domingo, 12 de janeiro de 2025

SURPRESAS DE DOMINGO -


Já esperava que meu artigo "Religião não é autoajuda e pastores não são coaches" fosse incomodar algumas pessoas, e foi o que realmente aconteceu.

Para minha surpresa entretanto, o primeiro incomodado a se manifestar foi um padre - sim, um padre da Igreja Católica - que expressou seu desagrado no X-Twitter.

Isso mostra que, mesmo entre padres que supostamente não aderiram à Teologia da Libertação, o sutil veneno da cobra Leonardo Boff se faz sentir, agravado pelo ecumenismo cínico de Bergoglio.

Temo pelo futuro da Igreja, a verdadeira Igreja, e temo mais ainda que as palavras do professor Olavo de Carvalho estejam certas: "O maior inimigo que a Igreja enfrenta não são os que a combatem, mas os que a falsificam".

É um mal interno.



Walter Biancardine



sábado, 11 de janeiro de 2025

RELIGIÃO NÃO É AUTOAJUDA E PASTORES NÃO SÃO “COACHS” -

 


Estou ciente de, neste artigo, mexer com um vespeiro de suscetibilidades e até com os mais primários e furiosos fundamentalismos, mas é algo que – se cremos verdadeiramente na alma imortal e que deve ser salva – precisa ser evidenciado, alertando contra a tentação contida na mesma.

O alerta acima cabe especialmente a brasileiros, já que o cristianismo evangélico predomina no país e se diferencia sobremaneira do conceito “protestante” de Calvino e Lutero, que deu origem às denominações Batista, Luterana, Calvinista, Metodista e outras.

Fácil é perceber que, mesmo sob a denominação “evangélica” existem ramificações – e não falo das inúmeras igrejas, cada uma com sua Razão Social (Bola de Neve, Lagoinha, Assembleia de Deus, etc.) e que mais se parecem pequenas empresas, fruto da iniciativa de “pastores” que desejam ter seu próprio negócio ou culto, como chamam. As ramificações a que me refiro são muito mais relativas às condições econômicas e sociais de seus adeptos do que interpretações significativamente diferenciadas da Palavra de Deus, resultando na existência de uma religião para cada faixa do Imposto de Renda.

Explico: no Brasil, devido ao sincretismo ocorrido entre as religiões africanas trazidas pelos escravos e o cristianismo, a ala evangélica que se dedica às classes mais baixas e com menor ou nenhum preparo intelectual, se mistura e utiliza, de maneira evidente, conceitos e práticas do Candomblé e outras, anunciando em cartazes a “Noite de expulsão dos Exus (demônios)”, “Libertação dos encostos (espíritos obsessores)” e outros, chegando ao ponto de benzer peças de roupas femininas “para amarrar maridos” – tudo isso sendo parte do universo das religiões africanas, fortemente enraizadas nas classes mais baixas, como dito acima. É uma macumba em trajes finos, “cristianizada” e socialmente aceitável nos dias de hoje, por aqui.

Para a classe média – englobando a “média-baixa” – o tratamento é diferente. Aqui o foco é “recivilizar” o fiel, libertando-o do alcoolismo e da infidelidade (no que obtém grande e meritório sucesso) e focando na “mentalidade de sinagoga”, onde “um irmão ajuda o outro” através de ofertas de emprego, serviços e integração social – patrão evangélico só contrata evangélicos, evangélicos só compram em lojas de evangélicos, escolhem amigos evangélicos, ouvem apenas músicas de louvores e fecham-se em seu mundo próprio, fortemente marcado por um moralismo exacerbado, já que os sacramentos não existem para eles.

O exemplo acima é a vertente dominante no Brasil, dada a maioria populacional contida nesta faixa. Esta verdadeira e voluntária segregação poderia ser dramática, não fossem os instintos de sobrevivência dos comércios locais e a notória e conhecida tolerância do brasileiro – tolerância essa evidenciada através de políticos, que se dedicam a esta ala e criaram a “Bancada Evangélica” no Congresso Nacional.

Já para as classes mais altas, todo o exemplificado anteriormente é cuidadosamente suavizado pois os pastores concentram-se no indivíduo – sim, na pessoa, não em sua alma. Os cultos quase transformam-se em palestras motivacionais, emitindo conceitos de superação de deficiências, vitórias, foco e consecução de objetivos profissionais e materiais, e este é o eixo central sobre o qual as igrejas evangélicas, no Brasil, alcançaram seu esmagador sucesso, sempre “decodificados” para cada faixa social (público-alvo) objetivado.

