Sou um pobre metido à besta.
Aliás, mais que pobre: um quase-indigente.
Mas a bestice fica.
Adesiva. Tatuagem.
Quase um sinal de nascença.
Pobre bebe cachaça.
Praianinha.
Daquelas que corroem a glote e fazem o bebedor cuspir fogo como dragão.
Já eu, gosto de whisky.
Ou melhor, Tennessee whiskey.
Mais precisamente, Jack Daniel’s.
Caso não tenha, cerveja serve.
Mas que seja, ao menos, uma Stella Artois.
Ao comparar minhas condições financeiras com meus gostos a conclusão talvez me desabone, pois seria algo como uma loucura em fase terminal.
Ganhei um dinheiro extra, por esses dias.
Também recentemente decidi parar de inundar as redes com meus surtos literários, ou nenhum material inédito terei para meus livros. Igualmente existe o fato de que nunca confiei em computadores – engolem arquivos contra nossa vontade – e por isso tomei uma decisão radical: comprei uma máquina de escrever.
Sim, creiam.
Não é piada, saudosismo ou tentativa de lançar tendências, é pura precaução.
Agora, além do HD externo, tenho o papel como arquivo de minhas misérias e não me distraio com o panis et circensis digital.
E quem nunca interrompeu o que escrevia no computador para “dar uma olhadinha nas redes” que atire a primeira pedra.
Como sou besta, escolhi uma Hermès Baby – a mesma máquina icônica que Ernest Hemingway usava pra escrever sobre sinos que dobram, velhos e mares.
Steinbeck, Sartre, William S. Burroughs e até o lisérgico Jack Kerouac também a utilizaram e a tornaram famosa, desejada.
E cara.
Sim, também é saudosismo, eu confesso.
Afinal, trabalhei anos com elas.
Existe, também, o benefício extra de uma fisioterapia gratuita em meu braço, punho, mão e dedos esquerdos. Não ando de moto há muito tempo e creio que, sem uma embreagem pra apertar, eles foram perdendo a força após meu acidente.
Quem sabe possa eu voltar até a tocar um violão?
Mas o que esperar de alguém como eu, que bebe Guaravita, fuma um cigarro de cinco reais mas gosta de uísque e agora batuca textos em uma Hermès?
Que voltou pra Cabo Frio deixando todos os seus bens pessoais e até roupas pra trás, mas acha perfeitamente possível recomprar tudo de novo – menos as histórias, o valor emocional daquilo que perdi?
Que mora no fim de um buraco na roça do Estado do Rio de Janeiro mas ama – e quer ir buscar – preciosa donzela que habita as cercanias do pantanal de Mato Grosso, presenteá-la com rosas e tocar violão pra ela?
Ou melhor, Tennessee whiskey.
Mais precisamente, Jack Daniel’s.
Caso não tenha, cerveja serve.
Mas que seja, ao menos, uma Stella Artois.
Ao comparar minhas condições financeiras com meus gostos a conclusão talvez me desabone, pois seria algo como uma loucura em fase terminal.
Ganhei um dinheiro extra, por esses dias.
Também recentemente decidi parar de inundar as redes com meus surtos literários, ou nenhum material inédito terei para meus livros. Igualmente existe o fato de que nunca confiei em computadores – engolem arquivos contra nossa vontade – e por isso tomei uma decisão radical: comprei uma máquina de escrever.
Sim, creiam.
Não é piada, saudosismo ou tentativa de lançar tendências, é pura precaução.
Agora, além do HD externo, tenho o papel como arquivo de minhas misérias e não me distraio com o panis et circensis digital.
E quem nunca interrompeu o que escrevia no computador para “dar uma olhadinha nas redes” que atire a primeira pedra.
Como sou besta, escolhi uma Hermès Baby – a mesma máquina icônica que Ernest Hemingway usava pra escrever sobre sinos que dobram, velhos e mares.
Steinbeck, Sartre, William S. Burroughs e até o lisérgico Jack Kerouac também a utilizaram e a tornaram famosa, desejada.
E cara.
Sim, também é saudosismo, eu confesso.
Afinal, trabalhei anos com elas.
Existe, também, o benefício extra de uma fisioterapia gratuita em meu braço, punho, mão e dedos esquerdos. Não ando de moto há muito tempo e creio que, sem uma embreagem pra apertar, eles foram perdendo a força após meu acidente.
Quem sabe possa eu voltar até a tocar um violão?
Mas o que esperar de alguém como eu, que bebe Guaravita, fuma um cigarro de cinco reais mas gosta de uísque e agora batuca textos em uma Hermès?
Que voltou pra Cabo Frio deixando todos os seus bens pessoais e até roupas pra trás, mas acha perfeitamente possível recomprar tudo de novo – menos as histórias, o valor emocional daquilo que perdi?
Que mora no fim de um buraco na roça do Estado do Rio de Janeiro mas ama – e quer ir buscar – preciosa donzela que habita as cercanias do pantanal de Mato Grosso, presenteá-la com rosas e tocar violão pra ela?
Que tá na reta final da vida e ainda acredita que terá uma coisa estranha e grandiosa, a qual poetas e sonhadores apelidaram de “futuro”?
É um quadro clínico preocupante.
Cá entre nós e de volta à realidade, o melhor que pode acontecer é eu me tornar famoso depois de morto.
Afinal, somos especialistas em louvar cadáveres.
Cedo ou tarde serei um.
E terei alguma relíquia a ser leiloada.
Menos a bestice.
Essa é pessoal e intransferível.
Walter Biancardine

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