Escrever com sono. Com fome. Dor de cabeça. Sem cigarros ou dinheiro pra nada. Nem mesmo uma Aspirina.
Olho a mesa. Não tenho armário pra guardar comida.
Sem comida nem fogão ou geladeira, pra quê armário?
Roupas na cadeira – ocupam duas cadeirinhas de plástico – seguem a mesma ideia: por que me preocupar onde deixar uma só muda de roupa?
A calça é a mesma. Nem sei há quanto tempo. Podre de suja.
Aliás, eu estou igual.
A água aqui é um fio. Mal lava os olhos.
Mas tenho um notebook. O celular faz a internet.
Escrevo. Mas preferia estar bêbado. Escreveria melhor e sem pensar.
Não penso nem tenho dinheiro.
Escrevo mal por vergonha, mesmo.
Ninguém aqui.
Hoje, por milagre, veio um amigo.
Mas ele já foi. Ficaram os cachorros. E os cavalos.
E eu voltei aqui, sentei e escrevo agora.
Tenho sono. Muito sono.
Dormir é bom.
A fome passa, economizo cigarros e me poupo do vexame que minha compulsão em escrever me traz todos os dias.
Como se eu fosse um maníaco que precisasse sair nu nas ruas todas as horas.
Faz muita falta não ter nada a esperar.
Esperança ocupa tempo e cabeça. E coração.
Se nada esperamos, parece que morremos.
E se penso em morrer, lembro do sono.
Dormir é morte provisória.
Funciona às vezes.
Pior que a nudez da escrita, que a fome ou ninguém à volta, é acordar.
Acordo. Olho pros meus pés no chão.
Respiro fundo, e vem a oração de sempre:
“ - Puta que pariu… que merda…”
O Senhor seja louvado.
Eu acho.
Olho a mesa. Não tenho armário pra guardar comida.
Sem comida nem fogão ou geladeira, pra quê armário?
Roupas na cadeira – ocupam duas cadeirinhas de plástico – seguem a mesma ideia: por que me preocupar onde deixar uma só muda de roupa?
A calça é a mesma. Nem sei há quanto tempo. Podre de suja.
Aliás, eu estou igual.
A água aqui é um fio. Mal lava os olhos.
Mas tenho um notebook. O celular faz a internet.
Escrevo. Mas preferia estar bêbado. Escreveria melhor e sem pensar.
Não penso nem tenho dinheiro.
Escrevo mal por vergonha, mesmo.
Ninguém aqui.
Hoje, por milagre, veio um amigo.
Mas ele já foi. Ficaram os cachorros. E os cavalos.
E eu voltei aqui, sentei e escrevo agora.
Tenho sono. Muito sono.
Dormir é bom.
A fome passa, economizo cigarros e me poupo do vexame que minha compulsão em escrever me traz todos os dias.
Como se eu fosse um maníaco que precisasse sair nu nas ruas todas as horas.
Faz muita falta não ter nada a esperar.
Esperança ocupa tempo e cabeça. E coração.
Se nada esperamos, parece que morremos.
E se penso em morrer, lembro do sono.
Dormir é morte provisória.
Funciona às vezes.
Pior que a nudez da escrita, que a fome ou ninguém à volta, é acordar.
Acordo. Olho pros meus pés no chão.
Respiro fundo, e vem a oração de sempre:
“ - Puta que pariu… que merda…”
O Senhor seja louvado.
Eu acho.
Walter Biancardine

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