sábado, 30 de março de 2024

BEBEDEIRA


Existem homens que passam uma vida bêbados de si mesmos;

Bêbados de suas vontades, de suas birras, de seus mimos e caprichos.

Aparentam lucidez, ponderação e bom senso, mas é a moeda que usam para pagar o próximo engradado de um ego em garrafas.

E seguem os dias de festa, o eterno brinde solitário, até que a sobriedade da desgraça os faça cair - não "em", mas "de" si.

E terão o resto de seus miseráveis dias de velhice e solidão para curar a ressaca de sua existência;

Que se evaporou como álcool. 


Walter Biancardine

terça-feira, 26 de março de 2024

NÃO HÁ RELÓGIOS, NÃO HÁ LUGARES - APENAS RESPOSTAS

Manter-se raso talvez seja a melhor maneira de evitar o assombro diante do inefável, devidamente aquilatado por mente mais profunda, e que sequer seria reconhecido como tal por temerosos.

O que deve acontecer se dá sem hora marcada, sem local solene, conjunturas dramáticas ou teatrais músicas de fundo. Simplesmente se dá; apenas aceite, contemple e cresça.

Um local e situação prosaicos, em pé no ônibus, nada possuem de transcendental ou que induzam o pobre mortal à ascese. Talvez medicamentos poderosos tenham este condão, seus colaterais facilmente desviados rumo ao inexplicável mas o fato, em si, permanece o mesmo.

Um suor frio desce da testa, a escuridão invade o canto dos olhos, pernas enfraquecem e o primeiro pensamento é clínico: queda de pressão, desmaio, há que se buscar onde sentar - mas não há, ônibus cheio e implacável.

Seria desagradável manter-se apenas nisso e no exato momento em que um cérebro pragmático busca culpar medicamentos controladores da pressão arterial ou mesmo péssima alimentação duradoura, o mesmo é soterrado - de modo inopinado e sem razões prévias - por incrivelmente velozes lembranças de toda uma vida. E nossa infame existência passa, fast forward, diante de um perplexo ser pensante e que, até então, sequer recordava ou tinha consciência do tanto desfilado perante sua consciência.

Ver-se em terceira pessoa é desagradável e pior se torna quando assistimos, compungidos, os próprios pecados, felicidades ou banalidades sendo praticadas por aquela criatura que somos, mas não estamos. Ou, graças à Deus, fomos e não mais somos.

Se o melhor professor é o exemplo, estranha situação é nos enxergarmos diante de nossos olhos cometendo coisas boas e atos vis, o imbecil que fomos ensinando o convalescente que aspiramos ser.

Racionalizar o acontecido, organizar mentalmente a perplexidade, tentar dar um sentido e transformar o indizível em lição ou intervenção seria reduzir o transcendente ao concreto, o espírito à carne, o que flui ao que pesa. Não é a intenção.

Trata-se apenas de constatar que, aos que anseiam por respostas, as mesmas estão todas diante de nós.

Basta saber qual resposta cabe em cada pergunta.


Walter Biancardine 



quarta-feira, 6 de março de 2024

A MONTANHA PARIU UM RATO

 

Depois deste artigo, misto de análise e crônica pessoal, certamente pouco ou nada falarei sobre mim no que escreverei, futuramente. Entretanto, é necessário que seja – ainda desta vez – publicado tal depoimento pelo fato de jamais ter escondido fracassos ou sucessos, e aqueles que me acompanham certamente testemunharam um longo e doloroso abismo, vivido por mim, nos últimos tempos.

O mês de fevereiro foi-me particularmente terrível por coincidir duas rejeições simultâneas em minhas aspirações de trabalho e o fato, aleatório, de haver buscado o que era afinal o “narcisismo” o qual, um dia, fui “diagnosticado”. Assim, somou-se à uma auto estima nanica, desconsiderada profissionalmente, a terrível “descoberta” de ser um sociopata – verdadeira ameaça, escondida por trás de uma palavra que jamais julguei ir além da forma pejorativa de criticar o excesso de vaidade alheia.

Vamos direto ao ponto: decepções profissionais sempre são ruins, mas não o suficiente para abalar um profissional com décadas de experiência e – ainda que velado, raivoso – reconhecimento. Por outro lado, “descobrir” um sociopata habitando dentro de si, solerte e vitimando a mulher amada – causando mesmo o fim desta relação – equivale a saber, já na velhice, que todos os relacionamentos de sua vida foram baseados na tolerância dos outros para com sua doença – explícita, nociva, asquerosa, mas que apenas você não a enxergava. Ou seja, você foi alvo da piedade alheia; possuía amigos e relações apesar de ser quem você é. Uma farsa, enfim.

Todos sabem de tudo o que me aconteceu, de 2022 para cá: perdi mulher, casa, amigos, história de vida, raízes, família e fui morar de favor em uma ilha de nada, cercada de coisa nenhuma por todos os lados. Essa é a única desculpa que encontro para minha análise precipitada sobre esta “patologia”, a mim imputada, e por haver tomado como fontes válidas apenas vídeos de YouTube, ainda que apresentados por gente que se intitula “terapeuta”, “psicólogo” ou o que o valha.

Os nervos jamais foram bons conselheiros e ultimamente, mais calmo após assimilar a pancada recebida, busquei rever toda a longa série de avisos e advertências, anunciados por tais profissionais, nos vídeos que tanto mal me causaram.

A primeira coisa que chamou-me atenção foi o fato de 90% deles ser protagonizado por terapeutas mulheres, e a segunda foi o fato de tais vídeos – mais que técnicos – serem verdadeiros depoimentos: testemunhos que, em alguns deles, chegaram ao choro (!!!), vozes trêmulas e balbuciantes, demonstrando claramente que o fatal diagnóstico devia-se prioritariamente a mágoas pessoais, relacionamentos desfeitos, ódios e desejos claros de vingança destas profissionais contra seus antigos pares. E pouco se me dá a acusação de “machismo”, pois tal comportamento é, de fato, feminino. Homens vingam-se de modo diferente: arranjam outra mulher, compram carro novo e desfilam com ambos na frente da ex.

Como diabos não percebi isto antes? E por que raios uma profissional expõe-se deste modo, arriscando sua credibilidade e reputação? E concluí que a grande maioria de psicólogos e terapeutas abraça esta profissão muito mais pelo desejo de se compreender do que curar seus pacientes.

A afirmativa acima não deve ser refutada com ódio: a brilhante dra. Ana Beatriz Barbosa – reconhecida nacionalmente e que não possui canal no YouTube, apenas participa como convidada – é a prova e modelo de alguém que, realmente, está no ramo para ajudar e tem substância a oferecer.

Assistindo vídeos nos quais ela participa, percebi a evidente diferença de tom e ausência de frustrações pessoais em suas análises – explicou o que realmente é a patologia narcisista, os diferentes graus que pode alcançar e deixou bem claro que um doente deste mal, para chegar a tornar-se uma ameaça a terceiros, certamente apresentará comportamentos destoantes em todas as áreas de sua vida – indisfarçáveis, os quais certamente terminarão por fazê-lo ouvir, de mais de uma pessoa, a recomendação de tratar-se, buscar ajuda.

Incentivado pela serenidade da dra. Ana Beatriz, reconheci o ridículo de minhas buscas – instruir-me e diagnosticar-me em redes sociais é o fim da picada, tal como aceitar balizamentos leigos apenas pelo fato de amar esta pessoa profundamente.

Assim, era hora de usar um dos poucos dons que possuo – o autodidatismo – e buscar fontes literárias, sérias e de profissionais gabaritados, como parâmetro para análises.

