sábado, 8 de março de 2025

FELIZ DIA DA MULHER -


Feliz Dia da Mulher para aquelas que abriram mão de ter filhos por causa da carreira;

Feliz Dia da Mulher para aquelas que se consumiram no mercado de trabalho, antes obedecendo um patrão que a paga que um marido que a ama;

Feliz Dia da Mulher para aquelas que louvam os "direitos da mulher" sustentar uma casa, pois hoje o mercado tem dois funcionários pelo preço de um - o homem e a mulher;

Feliz Dia da Mulher que ingressa na velhice tendo como última companhia um cachorrinho, e se diz "mãe de pet";

Feliz Dia da Mulher, costela do homem que deixou-se iludir.


Walter Biancardine


domingo, 2 de março de 2025

MUITA VAIDADE, NENHUMA SUBSTÂNCIA -


Nunca fui modesto em relação aos pouquísimos dons que Deus me presenteou: se escrevo direitinho, dirijo bem ou desenho rabiscos aceitáveis, assim digo e não os disfarço por trás de nenhuma modéstia - quanto a todo o resto, entretanto, não me envergonho em declarar-me completamente ignorante.

Existem pessoas, contudo, que vivem da ostentação de virtudes, capacidades ou talentos que realmente não possuem, se tornando monumentais farsas que, cedo ou tarde, cairão por terra.

Este é o caso de uma (boa) página do Facebook a qual eu seguia, atraído que fui pelos breves e bons "insights" filosóficos, sempre emoldurados por uma narrativa poética talentosa e eficaz. Todavia, recentemente encontrei um artigo no qual o referido autor discorria sobre sua repulsa ao convívio humano (o qual, em parte, compartilho), alegando que o mesmo inevitavelmente "nos rebaixaria ao nível da mediocridade geral".

Contrariando meus costumes - pois não tenho o hábito de espalhar comentários em postagens alheias - postei breve comentário onde compartilhava minha repulsa mas que, dado o teor filosófico do texto (e mesmo da página em si), considerava que alguma convivência sempre é necessária, bem como a "queda na mediocridade" não é obrigatória.

Fundamentei lembrando: onde estaria Sócrates, sem o convívio humano? Como sua "dialética" funcionaria? Para que haja uma dialética, é preciso um diálogo; e para que o mesmo exista, é preciso o convívio. Acrescentei que podemos nos espelhar nas virtudes alheias e, mesmo, nos prevenir e corrigirmo-nos ao constatar as idiossincrasias do próximo, tornando-nos pessoas melhores.

Para minha surpresa o autor respondeu-me, à queima-roupa: "No dia em que escrever algo sobre o mesmo tema, aí sim poderá emprestar ao mesmo as sugestões que me apresenta". Ora veja!

Imediatamente percebi que estava diante de uma arrogância vaidosa monumental, e dei breve e cortês resposta: "Pois não. Assim que tiver discorrido sobre todos os temas possíveis, só então voltarei a postar comentários" - e acrescentei: "Ao contrário do que diz, não dei "sugestões", apenas expressei "opiniões".

E tal colosso vaidoso me bloqueou! Não tenho mais acesso à sua página!

Isso posto e passado o susto, pus-me a pensar: trata-se de alguém com um óbvio talento poético, mas cujas análises filosóficas acomodam-se à platitudes e conceitos academicamente aceitos. Nenhuma inovação, nenhuma originalidade, nenhum sinal de vida filosófica própria.

Para piorar, tal e ríspida resposta apenas evidenciou sua incapacidade argumentativa - certamente justificada pelo suposto fato que toda sua base filosófica vem da Inteligência Artificial (daí as platitudes), mas belamente adornadas por seu talento lírico.

Um filósofo não é um filósofo até que sejam apresentadas antíteses às suas teses - esta é a dialética, e causa pasmo alguém que ostenta ares filosóficos não admitir opiniões, contestações, nada - visite a página e verá apenas louvores e elogios.

E o gigante de pés de barro desmoronou: seu nome não é o verdadeiro; sua foto é repleta de efeitos artísticos e preocupa-se em excesso no aparentar riqueza material e erudição. Seus (creio) dez mil seguidores no Facebook acompanham uma farsa, que não filosofa - por incapaz que é - e impulsiona-se apenas pela vaidade de ser alguma espécie de "guia" para cegos, a exibir teatral tormenta existencial sob a forma de ChatGPT filosófico.

Confesso-me envergonhado: caí no golpe. Hoje, as postagens que dele compartilhei apresentam o aviso "não disponível" em meu Facebook, oriundo de seu bloqueio, mas - sinceramente - não me importa mais.

Uso, com tal cidadão, a mesma dialética do convívio que aleguei em meu fatídico comentário: percebi minha real estatura, diante de pequeno anão intelectual, folheado à ouro falso.

O medíocre não tem respostas a dar, nem caminhos a apontar.

Apenas finge filosofar. E engana.


Walter Biancardine



sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

É CARNAVAL. POIS É. OBA.


E começa hoje o período onde uma nação inteira, 230 milhões de habitantes - a maioria em idade produtiva - regride subitamente à adolescência e se entrega à libido, cerveja, mais libido, mais cerveja e muito funk narco-pornográfico, já que ninguém quer saber de samba.

O mundo está prestes a mergulhar em uma hecatombe financeira e bélica, os índices do mercado estão absolutamente loucos, mas a BOVESPA vai passar quatro dias fechada para que possamos sacudir a bunda.

O Brasil está mergulhado em uma feroz ditadura narco-comuno-globalista, a economia está em ruínas, inflação nas alturas, desemprego recorde e poder de compra zerado, mas o noticiário abre manchetes falando sobre os monstruosos engarrafamentos na Via Lagos para o (longuíssimo) feriado de Carnaval.

As mesmas pessoas que fazem drama nas redes sobre sua penúria alternam - em clara esquizofrenia - com as postagens embebedando-se na folia e fotos na praia (água é coisa de rico) para o Instagram.

Prefeitos aproveitadores se valem do Carnaval para amealhar uns trocados, mesmo que submeta sua cidade à uma semana de inferno turístico, alegando que lucram "milhões" com o reinado de Momo - só esquecem de contabilizar o quanto a cidade perde com metade de seu comércio, indústria e serviços fechados, por conta da esbórnia.

E mesmo aqueles "patriotas conservadores", que dizem "Deus, Pátria e Família acima de tudo", surtam e mergulham na mais torpe vagabundagem e bebedeira, argumentando o velho "se não pode vencer, junte-se à eles".

O carnaval - quatro longos dias de convulsão moral - é o eterno atestado de imbecilidade do brasileiro. Enquanto tal descalabro existir (bem como os demais e excessivos feriados), estaremos condenados à África perpétua.

Só sairei de casa quinta-feira, e mesmo assim com cuidado.


Walter Biancardine



domingo, 23 de fevereiro de 2025

FARTO DE ESTAR FARTO -


Não sou bipolar, mas minhas tentativas desesperadas de escapar da angústia assim me fazem parecer.

