domingo, 3 de novembro de 2024

POR QUEM OS SINOS DOBRAM?

 


Na famosa novela de Ernest Hemingway um homem chamado Roberto, dinamitador inglês, chega ao esconderijo de guerrilheiros a favor da república espanhola e conhece Maria, uma bela mulher que havia sido salva pelo grupo.

Não houve romance, a não ser em suas almas e na linguagem muda dos sentimentos. Eram tempos de uma sangrenta guerra civil, cotidiano de medo, caos e Guernica. A atração foi imediata, a morte os espreitava e, sem maiores conversas ou galanteios se uniram em amor, pois o amanhã era improvável.

O tema enfoca o quanto o sangue alheio nos importa, e a pressa do amor diante da morte - morte essa, por vezes, de quem sequer conhecemos: "Nenhum homem é uma ilha, inteiramente isolado; todo homem é um pedaço de um continente, uma parte de um todo. Se um torrão de terra for levado pelas águas até o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar de teus amigos ou o teu próprio; assim, a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti", escreveu John Donne.

A velhice leva o homem á guerra civil de sua existência; a luta cotidiana contra o fim de seus dias, a ceifadeira sempre à espreita – hoje, amanhã, depois. Quem sabe?

Sob o impiedoso ataque dos dias, meses ou anos, aqueles que ousaram resistir ao tempo aprenderam que já não mais restam tantos entardeceres para o romance e, tal qual Roberto e Maria, devem expressar seu amor urgente através de olhares, gestos e mesmo tons de voz.

Para mulheres mais jovens, impossível crer que tal secura tenha nascido sob manto tão pesado; para as mais velhas, o medo – de tudo, todos e da pouca vida que resta – as impede, em forma de recato.

Assim, os velhos percebem-se isolados e lamentam a falta de pedaços do coração, que oceanos tempestuosos da vida levaram. Muitos disso se dão conta, buscando a juventude no fundo de um copo ou em conversas desaforadas e mentirosas com amigos.

Mas pouquíssimos – homens ou mulheres – cresceram e resignaram-se ao ponto de considerar que nenhum sentimento é uma ilha.

Sim, pois todo amor é parte de um coração, de uma história, e se tal fervor for levado pelos dias negros da vida, o homem diminui-se: torna-se menor e apartado, como náufrago em ilha deserta, cercado apenas de lembranças por todos os lados. Assim é o fim de cada amor, somado ao tempo impiedoso, que insiste em passar; corações amputados de tais pedaços, esses, tanto nos diminuem por também sermos sentimentos, coração e história.

Solidão é o tamanho do espaço que sobra à nossa volta e corações sofridos são minúsculas ilhas, cercadas por um oceano de indiferença juvenil e bela.

Por isso não perguntes por quem os velhos choram. 

Eles choram por ti.


Walter Biancardine



segunda-feira, 28 de outubro de 2024

POR TODA ETERNIDADE

 


Um texto de uma moça que não conheço, chamada Rosemeri Martins, eventualmente visto em redes sociais mas que abriu-me o coração:

"Porto Alegre, 1983 -

O Hotel Majestic colocou Mário Quintana no olho da rua.

A miséria havia chegado absoluta ao universo do poeta.

Mário não se casou e não tinha filhos.

Estava só, falido, desesperançoso e sem ter para onde ir.

O porteiro do hotel, jogou na calçada um agasalho de Mário, que tinha ficado no quarto, e disse com frieza: - Toma, velho!

Derrotado, recitou ao porteiro: - A poesia não se entrega a quem a define.

Mário estava só.

Absolutamente só.

Onde estavam os passarinhos?

A sarjeta aguardava o ancião. Alguém como Mário Quintana jogado à própria sorte!

Paulo Roberto Falcão, que jogava na Roma, à época, estava de férias em sua cidade natal e soube do acontecido.

Imediatamente se dirigiu ao hotel e observou aquela cena absurda.

Triste, Mário chorava.

O craque estacionou seu carro, caminhou até o poeta e indagou: - Sr. Quintana, o que está acontecendo?

Mário ergueu os olhos e enxugou as lágrimas - daquelas que insistem em povoar os olhos dos poetas - e, reconhecendo o craque, lhe disse: - Quisera não fossem lágrimas, quisera eu não fosse um poeta, quisera ouvisse os conselhos de minha mãe e fosse engenheiro, médico, professor. Ninguém vive de comer poesia.

Mário explicou a Falcão que todo seu dinheiro acabara, que tudo o que possuía não era suficiente para pagar sequer uma diária do hotel.

Seus bens se resumiam apenas às malas depositadas na calçada.

De súbito, Falcão colocou a bagagem em seu carro, no mais completo silêncio.

E, em silencio, abriu a porta para Mario e o convidou a sentar-se no banco do carona.

Manobrou e estacionou na garagem de um outro hotel, o pomposo Royal.

Desceu as malas.

Chamou o gerente e lhe disse: - O Sr. Quintana agora é meu hóspede!

Por quanto tempo, Sr. Falcão? - indagou o funcionário.

O jogador observou o olhar tímido e surpreso do poeta e, enquanto o abraçava, comovido, respondeu: - POR TODA ETERNIDADE.

O Hotel Royal pertencia ao jogador!

O poeta faleceu em 1994.

Por isso sou fã desse ex jogador!

POR TODA ETERNIDADE"

__ O Hotel Majestic, abriga hoje em dia, a Casa de Cultura Mário Quintana, na Rua dos Andradas ( conhecida como Rua da Praia) no Centro Histórico de Porto Alegre -RS


Não me contive, e escrevi:

Não sou poeta, apenas teimoso prosador.

Não tenho o dom divino de um Quintana, não arrebato almas e sentimentos de ninguém, eis que somente escrevo nossas misérias cotidianas e derivo em sonhos filosóficos.

Não tenho amigos ricos ou poderosos, apenas um único - e sob seu teto vivo até hoje, abençoada mão estendida.

Jamais serei lembrado, muito menos louvado e aclamado.

Mas algo em comum tenho com o poeta: ambos conhecemos o gosto da rua, do desalento; saber-se em fim de linha à caminho da morte indigente.

Se em nada me posso comparar aos grandes, ao menos sobreviví ao oblivio - a carne, não o dom.

Mas já me basta ao meu orgulho combalido.

Não fale da fome, do desamparo e da solidão quem jamais os viveu em casos terminais - tudo isso pode rechear as páginas de um romance ou inspirar versos, mas não alimenta a barriga nem nos mantém de pé.

Bendito seja Deus, que me deu um único amigo e sua mão estendida.

Mesmo novamente de pé, jamais o esquecerei.


Walter Biancardine



terça-feira, 15 de outubro de 2024

PENSO, LOGO DESANIMO

 


Tenho lutado uma batalha inglória contra o desânimo, contra a sensação de mentir para mim mesmo e insistir em não enxergar que agora é tarde – não há mais lugar para mim, a vida está lotada e seguiu em frente.

Não há como me comparar a um jovem brilhante, verdadeiramente portador de um dom e grande promessa em sua vocação: tal jovem terá, ao mínimo, mais uns 40 anos de produtividade e ascensão profissional, encantando a todos por sua precoce perspicácia e eficiência.

Um velho não deslumbra ninguém. Não há dom, mas experiência. Não há brilho, apenas o mínimo que se poderia esperar dele. Não nos faz transcender, mas nos deprime em sua decrepitude física e lembrança da morte iminente. Para piorar, nos obriga a perdoar eventuais esquecimentos e a sublimar as inúmeras rugas – físicas e espirituais – indisfarçáveis em suas produções, cada vez mais esparsas.

Mas teimo em mentir para mim mesmo, fingindo acreditar que submeter-me a um ritmo alucinado de trabalho – ao menos para meus 60 anos – escrevendo para duas revistas ao mesmo tempo e sem nada receber por isso  estará “abrindo portas para que alguma oportunidade apareça”.

Sim, nada recebo e trabalho de graça. Mas creio, piamente, que me abrirá portas para alguma oportunidade. Apenas desconheço quais chances estariam disponíveis para quem já não tem mais o viço da juventude ou, sequer, o dom dado por Deus. Ao contrário dos jovens talentosos, velhos como eu não são promessas, mas lembranças.

