Vinte anos não são vinte dias.
Gastei isso oferecendo minha cara à tapa e assinando artigos e análises políticas.
Em péssima hora.
Era a revolta dos burros: todos zurravam e se escoiceavam uns aos outros. Mas mantinham o peão montado em seus lombos.
E eu escrevendo.
Sendo censurado. Punido. Desmonetizado.
Banido e falido.
O YouTube roubou 28 vídeos meus – eu ainda me dava ao trabalho de fazer isso – e desmonetizou meu canal com mais de 11 mil inscritos.
Como parte da punição, estou em “shadow ban” desde 2018 e sequer tenho acesso às métricas. Pior: como o YT é da Google, mesmo esta página (Blogspot) também não me mostra nenhum dado.
Não bastasse eu não saber se tive aqui visualizações – e a julgar pela ojeriza geral, nunca tenho – o Facebook me mantém também sob “shadow ban” e ameaçado de exclusão de meu perfil, criado em 2010, até o mês de outubro deste ano. Se não mudarem de ideia e inventarem uma punição nova.
Fui excluído até do Telegram e só mantenho minha terceira (sim) conta no X, antigo Twitter, por teimosia. Pretendo excluí-la em breve.
E o quê ganhei com isso?
Nada. Só inimizades e uma profunda frustração com minha profissão de jornalista. E por isso voltei a concentrar minha vida no que sempre fiz, desde os idos de 1978, 1979: escrever crônicas, contos, poesias e romances.
Mas não foi só no lado profissional que tudo desandou: o fim de um casamento de 15 anos no momento em que eu estava (estou) desempregado me fez perder todo o pouco que eu tinha, bem como ser obrigado a pedir favores pra ter um teto onde dormir e algo pra comer. E tudo isso aconteceu junto, ao mesmo tempo.
Resisti. Neste meio de mato escrevi sete livros – umas merdas, confesso – mas mantive minha cabeça ativa e produzia regularmente contos, crônicas e poesias.
Mas agora parece que a fonte secou.
A depressão que me acompanha sugere uma exaustão ou o termo tão em moda, “burn out”, mas sequer sei se isso é definitivo ou momentâneo. Prefiro o manjado “estresse pós-traumático”, se adequa melhor a um seqüelado de guerra como eu.
Resolvi tirar umas férias do Facebook e Substack, as únicas redes que ainda me importam, e parar de postar.
Mas não consigo parar de escrever.
Tomei então a decisão de, enquanto durar meu intervalo, postar somente aqui neste Blogspot. Aqui ninguém me lê, eu creio. E, se lerem, serão uns dois ou três que talvez não falem tão mal de mim assim.
Vamos ver até quando esse apagão dura.
Desempregado já estou. Se nem mais escrever eu puder, aí sim é o fim de tudo.
Veremos.
Walter Biancardine
Gastei isso oferecendo minha cara à tapa e assinando artigos e análises políticas.
Em péssima hora.
Era a revolta dos burros: todos zurravam e se escoiceavam uns aos outros. Mas mantinham o peão montado em seus lombos.
E eu escrevendo.
Sendo censurado. Punido. Desmonetizado.
Banido e falido.
O YouTube roubou 28 vídeos meus – eu ainda me dava ao trabalho de fazer isso – e desmonetizou meu canal com mais de 11 mil inscritos.
Como parte da punição, estou em “shadow ban” desde 2018 e sequer tenho acesso às métricas. Pior: como o YT é da Google, mesmo esta página (Blogspot) também não me mostra nenhum dado.
Não bastasse eu não saber se tive aqui visualizações – e a julgar pela ojeriza geral, nunca tenho – o Facebook me mantém também sob “shadow ban” e ameaçado de exclusão de meu perfil, criado em 2010, até o mês de outubro deste ano. Se não mudarem de ideia e inventarem uma punição nova.
Fui excluído até do Telegram e só mantenho minha terceira (sim) conta no X, antigo Twitter, por teimosia. Pretendo excluí-la em breve.
E o quê ganhei com isso?
Nada. Só inimizades e uma profunda frustração com minha profissão de jornalista. E por isso voltei a concentrar minha vida no que sempre fiz, desde os idos de 1978, 1979: escrever crônicas, contos, poesias e romances.
Mas não foi só no lado profissional que tudo desandou: o fim de um casamento de 15 anos no momento em que eu estava (estou) desempregado me fez perder todo o pouco que eu tinha, bem como ser obrigado a pedir favores pra ter um teto onde dormir e algo pra comer. E tudo isso aconteceu junto, ao mesmo tempo.
Resisti. Neste meio de mato escrevi sete livros – umas merdas, confesso – mas mantive minha cabeça ativa e produzia regularmente contos, crônicas e poesias.
Mas agora parece que a fonte secou.
A depressão que me acompanha sugere uma exaustão ou o termo tão em moda, “burn out”, mas sequer sei se isso é definitivo ou momentâneo. Prefiro o manjado “estresse pós-traumático”, se adequa melhor a um seqüelado de guerra como eu.
Resolvi tirar umas férias do Facebook e Substack, as únicas redes que ainda me importam, e parar de postar.
Mas não consigo parar de escrever.
Tomei então a decisão de, enquanto durar meu intervalo, postar somente aqui neste Blogspot. Aqui ninguém me lê, eu creio. E, se lerem, serão uns dois ou três que talvez não falem tão mal de mim assim.
Vamos ver até quando esse apagão dura.
Desempregado já estou. Se nem mais escrever eu puder, aí sim é o fim de tudo.
Veremos.
Walter Biancardine
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