Tive um fim de semana onde, por causas outras, mergulhei em um abismo de melancolia. No dia de hoje, domingo, tentei me alegrar e parecer recuperado diante da descoberta de algumas histórias antigas de família, mas ao me dar conta que amanhã é segunda-feira – que sempre traz consigo a lembrança de meu atoleiro profissional – novamente me deprimo.

Segunda-feira, em meu caso presente, não é só um dia. É um monstro quieto, um bicho que se esconde no canto da mente e espera a hora de morder. Ela traz o trabalho infrutífero, o atoleiro que me estanca, sempre, no mesmo lugar; aquele lamaçal profissional carregado de ódios e invejas alheias que eu não sei mais se é castigo ou consequência.

Ando farto de estar nas mãos dos outros, farto de esperar, farto de sentir o tic-tac do relógio como machadadas em minhas porcas esperanças. Farto de crer, sempre crer, obrigado a crer e me alimentar disso.

É o preço que pago – caro – por ser quem fui, no passado.

Apenas não sei se terei fundos, amanhã.


“Os deuses tinham condenado Sísifo a rolar um rochedo incessantemente até o cimo de uma montanha, de onde a pedra caía de novo por seu próprio peso. 

Eles tinham pensado, com suas razões, que não existe punição mais terrível do que o trabalho inútil e sem esperança”.



Walter Biancardine


LAÇOS DE FAMÍLIA: CONDESSA DE BARRAL X VISCONDE DE SÃO SEBASTIÃO DO ALTO -


Acabei de descobrir: o título de Visconde de São Sebastião do Alto foi concedido a Manuel Ribeiro da Mota. Nascido em 1814 em Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, Manuel era fazendeiro e coronel da Guarda Nacional. Em 1881, recebeu o título de Barão de São Vicente e, posteriormente, em 14 de abril de 1883, foi agraciado com o título de Visconde de São Sebastião.

Essa honraria foi concedida pelo Imperador Dom Pedro II em reconhecimento ao seu empenho financeiro na reconstrução da matriz de São Sebastião, na freguesia onde nasceu. Além disso, em 1885, Manuel presidiu o Banco de Campos. Faleceu em 8 de outubro de 1890, deixando uma considerável fortuna para seus herdeiros.

Infelizmente, não há registros fotográficos ou retratos conhecidos de Manuel Ribeiro da Mota, o Visconde de São Sebastião. No entanto, existem itens históricos associados a ele que foram preservados. Por exemplo, um "pot de crème" em porcelana da manufatura Julien Fils Aîné, decorado com detalhes em ouro e ostentando a inscrição "Barão de S. Sebastião" sob uma coroa de barão, pertenceu ao serviço de mesa do Visconde.

Este item está reproduzido na página 328 do livro "Louça da Aristocracia no Brasil", de Jenny Dreyfus.

Manuel Ribeiro da Mota, o Visconde de São Sebastião, não se casou oficialmente, mas teve filhos com Maria Madalena Nascimento e Inácia Ferreira do Rosário.

Um de seus netos notáveis foi Max de Vasconcelos, poeta e jornalista, filho de Ernestina Ribeiro de Azevedo e antepassado que explica minha maldição com as letras.

Já quanto à Condessa de Barral, creio não ser necessário nenhum comentário.

Finalmente, o mistério que me perseguiu durante anos está (aparentemente) resolvido, e se algum familiar tiver algo a acrescentar ou corrigir, sinta-se à vontade!


Walter Biancardine



sábado, 22 de fevereiro de 2025

CONHEÇO AS DORES -


Ser deixado, largado, abandonado;

Preterido, não escolhido, menosprezado;
Rejeitado, enganado, manipulado.

Também sei a dor da solidão,
Do chão sem fim e do fim do chão.

Doeu-me a fome, a angústia e o vazio;
Não ter futuro, esperanças, o presente por um fio;
O passado somente um peso, um desafio.

Sem amor, casa ou raiz;
Sem amigos, família por um triz.

Sobrevivi mas, ainda hoje, não sei como fiz.


Walter Biancardine

ALMA ANIMAL


Como afirmar que animais não tem alma?

Quando a proximidade entre humanos e bichos chega ao ponto de criar qualquer espécie de laço - ainda que seja a visita unicamente para comer - tal fato quase sempre resultará em uma maior interação entre o homem e a criatura em questão; e se esta criatura começa a manifestar sinais de agrado pela simples visão, proximidade ou companhia do homem, existirá então, de fato, um laço afetivo.


O afeto é subjetivo e, mais que isso: transcendente. Existem provas por demais conhecidas do amor de um cão por seu dono e pergunto como negar a existência de alma em um ser vivente que ama, protege, defende e, por vezes, dá a vida por seu dono.

Tudo isso, entretanto, é pouco e mais se assemelha a construção de um auto de defesa, pois existe algo de muito mais profundo e que, dada a barbárie brutalista do ser humano atual, poucos enxergam: é aquilo somente dedutível, presumível, algo que podemos enxergar, sentir, mas jamais descrever - e o exemplo está na fotografia que ilustra estes devaneios.

O que você enxerga nos olhos deste cão? Ou fixou-se apenas em seu inegável sorriso de felicidade? Não viu o amor em seus olhos? O olhar sorridente, em sincronia com a boca? Todo o afeto que demonstra de modo tão evidente?

Teria alguém o atrevimento de afirmar, mesmo que baseado nas Sagradas Escrituras, que animais - em especial o cão - não tem alma? Como negar aquilo que vemos?

Ao me mudar para minha nova casa, tive de deixar meu único amigo para trás, o Sr. Wilson, meu cão que me adotou em meu naufrágio na vida. O proprietário da casa não aceita animais e eu, em minha ansiedade de ver-me livre do símbolo de minha derrocada, aceitei.

Não foi uma "Escolha de Sofia" mas, sim, uma escolha canalha - não poderia ter feito isso. Ainda que o tenha deixado em boas mãos, a consciência pesa-me todos os dias, lembrando que abandonei aquele único que esteve ao meu lado, em meus mais tenebrosos dias.

Espero, em breve, ter condições financeiras de alugar outra casa, e contar com a sorte do novo dono cedê-lo de volta a mim.

Até que isso aconteça, nada me fará menos canalha do que eu me sinto, hoje em dia.


Walter Biancardine

Sr. Wilson, meu cão: ele me procurou e me adotou, em meu naufrágio da vida. Nada pediu, nada reclamou, apenas foi minha companhia durante os piores anos de minha vida. Que ele me perdoe.

A título de esclarecimento:

A Igreja Católica tem uma visão específica sobre a alma dos animais. De acordo com a teologia cristã tradicional, especialmente a tomista, os animais possuem uma alma sensitiva, que lhes dá vida e permite que tenham percepções e sentimentos, mas essa alma não é espiritual e imortal como a dos seres humanos. Apenas os seres humanos têm uma alma racional e imortal, criada diretamente por Deus. Santo Tomás de Aquino argumentava que a alma dos animais perece com a morte do corpo, enquanto a alma humana continua a existir.

