sábado, 21 de junho de 2025

A "VÊ-ELETIZAÇÃO" DO RIO DE JANEIRO -



A palavra do título é um neologismo trôpego, que criei a partir da sigla VLT - Veículo Leve Sobre Trilhos, um simples bonde em traje esporte fino - que serviu como justificativa para os governantes cariocas condenarem o centro nervoso e econômico do Rio de Janeiro à morte, transformando suas principais artérias em "ruas de pedestres" - e é conhecida a repulsa que o ser humano médio sente por tais logradouros, a menos que não ultrapassem uma curta distância.

Tal medida, creio que proposital, terminou por provocar o esvaziamento do bairro, mais que centenário em suas funções e que hoje não passa de um deserto, destinado somente a servir como cenário de fotografias de turistas e passeios de alguns eleitores-zumbis, cativos. Entendido o conceito, aplicado com sucesso na antiga capital cultural do país, passemos adiante.

O Estado não quer o povo nas ruas, seja em seus afazeres cotidianos e, muito menos, sentindo-se íntimo das mesmas ao ponto de utilizá-las em protestos. A obra magna da engenharia social - a quarentena da COVID - "acostumou" e viciou o povo em supostas comodidades do home-office e abriu caminho para as mais absurdas e abusivas intromissões do Poder Oficial sobre nossa vida diária.

Deste modo, temos hoje o desgosto de ver estas estratégias se espalhando por diversas outras cidades, a ponto de governos, ONGS (sempre elas) e a cínica "sociedade civil organizada" se intrometerem até mesmo na mais singela das praias - sim, pasmem: praias - legislando, impondo e, pior, edificando nas mesmas, e tudo isso "para o nosso bem".

Recentemente, em um misto de saudosismo e curiosidade, resolvi revisitar a cidade de Arraial do Cabo, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, e que poderia ter deixado as ilhas gregas no chinelo, não fossem a incessante roubalheira, conveniências políticas, acordos espúrios e o inevitável QI 83 de seus governantes.

Milênios atrás, quando os dinossauros ainda caminhavam sobre a terra e os bichos falavam, eu era íntimo desta cidade e de suas praias. Ainda um gurí (piá pra vocês aí do Paraná, molequinho para brasileiros em geral), estava sempre à bordo de meu Jeep com meu pai, ora indo pela estrada, ora dirigindo direto pela praia, até alcançar a cidade e nosso objetivo: a Prainha, onde comíamos o inimitável filé de peixe do Carlão - verdadeiro cover de Jamelão, com sua voz potente e afinação - e tomávamos cerveja na varanda da casa de Lucy, que era construída diretamente sobre as areias da praia, bem no canto da mesma e quase já nas rochas do canto direito.

Também lembro de lá chegarmos nas lanchas de meu pai e mergulharmos em busca de peixes e mariscos, e tudo isso em um ambiente absolutamente natural, sem interferência da mão do homem. Contrariando a doutrinação atual, tratava-se de locais limpos, sem as fatídicas embalagens e sacolas plásticas de hoje, e onde haviam peixes, lagartos nas rochas, vegetação natural e tudo o mais necessário para que a considerássemos como nossas ilhas gregas ao alcance das mãos.

Mas então chegaram as ONGS, as "bandeiras azuis", a "preservação ambiental" e tudo isso motivado pelas hordas de farofeiros que, por onde passavam, sequer a grama nascia mais - sim, um problema real e que urgia resolução. Mas o que fazer quando a solução é pior que o problema? O que fazer quando tais farofeiros são bajulados, seduzidos e mimados pelos próprios governantes?

Resta-nos aceitar que tais governantes simplesmente destruirão tudo; em cada pedra, cada cacto e, se puderem, em cada peixe tentarão deixar uma placa de bronze com seu nome, declarando-se como "salvador da natureza". E assim aconteceu com Arraial do Cabo.

Se o amigo leitor é cardíaco e pensa em visitar o Arraial do Cabo, evite surpresas já sabendo que a prefeitura construiu um muro - sim, um MURO! - separando parte da praia do calçadão lá construído. A desculpa? Conter as preciosas dunas de areia, tão preciosas que incentivam o nascimento de vegetação da restinga sobre as mesmas, e que as transformarão, com o passar do tempo, em simples morros de terra.

