em cada mesa um fracasso
cada garrafa, uma dor
cada copo, uma lágrima
as rodelas molhadas na tábua
cebolas caídas do prato
palitos de dente, amendoins
e o sal derramado
que dizem ser azar
o cinzeiro que nunca veio
cinzas, papéis e bitucas no chão
de vermelhão encardido
estampado com solas de sapatos
sem direção alguma
na maioria das mesas
quatro cadeiras e duas ocupadas
mas as piores delas
tem sempre um só sentado
e chega outra garrafa
nada traz que seja novo
a não ser um copo cheio
que nos leva pra mais longe
as garrafas não mentem
nem os copos sujos e com restos
cinzeiros vieram com maldade
só pra marcar as horas
e as esperanças viraram apenas
cadeiras vazias
pratos vazios
cascas vazias
garrafas vazias
copos vazios
e cinzeiros cheios
em casa, se ajoelhe no vaso
confesse os pecados em jatos
encha o vaso com abominações
peça perdão à descarga
a penitência é o chuveiro
e a ressaca,
amanhã de manhã
Walter Biancardine

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