segunda-feira, 3 de agosto de 2026

INTELIGÊNCIA PREJUDICA


Tive hoje um dia ruim num lugar que faço uns bicos pra sustentar a semana.
Sim, trabalho aos domingos.
Oriento pessoas que chegam ao estabelecimento.

O caso é que outro estabelecimento realizava um evento também, no mesmo horário e ao lado de onde fico. E é nessas horas que vemos que, realmente, o QI médio do brasileiro é 83.

Pior do que ver um burro não conseguir fazer o que você pediu é ver outro burro – arrogante – passar direto achando que sabe melhor o que fazer do que você, que o orienta, e depois quebra a cara. A vontade é socar as fuças do imbecil.

E pensei: vejo essa gente chegar. Chegam em carros caros, muito caros. A maioria se veste como classe média-baixíssima (bermuda, chinelos havaianas, camisa sem manga) mas alguns até usam roupas decentes. O que me vem à cabeça é como esse tipo de gente, de raciocínio bitolado e primário mais evidente que chifres em cabeça de boi, consegue trabalho que remunere o suficiente pra comprar esses carros?

Como ganham dinheiro para pagar o que consomem? Os carros, as roupas, os celulares que custam um rim e outras evidências de sucesso indispensáveis ao imbecil-padrão do século XXI?

Concluí que são os empregados perfeitos.

A maioria dos patrões não quer empregado inteligente. Mede os outros pela própria régua: se o funcionário é mais inteligente que ele, vai passar a perna e o papel de bobo vem de brinde.
Contratar um imbecil, um limitado obediente e previsível, é muito mais seguro – por isso, é bem remunerado.

O Brasil é uma terra tão estranha que o salário aumenta na mesma medida em que sua inteligência diminui.

Quase sou obrigado a dizer que, modéstia à parte, estou desempregado.




Walter Biancardine


Nenhum comentário: