No caminho físico eu suei.
Andei muito. Vi lixo nas sarjetas, gente dormindo nas marquises. Trancas e cadeados em todas as portas. Grades, muitas grades.
Tudo separando a rua imunda da santidade que dizem ser um lar.
Também andei em estradas. Acostamentos. Retas sem fim que mais pareciam vigarice, prometendo alguma coisa que nunca pude ver nem saber o que é.
Só esperança.
Era o caminho da vida, essas estradas.
Tem um fim. Claro que tem. Mas ninguém sabe onde nem quando. Ou enlouqueceríamos. Mas tem um fim e isso basta ao desatino.
Ultimamente nem olho o asfalto.
Só acostamentos.
E o que vejo são histórias que jogaram pela janela dos carros.
Talvez minha sina seja catar esses lixos e reciclar em forma de poemas ou contos ou – apenas – amargura.
E há também o caminho espiritual, mas esse não conheço.
Deus não atende minhas ligações nem responde meu Zap.
Chamo de longe, aceno.
E Ele finge que nem viu.
Por isso acostamentos de estrada me bastam.
São largos o suficiente pra quem anda só.
Melhor que as calçadas arrogantes da cidade.
Walter Biancardine
Andei muito. Vi lixo nas sarjetas, gente dormindo nas marquises. Trancas e cadeados em todas as portas. Grades, muitas grades.
Tudo separando a rua imunda da santidade que dizem ser um lar.
Também andei em estradas. Acostamentos. Retas sem fim que mais pareciam vigarice, prometendo alguma coisa que nunca pude ver nem saber o que é.
Só esperança.
Era o caminho da vida, essas estradas.
Tem um fim. Claro que tem. Mas ninguém sabe onde nem quando. Ou enlouqueceríamos. Mas tem um fim e isso basta ao desatino.
Ultimamente nem olho o asfalto.
Só acostamentos.
E o que vejo são histórias que jogaram pela janela dos carros.
Talvez minha sina seja catar esses lixos e reciclar em forma de poemas ou contos ou – apenas – amargura.
E há também o caminho espiritual, mas esse não conheço.
Deus não atende minhas ligações nem responde meu Zap.
Chamo de longe, aceno.
E Ele finge que nem viu.
Por isso acostamentos de estrada me bastam.
São largos o suficiente pra quem anda só.
Melhor que as calçadas arrogantes da cidade.
Walter Biancardine

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