quinta-feira, 21 de maio de 2026

SISTEMA -

 


Quando digo que tenho horror ao sistema, uns e outros acham muito vago. Que é um disfarce só pra posar de contestador. Que se eu fosse contra mesmo, eu criticaria Lula, Bolsonaro, STF ou seja lá o que esteja em moda atualmente, o último capítulo dessa novela que o povo assiste com fanatismo todos os dias.

Hoje, nem ligo. Que se danem.

Mas sempre terei horror a algo que obriga um idoso a saber usar celulares e aplicativos para acessar seus próprios direitos. O cara que carregou os tijolos dessa alvenaria agora é barrado na casa porque não sabe baixar um app.

E quando falo “idoso” acho que dá pra incluir o povo da roça, o pessoal rural, que nunca teve tempo pra gastar visitando a Google Play e saber das últimas novidades. Aí a sacanagem não tem idade, é democrática. Esses também estão de fora.

Daria pra escrever uma enciclopédia de 30 volumes falando mal do sistema, mas me resumo a esses dois pontos porque o primeiro deles – idosos obrigados a acessarem e entenderem de apps – eu vi numa postagem aqui do Facebook, mas não lembro o nome de quem postou. E achei uma queixa justa, tocando num tema em que eu, realmente, nunca havia pensado.

Não sou ainda um “idoso oficial”, tenho menos de 65 anos e nem passe livre em ônibus desfruto. Mas tenho idade suficiente – ou “tenho muita experiência”, como dizem os garotos do RH – para ser solenemente rejeitado em todas as minhas pretensões de emprego. E também, sou semi-analfabeto digital. Então sei o que os idosos e o povo da roça passam.

Pra mim, nenhuma diferença faz se o governo é de direita ou de esquerda. Ambos – se são governo – são “sistema”. Posso preferir um ou outro por questões filosóficas, sociológicas ou até mesmo pela mais pura e bruta experiência de vida: sei, de antemão, que aquela merda não dá certo. Mas o fato é que tanto um quanto outro nos usam, nos esfolam e nos chupam – no pior sentido – até nada sobrar. E isso eu não aceito.

Li na Bíblia: “ganharás o pão com o suor de teu rosto”, e não “ganharás teu pão ao preço de sua vida, dignidade e personalidade”.

E nisso vai toda a diferença.



Walter Biancardine


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