Acordei num daqueles dias em que é melhor nem me dar bom dia.
Azedo, frustrado comigo e sem me livrar do balanço de perdas e danos que parece não ter fim.
Tomei um café, acendi um cigarro e olhei as redes sociais.
Tudo igual, porque somos todos iguais.
Abri a porta e fui lá fora.
Os cachorros vieram como um arrastão na praia de Copacabana. Um bando, me cercando e bajulando por comida.
Entrei, peguei o saco de ração e enchi seus potes.
Mas os cavalos farejaram, ao longe.
E vieram bajular também.
Eles gostam de ração de cachorro. Aliás, todas as rações são iguais e só as embalagens mudam.
Nós, trouxas, ainda escolhemos qual é de gato e qual é de cachorro.
O cavalo não, ele – e os cachorros também – comem qualquer coisa.
Depois que a cachorrada comeu, enchi uma grande cumbuca de ração e a despejei no gramado. Os cavalos se alegraram e comeram.
Fiz um vídeo e mandei para a amada distante, lá no pantanal.
Comeram até se fartar. Mas permaneceram em frente a minha porta, me olhando.
Voltei lá pra fora e me sentei em frente a eles, é um macho e uma égua.
O macho gosta de mim. Começou a me cheirar.
Roeu meus joelhos e cheirou meu cabelo.
Encostou sua cabeça à minha, enquanto eu resmungava sobre a vida.
Sim, o cavalo me consolava.
Eu resmungava, ele encostava a cabeça em mim.
Apontava o enorme focinho em minha cara e cheirava minha boca – deve gostar de cigarros, café e cerveja – e olhos também.
Virou meu parceiro de botequim.
Eu e o cavalo, cabeça com cabeça.
Eu lamentando minha vida, e o cavalo com sua cabeça encostada em mim me cutucando e procurando me animar.
Um bom amigo.
Pensei mesmo em botar um freio e rédeas nele e montar no pelo, pois não tem selas por aqui.
Mas o cavalo não é meu.
O amigo cavalo é, mas o animal não.
Tenho algo que seu dono não tem.
Um amigo cavalo.
Um dia ele vai embora e vai doer.
Em mim e nele.
É só o que temos, mesmo.
Walter Biancardine
Azedo, frustrado comigo e sem me livrar do balanço de perdas e danos que parece não ter fim.
Tomei um café, acendi um cigarro e olhei as redes sociais.
Tudo igual, porque somos todos iguais.
Abri a porta e fui lá fora.
Os cachorros vieram como um arrastão na praia de Copacabana. Um bando, me cercando e bajulando por comida.
Entrei, peguei o saco de ração e enchi seus potes.
Mas os cavalos farejaram, ao longe.
E vieram bajular também.
Eles gostam de ração de cachorro. Aliás, todas as rações são iguais e só as embalagens mudam.
Nós, trouxas, ainda escolhemos qual é de gato e qual é de cachorro.
O cavalo não, ele – e os cachorros também – comem qualquer coisa.
Depois que a cachorrada comeu, enchi uma grande cumbuca de ração e a despejei no gramado. Os cavalos se alegraram e comeram.
Fiz um vídeo e mandei para a amada distante, lá no pantanal.
Comeram até se fartar. Mas permaneceram em frente a minha porta, me olhando.
Voltei lá pra fora e me sentei em frente a eles, é um macho e uma égua.
O macho gosta de mim. Começou a me cheirar.
Roeu meus joelhos e cheirou meu cabelo.
Encostou sua cabeça à minha, enquanto eu resmungava sobre a vida.
Sim, o cavalo me consolava.
Eu resmungava, ele encostava a cabeça em mim.
Apontava o enorme focinho em minha cara e cheirava minha boca – deve gostar de cigarros, café e cerveja – e olhos também.
Virou meu parceiro de botequim.
Eu e o cavalo, cabeça com cabeça.
Eu lamentando minha vida, e o cavalo com sua cabeça encostada em mim me cutucando e procurando me animar.
Um bom amigo.
Pensei mesmo em botar um freio e rédeas nele e montar no pelo, pois não tem selas por aqui.
Mas o cavalo não é meu.
O amigo cavalo é, mas o animal não.
Tenho algo que seu dono não tem.
Um amigo cavalo.
Um dia ele vai embora e vai doer.
Em mim e nele.
É só o que temos, mesmo.
Walter Biancardine
Nenhum comentário:
Postar um comentário