Não satisfeitos, nesta mesma praia - dos Anjos - a Marinha do Brasil surtou (é o termo) e edificou enorme construção no canto esquerdo da praia, vedando a passagem de banhistas. Ao que parece, o antigo prédio do IPQM - Instituto de Pesquisas da Marinha - tornou-se pequeno para que suas pesquisadoras possam medir o crescimento das tartaruguinhas que por esta região desovam.

Ao invés de areia e praia, prédios para se alugar unidades para temporada; asfalto e calçadões, nos arremedos de Avenida Atlântica, e quiosques, quiosques e mais quiosques - todos vendendo a mesma coisa, pelo mesmo preço e alguns até - pasmem - em frente ao vergonhoso muro da prefeitura, que "contém a marcha das dunas". Você lá pode sentar, pedir uma cerveja e olhar para o muro. E é só.

Confesso que não tive disposição para tentar revisitar a Prainha, destino de maior sucesso da cidade. É mais fácil entrar na residência papal no Vaticano que acessar este local, o qual você terá de deixar o carro como pagamento de seu estacionamento, além de cumprir uma centena de burocracias - impostas pelo Estado, a prefeitura - para, finalmente, molhar os pés nas suas gélidas águas.

Mas, creia: tudo isso "é para seu bem", para "preservar o meio ambiente". É uma pena que tenham abominado a preservação de nosso bem-estar, mas o pagador de impostos é quem menos interessa, nesta sórdida equação.

Dou graças à Deus por estar de malas prontas para ir embora da Região dos Lagos, após um quarto de século vivendo por aqui.

Breve estarei de volta ao Rio, terra onde nascí e me criei.

E poderei andar de VLT.



Walter Biancardine



domingo, 15 de junho de 2025

COUNTRY ROADS, TAKE ME HOME TO THE PLACE I BELONG...


Meus dias de pastos desertos, bois, vacas e cavalgadas de pastoreio terminaram, mas só agora vejo que deixarão saudades.

Horizontes infinitos, o vento gelado ao nascer do sol, o cheiro de Baião - meu cavalo - e a sensação indescritível de liberdade sustentavam a solitude providencial, que terminou por me encaminhar a novos rumos na vida.

Agora, malas prontas, vivo a iminência de voltar para minha terra natal - asfalto, trânsito, buzinas, poluição - mas que, confesso, tem uma querência especial para mim.

Os pastos ficam para trás, meus dias de vaqueiro também - bem como a solidão.

Agora é hora de voltar ao mundo concreto e tratar da vida.

Em breve.


Walter Biancardine


quarta-feira, 11 de junho de 2025

EDUARDO PAES MATOU O CENTRO DO RIO -


Desde a Remodelação do Centro da Cidade por Eduardo Paes o local esvaziou, escritórios se mudaram e o local estagnou - e não foi só estagnação - foi uma espécie de morte clínica com aparência de modernização.


A chamada "Revitalização do Centro do Rio", especialmente na gestão de Eduardo Paes com o projeto “Porto Maravilha”, foi uma dessas cirurgias urbanísticas que arrancam o coração do paciente para depois dizerem que ele está mais saudável porque está com o rosto lavado.

Vamos por partes.

O que se prometeu:
* Um novo centro financeiro e cultural.

* Reocupação de áreas degradadas.

* Valorização do transporte público (VLT, ciclovias).

* Gentrificação “do bem”, segundo eles.

O que de fato aconteceu:
* A região central, sobretudo entre a Av. Rio Branco e a zona portuária, perdeu densidade demográfica e comercial.

* Escritórios tradicionais se mudaram para a Barra e para a Zona Sul, fugindo de uma área que virou um canteiro de obras eterno - e depois, um deserto modernoso.

* Pequenos comércios faliram aos montes por causa da longa duração das obras e da falta de circulação.

* O Porto Maravilha virou um projeto bonito no papel, com calçadões e museus cenográficos (como o Museu do Amanhã, aquele escorredor de pratos feito de concreto), mas sem vida real ao redor.

* A segurança continuou precária, e à noite a região virou terra de ninguém.

Em resumo:
Houve um esvaziamento real. O centro perdeu vitalidade, e a tal "revitalização" - termo de marketing usado para cobrir processos de expulsão econômica e deslocamento social - produziu um espaço artificial: bonito em foto aérea, impraticável no cotidiano.

