Sempre tenho de andar até o bairro mais próximo. Fica a 10km. Ida e volta, 20.
Tem horas que não tenho paciência. Poupo alguns quilômetros atravessando as fazendas vizinhas.
E no meio da planície encontrei o cachorro-do-mato da foto.
Achei que estava morto, mas agonizava. Me viu e gemeu. E quando gemeu chamou sua turma.
Veio um bando, furioso, me cercando e latindo.
Parei de andar. Sentei no mato. Olhei pra baixo.
Ao fazer isso eu buguei a cabeça deles.
Silêncio total.
Quase os via coçar a cabeça ou fazer aquela virada de lado típica de cães curiosos.
Mas esses não eram cães, eram selvagens. E fiquei ali, parado.
E eles em silêncio.
Uns bufavam, outros cheiravam o amigo moribundo, outros ainda foram se afastando.
Enquanto esperava, me distraí acendendo um cigarro e um dos cachorros até se interessou pela fumaça. Mas ele não era amigo. Ainda.
Se dispersaram.
Me levantei, bati a areia da bunda e ouvi uns latidos resmungando, distantes.
Dei uma última olhada para o moribundo.
Morrera.
Ao menos estive ao seu lado quando fechou os olhos.
Segui meu caminho.
Walter Biancardine

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