Bati em muitas portas; em algumas até ouvi elogios, mas não há quem se arrisque a pagar salários a um velho – curto prazo de vida útil e, pior, sem nenhum dom.

Mesmo os três livros que venho escrevendo, destes quase tenho desistido. Embrenhar-me em ensaios filosóficos sobre determinismo e livre arbítrio, a influência das ideologias sobre o estilo cotidiano ou mesmo uma introspectiva análise sobre solidão e transcendência pouco ou nada me dizem, neste momento.

Diante das pífias vendas de meus livros anteriores ou as nenhumas repercussões de meus artigos, a mera lógica aponta que ninguém está realmente interessado naquilo que um velho, desconhecido e apenas mediano autor tem a dizer. Sinto-me tentado a voltar à ficção, criar histórias sem a exaustão intelectual que teses filosóficas me provocam e, nelas, desaguar todo o velho hábito de escrever que ainda tenho – útil ferramenta que me ocupa os dias e esconde a solidão.

Sim, a solidão. Não basta apenas pensar-me um inútil, é impossível esquecer que sou um excluído: sem amigos, sem família, sem trabalho, sem colegas, sem vizinhos – pois moro no meio do mato – e sem, sequer, ter onde cair morto pois a casinha em que vivo me é emprestada pelo favor da única alma que ainda me enxerga ocupando um lugar no espaço.

Isolado do mundo profissional, desaparecido do mundo pessoal e sem um tostão no bolso, considero-me um cadáver, que insiste em vagar pelo mundo dos vivos mentindo para si mesmo, e fazendo de conta que o cheiro de sua putrefação não é notado por ninguém.

Vivo de lembranças e esperanças, o tempo presente a idade me tirou.

Mas não se preocupem com tais momentos de tristeza, pois amanhã estarei melhor e escrevendo novos artigos gratuitos.

Sabe lá se alguém os "lê e abre uma porta" para mim?

Sim, na velhice a mentira é terapêutica.


Walter Biancardine

quinta-feira, 3 de outubro de 2024

ENEL: UM MONOPÓLIO PRIVADO -

 


Depois de três dias de trevas, sem energia elétrica e que me deixou sem internet - notícias e trabalho - sem geladeira (tudo estragou), sem tomar banho (acreditem, sem energia a bomba de água não funciona) e quase enlouquecendo, nas noites e madrugadas absolutamente escuras destes vastos pastos, eis-me aqui de volta.

O problema foi causado por uma "banana" - espécie de disjuntor - em um dos postes de transmissão, na estrada em frente onde moro. Houve alguma sobrecarga, ela desarmou (como todo disjuntor) e, para consertar, bastaria um funcionário com o bastão apropriado para religá-la, Sim, só isso, e que pode ser feito em cinco minutos sem, sequer, subir ao poste.

Pois bem: após três dias, nove reclamações à Enel, uma reclamação à ANEEL e mais uma queixa ao programa de meu amigo Eduander “Panorama”, aparentemente o problema foi solucionado.

Dois pontos nisso tudo merecem destaque: o primeiro é o absoluto descaso que a Enel ostenta aos seus clientes, principalmente aos que, como eu, moram em áreas rurais e são de baixa renda. Bem sabem eles que nenhum poder econômico ou - muito menos - político nós temos e, por isso, nos desprezam.

O segundo é a necessidade de aprendermos que fomos vítimas de um engodo esquerdista, promovido pelo sr. Fernando Henrique Cardoso em seus anos na presidência do Brasil, quando levou à cabo seu conhecido e extenso programa de privatizações.

Áreas como a telefonia, água e esgoto e energia elétrica foram privatizadas sob a alegação que "a concorrência entre as empresas favoreceria o consumidor, não só pela qualidade dos serviços como, também, pelos preços cobrados". Pois bem, à exceção da telefonia celular, todas as demais áreas simplesmente transformaram-se, de monopólios estatais, para monopólios privados!

Quais opções tenho, se estou insatisfeito com a Enel ou mesmo Prolagos? Há outra opção? Não, e para que uma companhia destas perca seu contrato com o Estado seria necessário um escândalo sem precedentes, amparado por extensos e vantajosos acordos políticos.

Reconheço que, em minha ignorância na engenharia civil e urbanismo (apesar de minha faculdade de arquitetura), pouco ou nada consigo imaginar em termos dois ou mais encanamentos de água e esgoto por baixo das ruas e calçadas ou fiações de várias companhias elétricas compartilhando o mesmo poste. A logística é, de fato, difícil.

Isto não nos exime, entretanto, da obrigação em cobrar tais companhias e mesmo exigir ações contundentes do Poder Público - concedente da licença - contra empresas relapsas ou incompetentes.

Somos nós, pagando nossas contas em dia, que concedemos a tais empresas suas condições de funcionamento, lucratividade e mesmo salários de funcionários, diretores e suas excelsas presidências.

Também somos nós, votando em pessoas certas, que "assinamos uma procuração" para que o eleito represente nossos interesses e conveniências - todos são nossos empregados.

Sim, o povo é quem manda.



Walter Biancardine




quarta-feira, 21 de agosto de 2024

CONFISSÕES INDECENTES -

 


Haveremos de concordar que a palavra “acostumar” é um verbo perigoso, e mais traiçoeiro torna-se a depender da ocasião em que é dito e, pior, por quem é utilizado.

O brasileiro médio se “acostumou” à criminalidade onipresente nas ruas; fulano pode comer baiacu pois já está “acostumado”, beltrana “acostumou” às surras que leva do marido ou mesmo sicrano está “acostumado” a subir no telhado. Tudo isso, mais que um jeito coloquial de falar, reflete a aceitação passiva de fatos inusitados ou, até mesmo, ilegais – e, de fato, nos “acostumamos” a ter o STF montado em nossos cangotes, controlando, regulando e impondo o que bem entender, de acordo com as onze Constituições vigentes naquela casa, em Brasília.

Quando o Ministro Luís Roberto Barroso afirma que “houve uma mudança no papel do STF nos últimos tempos”, ele não está mentindo: de fato – e bem o sabemos, em nossa própria pele – houve, só que, tal como as sentenças acima, nos “acostumamos” a isso e sequer pouco ligamos.

Fossemos menos bovinos e perguntaríamos quem mudou esse papel? Quem autorizou? Qual lei assim prevê e o permite?

Ninguém, essa é a verdade. Assim, tal declaração significa verdadeira confissão de culpa e admissão do reconhecimento daquela casa como um “Soviete Supremo”, um desvio inconstitucional de suas atribuições, a impor o arbítrio togado por sobre todo o país.

Barroso diz que “o judiciário deixou de ser um departamento técnico especializado e passou a ser um poder político” e isso nos leva a outra pergunta: quantos votos ele teve? Quem os elegeu para tal finalidade? Em último caso, indaguemos quando ocorreram tais eleições porque, eu ao menos, sequer tomei conhecimento ou ouvi propagandas eleitorais.

E então percebemos que o feio defeito de “acostumar” não contamina somente a nós, raia miúda: o mesmo infecta, igualmente, figuras de alto escalão como este senhor togado que, “acostumado” que está com o poder nas mãos, sequer enrubesce ao dar declarações como essa. Foram absurdas? Sim, foram, mas Barroso está “acostumado”… Reagiremos? Não, pois também estamos “acostumados” ao arbítrio, às ilegalidades e desvios de função, nesta gloriosa República.

O brasileiro se acostumou a acostumar-se.

Triste fim.


Walter Biancardine






sábado, 3 de agosto de 2024

ALMA NOBRE -


Acossado por diversos compromissos, não houve como postar meu artigo diário ontem. Entretanto, já havia planejado para este sábado - dia ameno, em geral - escrever algumas breves linhas em agradecimento à alma caridosa que presenteou-me com obeso PIX e salvou a estiagem de meus rendimentos, fazendo chover em minha horta.

Não estou autorizado a citar seu nome e tão pouco o conheço. Aliás, sequer sei qual plataforma teria inspirado a generosidade, pois não há nenhum comentário com seu nome no YouTube ou mesmo X-Twitter, Facebook, Instagram ou sequer em minha página pessoal.

Na verdade, tal busca deveu-se apenas à vontade de agradecê-lo diretamente, mas o que importa é que - contrariando artigo por mim escrito, recentemente - ainda existem brasileiros desejosos de contribuir em causas que acreditam ou apoiar financeiramente pessoas ou instituições, que espelhem seus pensamentos e sejam sua voz perante muitos.