Sei do perigo que isto representa, pois pouco ou nada enxergamos de nós mesmos. Entretanto, os que me acompanham sabem de minha longa jornada no deserto, no confessionário da solidão involuntária, enumerando para Deus os poucos pecados que em mim enxergo e escutando, Dele, os incontáveis que jamais vi. Deste modo, embora sabedor de minha miopia, percebi possuir uma auto consciência (ensinada e pregada por Olavo de Carvalho) infinitamente maior que a média das pessoas, e digo isso sem nenhuma modéstia.

E o que pude apurar? Ora, na respeitavelmente grande e densa bibliografia consultada (tudo em PDF, por falta de recursos), vi que as “terapeutas histéricas” das redes sociais não mentiram, ao revelar os extremos que um doente narcisista pode chegar.
Apenas esqueceram de dizer que são casos raros, exceções notáveis a olho nu – mas amores mal resolvidos realmente cegam as pessoas.

Um doente médio (chamemo-lo assim) narcisista é, de fato, uma pessoa que pode trazer inúmeros problemas a qualquer relacionamento. Entretanto, todos eles – sem exceção – possuem alguns traços em comum, dentre eles a certeza de serem criaturas acima da média. E foi a incapacidade alheia de distinguir entre comportamentos arrogantes eventuais e a hipótese de eu me considerar alguém “superior” que, certamente, decretou meu diagnóstico e o fim de meu casamento.

Nenhum narcisista reconhece sua postura “superior”. Já eu reconheço – e por vezes lamento tal auto defesa – minha arrogância pontual: Deus me deu poucos dons: dirigir ou pilotar qualquer coisa como aviões, motocicletas ou caminhões, aprender sozinho (suportar a solidão), uma inteligência funcional e o gosto em escrever. É só isso que tenho e sei fazer em minha vida, nada mais.

Quem comigo conviveu quando ainda voava, viu meu pior: definitivamente arrogante, competitivo, desafiador, agressivo no voo e nas discussões nas cantinas dos hangares, que sempre terminavam em pancadaria.

Mas resumia-se à isso. Jamais me gabei por suposta inteligência – e muitas vezes duvidei da mesma, quem me lê sabe – ou por escrever com alguma competência ou estilo. Mas sempre fui cabeça-dura: é difícil mudar minhas crenças, opiniões, valores; uma tarefa quase impossível e que pode conduzir o interlocutor à fatal suposição de “narcisismo”. Imagine conviver com alguém assim, em reuniões familiares?

Mas uma coisa é ser um sujeito desagradável e outra, bem diferente, é ser um sociopata.

O ponto central deste texto é, na verdade, pedir desculpas aos que me seguem por eu haver cedido ao pavor – descobrir-me incompetente na profissão e doente da psique – pavor infundado, agravado por todas as aflições já conhecidas de vocês, chegando ao ponto de considerar atitudes mais drásticas. Envergonho-me por tudo o que pensei e considerei, envergonho-me por desabar em uma fraqueza tamanha, ao ponto de provocar a solicitude de amigos como o dr. Vitor Travassos. E envergonho-me, principalmente, por esquecer a ponderação, serenidade e prudência na análise de uma situação – ainda que explicada (mas não justificada) por minhas misérias pessoais – que poderia ter me levado a atitudes estúpidas e, certamente, sem retorno ou perdão.

Havia prometido não mais escrever, não mais opinar, analisar. Pois neste momento revogo tal promessa.

Os livros, os estudos, a escrita; esta é minha vocação e nela continuarei. Neste momento, não tenho a segurança de realmente ter algo a oferecer além de análises, lastreadas não em sagacidade própria, mas em tudo que aprendi nos livros e com o professor Olavo de Carvalho – mas já é alguma coisa.

Minha situação pessoal continua a mesma mas, como dizem, “o que não pode ser solucionado, solucionado está” e, assim, continuarei tentando contribuir enquanto tiver um teto para me abrigar e condições mínimas de vida.

Decidi não mais deixar-me seduzir por sonhos – bom emprego, casa, carro – nem vencerem-me os pesadelos – sociopatias, incompetência, miséria e solidão.

Já é tempo de arregaçar as mangas e voltar ao trabalho. O país inteiro agoniza e, se posso contribuir com um só tijolo que seja, em nosso muro de combate, assim o farei.

Não mais falarei de mim, nunca mais. Ou serei, realmente, um narcisista.

É hora de curar o Brasil.

Agradeço a paciência e compreensão de todos. De volta ao trabalho.



Walter Biancardine



domingo, 3 de março de 2024

LUTA SEM FIM: RAZÃO X EMOÇÃO, INTELECTO X FÉ

 

Os adversários do título foram dispostos de maneira deliberada, pois não há como confrontar a razão com a fé, após Santo Tomás de Aquino e sua Suma Teológica: para quem leu – e entendeu – o santo Doutor da Igreja Católica, ambas coexistem interdependentes e pacificamente.

A razão e a emoção -

Um adversário melhor e constantemente utilizado contra a razão são as emoções – e mesmo sabendo o quão batido é este duelo, ouso oferecer uma análise em decorrência de um acontecimento o qual tive a inusitada oportunidade de estar presente, neste sábado, em meu trabalho: o amigo (e patrão) Alair Corrêa cedeu as instalações da pousada a qual gerencio para que pastores e membros da igreja Lagoinha lá realizassem uma cerimônia de batismo coletivo de quase cem fiéis.

Profissionais gabaritados – oriundos desta mesma igreja – exibiram como realmente se deve trabalhar, no preparo do evento. Ágeis, divididos em equipes autônomas mas sob comando central, eficientes e disciplinados, preencheram todas as minhas expectativas sobre como deve ser cumprida uma missão: com planejamento, disciplina, rapidez e eficiência. Em duas horas, tudo estava pronto. As cinco centenas de fiéis que compareceram e de tudo desfrutaram, somados ao apuro organizacional já citado, confesso, impressionaram minha razão.

Não estaria sendo justo, entretanto, se restringisse a boa impressão aos afagos feitos ao racional: observando os fiéis – em especial os casais, jovens ou nem tanto – pude perceber expressões de enlevo mútuo; ambos olhando-se com admiração e amor, carinhos e cuidados normalmente vistos apenas em raríssimos momentos de nossa brutal e cotidiana vida, tão raros que provocam o deboche de hordas invejosas que, igualmente, os percebam. E esta emoção me levou ao velho hábito de pensar, de buscar a razão primeira, a verdade – o feio cacoete filosófico, moribundo, que insiste em viver dentro de mim. E começou o jogo, provocado pela razão.

Ora, nisto tudo certamente haverá algo de muito poderoso, que harmoniza casais, que faz pessoas exibirem, involuntariamente, uma felicidade verdadeira, que equilibra e estabiliza mentes torturadas e sequeladas por traumas, vícios ou por nossa infeliz ausência completa de valores – gnósticos terminais que somos. São quase um bando à parte, tais fiéis: não digo sobre a maneira de falarem entre si, quase um dialeto o qual creio desnecessário, mas como se tratam. Fisionomias que exibem uma paz interior que, confesso, só posso recordar de enxergar quando da lembrança de pessoas muito antigas, tempos idos, modos de vida que hoje seriam tidos como inaceitáveis e retrógrados. Ponto para a emoção.

Então o pastor – cujo nome não lembro – começou a falar. Enquanto o mesmo fazia sua pregação, pude notar os rostos deslumbrados dos que o ouviam e a razão apressou-me a considerar uma espécie de catarse coletiva, somada ao tom motivacional dos melhores “coaches” de auto-ajuda, mas era na verdade uma histeria – e emprego a palavra em seu sentido original, hysteros (útero, em grego), para evitar um errado entendimento sobre o que vi: muito mais uma absorção completa da felicidade emanada, verdadeira ascese, do que mentes baratinadas sob treinamento pavloviano.

