domingo, 2 de março de 2025

MUITA VAIDADE, NENHUMA SUBSTÂNCIA -


Nunca fui modesto em relação aos pouquísimos dons que Deus me presenteou: se escrevo direitinho, dirijo bem ou desenho rabiscos aceitáveis, assim digo e não os disfarço por trás de nenhuma modéstia - quanto a todo o resto, entretanto, não me envergonho em declarar-me completamente ignorante.

Existem pessoas, contudo, que vivem da ostentação de virtudes, capacidades ou talentos que realmente não possuem, se tornando monumentais farsas que, cedo ou tarde, cairão por terra.

Este é o caso de uma (boa) página do Facebook a qual eu seguia, atraído que fui pelos breves e bons "insights" filosóficos, sempre emoldurados por uma narrativa poética talentosa e eficaz. Todavia, recentemente encontrei um artigo no qual o referido autor discorria sobre sua repulsa ao convívio humano (o qual, em parte, compartilho), alegando que o mesmo inevitavelmente "nos rebaixaria ao nível da mediocridade geral".

Contrariando meus costumes - pois não tenho o hábito de espalhar comentários em postagens alheias - postei breve comentário onde compartilhava minha repulsa mas que, dado o teor filosófico do texto (e mesmo da página em si), considerava que alguma convivência sempre é necessária, bem como a "queda na mediocridade" não é obrigatória.

Fundamentei lembrando: onde estaria Sócrates, sem o convívio humano? Como sua "dialética" funcionaria? Para que haja uma dialética, é preciso um diálogo; e para que o mesmo exista, é preciso o convívio. Acrescentei que podemos nos espelhar nas virtudes alheias e, mesmo, nos prevenir e corrigirmo-nos ao constatar as idiossincrasias do próximo, tornando-nos pessoas melhores.

Para minha surpresa o autor respondeu-me, à queima-roupa: "No dia em que escrever algo sobre o mesmo tema, aí sim poderá emprestar ao mesmo as sugestões que me apresenta". Ora veja!

Imediatamente percebi que estava diante de uma arrogância vaidosa monumental, e dei breve e cortês resposta: "Pois não. Assim que tiver discorrido sobre todos os temas possíveis, só então voltarei a postar comentários" - e acrescentei: "Ao contrário do que diz, não dei "sugestões", apenas expressei "opiniões".

E tal colosso vaidoso me bloqueou! Não tenho mais acesso à sua página!

Isso posto e passado o susto, pus-me a pensar: trata-se de alguém com um óbvio talento poético, mas cujas análises filosóficas acomodam-se à platitudes e conceitos academicamente aceitos. Nenhuma inovação, nenhuma originalidade, nenhum sinal de vida filosófica própria.

Para piorar, tal e ríspida resposta apenas evidenciou sua incapacidade argumentativa - certamente justificada pelo suposto fato que toda sua base filosófica vem da Inteligência Artificial (daí as platitudes), mas belamente adornadas por seu talento lírico.

Um filósofo não é um filósofo até que sejam apresentadas antíteses às suas teses - esta é a dialética, e causa pasmo alguém que ostenta ares filosóficos não admitir opiniões, contestações, nada - visite a página e verá apenas louvores e elogios.

E o gigante de pés de barro desmoronou: seu nome não é o verdadeiro; sua foto é repleta de efeitos artísticos e preocupa-se em excesso no aparentar riqueza material e erudição. Seus (creio) dez mil seguidores no Facebook acompanham uma farsa, que não filosofa - por incapaz que é - e impulsiona-se apenas pela vaidade de ser alguma espécie de "guia" para cegos, a exibir teatral tormenta existencial sob a forma de ChatGPT filosófico.

Confesso-me envergonhado: caí no golpe. Hoje, as postagens que dele compartilhei apresentam o aviso "não disponível" em meu Facebook, oriundo de seu bloqueio, mas - sinceramente - não me importa mais.

Uso, com tal cidadão, a mesma dialética do convívio que aleguei em meu fatídico comentário: percebi minha real estatura, diante de pequeno anão intelectual, folheado à ouro falso.

O medíocre não tem respostas a dar, nem caminhos a apontar.

Apenas finge filosofar. E engana.


Walter Biancardine



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