Todo este conceito de autoajuda (para os mais abastados) e recivilização com integração social (para os mais humildes, e que desembocará inevitavelmente na autoajuda, uma vez atingidos os objetivos) é a tônica de um movimento que transformou a introspecção salvadora de almas do catolicismo em verdadeiras seitas de obtenção de progresso material e aceitação social.

Se, por um lado, tal movimento conseguiu melhorias notáveis na conduta moral, social e profissional do brasileiro médio, por outro abandonou por completo o espiritualismo místico, deixando enorme lacuna que poderá, um dia, ser preenchida por um fanatismo xiita – já presente atualmente na proibição hipócrita da bebida alcoólica, por exemplo. O próprio Cristo bebia vinho mas o ato, se por nós praticado, é execrado por tais fiéis.

Os feitos notáveis obtidos por tais igrejas evangélicas tornaram-se um círculo vicioso/virtuoso, onde cada vez mais pessoas buscam os cultos na esperança de progresso material (vicioso), reprimindo às duras penas as tentações do adultério e esbórnia (virtuoso). A abolição dos sacramentos os impelem ao moralismo absurdo, resultando na inevitável segregação daqueles que não seguem seus preceitos – acenda um cigarro ou beba um whisky na frente de um fiel e a infalível e enorme catilinária de execrações contra “seus vícios” se seguirá, e tudo isso por não crerem no perdão, nos sacramentos e na largueza de vistas própria do católico, embasado por dois milênios de doutrinas e doutores santos. A moderação, como conceito e prática, inexiste para o evangélico médio, levando-os quase a incorporarem os “estultos”, de Horácio: para evitar um vício, mergulham no vício oposto - "Dum vitant stulti vitia, in contraria currunt."

Um vídeo tornou-se conhecido na internet, mostrando uma brasileira em Portugal se queixando do fato das (pouquíssimas) igrejas evangélicas do país serem “organizadas” (sic) apenas por brasileiros e somente uns 5% dos fiéis serem portugueses. A mesma encerra seu vídeo manifestando a esperança que ocorra um “avivamento” no país e que tudo mude. E tais declarações comprovam, de modo claro, todo o exposto acima.

Em primeiro lugar, pouco importa para ela que o país o qual visita – sim, ela é hóspede e não anfitriã – tenha milenar tradição católica: o que a preocupa é ver que não há portugueses seguindo as ramificações tipicamente brasileiras do protestantismo, que desembocou nos cultos evangélicos.

Em segundo lugar, a “segregação” mencionada parágrafos acima é notória, pois até seu vocabulário é próprio dos evangélicos – uma língua diferenciada, que chama homens de “varão”, mulheres de “varoa” e clama, como visto, por um “avivamento” no país. Quando um grupo atinge tal grau de coesão deliberada, resultando em sua autoexclusão dos circundantes e a criação de um linguajar próprio, isto se torna um fator social deveras preocupante.

Em terceiro lugar – plenamente justificável, desta vez – vem o desejo de que todos se convertam. Neste ponto não é possível criticá-la, pois o ecumenismo é a mais rasteira falácia destruidora da fé alheia. Quem verdadeiramente crê, não tolera outras crenças. Apenas perdoa e convive com o crente.

Em último lugar vem a observação de que a mesma mulher, bem jovem, provavelmente passeou em terras portuguesas sendo financiada por seus pais, ouso deduzir, evangélicos. E minha ousadia vai além: tão poderoso quanto o trabalho duro e sério que conduziu seus pais à prosperidade, certamente será a rede de influências (a “mentalidade de sinagoga” citada acima) da igreja frequentada, que providenciou oportunidades comerciais ou empregatícias aos mesmos – e neste ponto caímos na transformação de pastores em “coaches”, cultos em palestras de autoajuda e toda a congregação em uma “ação entre amigos”. Desnecessário lembrar que todo o "avivamento" ansiado pela jovem seria desnecessário, caso cressem nos sacramentos.

Mas… e as almas?

Estarão todas elas salvas por não beberem, não fumarem, não traírem seus cônjuges, frequentarem os cultos e se esgoelarem em gritos de “aleluia”? E todo o infindável resto de suas ações e práticas cotidianas, inclusive em seus empregos e comércios? Isto não seria um farisaísmo redivivo?

Onde está a penitência? Onde o confessionário, os pecados confessos e a contrição? Onde se dá a união com o Corpo de Cristo, se não há hóstia?

