Sujeito vigia o calendário pra saber do próximo feriadão numa quinta ou terça-feira, pra enforcar e ir pra praia.
Praia é de graça. Leva um cooler de cerveja e uma caixa de som JBL pra berrar o pancadão. E fica lá o dia todo sem gastar um tostão, postando foto no Instagram com o mar de fundo.
Pobre tem complexo de mar.
Não pode ver uma praia que acha que é coisa de rico.
Rico mesmo se isola. Pobre quer muvuca.
Mas o infeliz continua.
Olha de novo o calendário pra ver os jogos de futebol.
Discute e sai até no soco por causa de um cara que nem o conhece.
O infeliz vai pra casa deprimido porque seu time perdeu.
O jogador, por quem ele levou socos na cara defendendo, vai embora em sua Lamborghini.
E ele gastou o dinheiro da conta de luz pra ver o jogo.
Amanhã é breu ou gato.
E tome calendário, dessa vez pra saber quando é o carnaval.
Aluga uma casinha de sala e dois quartos na praia junto com mais cinquenta e duas pessoas. E dezoito crianças catarrentas.
Vão em ônibus de excursão.
Levam isopor com comida e bebida, não deixam um centavo na cidade.
Dormem em turnos.
Enchem a cara e um ou outro morre afogado, bêbado.
Mais fotos pro Instagram.
O importante é se divertir.
Tirar onda de rico.
Walter Biancardine

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