O Papa Francisco, em algumas ocasiões, fez comentários que foram interpretados como uma abertura à ideia de que os animais poderiam ir para o Céu, mas isso não reflete uma mudança oficial na doutrina.

Filosofia Clássica:
Na tradição aristotélica, que influenciou profundamente o pensamento cristão, Aristóteles distingue três tipos de alma:

Alma vegetativa – presente nas plantas (crescimento e nutrição).
Alma sensitiva – presente nos animais (percepção, movimento e desejo).
Alma racional – exclusiva do ser humano, dotada de razão e imortalidade.

Platão, por outro lado, tinha uma visão mais espiritualizada da alma e chegou a sugerir, no Fédon e no Timeu, que as almas poderiam reencarnar em diferentes formas de vida, inclusive animais.

Em resumo, tanto na tradição aristotélica quanto na doutrina católica, os animais possuem alma, mas esta não tem a característica da imortalidade, sendo essencialmente mortal e ligada às funções biológicas.









sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

SONS E TONS: HOJE É DIA DE ROCK?


Em especial agrado que tento fazer ao meu irmão Silvio Biancardine e ao amigo Dante Mantovani – os dois únicos músicos que conheço – resolvi escrever algumas considerações sobre o pouco que aprendi sobre tonalidade, eis que a música me é inalcançável, apesar de meu ouvido absoluto e razoáveis (mas nunca excelentes) performances no baixo elétrico.

Do mesmo modo, tudo o que se segue abaixo poderá servir de “insight” para aqueles que pretendam desenvolver teorias, ou mesmo teses, sobre a influência da mudança de frequência padrão nos tons musicais sobre a psique e comportamento das massas.

Se você disser que eu desafino, amor… -

A afinação musical, ou seja, a determinação da frequência padrão para o tom Lá acima do Dó central, tem sido objeto de debates e mudanças ao longo da história. Atualmente, até onde sei, o padrão internacionalmente reconhecido é de 440 Hz. No entanto, existem aqueles que defendem a afinação em 432 Hz, argumentando que a mesma estaria mais “alinhada” com as frequências naturais do universo, e ainda apresentaria efeitos benéficos sobre o ser humano, especialmente sobre sua psique.

O fato é que, antes de ser instituída uma padronização, não haviam frequências fixas para a afinação dos instrumentos musicais. Cada região ou mesmo cada conjunto instrumental podia adotar diferentes referências – ou preferências – resultando em variações significativas no resultado final de uma obra. Pesquisei e descobri que foi somente em 1953 que a Organização Internacional de Padronização (ISO) estabeleceu o Lá em 440 Hz como padrão. Entretanto, igualmente sei que alguns compositores, como Giuseppe Verdi preferiam a afinação em 432 Hz, acreditando que esta proporcionava uma sonoridade mais harmoniosa e adequada para as vozes humanas.

Controvérsia entre 440 Hz e 432 Hz: fora do tom? -

Os defensores da afinação em 432 Hz – em geral um tanto quanto esotéricos demais para meu gosto, mas que aparentam possuir boas razões – argumentam que esta frequência está em maior consonância com os padrões naturais e cósmicos. Do alto de seus “nirvanas”, asseguram que instrumentos afinados em 432 Hz ressoem de maneira mais harmoniosa com a natureza e com o corpo humano, promovendo sensações de bem-estar e relaxamento. Estudos de cimatismo (pesquise no Google), que analisam padrões formados por frequências sonoras em meios físicos, mostram que a frequência de 432 Hz gera formas geométricas mais simétricas e esteticamente agradáveis em comparação com 440 Hz e, por isso, dou aos irmãos “malucos-beleza” minha aprovação.

Por outro lado, a afinação em 440 Hz tornou-se predominante no século XX, especialmente após sua adoção como padrão pela ISO. Algumas teorias sugerem que essa mudança foi influenciada por motivos políticos e sociais, incluindo a hipótese de que o ministro da propaganda nazista, Joseph Goebbels, teria promovido a adoção do 440 Hz para influenciar o comportamento das massas – o que não deixa de ser uma boa justificativa, dado o “zeitgeist” da época. No entanto, ainda que essas teorias careçam de comprovação histórica sólida, não podemos desprezar seus efeitos na música popular jovem, a partir dos anos 50.

Efeitos das frequências sobre o ser humano: muito doido... -

A frequência de uma nota musical pode influenciar a percepção e o estado emocional do ouvinte. Músicas afinadas em 432 Hz são frequentemente descritas como mais suaves e claras, proporcionando uma experiência auditiva mais agradável e relaxante. Alguns estudos – e quero crer que realizados por hippies aposentados, veganos ou adoradores do deus-sol do santo daime – indicam que essa afinação pode estimular o “chakra” do coração, promovendo sentimentos de paz e bem-estar. E isso sempre me obriga a considerar que existem verdades ocultas, mesmo que por detrás de toneladas da erva que passarinho não fuma.

Dissipada a fumaça, ainda encontrei relatos de que a música em 432 Hz pode auxiliar na redução do estresse e na promoção de estados meditativos. Entretanto, é importante notar que a resposta ao som é subjetiva e pode variar de pessoa para pessoa – e digo isso a sério, sem nenhuma referência ao uso de substâncias estranhas por trás de tais cidadãos. Mais pesquisas científicas são necessárias, portanto, para confirmar os efeitos terapêuticos específicos dessa afinação.

Tons, sons e a física quântica: um nó na cabeça -

Podemos também piorar a situação, explorando a relação entre os modelos de afinação musical (440 Hz e 432 Hz) e a física quântica, um tema controverso e amplamente debatido especialmente em círculos – sempre eles – alternativos. Embora a física quântica seja um campo rigorosamente científico, alguns pesquisadores e entusiastas (!) sugerem que certas frequências musicais podem interagir com os princípios quânticos da vibração e ressonância.

A física quântica e a vibração do universo -

No quase nada que sei sobre física quântica, percebo que a mesma descreve a realidade como sendo composta por campos vibratórios. O princípio da dualidade onda-partícula demonstra que partículas subatômicas se comportam como ondas e podem ressoar em diferentes frequências. Essa ideia se conecta com a noção de que toda matéria e energia possuem uma assinatura vibracional, algo muito próximo do funcionamento de alguns sistemas de detecção de mísseis da atualidade.

Algumas teorias também sugerem que a frequência de 432 Hz estaria mais alinhada com a chamada "ressonância Schumann", que é a frequência fundamental do campo eletromagnético da Terra (aproximadamente 7,83 Hz). Essa conexão, supostamente, criaria um efeito harmonioso entre a música e os processos naturais do corpo humano, que também opera em ritmos vibratórios específicos e compatíveis – se é que esta última palavra é apropriada.

A ressonância e a coerência quântica -

Na mecânica quântica, existe o conceito de “coerência quântica”, onde sistemas podem permanecer interligados e ressoando na mesma frequência, sem nenhuma dissipação de energia. Defensores da afinação em 432 Hz afirmam que essa frequência criaria um estado de maior “coerência energética” – vá lá – no cérebro e nas células humanas, promovendo equilíbrio e bem-estar.

