sábado, 20 de junho de 2026

A BOMBA DA PAZ -

 


Tenta-se de tudo para evitar o pior.
Nos esforçamos, suportamos, entendemos, engolimos – e isso foi de ambas as partes.
Mas chega um ponto de não-retorno. A bomba explode e tudo destrói.
Ambos sobrevivem, mas nada sobrou no coração de ninguém.

Só posso falar por mim, entretanto.
E de minha parte, estranhamente, a paz chegou.
Não anseio retornos. Não guardo esperanças. Não conto as horas.
Não há mais dor.
A paz dos mortos.

Talvez eu tenha precisado morrer para finalmente renascer.

Que a tranquilidade feliz venha, enfim, para ambos.
As manhãs continuam chegando.
As luas também.

Bendito seja o silêncio.



Walter Biancardine


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