Infelizmente esta boa alma é uma exceção, ou meus agradecimentos seriam feitos de modo mais genérico, a um número indefinido de pessoas.

Não encerro estas linhas, entretanto, sem fazer meus agradecimentos públicos a tal pessoa generosa e que me deixa ciente da enorme responsabilidade que tenho, ao escrever sobre o que for.

Deixo um 'muito obrigado' ao meu benfeitor e desejo um excelente fim de semana a todos!


Walter Biancardine



quinta-feira, 1 de agosto de 2024

VÍCIOS DE LINGUAGEM -



Nada difícil encontrar pessoas cultas, inclusive com preparo acadêmico e que, por circunstâncias diversas, acabam por adotar termos e expressões pertencentes a determinados círculos sociais, profissionais ou até religiosos, epidemicamente crescentes nos dias atuais.

Acabo de ver uma doutora, médica, que luta pela inclusão de novos medicamentos contra a DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica) no SUS. À parte a nobre causa que está envolvida, contudo, entristece-me ver que mesmo alguém como ela está empenhada para que novos remédios sejam "OFERTADOS" pelo Sistema Único de Saúde.

"OFERTADOS"? Serão colocados em um altar e destinados, em holocausto, à Deus? Ou ela quis dizer "OFERECIDOS"?

Não condenem a doutora, pois tal cacoete difundiu-se tão gravemente pelo Brasil que hoje, dificilmente, se escutará alguém usar o termo correto, independente de suas convicções religiosas - sim, pois tal expressão é característica de fiéis evangélicos.

E não ficamos apenas nesta palavra, pois até "coisas" como o termo "desconstrução" - sabidamente pertencente à militância esquerdista - é desavergonhadamente utilizado por notórios - e autointitulados - direitistas.

Tristemente, a verdade é que a adoção de termos e expressões, tais como as citadas acima, apenas reflete a pobreza vernacular de quem tenta se expressar e não encontra as palavras necessárias e corretas.

Mais triste ainda é o fato de que um povo que não encontra palavras para falar, também não encontrará para pensar: não há como refletir sobre algo que não conseguimos expressar, e o crescimento de orelhas asininas é inevitável e certo.

Há que se ler, e muito. Aprender, ampliar o vocabulário e ter o poder de pensar e falar.

Um Machado - de Assis - pode abrir poderosa clareira no denso matagal da ignorância.


Walter Biancardine



terça-feira, 30 de julho de 2024

ZOOLÓGICO HUMANO -


Qual a mensagem por trás do show de deformidades, na abertura das Olimpíadas?

O entendimento é fácil e primário: tal como um mendigo exibe a perna purulenta em busca de esmolas, estes outros desfilam suas chagas morais e físicas em clara intenção de agredir, misturada com busca de piedade e bem mais, além disso.

A agressividade explícita em todos estes eventos deixa claro que eles nos desejam iguais, em suas desgraças. Seremos disformes como eles, pervertidos como eles, atormentados como eles e sofreremos - por culpa das taras e perversões - tal como eles.

Se nos recusarmos, ameaçam-nos com suas leis, seu predomínio e impõem obrigatoriedade em servi-los, adulá-los e confessarmos nossa inferioridade.

Almas assim convivem com o ódio de si mesmo, complexos de inferioridade, sociopatias graves, toneladas de antidepressivos e a mais atormentadora solidão. 

Mas são alimentados - feito feras - pela grande mídia, que os exibe e proclama sua "superioridade", no triste e diário zoológico da comunicação global.

Já sofrem, na prática, a condenação das almas.

Detalhe: ainda em vida.


Walter Biancardine



segunda-feira, 29 de julho de 2024

HORA DE REPENSAR -


Não é de hoje que a censura se abate nas redes sociais, seja por imposição da ditadura ou de livre iniciativa, já que Google, Facebook e tantas outras pertencem a metacapitalistas globalistas.

Sabemos, entretanto, que vídeos e fotos podem ser usadas como desmentidos cabais das mentiras noticiadas pela grande mídia ou proferida por governos espúrios e, por isso, são alvos preferenciais de ações censórias. Mesmo canais do YouTube onde uma pessoa apenas argumenta, sem valer-se de fotografias, prints ou vídeos, também é igualmente retaliado pelo poder de persuasão que a palavra pode exercer sobre as pessoas - não à toa existem a retórica, oratória e outras ferramentas de convencimento através do discurso.

O que é novidade - e que tive o desprazer de ser "desvirginado" pela mesma - é a ação censória contra a palavra escrita; algo somente visto nos regimes mais absolutistas e repressivos que já existiram.

Cabe notar que - para o bem de minha vaidade profissional e frustração da missão a qual sou imbuído - este tipo de censura, sobre aquilo que é escrito, normalmente é exercida mirando grandes escritores, verdadeiros magos literários e senhores de tamanha carpintaria gramatical que a simples leitura de seus textos, artigos ou livros pode abrir os olhos de toda uma população e subverter, perigosamente, o silêncio imposto pelas ditaduras.

Quando a gigantesca Google, através do Blogspot, veta e exclui meu artigo sobre a perseguição lacradora contra o jornalista Emílio Surita - algo que eu, com 27 vídeos excluídos, 3 contas extintas no Twitter e censuras contumazes no Facebook jamais havia sofrido, em 15 anos de página pessoal - isto quase me envaidece, fazendo com que meu ego carente considere a mim mesmo um verdadeiro artista das letras e, portanto, "merecedor" de tais atenções e perseguições, normalmente reservada aos grandes escritores.

Por outro lado, é inevitável a sensação de pequenez diante de forças tão enormes, que jogam no lixo anos de estudos, análises, buscas de aperfeiçoamentos pessoais e mesmo espirituais, invalidando todas os esforços por cultura superior, conhecimento e elevação do nível de consciência.

De modo pior e raiando a paranóia, chego a temer que tal inclemência desta ditadura chegue - quem sabe? - ao ponto de retirar, vetar ou mesmo proibir os livros que já escrevi e, pior, inviabilize minhas pretensões de publicar, futuramente, em quaisquer editoras.

Para finalizar, confesso que ainda não decidi como devo pensar ou mesmo reagir. De um lado, a fúria contra o despotismo arbitrário e ditatorial em que vivemos e, por outro, a secreta alegria - vaidade mesmo - por desconfiar ser um escritor de calibre bem superior ao que eu mesmo me classificava.

Abandonei o YouTube por causa da censura e meus vídeos roubados - digo, excluídos. Agora, meu artigo foi roubado - digo, excluído - pelo Google.

Se sou censurado onde quer que eu vá, talvez seja a hora de reconsiderar a volta ao YouTube.

Veremos.


Walter Biancardine



A CENSURA, O ÓDIO E OS PRIVILÉGIOS DAS "MINORIAS" -


Mantenho minha página pessoal desde 2007 e, nestes 17 anos de publicações, JAMAIS TIVE UMA POSTAGEM EXCLUÍDA.

Já sofrí 27 exclusões de vídeos (roubos, porque sequer posso baixá-los para mim) no YouTube - o qual é desmonetizado e está em "Shadow Ban" até hoje -, o X-Twitter fechou três (03) perfis meus (sempre às vésperas de eleições), o Telegram já excluiu minha conta uma vez e mesmo o Facebook igualmente censurou-me inúmeras vezes como, tal qual todas as outras redes, mantém-me em "Shadow Ban".

Pois bem, hoje chegou o dia de censurarem o que se escreve, estuprarem a livre expressão de ideias, violarem a Constituição - que me garante a liberdade de expressão - e, de simples plataforma de publicação de opiniões alheias, o Google e sua subsidiária, Blogspot transformaram-se em editoras das visões e óticas de terceiros.

O que há de inaudito nesta CENSURA do Blogspot é o fato de REMOVEREM um artigo, algo escrito, tal qual os piores regimes ditatoriais fazem com livros e revistas, recolhendo-os das bancas, lojas e queimando-os em praça pública.

Inadmissível, criminoso, baixo, torpe e verdadeiro troféu que a atual DITADURA DO JUDICIÁRIO BRASILEIRO, bem como o ÓDIO WOKE GLOBAL - o mesmo que nos "presenteou" com o BACANAL OLÍMPICO - podem ostentar, classificando o leitor como um estúpido e o autor como depravado, capaz de sequelar mentes com suas opinões.