A estética venceu a funcionalidade. Tiraram o caos criativo do centro e puseram no lugar um catálogo de urbanismo internacional, desses que agradam ONG de arquitetura em Oslo, mas não servem pra quem precisa pegar o ônibus às 6 da manhã e comer num boteco às 13h.

Um diagnóstico duro: o centro do Rio virou uma maquete ambulante. Bonita, mas fria, e sem alma.

E boa parte disso se deve às decisões tomadas durante a tal "remodelação", obra e graça das frescuras do socialistíssimo Eduardo Paes, o homem que matou o Centro nervoso do Rio de Janeiro.


Walter Biancardine



quarta-feira, 4 de junho de 2025

A SETE PALMOS ABAIXO DO CHÃO NÃO HÁ SINAL WI FI -

 


O artigo 19 do Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/2014) estabelece que as redes sociais e plataformas digitais só podem ser responsabilizadas por danos causados por conteúdo ilícito publicado por usuários se não removerem o conteúdo após uma ordem judicial específica.

A pretensão do ditador Alexandre de Moraes é adiantar o expediente, obrigando as plataformas a um processo de auto-censura e vigilância prévia de todo o conteúdo postado – coisa que já acontece, basta ver meus 28 vídeos excluídos e a desmonetização definitiva de meu canal no YouTube, feita sem nenhuma ordem judicial que assim determinasse – e as tornando solidárias, em responsabilidade, ao usuário infrator.

Tal realidade se daria de maneira independente de ordens judiciais e provocaria dois verdadeiros tsunamis: escritórios das plataformas ensandecidos e assoberbados de trabalho, sem condições de qualquer avaliação justa de conteúdo, bem como a corrida desenfreada ao Judiciário brasileiro, provocada pelos ofendidos em busca de reparação.

Não saberão, as iluminadas Excrescências, de todo o transtorno provocado? Isso para não comentarmos a clara imposição de uma espécie de “censura terceirizada para a iniciativa privada”?

É óbvio que sabem, pois de inocentes nada possuem. A manobra é deliberada e visa um ponto além da curva, tão além e absurdo que sequer foi ainda ventilado por canais como a Revista Oeste, Rádio Auriverde, Revista Time Line e outros. O que desejam é, realmente, provocar as queixas e apelos das partes envolvidas – big techs e queixosos – em decorrência das demoras, gastos e transtornos oriundos dos processos judiciais. E qual seria a solução?

A solução é a “galinha dos ovos de ouro” no coração pútrido dos togados: o sistema Judiciário brasileiro “assumiria” tais pesadas tarefas – docemente constrangidos – e se tornariam, finalmente, o Departamento Supremo de Censura Federal, comandado – é óbvio – pelo descapilarizado Imoraes. Este é o ponto onde querem chegar.

Lei Magnitski? Sanções dos EUA? Sequer uma única ruga provocam, pois o ladrão descondenado Lula está na França – precedido pela senhora Primeira-Galinha, Canja da Silva, a adular o socialistíssimo Macron – sim, aquele que levou a bofetada do traveco.

União Europeia? Igualmente pouco importam, pois Alemanha, Países Baixos e a própria Inglaterra – hoje um califado muçulmano – estarão ao seu lado. Do mesmo modo que Rússia, China, países (leia-se “ditaduras”) árabes, Coréia do Norte e até, quem sabe, o indecifrável Japão.

Por sua extensão territorial, posição geográfica estratégica, reservas minerais raras e capacidade de ser a horta sino-soviética, contando ainda com o infindável dinheiro do narcotráfico – sabe aquele garoto nóia, filho de sua prima? Pois é, ele é um dos que sustentam isso – a ditadura do consórcio Lulo-Moraesliano, amplamente amparada pelo Centrão, Farialimers, Michel Temer, José Sarney e outros, nada tem a temer (sem trocadilho, por favor).

Enquanto Luís Carlos Prestes e Leonel Brizola, lá debaixo no fundo dos infernos, olham e se deliciam com isso, José Dirceu sorri satisfeito ao perceber que sua inteligência limitada superou o cérebro simiesco de 230 milhões de brasileiros, incluindo entre eles parlamentares, militares e povo de modo geral.

Hoje inicia-se oficialmente a ditadura no Brasil, e estamos de parabéns.

Afinal, há uns bons 60 anos pedimos, imploramos por isso.



Walter Biancardine