Nunca vi sua poltrona predileta
nem a marca que deixou na almofada
ainda assim me afundaria nela
a cara enterrada no vazio que a moldou
nunca vi seu colchão
mas nesse vale há um lago
onde você dorme sozinha
nem a marca que deixou na almofada
ainda assim me afundaria nela
a cara enterrada no vazio que a moldou
nunca vi seu colchão
mas nesse vale há um lago
onde você dorme sozinha
iria empurrar esses montes
abrir espaço no escuro
onde a gente pudesse ficar
não conheço seu cheiro
nem o peso do seu corpo
meu tato e minha boca
continuam famintos
só me resta
sua voz
e um retrato
aqui acaba o que tenho
Walter Biancardine

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