Recorri desta CENSURA MEDIEVAL, mas sob outro título - menos "ofensivo" à minorias tão pudicas, REPOSTEI o artigo, cujo link segue abaixo: https://walterbiancardine.blogspot.com/.../preferencias...

Igualmente, ilustra este artigo um print do e-mail que recebi hoje, comunicando que meu escrito foi lançado às fogueiras medievais das trevas lacradoras:


Acesse o link e divulgue o artigo, sempre frisando: NO BRASIL JÁ SE QUEIMAM LIVROS!!!!


Walter Biancardine



PREFERÊNCIAS NÃO SÃO PRIVILÉGIOS - A CENSURA É UMA ARMA


 Tempos idos, ainda Presidente ou depois VP do motoclube que fundei, usávamos um ditado bastante popular no meio motociclístico: “o que acontece na estrada, fica na estrada”.

Sirvo-me de tais dizeres para fazer analogia com todos aqueles que souberam-se, em algum momento, homossexuais e seguiram suas vidas sem maiores problemas. E por quê faço isso?

Em primeiro lugar é preciso deixar claro que tenho amigos gays, trans, negros, amarelos, herbívoros e alguns até, suspeito, extra-terrestres. Sempre tive relações excelentes com os mais próximos e cordiais com os mais afastados e pouco se me dá o que fazem nas intimidades de seus quartos – do mesmo modo que creio ser um abuso intrusivo especularem sobre meus próprios hábitos sexuais, até porque Caetano Veloso já dizia que “de perto, ninguém é normal”.

O problema não é o que fazemos na cama: o problema é quando nos deixamos levar como massa de manobra de alpinistas políticos, oportunistas demagogos, que rotulam escolhas sexuais como “bandeiras de luta” e as transformam, de simples preferências, em “luta por direitos” – como se o fato do sujeito gostar de um boy magia o transformasse, automaticamente, em membro de uma minoria perseguida e morta – antes mesmo do café da manhã – por “nazistas, fascistas, direitistas” e etc.

Usar características pessoais como bandeiras ideológicas é golpe sujo, estelionato político, má-fé eleitoreira mas que, com o amparo da grande mídia – sempre ela, a eterna criminosa – arrebanha defensores até mesmo fora do espectro sexual abrangido. 

A mãe do falecido humorista Paulo Gustavo, que tornou-se famoso com personagens femininos ou que satirizavam gays, é uma dessas pessoas que condenam héteros satirizando homossexuais mas esquecem-se, convenientemente, que seu próprio filho beneficiou-se deste mesmo tipo de humor. Um negro pode chamar a si próprio de "crioulo" (tal como aquele cantor) e tudo estará ok. Gays podem chamarem-se "bichas", em referências entre si, e igualmente não haverá problemas. Mas se eu apontar o dedo para um crioulo bicha na rua, serei eletrocutado na cadeira elétrica, é isso?

Infelizmente, tais idiossincrasias são uma das razões do linchamento moral que o nosso grande Emílio Surita (Pânico na TV, Jovem Pan) enfrenta.

Jamais vivemos tempos tão liberais em termos de sexualidade mas, paradoxalmente, pudicos em relação a quaisquer comentários ou, principalmente, piadas sobre ela. A verdadeira peste negra do pensamento, o “politicamente correto”, manietou a liberdade de fazermos simples comentários e matou – a sangue frio – o humor no mundo. Tudo é “discriminação”, tudo é “racismo”, “homofobia” e, segundo tais histéricos, o ser humano não tem o direito de comentar, ter opiniões ou mesmo fazer piadas.

O caso se deu pelo fato do excelente Surita ter imitado, de maneira humorística e em um programa misto de informativo e humor, alguém conhecido do público e que é homossexual. A atual direção da Jovem Pan – vendida e submissa à nossa ditadura – entendeu como verdadeira “blasfêmia” contra os “sacrossantos” e supostos “direitos” dos gays e isso bastou para dar o início a uma chuva de comentários, irados e raivosos, contra o pobre Emílio – que só fez uma piada.

Pergunto: um conhecido Foucault, que gastava-se em hipóteses filosóficas vãs e depois ia a clubes gays para deixar-se chibatear por garotões, deveria ter direitos diferenciados por isso? Um sujeito que apaixonou-se por outro cara deve ter algum privilégio legal, tal como leis específicas para ele? Ou mesmo meu falecido amigo Sergei – padroeiro do Rock and Roll – que transava com samambaias, mereceria leis que o “protegessem”?

Por óbvio que existe preconceito contra gays. Mas também existe contra nordestinos, negros, japoneses e até contra motociclistas (“são todos uns bandidos”) ou gente que usa óculos, os eternos “quatro-olhos”. Mas vale notar que o preconceito – no referente da palavra – só se dá quando o gay, negro ou seja quem for, é literalmente prejudicado, preterido ou discriminado por isso, tal como em uma seleção de emprego ou na utilização de um elevador – e exemplifico com elevadores propositalmente, pois remete diretamente aos banheiros masculinos e femininos.

A biologia não muda, e só existem dois sexos. Um trans terá de usar o banheiro masculino e pronto, pois a transexualidade – mais que uma homossexualidade de nascença – é uma escolha pessoal e o fato de alguém “sentir-se uma mulher”, árvore ou cachorro não cambiará seus cromossomos ou teores de testosterona. Isso não é preconceito, é fato.

Por outro lado, ao encontrar um amigo trans e o mesmo exibir o real aspecto de uma mulher – e conheço alguns assim – eu o chamarei de “ela” e cumprimentarei com um par de beijos no rosto, pois é o que meus olhos veem e pouco se me dá se utilizará o banheiro masculino. Já um Pablo Vittar, por exemplo, para mim é “ele” – pois é o que meus olhos veem – e fim de papo. Como me definiriam agora? “Nazista, fascista, direitista, taxista, onanista” ou “bicha enrustida”?

Quando alguém é ofendido por sua cor ou escolhas pessoais – sejam sexuais ou mesmo políticas – tal fato merece a execração do círculo de pessoas, o repúdio da sociedade contra aquele que assim age, mas nunca o longo braço do Estado onipresente punindo, por vias legais, um simples imbecil. E este é o risco que Emílio Surita corre, atualmente.

Quando uma ideologia castra-nos o riso, o sagrado direito de fazer piadas sobre os outros, tal fato apenas espelha uma conjuntura doente e que regrediu o povo aquém de uma das principais características da vida em sociedade, impondo um cotidiano sisudo, soturno, que nos ameaça até mesmo pela eventualidade de nossos pensamentos ou espontaneidade de opiniões – e isso é doença, causada por um Estado mau e opressor.

Nada tenho contra gays ou trans, mas abomino os “movimentos gays”, siglas com quase um alfabeto inteiro que as defina – pois que para cada gosto criou-se uma nova “espécie” sexual – ou quaisquer e óbvios instrumentos de utilização das pessoas como simples massa de manobra política.

Tal pensamento também se estende aos negros, nordestinos, gordos ou seja lá quais forem as novas categorias de “minorias discriminadas” que, diariamente, a mídia inventa.

O que fazem com Emílio Surita é pura catarse, expectoração de ódios e recalques pessoais – muitos de nascença e outros impostos pela mídia – e todo o escândalo nos mostra, na justa medida, as enormes dimensões de uma máquina política criada para arrebanhar e cevar grande e inocente massa de manobra, nutrindo-os com a clara fúria divisionista esquerdista.

Um gay que deseje casar não mudará os dogmas e a Verdade Revelada.

Um trans que precise ir ao banheiro – por linda que seja – usará o banheiro masculino, pois o DNA não converteu-se.

Um homem qualquer continuará fazendo piadas sobre magricelos, gente de óculos, gays, mulheres dirigindo, negros ou até macumbeiros, pois ideologias só transformam a psique quando aquele que a adota sucumbe ao poder patológico de seu doutrinador, e torna-se um doente – não um idealista.

Que Emílio Surita largue a pútrida Jovem Pan em boa hora, pois tanto ele quanto seus associados no Pânico serão muito bem vindos ao nosso “suposto Gabinete do Ódio” conservador, que contamina a internet com as verdades que ninguém quer ouvir.


