quinta-feira, 9 de julho de 2026

SINTOMAS

 


Ir no botequim tomar um café com pão na chapa sempre foi rotina pra mim. Desde os tempos de escola sou um ávido frequentador de botequins.

Comecei com refrigerantes na infância. Depois, a média com  pão e manteiga me seguiu até a idade adulta.
Mas aí veio o Guaravita. 
E isso mudou tudo.

Quando meu mundo de sonhos desabou e me peguei contando moedas pra inteirar o cigarro, meu universo de possibilidades também encolheu e passei a matar a fome comendo uma coxinha de um real e um Guaravita, que custa dois. Com três reais dava pra segurar a onda até ver o que aparecia  pro almoço.

Já fui Jack Daniel’s.
Depois cerveja. 
Também tenho experiência como água tônica.
Prática em refrigerante e caldo de cana.
Doutorado em café.
Hoje atuo como Guaravita.
É minha biografia líquida.

Me acho um Jack Daniel’s mas não passo de um Guaravita.

O pior é achar esta porcaria saborosa.

Eu, hoje, gosto.



Walter Biancardine



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