Morava na rua Santa Clara, em Copacabana.
Mas eu morava lá em cima, depois da curva de saída do Túnel Velho.
Naquele tempo tinha vaga para estacionar o carro na rua e eu parava o meu bem perto de meu prédio. E saí nele para resolver algumas coisas no Centro da Cidade.
Mas eu morava lá em cima, depois da curva de saída do Túnel Velho.
Naquele tempo tinha vaga para estacionar o carro na rua e eu parava o meu bem perto de meu prédio. E saí nele para resolver algumas coisas no Centro da Cidade.
Cruzei o sinal da rua Toneleiros, o outro da Barata Ribeiro até que cheguei à avenida Nossa Senhora de Copacabana.
Sinal fechado. Trânsito embolado. O inferno de sempre.
E pra piorar, o sinal havia queimado, por isso uma policial feminina estava lá, orientando.
E que policial, meu Deus…
Chegou um outro fardado para a render, e ela veio em minha direção – sua motocicleta estava encostada bem ao lado de meu carro, ainda preso no tráfego. E meu carro era uma Puma – baixíssimo, rente ao chão – e quando ela subiu na moto, arqueando as pernas e mostrando tudo o que não podia através de sua calça justíssima da farda (devia ter uma lei pra isso), ela olhou diretamente nos meus olhos, que a admiravam sob o melhor ângulo possível.
Flagrante delito.
Sem desculpas.
Sem atenuante.
Roxo de vergonha e com medo de ser preso por desacato, apenas murmurei:
- Parabéns pelo trabalho, policial. Não deve ser fácil…
Ela me fulminou, de volta:
- Obrigada… muito gentil…
E sorriu lindamente, colocando o capacete e desaparecendo dali.
Ganhei o dia.
Walter Biancardine

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