Teimoso, insisti na hipótese “auto-ajuda” e sentia-me pronto a dar a vitória à razão neste round, quando uma frase – uma só, única mas com a precisão de um sniper, dita pelo pastor – atingiu-me em cheio: “(…) porque Deus está aqui! Deus não está lá no céu, está aqui, entre nós!”

Todos temos pontos fracos e quem me acompanha, conhece os meus: a solidão, o desamparo, a desesperança, causados pela (não tão) recente e brutal guinada em minha vida. E tal frase fez com que todo o enorme arranha-céu de concreto frio e impassível, erigido como um obelisco social às minhas misérias, implodisse. Não lembro se fiz algum gesto, se me portei de forma diferente, mas provavelmente algo de vexaminoso em mim chamou a atenção de meu amigo, Dr. Vitor Travassos – membro desta igreja e que também lá estava – fazendo com que ele se aproximasse e oferecesse sua boa vontade ao moribundo moral que encontrou.

O intelecto e a fé -

Habitué da solidão, aluguei-lhe a pobre orelha durante uns dez minutos, vomitando minhas mágoas, medos, frustrações – certamente o doutor, com seus anos de experiência, sabe muito bem dos riscos que representa à paciência de qualquer um, o oferecimento para ouvir solitários – mas, ainda assim, mostrei um comportamento que eu próprio jamais pude imaginar em mim: muito mais fácil escrever sobre meus tormentos para quem jamais verá meu rosto, que lastimá-los a alguém ao nosso lado.

Mesmo sabendo que sou católico, crismado e devoto de Santa Terezinha de Lisieux, o bom doutor perguntou se eu não desejava ser batizado. E nisto enxerguei um homem de profunda fé, pois foi ao encontro do que igualmente acredito: o verdadeiro crente respeita todos os crentes, mas nenhuma de suas religiões – pois só a sua é a verdade e salvação. Ponto para o intelecto, e para o doutor também.

Confesso que balancei, mas prioritariamente por mágoas pessoais já que minha madrinha – minha tia – igualmente acha-me hoje um psicopata narcisista, por conta de feridas sentimentais de sua filha – minha prima e ex mulher – e o verdadeiro papel de uma mãe é estar ao lado dos filhos, contra tudo e contra todos.

Somado a isso também há o fato que as igrejas evangélicas são muito mais acessíveis aos que sofrem: entre em uma delas e prontamente haverá alguém a perguntar em quê pode ajudar, qual sua dor – além das falas pastorais tocarem em pontos cotidianos que atormentam e desgraçam tantas vidas e famílias, apontando as direções para a cura. Você não se sente mais só, existem mãos e boa vontade para ajudá-lo, ânimo e perseverança são injetados em você – mas em boa hora percebi que tudo isso relaciona-se à nossa vida terrena, não à redenção de minha alma, que busco desesperadamente.

Em uma igreja católica você entra e está só, é você e Deus. Silêncio, meditação, confissão e penitência – tal como a existência de náufrago empurrou-me a viver, nos últimos tempos. O deserto, real, interior ou ambos; objeto de meus estudos a ponto de considerá-lo (uma tese filosófica minha) verdadeiro personagem bíblico, por sua presença necessária e decisiva em toda a Verdade Revelada.

Deus não veio a mim em uma epifania, milagres, portentos ou maravilhas. Jamais ouvi a voz do Pai, mas cada dia escuto mais forte – em seu silêncio grave – o que Ele me diz. E se minha porca fé claudica, há um Santo Tomás de Aquino, um Santo Agostinho, doutores, santos e santas (em especial Santa Terezinha, que levou-me pelas orelhas à Deus) ao longo de dois milênios de sabedoria, liturgia, ponderação, sempre confirmadas pelo tempo.

E este foi o ponto final, vitorioso, da fé.

Talvez falte aos padres o senso prático, a realidade da vida para ser aconselhada, tal como os pastores fazem. Talvez falte à igreja católica as mãos estendidas, oferecidas pelas evangélicas, aos desesperados.

Mas também faltam aos evangélicos o silêncio introspectivo, a meditação e – principalmente – sacramentos católicos, que nos fazem meditar e ter uma grande empatia com terceiros, ainda faltante no universo protestante.

Falta, aos que seguiram após Martinho Lutero, dois mil anos de uma teologia sólida, perene e eterna.

Mas não será a abissal ignorância de alguém como eu que conciliará a salvação evangélica da vida com a grandeza católica da salvação das almas, que são imortais.

Permaneço em minha fé, ela venceu.

Kyrie eleison.



Walter Biancardine



quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

COMUNICADO E DECISÃO IMPORTANTE


“Nosce te ipsum” – conhece a ti mesmo, era uma frase escrita na entrada do templo de Delfos, na Grécia. E esta pode ser a base da sabedoria, principalmente se conhecermos o tamanho de nossas deficiências, de nossa incultura, do quanto nos falta para sabermos alguma coisa ou tornarmo-nos hábeis no exercício de algum ofício.

Por longo tempo busquei conhecer a mim mesmo, perambulando nos desertos de minha solidão. Resvalei perigosamente na mais abjeta auto piedade e não me envergonho de admitir que, em diversas vezes, mergulhei descaradamente nela. Enxerguei minhas ações erradas, meus equívocos ao longo de uma vida inteira, meus defeitos, manias, mas em nenhum momento questionei meu intelecto: o fato de ter produzido três livros, em tais e desumanas condições, era-me um motivo de orgulho e atestava a mim mesmo não apenas sanidade mental, lucidez, quanto – principalmente – destreza e capacidade no ato de escrever.

Julgava-me surrado pela vida, mas ainda dono de um intelecto são e poderoso, pronto para ser empregado em quaisquer empreitadas que me fossem destinadas. Ledo engano.

Nas últimas semanas vivi dias de grande orgulho de mim mesmo, às voltas que estava entre uma proposta de trabalho em um tradicional jornal de São Paulo e a possibilidade de fazer parte da brilhante equipe da Revista Oeste. Em ambos os casos seria obrigado a mudar-me para a capital paulista e ainda, convenientemente, me afastaria de uma cidade que tomou-me a juventude, a alegria, a mulher que amava, minha família, sonhos e esperanças.

Em minha arrogância intelectual – autor de três livros, aluno de Olavo de Carvalho e com vídeos postados por ele, chamado de “professor” por seguidores do YouTube – acreditava-me em posição de poder escolher qual proposta seria a mais conveniente para mim, até que a realidade da vida – transmitida por meio do fato de não ser aceito em ambos os locais – despertou-me de tal sonho e, de quebra, mostrou o quão pequeno sou diante de monstros como Augusto Nunes, J.R. Guzzo, Jorge Serrão, Rodrigo Constantino, Ana Paula Henkel e tantos outros.

Sim, há muito o que aprender. Sim, enxerguei minha pequeneza intelectual, meu despreparo jornalístico – até pela longa ausência das redações – e o quanto enganei, ainda que involuntariamente, tantas pessoas que se deram ao trabalho de acompanhar meus artigos, vídeos ou mesmo compraram meus livros. Sim, uma lástima.

Compreendi que não possuo condições de voltar a fazer vídeos, escrever livros ou mesmo artigos, pois nada tenho a ensinar à ninguém. Enxerguei o tamanho – imenso – de minha ignorância e a necessidade urgente de somente estudar, de modo profundo e sério. Percebi que, novamente, tornei-me um “foca” (novato) no jornalismo, dado os anos que não piso em uma redação.

