terça-feira, 23 de junho de 2026

PEQUENAS VITÓRIAS

 


Morava na rua Santa Clara, em Copacabana.
Mas eu morava lá em cima, depois da curva de saída do Túnel Velho.
Naquele tempo tinha vaga para estacionar o carro na rua e eu parava o meu bem perto de meu prédio. E saí nele para resolver algumas coisas no Centro da Cidade.

Cruzei o sinal da rua Toneleiros, o outro da Barata Ribeiro até que cheguei à avenida Nossa Senhora de Copacabana. 
Sinal fechado. Trânsito embolado. O inferno de sempre. 
E pra piorar, o sinal havia queimado, por isso uma policial feminina estava lá, orientando.
E que policial, meu Deus…

Chegou um outro fardado para a render, e ela veio em minha direção – sua motocicleta estava encostada bem ao lado de meu carro, ainda preso no tráfego. E meu carro era uma Puma – baixíssimo, rente ao chão – e quando ela subiu na moto, arqueando as pernas e mostrando tudo o que não podia através de sua calça justíssima da farda (devia ter uma lei pra isso), ela olhou diretamente nos meus olhos, que a admiravam sob o melhor ângulo possível.
Flagrante delito. 
Sem desculpas. 
Sem atenuante.

Roxo de vergonha e com medo de ser preso por desacato, apenas murmurei:
- Parabéns pelo trabalho, policial. Não deve ser fácil…

Ela me fulminou, de volta:
- Obrigada… muito gentil…

E sorriu lindamente, colocando o capacete e desaparecendo dali.

Ganhei o dia.



Walter Biancardine



Nenhum comentário: