e então conhecemos
um poeta
ou uma poetisa
e o choque vem
o imaginamos um sábio
transcendente em luz
idoso ou de uma beleza
incômoda pra nós
muito machos
o mesmo com a poetisa
seria uma ninfa alada
fada divina e suave
a perfumar nossa alma
de imagens e cheiros
mas ela é gorda e feia
tem papada e verrugas
óculos fundo de garrafa
mau hálito e maus modos
suavidade de um trem
e ele é um semi-gay
alcoólatra e mal banhado
com manias estranhas
roupas sujas e ar sombrio
pedindo café fiado
as maravilhas que escrevem
não combinam com o fedor
que exalam
nem com a aparência
de tudo menos
divinos
Walter Biancardine

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