitos heroicos da conquista do oeste – o eleitor de Trump deseja novamente morar naquelas espaçosas casas sem muros e, após um café da manhã cheio de cereais Kellog’s, despedir-se de sua esposa com um beijo, entrar em seu enorme conversível e rumar para o trabalho. A feliz mulher, por sua vez, colocará as crianças dentro da gigantesca “Station Wagon” estacionada na garagem e as levará para a escola, sem esquecer de dar uma passada no mercado depois, para trazer os dois infalíveis sacos de papel com pequenas compras, repletas de enlatados e congelados.

Ao ouvir um antigo sucesso de Elvis ou do grupo Abba, o americano médio é automaticamente transportado, em emoções e sentimentos, a toda aquela saudosa felicidade pacata cotidiana e a incomensurável sensação de segurança familiar – algo que, em muitos cidadãos, permanece em forma de carência e arraigada em seu cruel “day by day” da vida atual e adulta.

O que Donald Trump oferece não são apenas empregos, impostos mais baixos ou segurança em suas fronteiras. No universo do homem laranja, o pagador de impostos voltará a ter à sua volta todo aquele fabuloso, farto e seguro “american way of life”, difundido mundialmente por seus filmes e séries.

Na verdade, o ser humano médio – e pouco importa em qual país habite – vive uma onda “retrô” mundial, e tal fato não é à toa: os dias presentes são abjetos, sequer um comercial de TV guarda alguma inocência ou oferece brinquedos para as crianças; as músicas são tambores de guerra hipnóticos e verdadeiros arautos de uma “landscape” pós apocalíptica. Cada minuto vivido nos remete ao pesar, às preocupações mais sinistras e tal atmosfera “noir” nos obriga a aceitar e conviver com tudo aquilo que o ser humano tem de mais podre e depravado, pois tais degenerações foram "normalizadas" e impostas como regra.

A mágica surgiu, entretanto, nos Estados Unidos da América do Norte: o homem laranja promete uma vida não apenas mais fácil mas sugere – em cada símbolo sutilmente exibido em seus comícios – a volta da inocência perdida, da tranquilidade diária, e oferece seus serviços tal como a mão segura de um pai é estendida ao filho, para conduzi-lo em segurança.

Todo o conteúdo exibido como exemplos neste artigo é apenas uma parte infinitesimal deste verdadeiro “mundo”, portador de tantas referências, sorrisos e boas lembranças: em confronto direto com a descarada e massiva propagação da cultura “woke”, o “deep state” norte americano encontra-se em real desespero, pois não apenas o que Trump oferece é aquilo que o eleitor mais deseja como – para mal dos pecados democratas – já o fez uma vez, quando Presidente, e o cidadão bem o sabe capaz de fazê-lo novamente.

Permitisse a legislação norte-americana que Trump passasse dez anos ininterruptos na Presidência e, talvez, víssemos novamente enormes Cadillacs nas ruas de Nova York e o rock and roll voltar às paradas de sucesso, ao lado de bons “westerns” no cinema.

O americano médio assiste, hoje, a maestria com que Donald Trump enfrenta e sai vitorioso sobre a grande mídia e cultura de massa, responsáveis diretos pelo fim da grandeza americana.

Se ele fez uma vez, poderá fazer de novo.

Que Deus abençoe e proteja este homem.



Walter Biancardine