Não confesso meus pecados, não sou perdoado mas não fumo, não bebo e não traio meu cônjuge, portanto não peco”. Será esta a mentalidade? Ou a tranquilidade advém da suposta “certeza” de que todo o mal que eventualmente cometa foi por “obra do diabo” (o qual será “expulso” pelo pastor) mesmo que, para tanto, renuncie aos seus próprios méritos, quando diante do sucesso que somente o Senhor Jesus o deu, de presente?

E seus pastores? O que dizer quando um grupo deles se separa e cada um funda sua própria denominação, maior parte das vezes por questões financeiras? O que dizer de pastores que, literalmente, dão palestras motivacionais a convite de empresas? Algum padre – verdadeiramente padre – já fez isso, ou foi convidado e aceitou? Alguém arriscaria uma rápida comparação entre o número de pastores e padres que se candidatam a cargos políticos?

A transformação da Palavra de Cristo em reuniões motivacionais ou palestras de autoajuda é uma sórdida perversão – quase herética – dos ensinamentos de Nosso Senhor. Aqueles que tenham tempo, que o use para especular onde poderá terminar tal disfunção doutrinal da Verdade Revelada; asseguro que a conclusão não será boa.

Pois que tais descalabros sirvam para acordar a Igreja Católica da bebedeira apóstata de Bergoglio – este que se diz Papa – e não mais deixe seus templos sem ninguém a atender os fiéis. Sim, já que o estado atual é uma faca de dois gumes: eu, particularmente, quase não vou às missas e prefiro frequentar a Igreja em dias e horários normais – algo como uma terça-feira, três horas da tarde. Nestes momentos sei que estou só, eu e Deus, e isso me parece bom e necessário para a introspecção exigida pela fé.

Por outro lado, se alguém adentra um templo evangélico, logo é abordado – ainda na porta – por duas ou mais pessoas que perguntam como ele está, se precisa de algo e o convida para conhecer sua igreja e a Palavra. Isto catequiza, atrai, acolhe e, normalmente, convence. Como explicar a soberba católica em deixar seus fiéis sem, sequer, um padre de plantão na Igreja?

Ao fim e ao cabo temos, diante de nós, um problema em plena evolução. As práticas evangélicas, que ainda não chegaram com real força ao resto do mundo, podem conduzir a contradições filosóficas, disparidades teológicas ainda piores e verdadeiro cisma social, e o alerta vai enquanto ainda há tempo para a reação, tanto da Igreja Católica quanto de intelectuais que estejam verdadeiramente dispostos a contribuir com a humanidade, e não com seus próprios egos.

A forte tendencia "motivacional" expressa por alguns pastores evangélicos tem se tornado preocupante, pois rebaixam perigosamente toda a transcendência contida na verdadeira fé, e isso pode causar uma ruptura teológico-filosófica.

Este artigo, embora longo, é oferecido de boa vontade como um “insight” para aqueles que tencionem desenvolver alguma tese filosófica a respeito, esforço e boa vontade os quais serei eu sempre muito grato.



Walter Biancardine





A FALTA DOS SACRAMENTOS LEVA AO EXCESSO MORALISTA? -


Essa é uma questão profunda, que toca na relação entre prática religiosa, sacramentos e a ética moral.

No catolicismo, os sacramentos são canais da graça divina que auxiliam o fiel na busca pela santidade e no fortalecimento espiritual. Eles proporcionam um meio tangível de reconciliação com Deus (como na Confissão) e de comunhão com Cristo (como na Eucaristia). Esse sistema sacramental tende a equilibrar a vida moral, reconhecendo a fragilidade humana e oferecendo meios concretos de perdão e renovação.

No contexto evangélico, onde os sacramentos não têm o mesmo papel central e frequentemente são reduzidos a símbolos, há uma ênfase maior na relação direta e pessoal com Deus, mediada pela Bíblia e pela fé. Essa abordagem, teoricamente rica em espiritualidade, pode levar a uma moralidade mais rígida e legalista porque, sem os meios sacramentais de reconciliação e renovação, há uma tendência de buscar segurança espiritual em normas morais claras e rigorosas.

O "excesso moralista" pode surgir como uma tentativa de assegurar a própria salvação ou, mais comumente, de se distinguir do "mundo" de forma visível. Sem os sacramentos, o pecado pode ser percebido como uma falha pessoal, que exige maior vigilância e esforço humano, em vez de uma eventualidade redimida pela graça sacramental.