Assim, por uma questão de honestidade com os que me seguem, não mais usarei o YouTube. Certamente continuarei a escrever artigos em minha página pessoal e Facebook, mas peço encarecidamente que não os considerem e, preferencialmente, não os leiam. O fato de permanecer escrevendo é muito mais uma concessão que faço à minha compulsão em redigir do que a certeza de entregar ao leitor algo que ele realmente precise saber. Não, nada tenho a dizer a ninguém.

Não mais vídeos, não mais livros, não mais artigos.

E peço que não leiam o que por ventura caia em suas mãos, se de minha autoria.

Encerro com a esperança de ser perdoado por tamanha pretensão, e que não se sintam enganados: eu enganei até à mim mesmo.


Walter Biancardine



segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

EPICURO: O DELINQUENTE QUE ME SEDUZIU


Recentemente dei-me conta do estágio terminal de epicurismo contido em minha obsessão pelo passado. Era meu esconderijo, minha fuga, zona de conforto psíquico, um verdadeiro jardim de Epicuro.

Pus-me a pensar: curioso como, por vezes, nos abrigamos sob o pensamento de filósofos (?) que abominamos. Seriam minhas idiossincrasias um caso clássico de paralaxe cognitiva?

Vejamos:

Em seu livro "O Jardim das Aflições", Olavo de Carvalho discorre sobre a profunda e preocupante impressão que sofrera ter assistido uma conferência de José Américo Mota Peçanha, nos anos 80, versando - e elevando aos píncaros filosóficos - Epicuro e seu pensamento, diante de uma plateia universitária, indefesa e ignorante.

Louvando o escapismo, a fuga aos "jardins de Epicuro, poderia nos permitir encontrar conforto em nossas lembranças e sonhos, negando a realidade ostensivamente - para Epicuro, a realidade era insolúvel, incompreensível e insuportável, por isso deveríamos nos refugiar em um mundo próprio.

Tal pensamento é a antítese da filosofia, pois abstém-se da busca pela verdade primeira e aliena-se em delírios - verdadeira delinquência filosófica que, até nos dias de hoje rende frutos (quem não se lembra de Xuxa repetindo, incessantemente, na cabeça dos "baixinhos": "basta querer para poder!"?

O pensamento epicuriano foi devidamente absorvido pelas esquerdas, em seu desejo de construção de um mundo próprio, uma realidade paralela, e nela vivem até hoje. Esta é a razão da impossibilidade de debate com um esquerdista, pois vive em outra dimensão mental.

Para meu espanto, descobri-me criando um mundo próprio - meu jardim particular epicurista - ao esconder-me e proteger-me no passado obsessivo que me persegue, e que já foi até objeto de livro versando sobre o mesmo tema: "Pretérito Perfeito".

Quando acreditamos em uma coisa mas agimos de modo diverso em nossa vida pessoal, tal patologia é denominada "paralaxe cognitiva", termo criado por meu professor Olavo de Carvalho.

Por isso insisto nos benefícios da meditação em solidão: até nossas verdades mais pútridas acabam por vir à tona.


Walter Biancardine



sábado, 30 de dezembro de 2023

DÉCADENCE SANS ÉLÉGANCE


Neste sábado 30, avant première de Réveillón, a soberba incurável – fruto de berço, lamento – me invade e passo a derivar sobre o quão agradável seria aguardar a virada de ano na varanda do Copacabana Palace, embevecido pelo suave bouquet de um bordeaux Pauillac 2009 ou 2010 e beliscando arremedos de canapés, carregados de boa mousse de salmão.

A mesma deriva recomenda que nesta varanda sejam escutados os acordes de “In The Mood”, Glenn Miller, embalando nossa degeneração travestida de transcendência, e nos dando motivos para enlaçar nos braços a bela companhia que nos segue, deslizando ambos em suave dança.

Inegável o gozo mórbido que ostentamos, indisfarçavelmente, ao festejarmos a partida de menos um ano em nossas vidas – talvez seja o mesmo prazer auto destrutivo que impele muitos de nós à brutal piedade com supostos “oprimidos”, ao apedrejamento de princípios e valores à guiza de “sermos modernos e liberais” e que descobre, no fundo de um copo ou em bandejas de prata e cartões de crédito, a alegria prét-a-porteur sempre estampada nas redes sociais.

“Divina decadência!”, diria a personagem de Lisa Minelli no inesquecível filme “Cabaret”.

Sim, decadência à olho nu, décadence sans élégance como diz o título deste pretensioso artigo, exibidor de um extinto pedigree de seu autor, já vencido, fora do prazo de validade e das condições ideais de temperatura, pressão e saldo bancário para tanto.

A vergonhosa verdade é que, não fossem as condições em que vivo atualmente, somente meu saldo bancário denotaria a invalidade de meu pedigree: sim, pois é preciso sofrermos fome para entendermos a fome alheia; é preciso ilharmo-nos em solidão para entender o deserto do próximo; é preciso a mais profunda dor para darmos o devido valor ao mais simples amor.

Não tivesse eu vivido tais amarguras inacreditáveis e, certamente, ainda carregaria essa indiferença olímpica de uma jeunesse dorée, essa que se crê dona de toda a empatia apenas por colocar fotos nos perfis sociais, com mensagens de amor ao próximo e piedade pelos pobres.

Não terei Réveillón, terei virada de ano. Não terei sequer um Cabernet mas, com sorte, um Guaravita gelado e bolachas de água e sal. Não terei Glenn Miller – ele estará apenas em meu computador, veículo de meus sonhos e desvairios. Não terei uma doce companhia, mas meu fiel focinhudo estará a abanar rabos ao meu lado.

Não se apiedem ou manifestem empatia, entretanto: se nada aprendi com amor, descubro-me hoje um PhD na dor.

É o diploma mais valioso que um ser – que pretende-se humano – pode conquistar.

Feliz 2024 para todos!


Walter Biancardine




segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

A FAVELIZAÇÃO MENTAL E A CARNAVALIZAÇÃO DO ESPÍRITO -


Grata surpresa foi escutar a web rádio https://www.radio-ao-vivo.com/radio-as-velhinhas e desfrutar de músicas orquestradas, swings dos anos 40/50 e clássicos natalinos.

Para minha felicidade, vejo que ainda há quem respeite os significados das datas, pois a carnavalização do espírito, impingida aos brasileiros, faz com que não haja mais distinção entre o nascimento de Jesus e a putaria carnavalesca de Momo - tudo é motivo para rebolar, sentar, sentar, sentar e encher a cara de cerveja.

E isso nos mostra, claramente, o quanto o povo brasileiro está embrutecido, animalesco mesmo: faveliza-se tudo, de datas sacras às diversões usuais. Tira-se o coitado de uma favela, coloca-se o mesmo a morar em um Alpha Ville e, em uma semana, o lixo, roupas penduradas e um batidão ensurdecedor estarão tomando conta de sua nova casa.

Vivemos uma terra arrasada, civilizacionalmente falando.

Nada respeitamos - aqui, respeito é fraqueza - e nos tornamos obsessivos em ter como única meta na vida o acasalar.

Enquanto alguns poucos lembram-se do nascimento de Jesus, a imensa e esmagadora maioria quer apenas entupir-se de cerveja, esperma e gritos - à guiza de sorrisos.

É preciso civilizar esta horda, a qual chamamos de "brasileiros".


Walter Biancardine



quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

NOTA DE FALECIMENTO


Faleceu hoje, após longa e dolorosa agonia, a República Federativa do Brasil, vítima de falência múltipla dos órgãos públicos e instituições.

O corpo não será sepultado, devendo apodrecer aos nossos olhos durante os dias, meses e anos vindouros.

Recomenda-se, neste momento de luto, esquecer a política, evitar comentários em redes sociais, expor publicamente opiniões e posicionamentos contrários ao Soviete Supremo.

