terça-feira, 14 de julho de 2026

TRANSGRESSÃO EM FÉRIAS

 
Dei uma folga pra mim.
Resolvi ser mais infantil no que escrevo.
Mais bobo, ou o que chamam de “espontâneo”.

Penso que um homem é como um planeta: se a atmosfera é irrespirável, não há vida possível. E sem vida, não há criação.
Por isso me dei essa folga.

Na verdade sou um planeta poluído. Tóxico.
Mas ainda habitável, pra quem aguentar.
Só que nem eu mesmo estava mais me aguentando.
E danei a escrever sobre manhãs e entardeceres, dias nublados e outras coisas dessa rotina miserável que chamam de vida.

Gasto meus dias escrevendo sobre fracasso. Miséria. Lixo. Sarjeta.
A ideia é mostrar que é possível resistir ao sistema.
O preço é alto, mas é possível.
Mas um dia – e isso sempre acontece – o saco enche e eu pergunto:
- Então por que não meto uma bala na testa?

É a grande pergunta que se pode fazer a um cético. Ou niilista.
A macheza acaba em segundos.
E comigo não é diferente.

Melhor eu escrever sobre as manhãs nubladas.

Ninguém interpreta o papel de “maldito” até o fim.

Ninguém quer morrer.





Walter Biancardine








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