Hoje é sábado.
Agora é noite.
E agora, sábado? O que tens pra mim?
Meio difícil.
Ou até a velha frase do saco cheio: “complicado, isso aí…”
Queria estar com minha Nana.
Um bar do bairro Passagem, aqui em Cabo Frio.
Casas antigas, construções históricas, um pólo gastronômico – e por que não dizer – etílico também?
Eu a levaria e ouviríamos meu amigo tocar e cantar uma bossa nova no barzinho; o barquinho vai, a cerveja vem. E depois de um dia de luz, festa do sol, a noite que acalma.
Ela me abraça.
Escutai, mortais: é um direito inalienável do homem poder sonhar. Desejar a mulher amada. Imaginar uma noite perfeita.
Escapar dessa vida estreita.
Pois hoje é sábado.
E agora é noite.
Tenho a cidade, tenho o bar, tenho minha Nana.
Só não tenho meios.
É a hora em que o filme acaba e entra o plantão do Jornal Nacional.
Hoje é sábado.
Mas outros virão.
Walter Biancardine

Nenhum comentário:
Postar um comentário