perspectiva de um bêbado
e o chão torto não faz
sentido com a parede
de um vermelho que grita
ensurdece meus olhos em
lágrimas
mortos e mortos e mortos
numa guerra sem fim de
todos os jornais e dias
outro vermelho berrando
e correndo do asfalto
pro meio fio e pro ralo
mas saiu no jornal
que absurdo e onde vamos
parar ou nunca vamos parar
é o problema
o dia amanhece e já odeio
sou como todo mundo que
odiar com manteiga e café
faz um dia feliz e fora
todo mundo e morra quem
não pensa ou não gosta
do que eu gosto e acho
que penso
palavras me ofendem mas
o buraco de bala cheio
de sangue e carne parece
dar tesão e querem mais
e mais e nem ligam
porque reclamar é moda
e me traz amigos
que me mostram que sou
normal igual aos que
dividem a cela com eles
descobri o segredo de ser
querido e admirado e pedido
por todos e é simples pois
é só eu ser qualquer coisa
estranha e reclamar e reclamar
que se foda tudo e todos
o importante é proteger
e ninar a coisa estranha
que eu e mais uns somos
é o segredo do sucesso
e nem precisei pagar a
entrada nem dei
a ficha como o holandês
que pagou com a orelha
e nem viveu pra ver
por isso sou esperto
e ficar de quatro é
sensual
Walter Biancardine

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