Andava agora à noite pelos pastos. Faço sempre isso.
Longe, no poente, ainda um ligeiro clarão vermelho, quase apagado, que nada ilumina mas mostra o oeste e faz do céu um quadro de Rembrandt - claros e escuros impossíveis de reproduzir.
Longe, no poente, ainda um ligeiro clarão vermelho, quase apagado, que nada ilumina mas mostra o oeste e faz do céu um quadro de Rembrandt - claros e escuros impossíveis de reproduzir.
Vi minha primeira estrela, e fiz o pedido. Depois veio Vênus. e mais outras. E outras. A imensidão do céu enegrecia e brotavam estrelas que não se pode ver sob a luz das cidades.
Muito longe, à direita do nascente, um vago claro apontava Cabo Frio. À esquerda, o Segundo Distrito e Barra de São João.
Longe, indiferente diante das horas, pastavam bois, vacas e cavalos. Mais cavalos. O gado tem hora de se recolher.
A vastidão do céu nos curva em direção à humildade.
E eu ali, só eu, sem ninguém pra compartilhar aquilo.
Não posso dar tal grandeza de presente, mas poderia dividir o deslumbre com alguém.
Mas não havia ninguém.
Se não dividem minhas dores, também é certo que não participam de meus prazeres.
A dor, a agonia, nada disso é diário - embora muito mais frequente que gostaria. Mas o por do sol é.
Sempre.
E, enquanto eu estiver aqui, sozinho, só pra mim.
Walter Biancardine
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