“Sorte no jogo, azar no amor” – era o que diziam antigamente.
Besteira.
Sempre me lasquei de verde e amarelo, igualmente, em ambos.
A verdade é que nunca fui um bom jogador.
Aliás, posso dizer que sempre fui péssimo. Sequer aqueles brindes toscos de festa junina eu conseguia ganhar.
E eu cresci, mas nada mudou.
Na época da Loteria Esportiva meu recorde foram quatro acertos – até aceitável, já que eu nada entendia de futebol.
Aí veio a Loto e, de cinco números, eu acertava um ou dois.
Mega-Sena sempre foi um vexame e tentar uma fezinha no bicho – o desespero faz dessas coisas – ficou fora de questão: eu estava me tornando motivo de piada pro apontador do jogo, lá perto de casa.
Com as mulheres era igual.
As que eu queria sempre tinham alguém – ou eram simplesmente gentis, não caindo na gargalhada que as outras não conseguiam segurar.
Três casamentos.
Três falências completas, bancarrotas das quais saí com meus poucos pertences e roupas.
E também três chances que dei à cirrose e ela não apareceu.
Talvez tenha se condoído com minha situação e feito vistas grossas pra inumerável quantidade de bebida sobre a mesa do bar.
Agora tenho uma namorada e a amo. Mas ela mora do outro lado do país, onde até o fuso horário é diferente.
Como posso trazê-la pra cá?
Minha vida, às vezes, mais parece um monumento ao cinismo.
Resolvi apostar num milagre: ganhar na Mega-Sena e ir buscá-la.
Seria um final surrealista. O azarado no jogo ganhando um prêmio que resolveria seu azar no amor.
Pura estratégia.
Na falta de opções, confunda o destino.
Walter Biancardine
Besteira.
Sempre me lasquei de verde e amarelo, igualmente, em ambos.
A verdade é que nunca fui um bom jogador.
Aliás, posso dizer que sempre fui péssimo. Sequer aqueles brindes toscos de festa junina eu conseguia ganhar.
E eu cresci, mas nada mudou.
Na época da Loteria Esportiva meu recorde foram quatro acertos – até aceitável, já que eu nada entendia de futebol.
Aí veio a Loto e, de cinco números, eu acertava um ou dois.
Mega-Sena sempre foi um vexame e tentar uma fezinha no bicho – o desespero faz dessas coisas – ficou fora de questão: eu estava me tornando motivo de piada pro apontador do jogo, lá perto de casa.
Com as mulheres era igual.
As que eu queria sempre tinham alguém – ou eram simplesmente gentis, não caindo na gargalhada que as outras não conseguiam segurar.
Três casamentos.
Três falências completas, bancarrotas das quais saí com meus poucos pertences e roupas.
E também três chances que dei à cirrose e ela não apareceu.
Talvez tenha se condoído com minha situação e feito vistas grossas pra inumerável quantidade de bebida sobre a mesa do bar.
Agora tenho uma namorada e a amo. Mas ela mora do outro lado do país, onde até o fuso horário é diferente.
Como posso trazê-la pra cá?
Minha vida, às vezes, mais parece um monumento ao cinismo.
Resolvi apostar num milagre: ganhar na Mega-Sena e ir buscá-la.
Seria um final surrealista. O azarado no jogo ganhando um prêmio que resolveria seu azar no amor.
Pura estratégia.
Na falta de opções, confunda o destino.
Walter Biancardine
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