Além disso, o fenômeno de “entanglement” (emaranhamento quântico), onde partículas podem permanecer conectadas mesmo a grandes distâncias, fatalmente acaba por levantar especulações sobre como as vibrações sonoras podem influenciar sistemas biológicos de maneira mais profunda do que apenas pela audição – ponto para os hippies aposentados e seus “chakras”.

O efeito da afinação na consciência humana -

Algumas abordagens sugerem que frequências específicas podem afetar os estados de consciência, muito superiores ao suplício de ouvir um desafinado cantor de churrascaria durante todo o almoço. A meditação e a terapia com sons (como os usados em mantras, gongos e taças tibetanas) são baseadas na ideia de que certas frequências podem induzir estados mentais específicos.

* 440 Hz seria uma afinação mais "mecânica", voltada para a precisão técnica, mas menos conectada ao equilíbrio natural do corpo.

* 432 Hz estaria mais alinhada com os ritmos naturais do universo, facilitando estados meditativos e promovendo um efeito mais profundo no subconsciente.

Conclusão de toda a mixórdia acima -

Embora a ciência tradicional ainda não tenha comprovado a conexão direta entre a afinação musical e os princípios da física quântica, a ideia de que frequências específicas podem interagir com sistemas vibratórios naturais é amplamente explorada em áreas como a musicoterapia e a neurociência. O estudo mais aprofundado desses fenômenos pode revelar insights interessantes sobre como a música influencia não apenas a psique humana, mas também a realidade física em níveis mais sutis.

Por outro lado, a escolha da afinação em 440 Hz ou 432 Hz continua sendo tema de discussão entre músicos, pesquisadores e entusiastas. Enquanto o padrão de 440 Hz permanece amplamente utilizado na música ocidental, a afinação em 432 Hz ganha adeptos que buscam uma conexão mais profunda com as frequências naturais e os possíveis benefícios associados.

Independentemente da afinação escolhida, o essencial é que a música seja boa, e continue a servir como uma fonte de expressão, conexão e bem-estar para a humanidade.

A percussão determina o estado emocional, enquanto a melodia é o que nos transporta, enleva e pode nos fazer transcender.

Antes que me esqueça: funk não é música, é reclamação rítmica.


Walter Biancardine


sábado, 15 de fevereiro de 2025

DIREITO AO CONTRADITÓRIO -

Qualquer homem cuja idade seja superior a 30 anos ou tenha já sido casado certamente ouviu, letra por letra e palavra por palavra, a cantilena lamuriosa que ilustra a postagem: nada muda, é o eterno argumento feminino para aceitar que nem todos os homens se dobram aos seus ideais e desejos.

Vitimado por uma rajada de casamentos, creio ter autoridade moral e experiência suficiente para contestá-los, um por um. Vamos lá?

1 - "Sobrevivi": Argumento preventivo pelo declínio estético da mulher, após anos de relaxamento com suas formas em decorrência de achar-se "segura" - "Posso engordar à vontade, ele não vai me deixar".

2 - "Pessoa mentirosa": Argumento vago, destinado apenas a agravar o conteúdo das queixas. Tudo pode ser mentira, desde dizer que irá comprar pão até a resposta para a pergunta "Estou gorda?"

3 - "Complexo de vítima": Reação tipicamente feminina ao se confrontar com qualquer acusação feita pelo homem, após uma rápida "DR" de umas 4 ou 5 horas de imprecações e queixas da mulher.

4 - "Nega seus erros": Continuidade do "Complexo de vítima", auxilia a mulher nos momentos em que não consegue vencer a lógica masculina.

5 - "Manipula para fazer você acreditar que a culpa é sua" - Talvez a mais grave estratégia, típica de mulheres narcisistas e que, como requinte sádico, invertem os termos da equação: ela acusa do que faz e o xinga daquilo que ela mesma sabe que é.

Obviamente esta minha postagem destina-se aos homens. As mulheres mais requintadas sequer comentarão, e as mais furiosas e recalcadas encherão os comentários de adjetivos desairosos à minha pessoa.

Talvez apenas uma ou duas mulheres, verdadeiramente inocentes e imunes a tais vícios, comentarão livremente aqui.

#ficaadica


Walter Biancardine



sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

TODO MUNDO ESPERA ALGUMA COISA/ DE UMA SEXTA À NOITE...


Os mais fossilizados certamente lembrarão desta música do grupo Cidade Negra, sucesso na virada do século:

"Todo mundo espera alguma coisa/
De um sábado à noite,
Bem no fundo todo mundo quer
Zoar..."

Pois é. Chega sexta-feira, chega sábado e todos sempre esperam algo de bom - uma festa, um chope com os amigos, sair com a mulher ou mesmo partir em rápida viagem de fim de semana.

Todos adoram, eu também já gostei. Não a toa, anos atrás, a cada sexta feira produzia uma postagem para leu amigo Luís Antônio, do The House of Rock and Roll, perguntando: "Hoje é Dia de Quê???" E a própria postagem respondia: "Hoje é Dia de Rock, Bebê!"

Hoje, entretanto, os dias são outros. A vontade de sair, "zoar", me divertir e espairecer permanece, mas não tenho companhia ou mesmo condições financeiras para pagar algo mais digno que um "Podrão" na carrocinha. Além disso e decorrente de tal isolamento (social e financeiro), existe o fato de serem dias muito ruins para mim: ninguém lê o que escrevo, míseras visualizações em artigos, ensaios ou meros textos; a verdade é que ninguém está nem aí pra nada - é sexta-feira, todo mundo quer "zoar"! E não posso criticar ninguém pois, pudesse eu, faria a mesma coisa.

Assim, gasto meus finais de semana tamborilando no teclado, escrevendo ensaios pretensiosos ou artigos sem pé nem cabeça como este, na vã esperança que semana que vem - em algum dia aleatório - os mesmos sejam lidos.

No mais, a verdade é que devo me conformar em ficar em casa: velho não "zoa", velho tosse.

Não esqueça: "Hoje é Dia de Rock, Bebê!!!"


Walter Biancardine



segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

ENSINO SUPERIOR: UMA FARSA


Já nos idos de 1984, ao adentrar a seríssima faculdade Bennett no Rio de Janeiro para cursar Arquitetura e Urbanismo (havia no vestibular a prova de habilidade específica, no caso o desenho, e por isso fiquei em 3º lugar), me deparei com uma cena desanimadora: meus colegas dedicavam-se a disputar "guerras de bolinhas de papel", fazendo com que aquele mundo de "adultos" se desmoronasse diante de meus olhos.

Depois, na igualmente seríssima faculdade Cândido Mendes (a da Rua da Assembléia, não a "boate" de Ipanema), ao cursar Direito, tive os ouvidos entupidos por incessante catilinária marxista de professores de sociologia e demais cadeiras, cujo único objetivo não era ensinar mas, sim, nos convencer. E isso, já nos anos 90, fez com que a ilusão da "formação profissional, técnica", evaporasse em minha cabeça.

