O sujeito normal sempre faz amizades ao longo da vida.
Arranja amigos, colegas, parceiros e mesmo se apaixona por algumas mulheres.
Normal.
Inevitável.
Acontece com todo mundo.
Arranja amigos, colegas, parceiros e mesmo se apaixona por algumas mulheres.
Normal.
Inevitável.
Acontece com todo mundo.
Também é normal querer agradar essas pessoas, de vez em quando.
Você paga uma cerveja pra uns, empresta uma chave 13 pra outros ou traz uma flor pra ela.
Nada demais.
O problema começa quando algo acontece: ou sua cabeça bugou ou uma lucidez repentina te atingiu. E você percebe que é o único nessa história que tenta agradar.
Se é verdade ou não, neste momento não me importa.
Agora falo de mim, e a sensação é horrível.
“Pegue seu sorriso e sua gentileza e enfie no rabo” – é a frase que imagino estarem pensando.
Não me chamam.
Não lembram de mim.
Não devolvem sorrisos e, muito menos, aquilo que emprestei.
Bate a certeza de que, se eu não os procurar, a suposta amizade se desfaz.
Virá a próxima era glacial e o filho da puta não vai me dar um telefonema pra saber como andam as coisas.
Hoje acordei assim, e nem sei por quê.
Não quer falar comigo? Melhor pra mim.
Não lembra sequer que existo e pergunta como vou? Eu também esqueci que você existe.
Não vai devolver o que te emprestei? Posso até ser otário. Você, já sei o que é.
Não deu a mínima para a flor que dei? Deixe murchar, talvez sinta falta dela um dia.
Hoje acordei azedo.
E podem pegar meu sorriso, a chave 13 e a flor e enfiar no cooler.
Dor de barriga não dá uma só vez.
E estarei ocupadíssimo.
Walter Biancardine

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