Walter Biancardine


domingo, 28 de julho de 2024

QUANDO PASSAMOS DO LIMITE - BACANAL OLÍMPICO


Basta ver a ilustração acima: tal como escrevi em meu artigo de ontem, "talvez estejamos em um raro momento da humanidade em que reina o assombro mútuo, tanto por parte dos agressores quanto dos agredidos, ambos pasmos com a enormidade do ato.

Os agressores sentem, neste momento, que ultrapassaram – em escala bíblica – todos os limites da ignomínia, baixeza e depravação em sua ânsia iconoclasta, revelando-se verdadeiramente surpresos com as dimensões inauditas das enormidades cometidas."

Acertei em cheio. Não apenas os patrocinadores correm em debandada como até mesmo inusitado "apagão" tomou conta das ruas de Paris, restando iluminada apenas a Basílica católica...

Surpresos com a própria podridão, agora tentam se desculpar...

sábado, 27 de julho de 2024

A BABILÔNIA FESTIVA DE MACRON: VITÓRIA DA AGENDA WOKE 2030?

 


Um misto dos mais alucinados filmes de Fellini com toques do pavoroso “Pink Flamingos” (Divine/ John Waters) e toneladas de pornografia, deboches e deformações dos mais simbólicos e caros elementos do cristianismo: assim podemos resumir, de modo bastante breve e comedido, a abertura das Olimpíadas 2024 em Paris, França.

Em verdadeiro acesso de vômito, uma hemoptise cultural, expuseram ao mundo um show de péssimo gosto, envolvendo drag queens caricatas e demônios – sim, pois o mesmo lá esteve como anfitrião e representado por incontáveis símbolos, que esbofetearam não somente a cara de Jesus Cristo como, também, de toda a sociedade judaico-cristã ocidental – mera exibição e promoção de rituais satânicos, práticas anormais e psicopáticas.

Exultante, o auxiliar corcunda de Belzebú – mais conhecido como Macron – exclamou: “Conseguimos!”, e talvez semelhante besta apocalíptica não esteja, de todo, errada. Com sua aprovação, na capital de seu país (que foi, outrora, referência em cultura, civilização e mesmo finesse para o mundo), o Primeiro Ministro Quasímodo exibiu ao mundo estupefato não uma simples festa de abertura de Jogos Olímpicos, mas uma real missa satânica.

Um atleta brasileiro, que competirá no surf, não pode representar o Cristo Redentor na sua prancha mas travestis puderam escarnecer Jesus na abertura, profanando descaradamente a Santa Ceia na cerimônia – sim, o surfista “Chumbinho” foi obrigado a remover a pintura do Cristo Redentor em suas pranchas porque “os jogos tem regras focadas na neutralidade religiosa”… Certamente tal “neutralidade” foi deixada bem clara nos deboches aos valores cristãos – sempre representados por deformidades humanas no palco – enquanto a religião de Maomé sequer foi lembrada por nenhum dos marginais hereges envolvidos.

Curioso comportamento de isenção, em um país que teve um jornal dizimado e jornalistas mortos à bomba – Charlie Hebdo – apenas por terem feito uma charge de Maomé. Talvez o segredo para os cristãos obterem um mínimo de respeito seja esse: para cada deboche, dez almas.

Donald Trump disse: “A cerimônia das Olimpíadas foi um show de drag satânico. Eles estavam zombando de Deus, dos cristãos e do cristianismo. Vou parar com esse satanismo doentio já no primeiro dia”, afirmou. E não é preciso ser um estudioso do simbolismo religioso para identificar, de pronto, todas as ofensas que foram atiradas às faces cristãs, tais como bezerros de ouro, cavaleiros do apocalipse, entre outros.

Tal festa bacante – bacanal – exibiu sobejamente o colapso da civilização e da cultura cristã na Europa Ocidental, com travestis retratando a Última Ceia, mas os organizadores das Olimpíadas declararam, candidamente, que a imagem é apenas “interpretação do deus grego Dionísio, para nos tornar conscientes do absurdo da violência entre os seres humanos" – e talvez estejamos presenciando o ápice da hipocrisia que um satanista confesso possa alcançar, confiante em nossa passividade quase apóstata.

Uma criança – sim, elas não podem faltar em tais tipos de bacanais – em meio a drag queens, representava o papel de discípula enquanto uma mulher, obesa ao limiar da explosão, aparecia no centro fazendo às vezes de Jesus, em clara escatologia (uso o termo como sinônimo de cropologia) e nos remetendo à Santa Ceia – pura profanação – e dando a chocante percepção que todos os telespectadores tiveram, ao assistir semelhante e bizarra cena.

A conhecida Karina Michelin escreveu, no X-Twitter, que “não é a França somente que fala, mas sim uma minoria da esquerda radical, progressista, filhos do globalismo prontos para qualquer provocação e degradação da humanidade.”, e a mesma está certíssima.

Também acrescentou que a Conferência Episcopal Francesa repudiou as cenas de zombaria do cristianismo, e constatou – tal como todos que assistiram o bacanal olímpico – que “os satanistas sequer tentaram esconder seu desdém pelo sagrado, vergonhosamente abordando todas as questões sociais que eles próprios criaram para fomentar o caos na humanidade”.

Segundo Karina, “está tudo bem para a religião satânica do Woke (pós-modernismo neo-marxista) zombar e debochar do cristianismo, afinal qual religião está dominando a França mesmo?”, pergunta. E eu respondo: a França – tal como Inglaterra e Alemanha – já é, de fato, um califado muçulmano e, por isso, nenhuma menção a quaisquer outras religiões foi feita.

Por óbvio a enormidade, mundialmente assistida, provocou revolta e fúria em milhões de pessoas (não as fazendo, entretanto, levantar do sofá para quebrar a cara dos apóstatas) e a reação dos procuradores de Belzebú não poderia ser outra: igual ao Brasil do STF, a censura.

Usando como pretexto a violação de “copyright” os procuradores de Satanás tentam, agora, controlar os danos causados pelo impacto negativo das ofensas, cometidas na cerimônia de abertura – melhor dizendo, bacanal – de ontem.

O conhecido Lorenzo Ridolfi diz que “praticamente todos os usuários da plataforma X receberam notificações de DMCA dos Jogos Olímpicos hoje. Mesmo que todos os clipes postados estivessem na diretriz de ‘20 segundos’ para eventos esportivos (a maioria dos clipes tinha menos de 10 segundos), os Jogos Olímpicos estão forçando a remoção desses vídeos”. E acrescenta: “eles estão tentando apagar e controlar a cobertura da cerimônia de abertura da noite passada. Não é difícil imaginar o motivo por trás dessa tentativa de censura, mas fica claro que há uma preocupação em suprimir as críticas e os comentários negativos que surgiram após o evento”.

Talvez estejamos em um raro momento da humanidade em que reina o assombro mútuo, tanto por parte dos agressores quanto dos agredidos, ambos pasmos com a enormidade do ato.

Os agressores sentem, neste momento, que ultrapassaram – em escala bíblica – todos os limites da ignomínia, baixeza e depravação em sua ânsia iconoclasta, revelando-se verdadeiramente surpresos com as dimensões inauditas das enormidades cometidas. Reagem censurando, buscando apoio em mitologias da era do bronze e, de alguma maneira, esperando emprestar um caráter não tão profano e belicoso ao bacanal que Macron – o Quasímodo de Paris – aplaudiu.

Os agredidos por sua vez – toda a civilização judaico-cristã ocidental – apavora-se e refugia-se em “prenúncios do fim do mundo”, para não ser obrigada a fazer o que verdadeiramente deveria ser feito; como seja, tirar dos armários as velhas espadas e roupas de “Cruzados”, Cavaleiros de Cristo, e empreender verdadeira e furiosa cruzada contra não apenas os inimigos da fé como, também, igualmente destruidores de nossa civilização e que, brevemente, nos escravizarão sem dó ou piedade.

Momento tristemente marcante na história do homem, a bacanal de abertura dos Jogos Olímpicos foi, na verdade, uma cerimônia de encerramento da humanidade por sobre a terra.

Bergoglio? Esqueça-o. E que a consciência dos eternos omissos seja-lhes leve.