Também é conveniente beber até cair, entregar-se ao sexo desvairado, à bebida, lacração e às drogas - ou pelo menos fingir-se sob seus efeitos - para agradar Suas Excelências Ditatoriais Togadas, Ungidas por Satanás, e proteger-se de prisão sem processo ou crime. Em suma, copiar o "desbunde" esquerdista dos anos 60.

É isso ou sair empunhando um fuzil, nas ruas, a deflagrar uma guerra civil.

Pede-se não enviar flores.


Walter Biancardine


ANOS E ANOS DE PROFISSÃO

 


Algo estranho é não poder precisar quantos anos temos no exercício de nossa profissão.

No meu caso, mais que um trabalho, o jornalismo e a escrita - juntamente com a análise política, social e os estudos - ultrapassam tal definição, pois é minha vocação. E vocação é aquilo que você é compelido a fazer, mesmo existindo coisas que dariam muito mais prazer - no meu caso, a aviação.

Escrevo desde que me entendo por gente: de simples redações escolares, as quais juntavam colegas de classe para ouvi-las, passando por histórias em quadrinhos, cartas para revistas e jornais (na vã esperança de ver meu nome publicado, mas jamais foi) e até jornais escolares ou de bairro, colados nos tapumes de obras, estes foram meus primeiros passos.

Confesso que, por vinte longos anos, nada escrevi ou publiquei, pois via-me às voltas com namoros, casamentos, filho que nascia e meu trabalho na OEA e, depois, a aviação.

Impossibilitado de voar, o acaso e um amigo - Oswaldo Guimarães - me trouxeram de volta ao jornalismo: ele me convidou para trabalhar como repórter na Rádio Ondas FM, já em Cabo Frio, onde a insanidade de um chefe, conhecido como Habib (Hassalam), permitia-me escrever o que me passasse na cabeça e, por diversas vezes, ultrapassasse os 30 segundos regulamentares dos boletins radiofônicos.

E daí pra frente é tudo história conhecida: Lagos Jornal, Diário Cabofriense, Lagos TV, Opinião... coisas que me renderam apelidos carinhosos como "o câncer da mídia", "nazistinha de Alair" e um impressionante placar: 50% da intelectualidade de Cabo Frio me desconhece, e os outros 50%, me odeia.

Não os culpo: em 2007 eu já dizia - para escândalo de minha editora - que não existe jornalismo imparcial. E, somado ao meu posicionamento político, foi o suficiente para me excluírem do páreo e ser congelado no freezer dos "malditos".

Não importa, sempre fiz o que acreditei nestes meus - quantos? - anos e anos de trabalho.

E permanecerei batucando meus teclados até que a morte, sorrateira e pontual, encerre minhas atividades.

Seguimos em frente.


Walter Biancardine



domingo, 26 de novembro de 2023

ALTER EGO

 


Se existe uma característica que procuro manter como jornalista, analista político, escritor ou mesmo mero cronista de "faits divers" é a de jamais apagar o que escrevi.

Por mais errados ou embaraçosos que sejam tais escritos - merecedores de um "delete" nas redes - penso que os mesmos tem o condão de expor ao leitor os impulsos, enganos, raivas, mágoas ou mesmo entusiasmos que põem o sangue dos mortais comuns, dentre os quais me incluo, em ebulição.

O ser humano é, por vezes, mero joguete de tais fluxos e refluxos emocionais, e ter a pretensão de expor-me como um robô - frio, mecânico, isento de emoções e capaz de opiniões infalíveis - não faz parte de minha lista de ambições e, sequer, considero um objetivo louvável. Meus erros e deslizes, tais como filmes do XVideos, são explícitos.

Andei, nas últimas semanas, vitimado por enxaquecas, furiosa dor de dentes e uma gripe cavalar, as quais prostraram-me na cama sustentado apenas por poderoso e lisérgico medicamento que, ao menos, aliviava tais mazelas.

Tão logo senti-me em forma, recebí a visita de meu irmão, a qual foi objeto de artigo o qual somente agora dei-me conta de haver escrito.

https://walterbiancardine.blogspot.com/2023/11/exagerado-jogado-aos-seus-pes.html 

Sim, pois não me recordo do quanto ou do quê bebi, mas seja lá o quê ou quanto foi, o álcool contido nos mesmos disparou o gatilho alucinógeno dos medicamentos.

Sensação estranha, de filme de terror psicológico, a de sentir-se um passageiro de si mesmo, aparentando normalidade absoluta (ao menos isso: sou um bêbado digno) mas com a consciência orbitando o planeta Saturno.

Talvez tenha eu falado um pouco demais, exagerado além da conta, insinuado tormentas sentimentais, mas não importa: tal comportamento não faz parte de meu cotidiano e deslizes assim, eu espero, podem ser perdoados.

Não apagarei o que escrevi - penso até que meu alter ego lisérgico tem algum talento, embora repita muitas palavras - nem pedirei desculpas por eventuais monstros subterrâneos meus, que tenham escapado momentaneamente.

Encerro esta dirigindo-me aos jovens, que apreciam tal combinação - álcool X medicamentos - para adverti-los a ter cuidado: após uma boa noite de farras, poderão acordar no dia seguinte cursando humanas na faculdade e votando no PT.

Quem avisa amigo é.

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Walter Biancardine



sábado, 25 de novembro de 2023

EXAGERADO, JOGADO AOS SEUS PÉS -


Não vivi seis décadas para ser intimidado por dogmas mundanos.

Tudo pode me fazer mal, envenenar, aumentar meu colesterol, minha pressão ou encurtar minha vida. O que ninguém tem a sacrossanta coragem de dizer é O QUANTO disso preciso comer, beber, fumar ou fazer para que me prejudique.

Saí com meu irmão. Comi o que quis, bebi o que deu tempo, ri o que pude e guardei o choro no bolso.

O significado disso é muito maior que o atrevimento de qualquer poeta ou prosador, a passear sobre as alegrias ou desgraças alheias.

O valor disso é muito superior a quaisquer avisos sinistros e carontianos que todos os doutos, amparados pela magna ciência, tenham a autoridade de julgar.

Em meu cotidiano de náufrago em ilha deserta, tenho a autoridade moral - e física - para empanturrar-me, embebedar-me ou esvair-me em palavrório desconexo, pois tal não é minha rotina e, muito menos, o alvo de minhas atenções estava presente.

Hoje tive essa oportunidade, e valho-me de uma rede social para esfregar isso nos olhos daqueles que condenem os excessos.

Desvairios não matam.

Torná-los hábito, sim.

Salvo a ressaca, amanhã acordarei ótimo!


Walter.
Biancardine, eu acho.



domingo, 12 de novembro de 2023

AOS JOVENS DE HOJE, QUE INGRESSAM NO MERCADO DE TRABALHO:

 

Quando em um debate xingarem sua mãe, apontarem seu pé chato, hábitos sexuais ou uma legião de antigos relacionamentos que não te querem nem pintado de ouro, isto significa que seu adversário não tem nada de concreto, real, contra você, suas posições ou atitudes – isto se chama "argumentum ad hominem".

Igualmente, tal adversário pode estar tomado por sentimentos pessoais – raiva, despeito, frustração, inveja – ou, simplesmente, ter um QI de samambaia de plástico.

Ou tudo isso junto.

Por isso meu caro jovem, que agora ingressa no mercado de trabalho: se, em uma discussão, xingarem sua mãe, parabéns: você está com a razão e venceu a demanda!


Walter Biancardine



quarta-feira, 8 de novembro de 2023

MESSAGE IN A BOTTLE

 


Minha vocação é a escrita: jornalismo, teses, ensaios, livros, análises políticas, romances e até versinhos de pernas tortas, quando em agonia sentimental.