Por outro lado, devo reconhecer que nem todos os evangélicos são moralistas ou excessivamente rígidos. Muitos encontram equilíbrio em uma espiritualidade centrada na graça e no amor de Deus. Contudo, a ausência dos sacramentos poderá sempre criar um terreno mais propício para o moralismo excessivo, em certos contextos.

Deixo a dica para os que desejarem a ampliação do tema sob forma de tese filosófico-teológica.



Walter Biancardine



segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

SÓ MAGDALA? E JOSÉ BONIFÁCIO?

 


Em decorrência da catástrofe financeira deixada pela administração esquerdista de José Bonifácio e Magdala Furtado em Cabo Frio, o Prefeito Dr. Serginho foi obrigado a tomar medidas corajosas e duras, contando com a compreensão do povo após um anúncio, divulgado hoje.

A decretação do estado de calamidade financeira, promulgado pelo atual Prefeito, é consequência direta dos cofres raspados, interesses escusos atendidos e dívidas infindáveis relegadas ao próximo administrador. A maior preocupação do atual chefe do Executivo de Cabo Frio é manter os serviços essenciais – saúde, educação e ordenamento público – ativos e funcionando, bem como pagar os salários atrasados do funcionalismo público e inativos, comprometendo-se a jamais atrasar a folha de pagamento.

Cabe lembrar que a estranha e extemporânea candidatura de José Bonifácio – já um doente terminal – atendeu a interesses do partido PDT, que comandou a drenagem de recursos do município para enviá-los à candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República, alguém lembra? Bonifácio sempre foi um político honrado e ninguém jamais lançaria tal sombra de dúvidas sobre suas intenções, mas a força do partido se sobrepôs à Zezinho e sua doença, infelizmente.

Já a debutante política Magdala Furtado revelou-se uma completa despreparada, alçada ao cargo por conta do partido saber do pouco tempo de vida de José Bonifácio. O destino inevitável do então Prefeito e a assunção da vice ao cargo deixou a Câmara de Vereadores e seus chupins em festa, pois a mesma jamais teria força política e respaldo popular para confrontar os edis e seus interesses insaciáveis por portarias, cargos, verbas e outros “enfeites” políticos.

O que restou foram cofres arrombados, uma cordilheira de dívidas, serviços públicos entregues ao caos e povo abandonado.

Este é o preço que o cabofriense paga, em sua própria pele, por votar guiado apenas por interesses mesquinhos ou mesmo em troca de sacos de cimento e "portarias" na Prefeitura.

Que os esforços de nosso Prefeito sejam bem sucedidos, mercê de Deus.


Walter Biancardine





A FAVELIZAÇÃO MENTAL -

 


No Brasil o termo “favela” é utilizado para designar guetos, locais de construções precárias e sem nenhuma infraestrutura, com o Estado ausente e dominado por facções criminosas; habitados por pessoas de nível econômico baixo mas, ultimamente, transformado em locais de turismo para satisfazer visitantes estrangeiros, sempre em busca de animais falantes para tirar fotografias e mostrar aos amigos bem como, eventualmente, encontrarem uma “nativa” para sua cama.

A grande mídia ensinou ao brasileiro que pobreza é bom, um universo de cultura própria, sorridente e única onde a promiscuidade e safadeza imperam – sempre disfarçadas de um comportamento “sem hipocrisias burguesas” – e dominado pelo lema “quanto pior, melhor”.

Embebedados por músicas completamente pornográficas – seriam vetadas mesmo no XVídeos – e garotas mal saídas da infância, mas destras na arte de acasalar; rapazes aqui apelidados de “nóias” – drogados de maconha, cocaína e outros, desde o momento em que acordam até a hora em que um tiroteio os leva à vala – nenhuma perspectiva de trabalho honesto, pois o tráfico paga bem melhor, a Justiça brasileira os protege e a grande mídia os glamouriza: tudo isso se reflete em suas roupas, modos, maneiras, comportamentos e valores, priorizando a educação de um búfalo furioso e as boas maneiras de um chimpanzé, aliadas a moral de um crupiê de cassino. E isto é um breve resumo do que podemos chamar de “favelização mental”, que alastrou-se por todo o Brasil e reduziu 210 milhões de habitantes a botocudos tribais.

Calejado e calcinado por tal experiência – a vivo desde o longínquo ano de 1979, quando os deportados comunistas foram anistiados, voltaram ao Brasil e promoveram sua triunfante guerra cultural, que nisto resultou – observo com extrema preocupação os sintomas explícitos da mesma doença social degenerativa na Europa, causada pela invasão muçulmana e de outros povos, a qual está conseguindo impor seu viver animalesco (por maioria que atualmente são) aos nativos do continente.