Walter Biancardine








quarta-feira, 24 de julho de 2024

OS SÍMBOLOS EM TRUMP E O SONHO AMERICANO -

 


Recentemente comentei em meu perfil, no Facebook: “em Michigan, todos aguardando a chegada de Trump para seu comício de hoje. Enquanto isso, nos alto falantes, uma deliciosa ‘Dancing Queen’ ecoa pelo estádio. (...) PS: agora toca um bom e americaníssimo Elvis Presley. Um dia discorrerei sobre todos estes simbolismos evidentes.

Pois chegou a hora de falar sobre Trump e seus símbolos – o “sonho americano”.

Devolver à América sua grandeza perdida é a palavra de ordem que norteia e transpira em todas as aparições, discursos, falas e atitudes deste senhor Donald, o Trump. Entretanto, para o cidadão comum tal grandeza não se resume, necessariamente, ao poderio militar norte-americano; mesmo a parte que diretamente o afeta – mais empregos, menos impostos e uma vida confortável – se resumiria a uma coleção de chavões, promessas e propostas se não fossem acompanhados de elementos que atingem, em cheio, o subconsciente emocional da grande maioria dos habitantes daquele país.

O que era a “grandeza” americana, outrora ostentada e hoje perdida? Apenas dinheiro, poder militar e conforto?

Não, era muito mais que isso. Um verdadeiro universo de elementos afetivos, emocionais, lembranças de infância, músicas, casas, carros e outros detalhes, que tornavam aquele país prontamente identificável em qualquer fotografia exibida aleatoriamente, mesmo sem legendas ou descrições.

Como seria um retrato dos USA em 1975 – ano em que o Abba lançou seu sucesso “Dancing Queen” – ou mesmo nos anos 60, relembrados pelas canções de Elvis nos “rallyies” de Trump?

Nos bastaria, para ficarmos nos anos 60, rever alguns episódios das antigas e populares séries de TV, tais como “Jeannie é um Gênio” (I Dream of Jeannie) ou “A Feiticeira” (Bewitched), onde a sua poderosa indústria cinematográfica, por mais antiamericana que fosse em seu íntimo, refletia obrigatoriamente a vida invejável desfrutada pela classe média nativa, com suas grandes casas sem muros, dois enormes carros na garagem, uma infinidade de eletrodomésticos inacreditáveis e as doces confraternizações no “Thanks Given” ou Natal.

Neste passado glorioso – à parte os feitos heroicos da conquista do oeste – o eleitor de Trump deseja novamente morar naquelas espaçosas casas sem muros e, após um café da manhã cheio de cereais Kellog’s, despedir-se de sua esposa com um beijo, entrar em seu enorme conversível e rumar para o trabalho. A feliz mulher, por sua vez, colocará as crianças dentro da gigantesca “Station Wagon” estacionada na garagem e as levará para a escola, sem esquecer de dar uma passada no mercado depois, para trazer os dois infalíveis sacos de papel com pequenas compras, repletas de enlatados e congelados.

Ao ouvir um antigo sucesso de Elvis ou do grupo Abba, o americano médio é automaticamente transportado, em emoções e sentimentos, a toda aquela saudosa felicidade pacata cotidiana e a incomensurável sensação de segurança familiar – algo que, em muitos cidadãos, permanece em forma de carência e arraigada em seu cruel “day by day” da vida atual e adulta.

O que Donald Trump oferece não são apenas empregos, impostos mais baixos ou segurança em suas fronteiras. No universo do homem laranja, o pagador de impostos voltará a ter à sua volta todo aquele fabuloso, farto e seguro “american way of life”, difundido mundialmente por seus filmes e séries.

Na verdade, o ser humano médio – e pouco importa em qual país habite – vive uma onda “retrô” mundial, e tal fato não é à toa: os dias presentes são abjetos, sequer um comercial de TV guarda alguma inocência ou oferece brinquedos para as crianças; as músicas são tambores de guerra hipnóticos e verdadeiros arautos de uma “landscape” pós apocalíptica. Cada minuto vivido nos remete ao pesar, às preocupações mais sinistras e tal atmosfera “noir” nos obriga a aceitar e conviver com tudo aquilo que o ser humano tem de mais podre e depravado, pois tais degenerações foram "normalizadas" e impostas como regra.

A mágica surgiu, entretanto, nos Estados Unidos da América do Norte: o homem laranja promete uma vida não apenas mais fácil mas sugere – em cada símbolo sutilmente exibido em seus comícios – a volta da inocência perdida, da tranquilidade diária, e oferece seus serviços tal como a mão segura de um pai é estendida ao filho, para conduzi-lo em segurança.

Todo o conteúdo exibido como exemplos neste artigo é apenas uma parte infinitesimal deste verdadeiro “mundo”, portador de tantas referências, sorrisos e boas lembranças: em confronto direto com a descarada e massiva propagação da cultura “woke”, o “deep state” norte americano encontra-se em real desespero, pois não apenas o que Trump oferece é aquilo que o eleitor mais deseja como – para mal dos pecados democratas – já o fez uma vez, quando Presidente, e o cidadão bem o sabe capaz de fazê-lo novamente.

Permitisse a legislação norte-americana que Trump passasse dez anos ininterruptos na Presidência e, talvez, víssemos novamente enormes Cadillacs nas ruas de Nova York e o rock and roll voltar às paradas de sucesso, ao lado de bons “westerns” no cinema.

O americano médio assiste, hoje, a maestria com que Donald Trump enfrenta e sai vitorioso sobre a grande mídia e cultura de massa, responsáveis diretos pelo fim da grandeza americana.

Se ele fez uma vez, poderá fazer de novo.

Que Deus abençoe e proteja este homem.



Walter Biancardine





sábado, 20 de julho de 2024

NADA ALÉM DE UM “PARABÉNS” -

 


Outros países, outras culturas, outros costumes.

Nos Estados Unidos e em países da Europa ocidental, o apoio das pessoas a causas que representem seus interesses, gostos ou mesmo pretensões diversas se traduz em contribuições financeiras para os promotores ou instituições que as promovam.

A tal ponto esta mentalidade é arraigada em seus hábitos e costumes que nos Estados Unidos, por exemplo, uma pequena parte dos rendimentos da maioria das pessoas já é previamente separada e destinada a tais finalidades. O raciocínio é simples e civilizado: se alguém tomou a iniciativa – e assumiu os encargos e consequências – de divulgar, alertar, promover ou mesmo advertir, ensinar ou, em última análise, entreter o público, tais pessoas ou organizações devem ser remuneradas e receber o apoio financeiro daqueles que se beneficiam com isto.

Existem, entretanto, povos que são notórias exceções e cito todos os países da antiga “Cortina de Ferro” – Polônia, República Tcheca, Eslováquia, Ucrânia e tantos outros – que, em decorrência da vida miserável imposta por governos comunistas, não só jamais dispuseram de tais pequenos valores para doações como, de modo pior, estas contribuições eram vigiadas pelas autoridades e poderiam representar, no mínimo, um “Gulag”. Para piorar, a mentalidade que “o Estado tudo provê, de tudo cuida e tudo resolve” terminou por levar seus cidadãos a um imobilismo atávico, fronteiriço ao comodismo puro e simples.

Já nosso Brasil, a nação de taipa, é uma cruza entre este mesmo Estado provedor – originado desde uma escravidão tardiamente extinta como, também, das sequelas civilizacionais impostas pela ditadura Vargas, a qual inaugurou o torpe assistencialismo que nos contamina até os dias de hoje: sim, não há necessidade de doar aos que tomam quaisquer iniciativas pois o Estado “tem a obrigação de resolver” e, ao fim e ao cabo, “esses caras só querem mesmo é aparecer e, depois, se candidatarem a vereador”.

O fundamento psíquico do brasileiro médio é indígena, extrativista: não há por que remunerar uma goiaba que pegamos no pé, e dele nos serviremos até que acabem. Quando acabarem, encontraremos outro. E isso descambou em uma desavergonhada preguiça de agir, vergonha em tomar iniciativas, omissão perpétua e, para piorar, uma suja desconfiança – e inveja – daqueles que ousam subir em um caixote para gritar por algo que creem. Não à toa, o Brasil é uma terra que abomina heróis e, quando os temos, tratamos logo de descobrir algum podre de seu passado, para desmerecê-lo; lamentar que “nada tem jeito e tudo é impossível” é a melhor maneira de justificar a própria preguiça, travestida de impossibilidades opressoras.