Muitos, porém, não entendem e creem ser estratégia de disfarce de um caráter duvidoso o fato de nenhuns pudores eu sentir em expor o que tenho de pior.

Acreditem: o que carrego de decrépito, mostro. E, se entre tantos deméritos um caráter vago, mau ou ausente existir, o mesmo poderá ser facilmente identificado no que escrevo.

E qual a razão de mostrar meu mais abominável?

Simples, pois tais desabonos são publicados entre diversos artigos que produzo e, assim, o leitor poderá ter a certeza de minhas linhas serem plenas de sinceridade - desejos de glória, reconhecimento ou elogios são, tais como os citados, inexistentes.

Se não há reconhecimento no que faço, igualmente não o procuro.

Minha ambição está quilômetros acima, objetivando que as pessoas raciocinem por si mesmas, que não sejam mais marionetes da grande mídia e que enxerguem versões censuradas de vergonhas públicas e explícitas.

E quem me lê saberá que nada ganho com tais atividades, que o desinteresse pessoal é absoluto - afinal, o quê um bosta como eu, já velho e acabado, poderia desfrutar disso?

O Brasil pede socorro, a inteligência humana envia seu S.O.S. e eu sou apenas a garrafa que carrega a mensagem.


Walter Biancardine



quarta-feira, 1 de novembro de 2023

FERIADO

 


Sem nenhum pudor escrevo sobre esta véspera, mesmo sabendo o significado do dia de amanhã. Sim, pois dores de perdas não serão amenizadas chorando sobre túmulos que muita gente visita (quando visita) apenas anualmente.

Não, a dor que quero falar é outra: é a dor da solidão; de não ter ninguém para sair, relaxar, conversar bobagens, fazer planos loucos ou mesmo engrenar em desafios intelectuais que, fatalmente, desembocariam em uma cama selvagem e plena de admiração.

Véspera de feriado, quero sair e não tenho como.

Véspera de feriado, quero beber um chope e não tenho com quem.

Véspera de feriado, quero um fim de noite com beijos mas não existem bocas.

Não existem bocas, não existem perfumes, não existem graça, encantamento, doçura e companhia.

Véspera de feriado, descubro que o finado sou eu.


Walter Biancardine



terça-feira, 31 de outubro de 2023

OS ESTRANHOS SERES QUE SE DEDICAM A UMA CAUSA

 


A foto que ilustra este artigo é uma montagem que, por brincadeira, resolvi fazer em homenagem à minha amiga de tantos anos, Dra. Liliana Ruck.

Quem pode imaginar que tal bela senhora, divertindo-se em rodar bambolês - retirados na foto montagem - dedica-se a salvar vidas, ameaçadas pela ignorância e prepotência de governos e big farmas, fazendo conferências nas três Américas - do Sul, Central e do Norte?

Habituamo-nos a ver tais pessoas, circunspectas em suas entrevistas e aparições públicas, e esquecemo-nos que são gente também - sim, com problemas normais, família para cuidar, necessidade de relaxar, se divertir e, por vezes, fazer coisas bobas como rodar um bambolê.

Mas pessoas como nossa doutora enfrentam uma rotina de pressões, ameaças - sim, ameaças - boicotes, censuras e sabotagens, sempre mostradas pela grande mídia como "paranóicos da conspiração".

Agora o cirrótico presidencial tornou obrigatória a vacinação contra a COVID para crianças, e os congressistas nada fizeram.

Um veneno passa a ser inoculado compulsoriamente em nossos pequenos e ninguém teve a coragem de se rebelar.

Mas nossa amiga, Doutora Liliana - e seu bambolê - arrisca sua vida para nos livrar de tal maldição.

Ela é uma pessoa normal, como todos nós.

Por quê não podemos ser como ela?


Walter Biancardine



domingo, 22 de outubro de 2023

PEDINDO ATESTADO

Amigos, hoje é dia de minha mudança.
Saio da casinha onde vivi quase um ano - onze meses, para ser exato - e passo a ocupar o andar superior da recepção do Resort Chave Chalé, em uma suíte que ajeitei para mim.
A internet - com a ajuda e empurrão de Deus - será ligada amanhã, se tudo der certo e o provedor entender minhas súplicas.
Assim, de agora até o final desta segunda feira estarei ausente das redes, mas é por um bom motivo: VIDA NOVA!


Walter Biancardine



sábado, 21 de outubro de 2023

SIC TRANSIT EGO

 


Somente os que me acompanham pelo canal do Telegram estão cientes, mas creio que é chegada a hora de compartilhar as novidades: completamente desviantes da depressora rotina de más novas, desta vez são boas.

Como muitos sabem – pois jamais escondi nada de ninguém, sucessos ou fracassos – em apenas três dias perdi a mulher que amava, estava desempregado, não tinha mais casa, lugar para dormir, carro, moto, gente em volta, família e mesmo os pobres gatos, que comigo coabitavam, se foram juntamente a toda uma rotina de quinze anos de feliz casamento. Do dia para a noite, perdi minhas referências, raízes, amores, companhias e mesmo hábitos.

Verdadeiro náufrago da vida, olhei à volta e só havia o oceano tempestuoso e os tubarões de sempre. Mas, tal como nos filmes, um homem – um só, e que nada teria a ganhar fazendo-me favor algum – estendeu-me a mão e me abrigou, naquilo que literariamente chamei de “minha casa na roça”. 

Por quase um ano morei em sua propriedade, um Parque Aquático desativado, cercado apenas por bois, cavalos, porcos e solidão. A mais absurda, penitente e torturante solidão, daquelas de se passar uma semana e nos darmos conta de não termos pronunciado uma só palavra, sequer. Mas eu tinha um teto, e esta solidão – agora vejo – foi ferramenta de Deus.

Já algumas vezes escrevi sobre a real imensidão do significado do “deserto”, verdadeiro personagem bíblico: nele, esvaziamo-nos de todo o mal, toda a mundanidade e de péssimos hábitos, conceitos e mesmo valores e “verdades”, que a “realidade da vida” nos ensina, ao longo de nossa caminhada.

Ao contrário do maléfico nirvana budista – ou mesmo da “destruição total de tudo” da Escola de Frankfurt e dos delírios de Nietszche – esse “esvaziamento” total, quando imbuído pela palavra cristã, faz com que ressurjam todo aquele “bom” que (sabemos que) tínhamos, aquelas virtudes que “nasceram” conosco, nossa essência humana, o gracioso poder da empatia, da transcendência e, finalmente, da compreensão de toda uma vida repleta de abstrusos.

Mas, além da solidão absoluta, outra coisa é necessária: falar, falar muito, sozinho, sem a vergonha de pronunciar em voz alta os mais horrorosos e fétidos pecados que (por sorte) tenhamos a consciência de havermos cometido – uma autocrítica em proporções transcendentes – e isso só será possível em absoluta solidão, ou chamarão o hospício para recolher o maluco, mais um, que perambula pelas ruas falando consigo mesmo – consigo e com seus demônios.

Eu tive essa sorte, travestida de maldição. Consegui manter-me lúcido, progredi vertiginosamente na busca da verdade e aqui nasceram, de minhas mãos, três livros – já publicados e que atestam, se não a qualidade do escriba, ao menos sua psique sadia e o fogo vivo de suas buscas.

Cumpri minha sentença – ou melhor, meu aprendizado – determinado por Deus e proporcionado pela empatia e piedade deste amigo, Alair Corrêa, verdadeiro ícone na cidade onde escolhi morar, Cabo Frio. Sim, pois este cidadão foi quatro vezes prefeito, duas vezes deputado e igualmente foi o responsável pela total e maravilhosa mudança deste município, colocando-o no mapa do Brasil e do turismo internacional.

E o quê ele teria a ganhar com isso, se nada mais precisa provar a ninguém?