Vídeos que mostram estações do Metrô (subway) na Alemanha são um claro exemplo disso: nele, hordas islâmicas superlotam a estação, gritam e urram provocando o temor dos pobres e esparsos europeus e, quando o trem chega, invadem-no tal qual os piores comboios no Paquistão, Índia e outros rincões piores.

Vencem pelo número, pelo comportamento animal, pela barbárie exalada de suas bocas escancaradas e ávidas em devorarem a carne e a alma daqueles que consideram “infiéis” e que, segundo seus preceitos, “devem morrer” – ainda que sejam os hospedeiros e provedores de seu bem estar no país.

Mas, o que poderá o europeu fazer se, na tradicionalista Grã Bretanha, a maioria governante é de origem indiana ou islâmica? O que fazer se, na Alemanha, a maioria da população encolheu-se, atrofiada de testosterona e mostrando o traseiro passivo aos árabes insaciáveis? Como reagir, se a grande mídia – o eterno Quinto Cavaleiro do Apocalipse – insiste em lavar cérebros e almas, pintando a mais bem sucedida invasão já registrada (nenhum tiro disparado) como “acolhimento aos pobres necessitados” de outros países? Como ter esperanças se o europeu, na verdade, preferiu render-se a reagir?

O que ocorre hoje, na Europa, é um acelerado processo de “favelização mental”, tal qual o que vitimou o Brasil. Em breve veremos nórdicos, escandinavos, ensaiando passos de “funk” e cantando as pornográficas letras das mesmas; ou sisudos britânicos – até então “fleugmáticos” – esfregando-se nas esquinas com arrebitada “mestiça”, de peruca vermelha. E isto degenera um povo, reduz seus horizontes, mata sua alma.

Alguém já disse que “é com a moeda que se governam os povos” e, ao que parece, desde que os amigos do norte adotaram o Euro, apenas a baixaria, crimes e estupros conseguiram, em comum.

Fujam de teatros e cinemas, desliguem rádios e TV’s e, se puderem, desliguem também a União Europeia.

Todos, sem exceção, apenas antros dos comuno-globalistas que causaram tudo isso.




Walter Biancardine



sábado, 4 de janeiro de 2025

A PSIQUE CONSPIRA -


Tão inevitável quanto a morte ou o imposto de renda são os pensamentos sabotadores que, com frequência irritante, povoam minha cabeça. Aos meus olhos assim não os são, mas desta maneira os classifico para dar um ar de leveza e humor aos queixumes que insisto em redigir.

É algo compulsivo: e se eu tiver feito tudo errado? E se estou prejudicando quem nada tem a ver com isso? E se me vendi por um sonho? E se sou uma farsa?

Não há quem me critique com mais ferocidade do que eu mesmo, e se mais dúvidas desabonadoras aqui não posto, deve-se à simples vergonha da amplitude do mal que em mim encontro e que tanto prejudica a terceiros.

Nestes momentos o impulso covarde da fuga domina: não há melhor maneira de resolver dúvidas, aborrecimentos e decepções do que, simplesmente, abandonar tudo e sumir no mundo.

Pana mim não seria difícil, já que não guardo mais sonhos. Não tenho nenhum plano, nenhum projeto - mesmo meus livros inacabados os considero irrelevantes, dada a pífia vendagem daqueles publicados e nenhum benefício aos leitores. Possuo apenas uma única ambição, que seria aguardar meus dias finais com um teto sobre a cabeça, comida na geladeira e cigarros. Nada pretensioso, apenas que - em minha situação - é pedir demais.

Esta ambição é o que ainda me prende ao personagem que me tornei. Não fosse a mesma e talvez já estivesse de volta às estradas, caminhando sem rumo nos acostamentos e dormindo onde Deus permitisse - uma vida que conheço e não mais temo.

Sinto que a vida deste personagem está com os dias contados e pouco ou nada posso fazer. Hoje, hesito entre a tentação de dormir sob um teto com comida à mesa - projeto a cada dia mais inviável - ou a saída fácil das estradas.

Se insisto em ter o teto, estarei me vendendo? Se optar em ser digno, estarei sendo covarde?

Este filme já vai muito longo, está chato, nada trouxe de bom a mim ou ao mundo e anseio logo por seu fim, que demora demais.

Se bem me conheço, creio já saber a resposta.

Eu tentei, juro que tentei.



