domingo, 3 de maio de 2026

DONO DE ESCRAVOS -


Princesa Isabel assinou uma lei.
Libertou o povo das senzalas mas a República os prendeu na favela.

Então o brasileiro descobriu que podia ser empresário. E o governo escravizou os empresários, arrancando suas bolas através de impostos. E os empresários escravizaram os empregados pagando salários ridículos – senão o lucro acaba, dizem eles.

Cabeças de merda, nunca imaginaram que seus empregados poderiam ser também consumidores de seus próprios produtos. O lucro acaba, sempre repetem.

Aqui nunca existiu classe média. É a que consome, a que paga impostos.
Não. Aqui, pobre paga imposto também. Aqui se vive da pobreza, da miséria e dos funcionários das estatais e servidores públicos. Aqui se vive da Corte.

Sujeito trabalha o dia todo e seu salário, dividido pelos trinta dias do mês, não compra um frango assado. Escravidão tão boa que vieram as multinacionais – era preciso explorar também. Eles sim, sabem explorar, oferecem alguns mimos e deixam o cativo feliz e se sentindo superior.
E a Corte descobriu que miséria dá voto. Sempre deu. Sempre imploramos por heróis, as novelas da TV mostram isso.

E a Corte quase extinguiu o salário, trocando o contracheque por vale-transporte, vale-gás, bolsa família, bolsa escola, passe gratuito pra idosos, pra deficientes, farmácias que dão remédios gratuitos (comprados pelo Governo em licitações fraudadas), programa Minha Casa Minha Vida – no fim das contas, você descobre que trabalha a troco de casa e comida. Tudo dado pelo governo, comprado com seu dinheiro de impostos. E os empresários nada pagam, além de uma carga tributária trabalhista que esfola o pequeno comerciante. Mas ajuda as grandes empresas, elimina a concorrência.

Aqui, grandes empresas são feudos. Nelas trabalham os privilegiados. Somos servos da gleba e ainda não saímos da era feudal, embora jamais tenhamos atravessados uma Idade Média.
Mas as igrejas nos amansam. As músicas excitam e fazem esquecer a fome – e a vergonha na cara também. As novelas hipnotizam, condicionam e desviam a atenção. O futebol é nosso Coliseu, e o pão e circo come solto.

Se trabalha a troco de teto e comida, a ração é futebol, carnaval e novela e vivemos na senzala do tráfico. Tudo isso pra que, a cada eleição, surja um vigarista prometendo que tudo vai mudar.
E ele se elege. E nada muda, nunca.

Mas a gente acredita. Daqui a quatro anos, vem outro.

Vivemos na Idade Média e tiramos onda de modernos.

E fotos pro Instagram, também.


Walter Biancardine










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