Atualmente dedico-me a assessorar a confecção de uma tese de pós-doutorado, na qual igualmente observo que a postulante - a qual, por tentar preservar seu nome no mundo acadêmico, não declinarei - vê-se obrigada a curvar-se à ideias e conceitos impostos por seus orientadores, todos marxistas, para que seja aprovada e obtenha sua graduação.

Ironia do destino, a referida doutora disse, tal qual minha mãe - quase profética - falou, no momento em que comentei com ela sobre as decepções acadêmicas: "o que importa é o diploma, vamos esquecer o resto". Dona Dalva assim falou, nos anos 80 e, agora, a doutora repetiu.

E a isso se resume, atualmente, a academia: o papel pintado de diploma.

Nada se aprende, nada se discute - pois será censurado e boicotado - nada evolui. É a estagnação intelectual de um povo, condenado a enxergar o ensino superior nos moldes da "jurisfação" que citei em outros artigos: você não é nada e nem precisa ser, o que importa é o papel.

Assim, é natural que essa perversa dinâmica tenha transformado a faculdade quase em extensão do segundo grau e, pior, a pós-graduação, mestrado e doutorado, em pós-extensões do mesmo.

Fácil é conversar com Doutores cuja limitação intelectual e cultural são evidentes. Causa espanto descobrir que, entre aqueles que alcançaram o topo da escalada acadêmica, tantos sejam verdadeiras farsas e embotados - uma evidente consequência de uma política de ensino verdadeira e deliberadamente assassina de cérebros e intelectos. Um Doutor brasileiro não alcança um bacharel norte-americano - ou um egresso do COF, como eu, esta é a verdade.

Talvez seja tarde e não mais provoque efeitos mas, ainda que ao entardecer da vida, aceitei os velhos conceitos proféticos de minha mãe e a experiência de vida de minha dileta pós-doutoranda: o que vale é o diploma e por isso - e só por isso - persisto em minha licenciatura em Filosofia.

Mas sei que nada terei a aprender, em termos filosóficos.

Ao contrário: deveria, eu, estar ensinando.



Walter Biancardine 





domingo, 12 de janeiro de 2025

SURPRESAS DE DOMINGO -


Já esperava que meu artigo "Religião não é autoajuda e pastores não são coaches" fosse incomodar algumas pessoas, e foi o que realmente aconteceu.

Para minha surpresa entretanto, o primeiro incomodado a se manifestar foi um padre - sim, um padre da Igreja Católica - que expressou seu desagrado no X-Twitter.

Isso mostra que, mesmo entre padres que supostamente não aderiram à Teologia da Libertação, o sutil veneno da cobra Leonardo Boff se faz sentir, agravado pelo ecumenismo cínico de Bergoglio.

Temo pelo futuro da Igreja, a verdadeira Igreja, e temo mais ainda que as palavras do professor Olavo de Carvalho estejam certas: "O maior inimigo que a Igreja enfrenta não são os que a combatem, mas os que a falsificam".

É um mal interno.



Walter Biancardine



sábado, 11 de janeiro de 2025

RELIGIÃO NÃO É AUTOAJUDA E PASTORES NÃO SÃO “COACHS” -

 


Estou ciente de, neste artigo, mexer com um vespeiro de suscetibilidades e até com os mais primários e furiosos fundamentalismos, mas é algo que – se cremos verdadeiramente na alma imortal e que deve ser salva – precisa ser evidenciado, alertando contra a tentação contida na mesma.

O alerta acima cabe especialmente a brasileiros, já que o cristianismo evangélico predomina no país e se diferencia sobremaneira do conceito “protestante” de Calvino e Lutero, que deu origem às denominações Batista, Luterana, Calvinista, Metodista e outras.

Fácil é perceber que, mesmo sob a denominação “evangélica” existem ramificações – e não falo das inúmeras igrejas, cada uma com sua Razão Social (Bola de Neve, Lagoinha, Assembleia de Deus, etc.) e que mais se parecem pequenas empresas, fruto da iniciativa de “pastores” que desejam ter seu próprio negócio ou culto, como chamam. As ramificações a que me refiro são muito mais relativas às condições econômicas e sociais de seus adeptos do que interpretações significativamente diferenciadas da Palavra de Deus, resultando na existência de uma religião para cada faixa do Imposto de Renda.

Explico: no Brasil, devido ao sincretismo ocorrido entre as religiões africanas trazidas pelos escravos e o cristianismo, a ala evangélica que se dedica às classes mais baixas e com menor ou nenhum preparo intelectual, se mistura e utiliza, de maneira evidente, conceitos e práticas do Candomblé e outras, anunciando em cartazes a “Noite de expulsão dos Exus (demônios)”, “Libertação dos encostos (espíritos obsessores)” e outros, chegando ao ponto de benzer peças de roupas femininas “para amarrar maridos” – tudo isso sendo parte do universo das religiões africanas, fortemente enraizadas nas classes mais baixas, como dito acima. É uma macumba em trajes finos, “cristianizada” e socialmente aceitável nos dias de hoje, por aqui.

Para a classe média – englobando a “média-baixa” – o tratamento é diferente. Aqui o foco é “recivilizar” o fiel, libertando-o do alcoolismo e da infidelidade (no que obtém grande e meritório sucesso) e focando na “mentalidade de sinagoga”, onde “um irmão ajuda o outro” através de ofertas de emprego, serviços e integração social – patrão evangélico só contrata evangélicos, evangélicos só compram em lojas de evangélicos, escolhem amigos evangélicos, ouvem apenas músicas de louvores e fecham-se em seu mundo próprio, fortemente marcado por um moralismo exacerbado, já que os sacramentos não existem para eles.

O exemplo acima é a vertente dominante no Brasil, dada a maioria populacional contida nesta faixa. Esta verdadeira e voluntária segregação poderia ser dramática, não fossem os instintos de sobrevivência dos comércios locais e a notória e conhecida tolerância do brasileiro – tolerância essa evidenciada através de políticos, que se dedicam a esta ala e criaram a “Bancada Evangélica” no Congresso Nacional.

Já para as classes mais altas, todo o exemplificado anteriormente é cuidadosamente suavizado pois os pastores concentram-se no indivíduo – sim, na pessoa, não em sua alma. Os cultos quase transformam-se em palestras motivacionais, emitindo conceitos de superação de deficiências, vitórias, foco e consecução de objetivos profissionais e materiais, e este é o eixo central sobre o qual as igrejas evangélicas, no Brasil, alcançaram seu esmagador sucesso, sempre “decodificados” para cada faixa social (público-alvo) objetivado.

Todo este conceito de autoajuda (para os mais abastados) e recivilização com integração social (para os mais humildes, e que desembocará inevitavelmente na autoajuda, uma vez atingidos os objetivos) é a tônica de um movimento que transformou a introspecção salvadora de almas do catolicismo em verdadeiras seitas de obtenção de progresso material e aceitação social.

