A ressaca da bebedeira diurna ameniza, dor de cabeça vai embora.
Vivo, afinal. É sábado à noite, tudo continua.
Sentei aqui e fui olhar as redes. Só tenho Facebook, X e Substack.
No Face, nada de novo. Só a mesma chacina política do X, apenas com moderação para menores de 18 anos.
X nem preciso mencionar. Cracolândia.
Substack, entretanto, me surpreendeu. Deixando de lado o ambiente “clube das menininhas”, existe coisa que presta por lá, e merece ser lido.
Gente desconhecida, que a indústria editorial jamais colocará os olhos, mas que pode e deve ser divulgada.
Tem um rapaz que gosto de seus posts. O Substack segue um estilo semelhante ao X, mas sem o limite absurdo de caracteres, e eu sempre leio o que ele publica por lá. Existe também, nesta plataforma, a opção de você publicar um artigo – ele será postado sob a forma de um link da própria plataforma, e basta clicar nele pra acessar.
O rapaz escreveu um artigo, cliquei mas era apenas para assinantes pagos.
Sim, o Substack oferece isso.
E fiquei puto.
Senti a mesma frustração de quando via uma manchete interessante, clicava nela e era “só para assinantes”.
Mas existe uma grande diferença em favor do Substack, que esses jornais de internet não tem: o dinheiro vai direto pro autor, é uma maneira dele arrumar um troco pelo seu trabalho, já que a plataforma não veicula anúncios – ao contrário dos jornais de internet, que ganham dinheiro com anúncios, com views e com assinaturas.
Reclamei, fiquei puto, xinguei – mas é justo.
É o certo a se fazer: remunerar quem escreve por seu trabalho.
E me pus no lugar do rapaz.
Bem que eu gostaria de receber uns trocados por cada postagem que eu fizesse.
Reclamo pra pagar, mas recebo “docemente constrangido”.
Sim, sou um hipócrita.
Walter Biancardine

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