Nada, essa é a verdade. Tal ato foi devido à pura empatia, amor ao próximo e um grande coração.

E onde entram, afinal, as boas notícias?

Neste momento, este Parque Aquático está em verdadeiro processo de metamorfose e sofre obras para sua reabertura, juntamente à novidade de um belo Resort – o qual a gerência deste último estará a meu encargo.

Talvez para o leitor, ser humano normal que é, ser convidado para um emprego não pareça nada de transcendente – uma bela notícia, no máximo – mas para aqueles que acompanharam toda minha trajetória creio ser evidente muito mais estar em jogo do que um simples salário: é a volta da dignidade, de sentir-me “inter pares” – um igual – e para quem já dormiu em pátios de postos de gasolina ou nos matos dos acostamentos das estradas, sentir-se “um igual” é algo que ultrapassa a capacidade de expressar toda a alegria envolvida. Para mim, em minhas condições e após atravessar tantos desertos e privações de alma, é um acontecimento capital.

É evidente que não tenho mais o otium sine dignitate necessário ao pensamento, às escritas, à maromba intelectual. Tudo isso tenho deixado de lado – e friso, momentaneamente – em favor das inúmeras tarefas que, agora, preciso desempenhar. Entretanto já vivemos o bastante para sabermos que o tempo acalma as tempestades e, em breve, toda uma rotina de trabalho será criada e nela meu labor intelectual tem seu lugar garantido.

Estou com um livro à meio caminho – e por enquanto interrompido – no qual tento desfazer aquela quase “piada de mau gosto” sobre a discussão entre o determinismo e o livre arbítrio, algo que soa-me como as crueldades praticadas por irmãos mais velhos, quando éramos crianças e nos perguntavam quem preferíamos: papai ou mamãe. Mais piada ainda se torna ao abordar pela ótica que tenho tratado com mais ênfase, que é o determinismo behaviorista, e este livro terá de esperar um pouco.

Agora sou um homem normal, tenho um emprego e, em breve, terei minha casa e meu carro.

Back to basics!



Walter Biancardine





domingo, 15 de outubro de 2023

CRIANÇAS

 




Devo minha existência hoje, por sobre o planeta Terra, a algum português que embarcou em uma caravela e resolveu arriscar a sorte na Terra de Santa Cruz.

Igualmente carrego, em meu sangue, o legado de um possível romano que (quem sabe?) teria vendido um bloco de mármore á Michelangelo - ou, anteriormente, ter sido destroçado por espadas bárbaras em alguma guerra do imperador Tibério.

Não fosse o cumprimento do preceito bíblico "crescei e multiplicai-vos" - hoje denegrido em "sanha procriatória, causadora da hiperpopulação" - e nenhum de nós, eu inclusive, estaria aqui.

Penso que o ser humano pertencente às classes mais esclarecidas está se tornando assexuado, anestesiado para o desejo carnal que secunda o afeto. E as consequências disso são expostas no orgulho com que se declaram "pais de pets".

Não é segredo meu gosto por animais: vivo entre bois, vacas, cavalos, porcos, galinhas e seus colaterais: lagartos, preás, cobras, garças, mergulhões. Jamais mataria ou infligiria sofrimento a qualquer um deles - pelo contrário, muitos viram (gravei em vídeo) o pangaré "Pé de Pano", que se afeiçoou á mim e me segue por toda a parte. Igualmente já tive inúmeros cães, gatos, hamsters e até gambás, que me visitavam em casa para comer a ração dos gatos, seus amigos.

Mas isso não me torna "pai de pet".

Assim declarar-se é uma barbaridade proferida pelo vício da moda, onde as pessoas não se dão conta da enormidade que dizem. Não sou "pai" e, muito menos, "tutor", pois quem tem este último são crianças abandonadas, que contam com a sorte de ter alguém que as oriente na vida.

Bichinhos fofinhos não transmitirão meu legado, a ancestralidade que herdei destes romanos despedaçados por espadas bárbaras ou de algum português louco, que aventurou-se ao embarcar nas caravelas.

Bichinhos fofinhos não levarão meu sangue adiante, não poderei ensinar-lhes meus valores, minhas crenças e neles depositar a fé de que farão desta miséria em que vivemos, um lugar melhor.

Bichinhos fofinhos não carregarão - para o melhor ou pior - meu sobrenome e, muito menos, me desejarão um feliz dia dos pais.

Bichinhos fofinhos podem, isto sim, ser amigos, companheiros, fiéis e afetuosos - e serão, com certeza, chorados após sua morte.

Mas jamais serão meus filhos.



Walter Biancardine.





sábado, 14 de outubro de 2023

O NAZI-FASCISMO ACADÊMICO BRASILEIRO


Eventualmente acusam-me de fazer “tábula rasa” do meio acadêmico brasileiro, por eu desprezar todos os seus integrantes e, assim, exercer uma clara condenação da intelectualidade – tal como feito por Hitler e Mussolini, no exercício da consolidação de seus poderes ditatoriais.

A roda gira, o mundo dá voltas mas caímos sempre no mesmo ponto: o brasileiro médio está a tal ponto moldado pelo gramscismo, onipresente na grande mídia e cultura de massas, que sequer se dá conta do fato de seu comportamento ser evidente vassalagem aos ditames da esquerda – “Acuse-os do que você faz, xingue-os do que você é”.

Se houve um setor onde o expurgo de pensamentos dissidentes foi total, absoluto e impiedoso, este local foi o meio acadêmico. Entre as “paredes douradas” do saber acadêmico nacional, é absolutamente proibido “não ser de esquerda”. Alunos são ridicularizados nas salas de aula, discriminados pelos colegas, oprimidos e excluídos socialmente – por vezes ameaçados fisicamente – e, para piorar, seus trabalhos, estudos e teses merecem apenas o mesmo e abominável comportamento de seus mestres: nota zero, não aceitação de teses e, eventualmente, o uso de tal estudante como alvo de chacotas em sala de aula – bullying, para usar uma palavra que eles tanto gostam e “reclamam” de sofrer (lembre-se: “acuse-os do que você faz, xingue-os do que você é”). E este processo – este sim – é o mesmo que Hitler e Mussolini utilizaram, em suas ditaduras.

Não é preciso que um eventual observador seja conservador ou mesmo liberal para se dar conta que as teses de pós graduação, por exemplo, são, absolutamente todas, de viés esquerdista. As mesmas ganham aprovação, menções honrosas, destaques e subsídios. São orgulhosamente publicadas por universidades que nada ensinam – apenas doutrinam – em seu fanatismo cego stalinista, e reduzem a produção acadêmica nacional ao nível de redações de quinta série ginasial, escritas por revoltado e espinhudo adolescente, desejoso de “parecer intelectual” e impressionar as meninas.

Tais teses foram vergonhosamente expostas por útil artigo publicado pela Gazeta do Povo, endossando o que digo há tempos, e que pode ser acessado através do link https://www.gazetadopovo.com.br/educacao/dez-piores-teses-premiadas-pela-capes-em-2023/?utm_source=cpc&utm_medium=cpc&utm_campaign=fbklivre&fbclid=IwAR1cHJutcBd5Xf5jaLHHbMuTZWSKF4tDJt_fkC5f46j2q8LTSB1FsDsKg1A .

Já as teses imbuídas de outra ótica – não necessariamente conservadora – não estão disponíveis para que eu as exemplifique aqui: simplesmente não são aceitas. Ou o aluno se amolda à ideologia do Soviete Supremo ou esqueça quaisquer pretensões de posgrado.