Se, por um lado, tal movimento conseguiu melhorias notáveis na conduta moral, social e profissional do brasileiro médio, por outro abandonou por completo o espiritualismo místico, deixando enorme lacuna que poderá, um dia, ser preenchida por um fanatismo xiita – já presente atualmente na proibição hipócrita da bebida alcoólica, por exemplo. O próprio Cristo bebia vinho mas o ato, se por nós praticado, é execrado por tais fiéis.

Os feitos notáveis obtidos por tais igrejas evangélicas tornaram-se um círculo vicioso/virtuoso, onde cada vez mais pessoas buscam os cultos na esperança de progresso material (vicioso), reprimindo às duras penas as tentações do adultério e esbórnia (virtuoso). A abolição dos sacramentos os impelem ao moralismo absurdo, resultando na inevitável segregação daqueles que não seguem seus preceitos – acenda um cigarro ou beba um whisky na frente de um fiel e a infalível e enorme catilinária de execrações contra “seus vícios” se seguirá, e tudo isso por não crerem no perdão, nos sacramentos e na largueza de vistas própria do católico, embasado por dois milênios de doutrinas e doutores santos. A moderação, como conceito e prática, inexiste para o evangélico médio, levando-os quase a incorporarem os “estultos”, de Horácio: para evitar um vício, mergulham no vício oposto - "Dum vitant stulti vitia, in contraria currunt."

Um vídeo tornou-se conhecido na internet, mostrando uma brasileira em Portugal se queixando do fato das (pouquíssimas) igrejas evangélicas do país serem “organizadas” (sic) apenas por brasileiros e somente uns 5% dos fiéis serem portugueses. A mesma encerra seu vídeo manifestando a esperança que ocorra um “avivamento” no país e que tudo mude. E tais declarações comprovam, de modo claro, todo o exposto acima.

Em primeiro lugar, pouco importa para ela que o país o qual visita – sim, ela é hóspede e não anfitriã – tenha milenar tradição católica: o que a preocupa é ver que não há portugueses seguindo as ramificações tipicamente brasileiras do protestantismo, que desembocou nos cultos evangélicos.

Em segundo lugar, a “segregação” mencionada parágrafos acima é notória, pois até seu vocabulário é próprio dos evangélicos – uma língua diferenciada, que chama homens de “varão”, mulheres de “varoa” e clama, como visto, por um “avivamento” no país. Quando um grupo atinge tal grau de coesão deliberada, resultando em sua autoexclusão dos circundantes e a criação de um linguajar próprio, isto se torna um fator social deveras preocupante.

Em terceiro lugar – plenamente justificável, desta vez – vem o desejo de que todos se convertam. Neste ponto não é possível criticá-la, pois o ecumenismo é a mais rasteira falácia destruidora da fé alheia. Quem verdadeiramente crê, não tolera outras crenças. Apenas perdoa e convive com o crente.

Em último lugar vem a observação de que a mesma mulher, bem jovem, provavelmente passeou em terras portuguesas sendo financiada por seus pais, ouso deduzir, evangélicos. E minha ousadia vai além: tão poderoso quanto o trabalho duro e sério que conduziu seus pais à prosperidade, certamente será a rede de influências (a “mentalidade de sinagoga” citada acima) da igreja frequentada, que providenciou oportunidades comerciais ou empregatícias aos mesmos – e neste ponto caímos na transformação de pastores em “coaches”, cultos em palestras de autoajuda e toda a congregação em uma “ação entre amigos”. Desnecessário lembrar que todo o "avivamento" ansiado pela jovem seria desnecessário, caso cressem nos sacramentos.

Mas… e as almas?

Estarão todas elas salvas por não beberem, não fumarem, não traírem seus cônjuges, frequentarem os cultos e se esgoelarem em gritos de “aleluia”? E todo o infindável resto de suas ações e práticas cotidianas, inclusive em seus empregos e comércios? Isto não seria um farisaísmo redivivo?

Onde está a penitência? Onde o confessionário, os pecados confessos e a contrição? Onde se dá a união com o Corpo de Cristo, se não há hóstia?

Não confesso meus pecados, não sou perdoado mas não fumo, não bebo e não traio meu cônjuge, portanto não peco”. Será esta a mentalidade? Ou a tranquilidade advém da suposta “certeza” de que todo o mal que eventualmente cometa foi por “obra do diabo” (o qual será “expulso” pelo pastor) mesmo que, para tanto, renuncie aos seus próprios méritos, quando diante do sucesso que somente o Senhor Jesus o deu, de presente?

E seus pastores? O que dizer quando um grupo deles se separa e cada um funda sua própria denominação, maior parte das vezes por questões financeiras? O que dizer de pastores que, literalmente, dão palestras motivacionais a convite de empresas? Algum padre – verdadeiramente padre – já fez isso, ou foi convidado e aceitou? Alguém arriscaria uma rápida comparação entre o número de pastores e padres que se candidatam a cargos políticos?

A transformação da Palavra de Cristo em reuniões motivacionais ou palestras de autoajuda é uma sórdida perversão – quase herética – dos ensinamentos de Nosso Senhor. Aqueles que tenham tempo, que o use para especular onde poderá terminar tal disfunção doutrinal da Verdade Revelada; asseguro que a conclusão não será boa.

Pois que tais descalabros sirvam para acordar a Igreja Católica da bebedeira apóstata de Bergoglio – este que se diz Papa – e não mais deixe seus templos sem ninguém a atender os fiéis. Sim, já que o estado atual é uma faca de dois gumes: eu, particularmente, quase não vou às missas e prefiro frequentar a Igreja em dias e horários normais – algo como uma terça-feira, três horas da tarde. Nestes momentos sei que estou só, eu e Deus, e isso me parece bom e necessário para a introspecção exigida pela fé.

Por outro lado, se alguém adentra um templo evangélico, logo é abordado – ainda na porta – por duas ou mais pessoas que perguntam como ele está, se precisa de algo e o convida para conhecer sua igreja e a Palavra. Isto catequiza, atrai, acolhe e, normalmente, convence. Como explicar a soberba católica em deixar seus fiéis sem, sequer, um padre de plantão na Igreja?

Ao fim e ao cabo temos, diante de nós, um problema em plena evolução. As práticas evangélicas, que ainda não chegaram com real força ao resto do mundo, podem conduzir a contradições filosóficas, disparidades teológicas ainda piores e verdadeiro cisma social, e o alerta vai enquanto ainda há tempo para a reação, tanto da Igreja Católica quanto de intelectuais que estejam verdadeiramente dispostos a contribuir com a humanidade, e não com seus próprios egos.

A forte tendencia "motivacional" expressa por alguns pastores evangélicos tem se tornado preocupante, pois rebaixam perigosamente toda a transcendência contida na verdadeira fé, e isso pode causar uma ruptura teológico-filosófica.

Este artigo, embora longo, é oferecido de boa vontade como um “insight” para aqueles que tencionem desenvolver alguma tese filosófica a respeito, esforço e boa vontade os quais serei eu sempre muito grato.



