terça-feira, 28 de julho de 2026

PAPO CHATO


Odeio falar sobre arte.
O assunto fede à arrogância. 
Exibicionismo cultural. 
Vendem conceitos experimentais e revolucionários.
Pra mim, vigarice ou vazão de taras secretas.  

Tenho cuidado quando o assunto são escritores e poetas, também.
Escavam fósseis pra provar sua cultura fantástica. 
Não tenho saco pra isso.
Perambulo por Hemingway, John Donne, Bukowski e poucos mais.
Dostoievski é proibido.
Virou moda nas redes.

Arte não é pra ser falada.
Não julgo conceitos de feiúras óbvias.
Nem quero fofocar sobre a depressão de um ou amantes de outro.

Se quiser conversar sobre ideias, aceito.
Podem levar a um conto, poesia e até um romance.
Dos mais íntimos – por acaso, ninguém – até aceitaria sugestões sobre algum exagero em adjetivos ou sobre a mania jornalística de explicar a cena.
O tal do “se aprende pelo exemplo, não pelas lições”.

E disso não passa.

Já convivi com artistas plásticos, pintores, escultores e até atores e diretores de teatro.
Nunca dei pitaco nas técnicas deles.
E nem daria tempo, pois só falavam de política.

Não quero saber.

A única coisa que me mantém na mesa é a bebida.
Sempre farta, generosa, excessiva até.
E isso é bom.

Baco traz a arte na garrafa.

O resto crio sozinho.




Walter Biancardine



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