quinta-feira, 20 de agosto de 2026

HORA DA OFICINA

Venho insistindo. Minto pra mim mesmo.
Mas leio o que escrevo.
É patético.

Não me reconheço nas linhas e frases. Me envergonho de ter mostrado. E sei que não é com as mãos que se escreve, mas com a cabeça. 

E parece que ela se foi.
Bateu a porta da rua com tanta violência que afetou o corpo. E deixou pra trás a suspeita que talvez tudo tenha sido nada.

Tudo o que eu queria dizer, gritar e mostrar era nada. Fogo de palha.
Queimou rápido. 
Ficou só o chão,  preto e sem nada a nascer.

E o corpo queimou também,  junto com a cabeça,  o coração e a alma.

Não me reconheço no que escrevo.
Nem no que faço,  digo ou vivo.

Sou um estranho hoje, pra mim.
E um estranho inconveniente. 

É hora de parar.




Walter Biancardine 


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