Walter Biancardine





segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

A FAVELIZAÇÃO MENTAL -

 


No Brasil o termo “favela” é utilizado para designar guetos, locais de construções precárias e sem nenhuma infraestrutura, com o Estado ausente e dominado por facções criminosas; habitados por pessoas de nível econômico baixo mas, ultimamente, transformado em locais de turismo para satisfazer visitantes estrangeiros, sempre em busca de animais falantes para tirar fotografias e mostrar aos amigos bem como, eventualmente, encontrarem uma “nativa” para sua cama.

A grande mídia ensinou ao brasileiro que pobreza é bom, um universo de cultura própria, sorridente e única onde a promiscuidade e safadeza imperam – sempre disfarçadas de um comportamento “sem hipocrisias burguesas” – e dominado pelo lema “quanto pior, melhor”.

Embebedados por músicas completamente pornográficas – seriam vetadas mesmo no XVídeos – e garotas mal saídas da infância, mas destras na arte de acasalar; rapazes aqui apelidados de “nóias” – drogados de maconha, cocaína e outros, desde o momento em que acordam até a hora em que um tiroteio os leva à vala – nenhuma perspectiva de trabalho honesto, pois o tráfico paga bem melhor, a Justiça brasileira os protege e a grande mídia os glamouriza: tudo isso se reflete em suas roupas, modos, maneiras, comportamentos e valores, priorizando a educação de um búfalo furioso e as boas maneiras de um chimpanzé, aliadas a moral de um crupiê de cassino. E isto é um breve resumo do que podemos chamar de “favelização mental”, que alastrou-se por todo o Brasil e reduziu 210 milhões de habitantes a botocudos tribais.

Calejado e calcinado por tal experiência – a vivo desde o longínquo ano de 1979, quando os deportados comunistas foram anistiados, voltaram ao Brasil e promoveram sua triunfante guerra cultural, que nisto resultou – observo com extrema preocupação os sintomas explícitos da mesma doença social degenerativa na Europa, causada pela invasão muçulmana e de outros povos, a qual está conseguindo impor seu viver animalesco (por maioria que atualmente são) aos nativos do continente.

Vídeos que mostram estações do Metrô (subway) na Alemanha são um claro exemplo disso: nele, hordas islâmicas superlotam a estação, gritam e urram provocando o temor dos pobres e esparsos europeus e, quando o trem chega, invadem-no tal qual os piores comboios no Paquistão, Índia e outros rincões piores.

Vencem pelo número, pelo comportamento animal, pela barbárie exalada de suas bocas escancaradas e ávidas em devorarem a carne e a alma daqueles que consideram “infiéis” e que, segundo seus preceitos, “devem morrer” – ainda que sejam os hospedeiros e provedores de seu bem estar no país.

Mas, o que poderá o europeu fazer se, na tradicionalista Grã Bretanha, a maioria governante é de origem indiana ou islâmica? O que fazer se, na Alemanha, a maioria da população encolheu-se, atrofiada de testosterona e mostrando o traseiro passivo aos árabes insaciáveis? Como reagir, se a grande mídia – o eterno Quinto Cavaleiro do Apocalipse – insiste em lavar cérebros e almas, pintando a mais bem sucedida invasão já registrada (nenhum tiro disparado) como “acolhimento aos pobres necessitados” de outros países? Como ter esperanças se o europeu, na verdade, preferiu render-se a reagir?

O que ocorre hoje, na Europa, é um acelerado processo de “favelização mental”, tal qual o que vitimou o Brasil. Em breve veremos nórdicos, escandinavos, ensaiando passos de “funk” e cantando as pornográficas letras das mesmas; ou sisudos britânicos – até então “fleugmáticos” – esfregando-se nas esquinas com arrebitada “mestiça”, de peruca vermelha. E isto degenera um povo, reduz seus horizontes, mata sua alma.

Alguém já disse que “é com a moeda que se governam os povos” e, ao que parece, desde que os amigos do norte adotaram o Euro, apenas a baixaria, crimes e estupros conseguiram, em comum.

Fujam de teatros e cinemas, desliguem rádios e TV’s e, se puderem, desliguem também a União Europeia.

Todos, sem exceção, apenas antros dos comuno-globalistas que causaram tudo isso.




Walter Biancardine



sábado, 4 de janeiro de 2025

A PSIQUE CONSPIRA -


Tão inevitável quanto a morte ou o imposto de renda são os pensamentos sabotadores que, com frequência irritante, povoam minha cabeça. Aos meus olhos assim não os são, mas desta maneira os classifico para dar um ar de leveza e humor aos queixumes que insisto em redigir.

É algo compulsivo: e se eu tiver feito tudo errado? E se estou prejudicando quem nada tem a ver com isso? E se me vendi por um sonho? E se sou uma farsa?

Não há quem me critique com mais ferocidade do que eu mesmo, e se mais dúvidas desabonadoras aqui não posto, deve-se à simples vergonha da amplitude do mal que em mim encontro e que tanto prejudica a terceiros.

Nestes momentos o impulso covarde da fuga domina: não há melhor maneira de resolver dúvidas, aborrecimentos e decepções do que, simplesmente, abandonar tudo e sumir no mundo.

Pana mim não seria difícil, já que não guardo mais sonhos. Não tenho nenhum plano, nenhum projeto - mesmo meus livros inacabados os considero irrelevantes, dada a pífia vendagem daqueles publicados e nenhum benefício aos leitores. Possuo apenas uma única ambição, que seria aguardar meus dias finais com um teto sobre a cabeça, comida na geladeira e cigarros. Nada pretensioso, apenas que - em minha situação - é pedir demais.

Esta ambição é o que ainda me prende ao personagem que me tornei. Não fosse a mesma e talvez já estivesse de volta às estradas, caminhando sem rumo nos acostamentos e dormindo onde Deus permitisse - uma vida que conheço e não mais temo.

Sinto que a vida deste personagem está com os dias contados e pouco ou nada posso fazer. Hoje, hesito entre a tentação de dormir sob um teto com comida à mesa - projeto a cada dia mais inviável - ou a saída fácil das estradas.

Se insisto em ter o teto, estarei me vendendo? Se optar em ser digno, estarei sendo covarde?

Este filme já vai muito longo, está chato, nada trouxe de bom a mim ou ao mundo e anseio logo por seu fim, que demora demais.

Se bem me conheço, creio já saber a resposta.

Eu tentei, juro que tentei.



Walter Biancardine





quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

RUMINANDO REMINISCÊNCIAS -


Embora a Região dos Lagos esteja completamente entupida de "vítimas da crise", resolvi dar uma volta a pé pela praia em frente à minha casa - sempre deserta já que é bravia e mortal, verdadeira devoradora de almas e, sequer, apropriada para descer ondas.

Tal caminhada é um hábito que aprendi ainda durante a vida de náufrago na roça, que impunha inacreditável solidão mas, em contrapartida, oferecia a liberdade de vagar falando sozinho, tal qual perfeito maluco, em derivações existenciais e filosóficas.

Neste passeio lembrei-me de um antigo sonho lamentoso, no qual imaginava eu que seria o que aconteceria no momento em que pudesse, finalmente, ir embora daqueles pastos e voltar a uma vida normal. Tal sonho - misto de lembrança e esperança - envolvia meu pai e minha mãe, somado a um enorme carro americano (típico dele) estacionado em uma picada no mato.