A lógica mais primária nos permite concluir, com segurança, que as excelências acadêmicas superiores – seus “mestres” e, por vezes, renomadíssimos naquele círculo privé, denunciado no livro “O Imbecil Coletivo”, de Olavo de Carvalho – exalam o mesmo e pestilento viés, imposto aos alunos e reciprocamente lambido, entre os pares.

A academia é o lar da discussão. Lá, o debate deve ser livre e todos os tipos de pensamento e vieses devem – ou deveriam – ser estudados e debatidos com isenção, impondo ao professor sua obrigação natural: ensinar, orientar, e não doutrinar. Para deixar mais claro: o problema não é a exposição de teses esquerdistas e, sim, o seu monopólio nas universidades. As mesmas se resumem, portanto, em uma fábrica de imbecis monocórdios, tangidos por outros imbecis superiores que “chupam dialética” dia e noite, mas não a permitem. E isso é nazismo em estado puro.

Tais imbecis monocórdios são os que “orientam” o pensamento intelectual brasileiro desde meados da década de 60 e, portanto, nada mais natural que a sociedade em que vivemos tenha se barbarizado aos níveis horrorizantes que todos conhecemos, hoje.

Sem nenhum pejo, podemos pegar Cortellas, Karnais, Chauís e até pitadas de Paulo Coelho e adicionarmos à horrorosa e totalitarista sopa, cozinhada pelos Chefs do Supremo Tribunal Federal: todos eles são ervas daninhas da mesma rama, o veneno produzido é idêntico e consequência natural de sua correlação.

Mas quem se intoxica, vomita e não sai do banheiro, vitimado pelo piriri ideológico, é um só: nós, o povo.



Walter Biancardine





quinta-feira, 12 de outubro de 2023

“MISERICÓRDIA QUERO, NÃO SACRIFÍCIOS”

 


12 de outubro, dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil.
Não, não escreverei comentários pedindo a intervenção da Virgem por sobre nossa carecida Terra Brasilis - por demais necessitada e ela sabe disso, dispensa meus rogos.

Mais útil valer-me de algumas poucas linhas para lembrar que a Igreja Católica, em seu ensino teológico, é objetiva na diferença do culto que prestamos à Deus, à Nossa Senhora e aos santos.

Em grego, o termo "douleuo" significa "honrar", e não "adorar". No sentido verbal, "adorar" (ad orare) significa simplesmente orar ou reverenciar alguém. Para que não reste dúvidas, a própria Vulgata - Bíblia original, em latim - diz "Tu adorarás o teu Deus" (Mt 4, 10) mas, por outro lado, também enuncia: "Abraão, levantando o olhos, viu três varões em pé, junto a ele. Tanto que os viu, correu da porta da tenda a recebê-los e, prostrando em terra, os adorou". (Gn 18, 2).

Creio ter deixado bem expostos os dois sentidos, indicados pela própria Bíblia: adoração suprema, devida só à Deus, e adoração de reverência, devida à outras pessoas.

Em português claro, o culto de "latria" (do grego "latreuo") quer dizer "adorar", reservado à Deus. Já o culto de "dulia" (do grego "douleuo"), significa "honrar". Já a "hiperdulia" é algo acima do culto de honra sem, entretanto, atingir o culto de adoração - Nossa Senhora ou, em meu caso particular, Santa Therezinha de Lisieux são exemplos.

E para zerar nossa equação, lembro aos que eventualmente protestem alegando ainda que toda "inclinação" ou "genuflexão" é um ato eminentemente de "adoração" - só devido à Deus - recordo que isto pode ser até mesmo um ato de agressão, como no caso dos soldados de Pilatos que zombaram de Jesus, inclinando-se ao "Rei dos Judeus" em descarada galhofa.

Que católicos e evangélicos deixem de rezingas e unam-se, portanto, em adoração ao nosso Deus único e Uno - que é o mesmo de Israel. Nos trágicos dias que vivemos, a misericórdia é mais bem vinda que fundamentalismos religiosos.



Walter Biancardine



quarta-feira, 11 de outubro de 2023

CONSIDERANDOS -

 


A filosofia, em termos de prática, é um processo existencial e não há término - para o filósofo - que não seja sua morte. O simples interesse em "quais livros ler" e, efetivamente lê-los, não fará de ninguém um buscador da verdade e sim, apenas, um erudito.

Para completar, limitar-se á leitura não funciona, também, por ser preciso viver - junto com o autor dos mesmos - o drama que o fez conjecturar suas hipóteses, o caminho que seu pensamento e vivência percorreram, em busca da verdade primeira sobre aquilo.

Só depois de tudo isso absorvido é que poderemos começar a formar alguma conclusão sobre a obra e seu autor, a qual eventualmente nos levará a tecer hipóteses, ensaios ou mesmo estabelecer uma dialética com base no mesmo.

A filosofia é uma atividade muito séria, é a adoção de um modo de vida condizente com suas crenças e pensamentos, buscar a verdade primeira e, obviamente, a prisão do filosofar em um sistema acadêmico apenas o atrofia e expõe tais portadores de seus diplomas ao ridículo.

Ou os condena a apenas lecionar.



Walter Biancardine



terça-feira, 10 de outubro de 2023

DESCONTROLE DA BOCA

 


A quase totalidade dos brasileiros não consegue entender sequer metade do que dizemos e, talvez por isso, tenha em tão baixa consideração as palavras que saem de sua boca, as que escreve ou mesmo as que repete – falando ou escrevendo – de terceiros.

Já faz parte de nossa rotina ouvirmos pessoas dizerem barbaridades despreocupadamente, sem nenhum constrangimento. Se confrontadas à evidências da asneira dita, inevitavelmente refugiam-se em sorrisos e alegações que “não entendemos, foi apenas força de expressão/sentido figurado/modo de dizer”. E ainda reclamam que levamos tudo muito a sério!

Pior ficou com o advento das redes sociais, onde o irresponsável compartilha algum texto onde sequer 10% foi por ele compreendido, os mesmos 10% foram entendidos erradamente e, para completar, o infeliz incauto sequer leu o restante escrito, repleto invariavelmente de asneiras, absurdos ou mentiras. E, como estamos em redes sociais e blindados atrás de um monitor ou celular, ao serem contestados reagem sempre de maneira furiosa, tão overdosed de testosterona que cegaria um Olavo de Carvalho.

É preciso entender e aceitar a imensa, pesadíssima responsabilidade que temos sobre cada sílaba por nós proferida, afinal a capacidade de dizer algo e de compreendermos o que nos foi dito é primordial distinção que nos afasta dos quadrúpedes. Palavras não podem ser “desditas”, pois seus efeitos não podem ser “desproduzidos”: no máximo, a asneira – se não causadora de desgraças pelo desentendimento – será “compreendida” pelo ouvinte tolerante, sempre recheada de alegações semi-irritadas de que ele “leva tudo muito á sério, era só um modo de dizer”. Se escritas, todo o exposto acima será multiplicado á enésima potência, pois não há como “desescrever” (apesar dos asnos atuais recorrerem á fácil remoção de seus “posts”).

Toda a miséria acima exposta tem por objetivo servir de alerta à nossa “despreocupação” em nossas conversas, ao uso abusivo e irresponsável de “figuras de linguagem” ou “sentido figurado” que distinguem um bate-papo no bar, com amigos, de uma conversa de trabalho, estudos, negócios ou mesmo em momentos privados em que o entendimento claro – devido a seriedade da ocasião – assim o exige.

Uma pessoa que não vê nenhum problema em ir á um encontro de trabalho vestindo bermudas e camisa de malha traduz, em seu aspecto, sua clara irresponsabilidade sobre o que diz.

A palavra é o bem mais precioso que possuímos. Como confiar em alguém assim?



“Descontração e malemolência só nos levaram à merda. Quem sabe um pouco de seriedade não nos empurre á frente?”

Walter Biancardine