Walter Biancardine





O QUE POSSO DAR EM TROCA?


Só nos saímos vitoriosos se combatemos algo que podemos substituir. O grande malefício de mentes como as de Karl Marx ou Auguste Comte foi criar o que chamamos de "ideologia", que combateu e venceu, substituindo, a nossa "vida que sempre tivemos".

Eles tinham algo a oferecer, ainda que fosse um sonho mentiroso e maquiado para esconder as perversidades embutidas. Nos acenaram com um novo mundo, toda uma nova geração repleta de paz, amor, justiça, compaixão com os pobres e uma liberdade de sonhos enquanto nós, “retrógrados reacionários”, nos agarrávamos à "vida que sempre tivemos".

Agora que conhecemos o engôdo, que percebemos se tratar apenas de mera vigarice para a imposição de ditaduras opressoras, como combatê-la? O que temos para oferecer, em seu lugar? Apenas "a vida que sempre tivemos"?

Sim, e deveria ser o suficiente – mas a psique humana não a aceita. A recusa deve-se ao fato de não possuir uma "embalagem" palpável, com promessas e sonhos futuros, um messianismo ideológico a empolgar multidões – não há como oferecer sonhos vindouros vivendo "a vida que sempre tivemos", tal proposta cheira a mediocridade e conformismo.

Este é o grande dilema e fator de dificuldade do conservadorismo: não ser uma ideologia, por mais que o grande filósofo brasileiro Olavo de Carvalho e outros assim o considerem. Se nada oferece, nada promete, não a será.

Pior: inúmeras gerações foram criadas no caldo de cultura ideológico – revolucionário, e tais formações de pensamento não serão apagadas pela simples substituição de uma conjuntura política por outra, elas persistirão e serão transmitidas às gerações vindouras por um prazo incalculável. Trocar conjunturas políticas não é a garantia de trocar pensamentos.

É fácil concluir que a criação das ideologias decretou o fim da sociedade humana, pelos demônios que despertou e por oferecer promessas que a obstinação em “viver como sempre” jamais trará.

Homens como Karl Marx e Auguste Comte prestaram-se ao papel de verdadeiros "emissários do diabo", ao plantarem as sementes da destruição do convívio humano saudável.

Havemos de aguardar o surgimento de um filósofo que formate o conservadorismo aos moldes de uma ideologia, oferecendo vantagens e promessas como as demais – e que me perdoem os puristas mas, sem uma boa embalagem, não chegaremos a lugar algum – para que tentemos uma cura.

Olavo de Carvalho, prudente, jamais aceitou tal tarefa.

Walter Biancardine



quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

RUMINANDO REMINISCÊNCIAS -


Embora a Região dos Lagos esteja completamente entupida de "vítimas da crise", resolvi dar uma volta a pé pela praia em frente à minha casa - sempre deserta já que é bravia e mortal, verdadeira devoradora de almas e, sequer, apropriada para descer ondas.

Tal caminhada é um hábito que aprendi ainda durante a vida de náufrago na roça, que impunha inacreditável solidão mas, em contrapartida, oferecia a liberdade de vagar falando sozinho, tal qual perfeito maluco, em derivações existenciais e filosóficas.

Neste passeio lembrei-me de um antigo sonho lamentoso, no qual imaginava eu que seria o que aconteceria no momento em que pudesse, finalmente, ir embora daqueles pastos e voltar a uma vida normal. Tal sonho - misto de lembrança e esperança - envolvia meu pai e minha mãe, somado a um enorme carro americano (típico dele) estacionado em uma picada no mato.

Em um fim de tarde, já cansados de caminhar, minha mãe seguraria-me pelas mãos e perguntaria ao meu pai se poderiamos ir embora. A resposta, bem ao tom de voz do velho: " - É, vamos embora. Vamos pra casa, tomar um café", dizia ele, já abrindo a porta do carro. E ao chegarmos em casa - sem nenhuma lógica, pois tratava-se apenas de um sonho - abriamos a porta e o cheiro de café, recém feito, invadia nossos narizes e nos dava a saudosa sensação de acolhimento e segurança.

Onde quero chegar, com tudo isso?

No dia em que finalmente pude deixar a casinha (minha eterna gratidão a Alair Corrêa), estacionei o carro na mesma picada de mato que, meses antes, derivava eu que estaria o automóvel de meu pai. Acendi um cigarro, abri a porta do carro e disse para mim mesmo: " - É, vamos embora. Vamos tomar um café."

Sim, foi premeditado. Sim, encarei como um sonho quase realizado. Não, não sou maluco, pois ao chegar em casa não havia o cheiro quente do café fresco. Aliás, nem café nem ninguém.

Mas agradeci a Deus do mesmo jeito, quase em lágrimas por ter Ele me concedido um sonho.

Pena não ter meus pais vivos para vê-lo.



Walter Biancardine



quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

FONTES, FONTES, FONTES...


Um jornalista, quando em plena atividade, serve-se de "fontes" para coletar informações sobre os assuntos que eventualmente esteja tratando. Mesmo eu, afastado de redações há 20 anos, ainda tenho algumas e - acreditem - alguns respingos e fofocas sempre chegam.


Desta vez, infelizmente, o que me trouxeram não foi nada agradável, pois atingia-me pessoalmente. Enfim, era já informação um tanto antiga e que, amanhã, se completará uma semana do ocorrido.

Santa e bendita ignorância, que nos protege da tentação de julgar os mais próximos - dos quais poderia eu ter já sabido do fato quando se deu - principalmente pelos mesmos saberem das circunstâncias envolvidas e temerem mexer em um vespeiro. Não, não posso e nem devo julgá-los.

Infeliz profissão, que nos impele a saber de tudo mesmo que ninguém nos conte.

E tristes dias, onde a antiga e protetora floresta definha, deixando apenas a paisagem árida da velhice.

Aproveite tudo o que tem, enquanto tem.



Walter Biancardine



ANO NOVO, VIDA... NOVA?


Famílias desavisadas que assistiram a virada de ano pela Rede Globo de Televisão certamente tomaram um susto e, às carreiras, tiveram de tirar as crianças da sala e desligar os aparelhos de surdez (Centro Auditivo Telex, lembra?) dos avós - mas jamais mudar de canal ou desligar a TV. Isso não porque, no fundo, já se degeneraram também.

Nos maravilhosos aparelhos de 258 polegadas, pendurados em uma saleta de 2,50X2,50, assistiram a galinha Anitta cantar sua última música - verdadeira e parnasiana poesia - na qual exaltava a própria vida que diz levar: "sento numa p*ca 'desse tamanho', mando em todo mundo, sou tua chefe, faço o que quero". E isso era integralmente transmitido, ao vivo, pela maior rede de televisão do país, comandada pelos irmãos Marinho.

Após tão doce e suave poema, corte rápido para a queima de fogos em Copacabana: fumaça, fumaça e mais fumaça, tal e qual vexame ocorrido há alguns anos, enquanto comentaristas mentirosos - mas bem pagos - fingiam maravilhar-se "diante de tanta beleza". 

Hoje, no rescaldo do incêndio - digo, Reveillon - ainda é divulgada a notícia de ambulâncias, estacionadas no local da festividade, sendo rebocadas por servirem de "armazém" para guardar bebidas, vendidas pelos barraqueiros e ambulantes do local. Lindo.

Não foram divulgados os números de celulares, cordões, jóias, carteiras e relógios roubados, até por que a dízima periódica não é o forte do leitor de jornais no Brasil.

Finalizando, ainda ecoa por todo o país os tambores macumbeiros disfarçados de "batidão", na infinidade de funks ouvidos ad nauseam e com letras mais apropriadas para um XVídeos que para casas de gente sã.

Impossível assistir tudo isso e não lembrar da Missa Solene da Santa Mãe de Deus - Missa de Ano Novo para a macacada - onde, na mesma, era anunciado o Ano do Jubileu focado no perdão: "Peregrinos da Esperança", lascou Bergoglio.

Este mesmo portenho - antítese de Millei - ainda se vale da grande mídia mundial para fazer discursos contra o aborto. Louvável, mas sua fala é um remédio para a febre e não contra o mal que a causa.

E qual é a origem desta patologia social, que termina em abortos, promiscuidade, drogas, abandono e mortes? A grande mídia, a cultura de massa - esta mesma que Bergoglio se vale para divulgar suas intenções solertes de transformar a Santa Madre Igreja Católica em uma "religião universal e globalista", um chicote "divino" a manter o povo domesticado, passivo, no cabresto.

A grande mídia e a cultura de massa é o casal que gerou os filhos do inferno: músicas devassas, filmes promíscuos, livros aliciadores - um universo de bordel a nos rodear, 24 horas por dia, com suas mensagens de dissolução. E pariu galinhas como Anitta, também.