Em um fim de tarde, já cansados de caminhar, minha mãe seguraria-me pelas mãos e perguntaria ao meu pai se poderiamos ir embora. A resposta, bem ao tom de voz do velho: " - É, vamos embora. Vamos pra casa, tomar um café", dizia ele, já abrindo a porta do carro. E ao chegarmos em casa - sem nenhuma lógica, pois tratava-se apenas de um sonho - abriamos a porta e o cheiro de café, recém feito, invadia nossos narizes e nos dava a saudosa sensação de acolhimento e segurança.

Onde quero chegar, com tudo isso?

No dia em que finalmente pude deixar a casinha (minha eterna gratidão a Alair Corrêa), estacionei o carro na mesma picada de mato que, meses antes, derivava eu que estaria o automóvel de meu pai. Acendi um cigarro, abri a porta do carro e disse para mim mesmo: " - É, vamos embora. Vamos tomar um café."

Sim, foi premeditado. Sim, encarei como um sonho quase realizado. Não, não sou maluco, pois ao chegar em casa não havia o cheiro quente do café fresco. Aliás, nem café nem ninguém.

Mas agradeci a Deus do mesmo jeito, quase em lágrimas por ter Ele me concedido um sonho.

Pena não ter meus pais vivos para vê-lo.



Walter Biancardine



quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

FONTES, FONTES, FONTES...


Um jornalista, quando em plena atividade, serve-se de "fontes" para coletar informações sobre os assuntos que eventualmente esteja tratando. Mesmo eu, afastado de redações há 20 anos, ainda tenho algumas e - acreditem - alguns respingos e fofocas sempre chegam.


Desta vez, infelizmente, o que me trouxeram não foi nada agradável, pois atingia-me pessoalmente. Enfim, era já informação um tanto antiga e que, amanhã, se completará uma semana do ocorrido.

Santa e bendita ignorância, que nos protege da tentação de julgar os mais próximos - dos quais poderia eu ter já sabido do fato quando se deu - principalmente pelos mesmos saberem das circunstâncias envolvidas e temerem mexer em um vespeiro. Não, não posso e nem devo julgá-los.

Infeliz profissão, que nos impele a saber de tudo mesmo que ninguém nos conte.

E tristes dias, onde a antiga e protetora floresta definha, deixando apenas a paisagem árida da velhice.

Aproveite tudo o que tem, enquanto tem.



Walter Biancardine



ANO NOVO, VIDA... NOVA?


Famílias desavisadas que assistiram a virada de ano pela Rede Globo de Televisão certamente tomaram um susto e, às carreiras, tiveram de tirar as crianças da sala e desligar os aparelhos de surdez (Centro Auditivo Telex, lembra?) dos avós - mas jamais mudar de canal ou desligar a TV. Isso não porque, no fundo, já se degeneraram também.

Nos maravilhosos aparelhos de 258 polegadas, pendurados em uma saleta de 2,50X2,50, assistiram a galinha Anitta cantar sua última música - verdadeira e parnasiana poesia - na qual exaltava a própria vida que diz levar: "sento numa p*ca 'desse tamanho', mando em todo mundo, sou tua chefe, faço o que quero". E isso era integralmente transmitido, ao vivo, pela maior rede de televisão do país, comandada pelos irmãos Marinho.

Após tão doce e suave poema, corte rápido para a queima de fogos em Copacabana: fumaça, fumaça e mais fumaça, tal e qual vexame ocorrido há alguns anos, enquanto comentaristas mentirosos - mas bem pagos - fingiam maravilhar-se "diante de tanta beleza". 

Hoje, no rescaldo do incêndio - digo, Reveillon - ainda é divulgada a notícia de ambulâncias, estacionadas no local da festividade, sendo rebocadas por servirem de "armazém" para guardar bebidas, vendidas pelos barraqueiros e ambulantes do local. Lindo.

Não foram divulgados os números de celulares, cordões, jóias, carteiras e relógios roubados, até por que a dízima periódica não é o forte do leitor de jornais no Brasil.

Finalizando, ainda ecoa por todo o país os tambores macumbeiros disfarçados de "batidão", na infinidade de funks ouvidos ad nauseam e com letras mais apropriadas para um XVídeos que para casas de gente sã.

Impossível assistir tudo isso e não lembrar da Missa Solene da Santa Mãe de Deus - Missa de Ano Novo para a macacada - onde, na mesma, era anunciado o Ano do Jubileu focado no perdão: "Peregrinos da Esperança", lascou Bergoglio.

Este mesmo portenho - antítese de Millei - ainda se vale da grande mídia mundial para fazer discursos contra o aborto. Louvável, mas sua fala é um remédio para a febre e não contra o mal que a causa.

E qual é a origem desta patologia social, que termina em abortos, promiscuidade, drogas, abandono e mortes? A grande mídia, a cultura de massa - esta mesma que Bergoglio se vale para divulgar suas intenções solertes de transformar a Santa Madre Igreja Católica em uma "religião universal e globalista", um chicote "divino" a manter o povo domesticado, passivo, no cabresto.

A grande mídia e a cultura de massa é o casal que gerou os filhos do inferno: músicas devassas, filmes promíscuos, livros aliciadores - um universo de bordel a nos rodear, 24 horas por dia, com suas mensagens de dissolução. E pariu galinhas como Anitta, também.

Tal dupla perfaz o Quinto Cavaleiro do Apocalipse, a destruir mentes e espíritos de toda a população global e terminando, em última análise, na gravidez indesejada e no aborto condenado por Bergoglio - que sequer uma vírgula usa para condená-la, já que dela depende para seus intentos apóstatas.

Da galinha Anitta a Bergoglio - que diz-se Papa - passando por funks "proibidões", cerveja ocupando o lugar de feridos em ambulâncias e espetáculos pífios que servem apenas ao crime e ao tráfico de drogas, tudo isso esteve presente em nossas telas nesta virada de ano.

O que poderia este autor dizer? Apenas desejo que a galinha Anitta encontre bilaus cada vez maiores, até que precise socorrer-se - de preferencia no SUS - para fazer "suturas", digamos. 

Também espero que Bergoglio termine por conseguir unicamente um novo cisma, onde ele e seus bispos/cardeais lacradores abençoem todas as abominações do mundo, enquanto os verdadeiros católicos sigam o preconizado por Santo Tomás de Aquino e dêem uma banana para tal cucaracha, servindo à verdadeira, Santa e única Igreja Católica.

E, para finalizar, faço votos que as emissoras de TV e suas coligadas - gravadoras de música e editoras de livros lacradores - decretem a inevitável falência, sequer sobrevivendo mesmo após prestarem o atual e humilhante papel de "subsidiárias estatais", fabricantes de "releases" governamentais - sem fibra, sem honra, sem culhões: que a paz dos pântanos os encubra.

Esta foi, ao meu ver, a virada do ano.

Um novo ano com nada de novo.



Walter Biancardine