quarta-feira, 15 de julho de 2026

À TOA

 
o mais ridículo da poesia
é se derramar todo
ficar nu e confessar 
o inconfessável
falar de dores e frustrações
e tudo de ruim
que nos rói por dentro

e depois de tudo isso
de toda essa nudez indecente
quase um exibicionismo
aparecer um qualquer
pra fazer pouco e rir
debochar e te julgar

dizer que sua dor é vulgar
o que você sente é pobre
é comum e nenhum valor tem
e que no fundo o que você faz
é chorar de barriga cheia

vá arrumar um emprego
rapaz

já comi uns pastéis
iguais a essa gente
sem recheio
gosto de nada

só casca




Walter Biancardine



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