A internet adora rótulos.
Pior: transforma tudo em moda, tal qual fizeram com raças de cachorro ou receitas culinárias.
Pior: transforma tudo em moda, tal qual fizeram com raças de cachorro ou receitas culinárias.
Agora fazem isso com doenças.
E a moda é dizer-se “neurodivergente” – sendo ou não.
As redes sociais transformam confusão em pertencimento.
Antigamente o sujeito era “esquisito”, “avoado”, “tímido”, “hiperativo” ou simplesmente “complicado”.
Hoje aparece um vídeo de 30 segundos e esse sujeito conclui que tem três transtornos e uma coleção de siglas.
Há um exagero real.
Nem toda distração é TDAH.
Nem toda introversão é autismo.
Nem toda dificuldade social é “neurodivergência”.
E essa frescura rebaixa e vulgariza uma condição clínica que merece a devida atenção – e não ser mera “moda do verão 2026/2027”.
Às vezes a pessoa só dorme mal, vive no celular, não lê um livro desde a escola e tem a capacidade de atenção carbonizada por notificações das redes sociais.
Mas ser neurodivergente tá na moda.
Disputando focinho a focinho com asperger.
Tivessem um boleto pra pagar, um uísque pra beber e alguém pra trepar, não perderiam tempo com essa merda.
Walter Biancardine

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