quarta-feira, 10 de junho de 2026

NEURA DO EU SOZINHO (ou “Crise Ontológica de Beira de Estrada)


nada aconteceu de anormal
tudo igual 
dentro do vazio de sempre

bois pastando
vacas olhando em volta
garrotes irritando
e cavalos

sempre cavalos

disputando relinchos
entre si

cadê o boiadeiro?
cadê o queijeiro da fábrica?
cadê o vizinho?

onde aqueles um ou outro
da beira da estrada
ponto do ônibus
no acostamento de barro
que sempre me davam
bom dia?

volto pra casa e escrevo

zero curtidas
zero comentários
nem sequer críticas

acho que hoje acordei
mas esqueci de existir


Walter Biancardine 



Nenhum comentário: