quinta-feira, 16 de julho de 2026

DAR UMA VOLTA


Tem horas em que não é pra escrever.
Sem vontade, sem assunto, sem saco.

Tivesse eu um carro e o pegaria pra dar uma volta.
Iria ao centro de Cabo Frio ver os pinguins no canal, encostaria no Tia Maluca e tomaria uma bela e gelada cerveja – nesse frio faz bem.

Talvez, após a cerveja, fosse ao barbeiro cortar o cabelo.
Já passei do limite do ridículo.
Depois certamente iria ao podrão, perto da rodoviária, e pediria um X-Monstro. Seria uma boa.

Pra terminar a noite, seria só vagar por aí, perambular a pé.
Olhar as lojas, as pessoas, a praia e o mar.
Dando sorte, encontraria algum conhecido e, novamente, beberíamos umas cervejas. O assunto renderia piadas, indiscrições, fofocas e alguma coisa pra escrever.

Depois, iria na padaria comprar pão, queijo e presunto.
Poria no carro, o cheirinho me daria fome e iria de volta pra casa arrancando nacos daquele pão quentinho, esfarelando o chão do carro.
Rádio ligado, música boa.

Um passeio.
Uma pequena voltinha. Arejar.
Às vezes é tudo o que precisamos pra manter a sanidade mental e não pularmos da ponte.
E não é preciso ser rico pra fazer isso.

É só ser normal.

E ter uma vida digna.




Walter Biancardine



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