criado em beira de praia
água salgada nas veias
misturada à gasolina e óleo diesel
com barulho de velas ao vento
nos barcos que naveguei
tive bons mares
bons ventos
calmarias
no porto estou seguro
mas não fui feito pra isso
há mares a navegar
quando faz água no casco
e adernamos
é navegar ou afundar
e vieram as tempestades
a pior que vivi
varreu o convés
levou a todos
e fiquei à deriva
só eu e o barco
mar bravio é o terror
só quem o enfrentou
sabe o fundo do cavado
e a vertigem da crista
os ventos levam tudo
esperanças e juízo
sopram o desespero
mas ela veio
andando sobre as águas
ninfa das águas
com olhos de poder
sobre o mar
sobre os ventos
sobre mim
e meu coração
o mar acalmou
nuvens sumiram
estrelas brilharam
ela sentou comigo
ao meu lado no leme
e me deu a direção
ela é sextante na alma
bússola no coração
e mapa no corpo
que decorei
iara ou sereia ou ninfa
como saber
mas me tomou
e me deu finalmente
meu porto seguro
com seus olhos
que ninguém tem
me trouxe águas doces
e um mar manso
como um pantanal
Walter Biancardine

Nenhum comentário:
Postar um comentário