Nossa mente torpe de tudo desconfia: não se contribui para uma Santa Casa da Misericórdia, para uma APAE, ABBR, campanhas arrecadatórias para desabrigados e, muito menos, para campanhas políticas de candidatos em que votaremos – “eles que se virem, o Fundo Partidário está aí para isso”, alegamos. E tudo insistimos em medir pela nossa própria régua, que evidencia apenas a absoluta falta de valores e princípios morais, que vem sendo varridos impiedosamente pela cultura de massa e grande mídia.

Sempre haverão os que alegam “doar o dízimo” para a igreja de sua predileção mas, infelizmente, em maioria absoluta dos casos não se trata de um ato de fé e, sim, de um pitecantropus “fazendo negócios” com Deus: pagamos o milagre ou graça que, em breve, esperamos receber.

Tal niilismo moral se reflete diretamente naqueles que, ainda e sob todos os riscos, insistem em expor suas opiniões ou denunciarem arbitrariedades e falcatruas de nossa ditadura, nas redes sociais. Descontados os vigaristas – sempre existentes em quaisquer ramos da atividade humana – tais abnegados gastam seus dias, suas horas, suas inteligências e esforços analisando e estudando todo o panorama de nossa conjuntura para levar um grito de alerta aos seus ouvintes ansiosos – que tudo querem saber, mas nada darão em troca.

Em culturas ainda não sequeladas pelas mazelas acima expostas, os ganhos advindos das próprias redes pouco representam – ou mesmo “nada” representam, pois em sua maioria são desmonetizados – mas uma assistência consciente e sabedora do valor de tais informações (bem como dos esforços de seus autores) jamais se recusa a contribuir com tais corajosos e os garante, ao menos, uma justa remuneração por seu trabalho e asseguram um mínimo de dignidade em suas vidas e, óbvio, seus ideais.

Ney Matogrosso cantava, orgulhoso, que “não existe pecado no lado debaixo do equador”. Sim, nem pecado nem empatia, comiseração, solidariedade, nada. Por aqui assistimos o YouTube como quem vê uma TV – grátis – lemos livros somente se pudermos baixar um PDF gratuito e jamais, em hipótese alguma, doaremos mais que dois ou três minutos de nossa atenção à páginas de artigos escritos. Remunerar o autor de algo que li? Nunca!

Para o brasileiro médio, um analista político do YouTube ou mesmo de páginas pessoais é um diletante, um milionário com a vida resolvida e que, por passatempo, resolveu exibir-se escrevendo ou aparecendo nas telas.

Em um país que ostenta tamanho e notório desprezo pela cultura, o pesado fardo de estudar, aprender, desenvolver ao máximo todo seu horizonte intelectual não passa de lenda – tudo mentira, estudar é só sentar, ler e decorar!, dirão os “realistas” – e assim temos em nossos olhos, a cada vez que assistimos canais favoritos nas redes, os eternos “pedidos de pix”, rifas e toda a sorte de atrativos, para que alguém se digne a coçar o bolso e – ainda que em troca de algo material, pois informação “não se guarda na gaveta” – contribua para o sustento do abnegado.

Certamente alguém dirá – cheio das mais ferinas razões – que escrevo tal artigo em causa própria, pois a desmonetização me afastou do YouTube e ninguém contribui com um só centavo em minha página pessoal de artigos, mas não sou apenas um miserável egoísta: escrevo, também, em prol de pessoas sérias em canais que acredito, tais como Brasil Paralelo, PH Vox, Sr. Sepúlveda, Didi Red Pill, Olavo de Carvalho, Padre Paulo Ricardo e tantos outros, que gastam suas aparições a mendigar trocados de uma assistência que apenas recebe, mas em nada retribui.

Sei que estou “chovendo no molhado” e que a mentalidade de um povo não se muda com meia dúzia de linhas escritas ou vídeos postados, mas que este artigo produza, ao menos, uma reflexão por parte do leitor e que ele passe a incluir – na ordenação de suas despesas mensais – as necessárias, patrióticas e humanas doações para homens e entidades que acredite.

Ninguém nos entregará um Brasil melhor batendo à porta de nossa casa.

Não há felicidade “delivery”.



Walter Biancardine



quinta-feira, 18 de julho de 2024

MEMES E CULTURA -

 


Em momentos de soberba, sempre ostentei a facilidade que disponho em transitar dos livros de Sertillanges, Jacques Maritain ou Olavo de Carvalho até o volante de um FNM e suas duas alavancas de câmbio. Ainda embalado por tal soberba, igualmente passeio com gosto entre análises políticas, hipóteses filosóficas ou questionamentos teológicos para depois, sem cerimônias, descambar para o mais descarado pastelão e posts de humor em nível 5ª série.

Impossível ser unidimensional, um homem monolítico, um só e monótono bloco sólido, cujas facetas diversificantes são escondidas ou, como muitos desejam secretamente, inexistentes. Se tal tipo humano realmente existe, certamente será por conta de transtornos obsessivos e nunca devido a supostas e ostentadas “superioridades” a assuntos ditos “mundanos”, pois não há quem não goste de uma boa e eventual bagunça.

Se há um dom que não possuo mas gostaria de ter é desenvoltura no humor, não somente pelo bem evidente que faz à saúde mas, inclusive, por ser uma poderosa e letal arma contra pseudo-poderosos e opressores de plantão – e tal verdade vem se tornando cada vez mais evidente com o notório desconforto de nossa ditadura, sem saber como lidar com a enxurrada de memes apontados contra o Ministro Haddad.

A infantilidade primária, inerente a toda patologia megalomaníaca pelo poder, é demonstrada claramente se recordarmos alguns dos mais brilhantes humoristas brasileiros – cito Jô Soares, Agildo Ribeiro, entre outros – que eram todos esquerdistas e foram responsáveis por alguns dos momentos memoráveis no "show business" tupiniquim. Em outras palavras, a esquerda sabe muito bem como fazer humor, apenas é incapaz – pela patologia ditatorial citada – de sofrê-lo, sendo o alvo.

Tal incapacidade se espalha não apenas entre os destinatários mas, inclusive, em seus áulicos e aduladores de plantão – grande mídia e afins – que “rosnam ameaças” inócuas e vãs contra os milhões de brasileiros que, graças à internet, divulgam tais piadas. Sim, se os ditadores podem agir contra um grupo específico de humoristas – e cito o canal Hipócritas – nada podem fazer, por outro lado, para deter a enorme massa humana que viraliza o deboche contra tais sinistros personagens.

Não à toa as propostas de regulamentação das redes sociais vieram novamente à tona, exatamente no auge de esmagadora propagação de memes, citando o Ministro Haddad: ditaduras não suportam, não sabem lidar e podem mesmo implodir, se vitimadas pelo humor ácido, inteligente e, principalmente, unânime nas mais variadas redes sociais do país.

Volte aos tempos de criança e lembre-se o que sentia quando os colegas se reuniam e, rindo, apontavam o dedo para você: sim, extremamente incomodado e, desde então, sem saber o que fazer e como reagir.

Ora, provavelmente o leitor não é um ditador em potencial, tem uma vida normal e, mesmo assim, jamais aprendeu como reagir a tal situação. Imagine, por outro lado, uma pessoa que está plenamente convencida em ser alguém “superior”, cujos desejos não apenas devem, mas serão prontamente atendidos e que todos se curvam publicamente perante ele. E, em meio a toda essa pompa e circunstância, um gaiato te chama de “cabeça de ovo”.

E assim se dá o apocalipse pessoal da autoestima doentia de um ditador, e suas reações sempre serão figadais, irrazoáveis e desconexas.

O humor mata o mal, use-o sem moderação.

Não se restrinja, por comedimento ou vergonha, em repassar tais memes, temeroso do que tal atitude fará com sua imagem diante de seus amigos e colegas, pois aprendemos – o regime militar brasileiro nos ensinou – como a piada, o desdém e o deboche podem, verdadeiramente, desnortear aqueles que se atribuem o título de “proprietários” de um país e de um povo.

Quem é das antigas, lembrará: “Faça humor, não faça a guerra”.


