Ir no botequim tomar um café com pão na chapa sempre foi rotina pra mim. Desde os tempos de escola sou um ávido frequentador de botequins.
Comecei com refrigerantes na infância. Depois, a média com pão e manteiga me seguiu até a idade adulta.
Mas aí veio o Guaravita.
E isso mudou tudo.
Quando meu mundo de sonhos desabou e me peguei contando moedas pra inteirar o cigarro, meu universo de possibilidades também encolheu e passei a matar a fome comendo uma coxinha de um real e um Guaravita, que custa dois. Com três reais dava pra segurar a onda até ver o que aparecia pro almoço.
Já fui Jack Daniel’s.
Depois cerveja.
Também tenho experiência como água tônica.
Prática em refrigerante e caldo de cana.
Doutorado em café.
Hoje atuo como Guaravita.
É minha biografia líquida.
Me acho um Jack Daniel’s mas não passo de um Guaravita.
O pior é achar esta porcaria saborosa.
Eu, hoje, gosto.
Walter Biancardine

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