Walter Biancardine





quarta-feira, 17 de julho de 2024

GASTANDO NEURÔNIOS -

 


O tédio é a raiz de todo o mal, a recusa desesperada em ser você mesmo.

Gênio é quem distingue o difícil do impossível.

Um problema insolúvel nada mais é que uma verdade a ser aceita.

A água fervente que amolece as batatas, também endurece o ovo.
A questão é do que você é feito, e não as circunstâncias.

Ninguém se cura no mesmo lugar onde ficou doente.

Amadurecemos com os danos, não com os anos.

A dúvida mata mais sonhos do que o fracasso jamais fará.

Não existe momento certo.
Somente o tempo, e o que decidimos fazer com ele.

Todos, em algum momento, sentam-se a um banquete de consequências.

Há mil lições nas derrotas, mas apenas uma nas vitórias.

Um navio está seguro no porto, mas não é para isso que ele foi feito.

É melhor acender um fósforo que amaldiçoar a escuridão.


Walter Biancardine



sábado, 13 de julho de 2024

PENSAMENTOS DE QUEM ACORDOU NO MEIO DA NOITE - INSÔNIA


"Para mim, ela era o livro.
Para ela, eu fui um capítulo. 
Não se dá sentimentos permanentes a pessoas temporárias."

"Se posso sobreviver aos meus próprios pensamentos, 
posso sobreviver a qualquer coisa."

"Tudo o que tenho é o hoje.
O resto são apenas lembranças ou planos."

"Minha dor vai passar, assim que acabar de me ensinar."

Walter Biancardine

sexta-feira, 12 de julho de 2024

INOCÊNCIA, MEDO OU COVARDIA? -

 


Reação natural no ser humano é buscar assuntos mais amenos quando o ambiente torna-se pesado demais, os sentimentos mais íntimos acendem o sinal de alerta e prenunciam nuvens negras na conjuntura ou, como diriam os mais jovens, a “vibe” fica “carregada” e desagradável.

Não à toa gastei os últimos dias escrevendo futilidades, divagando sobre whisky e jazz ou mesmo comentando histórias familiares mal contadas; tudo isso objetivando fugir de prenúncios e constatações sinistras que, por mais que eu finja não ver, pesam-me os ombros e a consciência.

Este peso não diz respeito à minha situação particular precária ou mesmo ao estado pós-operatório que me encontro mas, sim, à clara percepção do que brevemente virá, ao observar o posicionamento dos jogadores em campo e nossa inocência e inação diante disso.

Conversava recentemente com um velho amigo, via WhatsApp, e o mesmo advertia-me sobre meus escritos, alertando que poderiam causar-me problemas e, até mesmo, processos e prisão. Ora, este amigo está longe de ser um ignorante, possui o terceiro grau completo e atua na profissão que escolheu mas, ainda assim, não consegue diferenciar uma reportagem, denunciando crimes, de um simples artigo opinatório. Mais: assume como “normal” alguém ser preso por algo que, no máximo, renderia processos de calúnia, injúria e difamação – caso provada a culpa. Pior: crê piamente na lisura do sistema, não admite como possível instituições como o TSE sofrerem influências externas e põe a mão no fogo sobre a impossibilidade de adulteração no registro e contagem eletrônica de votos, jogando todas as hipóteses na caixa cômoda e fácil da “teoria da conspiração” – posto que são hipóteses terríveis demais para sua humana capacidade de suportar.

Uma das pesadas constatações com que tenho de lidar é o fato que uma pessoa ostensivamente inteligente e de nível superior não sabe interpretar um texto e, de modo pior, claramente “deleta” partes essenciais do mesmo, as quais contrariam frontalmente suas alegações – um misto de mecanismo psicológico de fuga com simples desejo de “ganhar a discussão”, e não de compreender o que se passa, independente de suas convicções ideológicas.

Tal fato causa-me profundo abalo, pois trata-se de alguém que conheço há anos, amigo leal mas, mesmo assim, ainda orientado pelos noticiários de TV e pleno de ideias pré concebidas e preconceituosas contra quaisquer informações que não sejam oriundas dos “meios oficiais de comunicação”: TV Globo, Record, Band, SBT, etc. Se ele, do alto de sua inteligência e cultura pensa assim, o que se passará na cabeça de pessoas não tão privilegiadas quanto ele? O que pensarão milhões de eleitores, Brasil à fora?

Infelizmente meus temores não cessam por aí: toda a conjuntura geopolítica – planetária – leva-me quase ao pânico, ao perceber que as peças do jogo de xadrez estão sendo ostensivamente movimentadas e nada podemos fazer, independente de termos governantes gêmeos em pensamentos políticos ou oriundos de outras preferências.

Os países mais importantes da Europa, como Inglaterra, Alemanha e França estão sob governos de esquerda – e evitarei discorrer sobre as estranhas contabilidades de votos que levaram estas ideologias ao poder. Nos Estados Unidos não há como ser otimista com relação a Donald Trump, pois claro está que os Democratas – independentemente de seu candidato – “ganharão” as eleições; a mídia norte americana já aponta abertamente nesta direção e, como sempre, o ativismo judiciário (copiado de nós), somado à força do terror disseminado pela TV e jornais, provavelmente enterrarão Trump – e ele que se dê por satisfeito, se não terminar atrás das grades.

Já na Rússia, Vladmir Putin age como bem entende contra a Ucrânia (nem de longe defendo Zelenski, mas sim os ucranianos) e, pior, propõe uma “governança única” para os países que compõem o BRICS – leia-se uma só gestão política, um só judiciário e, obviamente, uma só força militar, policial, de inteligência e repressão. E nós outros, botocudos, estamos alinhados a tais canalhas pelas mãos imundas de Lula.

Por falar em América Latina, toda ela – com exceção provisória da Argentina e do Paraguai – está já nas mãos da esquerda globalista, bem como o principal país, híbrido entre as Américas do Norte e Central, México, igualmente assim se encontra.

O domínio mundial do discurso esquerdo-globalista (woke) é claro e jamais agiram de modo tão ostensivo e com tamanha fúria, em suas intervenções. A grande mídia – sempre aliada do mal – comporta-se de maneira quase inacreditável, apostando em uma “realidade paralela” baseada nas teorias nazistas de “repetir uma mentira até que ela se torne uma verdade”, e noticia fatos completamente distorcidos, rotula pretensões oposicionistas sob as pechas mais odiosas e embasa a indústria cultural em suas produções hipnotizantes, formadoras de uma juventude completamente dopada, em termos de realidade das coisas.

Todos os absurdos que assistimos aterrorizados no Brasil repetem-se, com ligeiras variações locais, por toda a Europa, pelas Américas, Ásia, Oriente Médio e até mesmo o impávido Japão não está imune a tal veneno.

A alienação – inocente ou covarde – observada no amigo citado ao início deste artigo, não se diferencia do comportamento médio do homem europeu ou norte americano de modo geral, e assim se fecha um círculo autofágico, incentivado e patrocinado por metacapitalistas como Soros, Schwab, Bill Gates, Rockfeller e Ford Foundation, bem como amparados pela inteligência russa e dinheiro chinês.

Confesso que, por vezes, a carga desta consciência que possuo – brutalmente resumida e amputada nas linhas acima – torna-se pesada demais para mim e, covardemente, fujo.

Tal como a orquestra do transatlântico Titanic, ponho-me a valsar em divagações familiares, musicais ou mesmo em anedotas particulares enquanto finjo não ver, desesperadamente, o naufrágio da civilização ocidental que ocorre sob as bênçãos e omissões de um Papa militante, o qual recusa-se, sequer, a amparar nossas almas.

Tremo ao pensar que, em breve, o conceito de “civilização” será apenas uma vaga e distante lembrança, parte de doces memórias de tempos que não mais voltarão.

E viveremos em um mundo de escravidão e escombros, cenário de vídeo game, cercados de zumbis drogados e ameaças depravadas, amparadas por alguma poderosa e planetária Gestapo.

O que será de meu filho?

O que fará meu amigo, quando isso acontecer?

O que farão as pessoas que pensam como ele? Se lamentarão? 

Será tarde demais.

De fato, é mais agradável especular se a vovó Condessa de Barral tinha ou não um chamego com o Imperador Dom Pedro.

Aproveite a vida civilizada, antes que acabe.

Boa sexta feira a todos.



Walter Biancardine