Tal dupla perfaz o Quinto Cavaleiro do Apocalipse, a destruir mentes e espíritos de toda a população global e terminando, em última análise, na gravidez indesejada e no aborto condenado por Bergoglio - que sequer uma vírgula usa para condená-la, já que dela depende para seus intentos apóstatas.

Da galinha Anitta a Bergoglio - que diz-se Papa - passando por funks "proibidões", cerveja ocupando o lugar de feridos em ambulâncias e espetáculos pífios que servem apenas ao crime e ao tráfico de drogas, tudo isso esteve presente em nossas telas nesta virada de ano.

O que poderia este autor dizer? Apenas desejo que a galinha Anitta encontre bilaus cada vez maiores, até que precise socorrer-se - de preferencia no SUS - para fazer "suturas", digamos. 

Também espero que Bergoglio termine por conseguir unicamente um novo cisma, onde ele e seus bispos/cardeais lacradores abençoem todas as abominações do mundo, enquanto os verdadeiros católicos sigam o preconizado por Santo Tomás de Aquino e dêem uma banana para tal cucaracha, servindo à verdadeira, Santa e única Igreja Católica.

E, para finalizar, faço votos que as emissoras de TV e suas coligadas - gravadoras de música e editoras de livros lacradores - decretem a inevitável falência, sequer sobrevivendo mesmo após prestarem o atual e humilhante papel de "subsidiárias estatais", fabricantes de "releases" governamentais - sem fibra, sem honra, sem culhões: que a paz dos pântanos os encubra.

Esta foi, ao meu ver, a virada do ano.

Um novo ano com nada de novo.



Walter Biancardine 




terça-feira, 31 de dezembro de 2024

31 DE JANEIRO DE 2024: O SOFRIMENTO ACABOU?


Parece que 2024, ao menos aqui na região, quis se despedir com sol - sol não, um maçarico bico 8 na vertical, torrando tudo e todos que ousem se expor.

Se ontem relatei, com raiva, o festival de gente atafulhando-se nas estradas, chafurdando no barro, bebendo cerveja até azedar e ouvindo pancadões, hoje meu desgosto atingiu o paroxismo: sim, o verão faz o brasileiro entrar no cio e o sol propicia a busca de semelhantes para acasalar.

Mas o desejo procriatório de tais espécies me irrita? Não exatamente, o que me tira do sério são seus rituais e danças de acasalamento.

"Senta, senta, senta, senta, senta" repetidos, como inspirado refrão, 948 vezes ao longo da música - minto, dos guinchos gravados que clamam por fêmeas - acompanhados sempre de um baixo sintético, cuja potência nos sons graves sempre desmonta peças e partes da lataria dos carros nos quais são instalados, e tocados em um volume que julgo ser possível ouví-los de Piracicaba - SP, isso sim é o que me irrita.

Mas está sol, é virada de ano e não só jovens nóias dedicam-se à busca do acasalamento: circunspectos adultos - em seus eternos uniformes de bermudas cargo, camisa sem mangas e sandálias Havaianas - também se dedicam, discretamente, a sacudirem suas enormes barrigas e insinuarem que "estão na pista pra negócio". Por óbvio que tais "amadurecidos" anseiam por uma "novinha", que os faça abandonar seu casamento de 20 anos, comprar um carro novo (velho), óculos escuros, correntes prateadas e desfilar nas melhores ruas de chão das redondezas exibindo a ambos - a novinha e os velhinhos (carro e motorista).

É tiro e queda, pois em questão de minutos - principalmente se um nóia der sobregiro em sua potente CG125 e fizer o escape dar tiros - legiões de periguetes se aproximarão, na intenção de escolherem quem de pior puderem encontrar. Sim, sempre o pior, ou não terão como engravidar, fazer os pais construírem um puxadinho pra ela, o nóia meter o pé no mundo e ela poder viver sozinha e sair quando quiser, dando pra quem quiser. Ah, claro: as pensões alimentícias se acumulam e ajudam muito no orçamento. Aliás, são o único orçamento.

Tais rituais de acasalamento, sempre aumentados no verão e carnaval, são reproduzidos desde a grande mutação genética do brasileiro, ocorrida em meados da virada dos anos 70 para os 80, do século passado, quando o cromossomo VNC (Vergonha Na Cara) evoluiu para as variantes TNA (Tô Nem Aí) e QSF (Que Se F*), dando origem a toda essa nova espécie.

É certo que a mutação não se deu, ainda, por completo pois muitos pais e mães de família ainda votam em Bolsonaro, aplaudem o mito, frequentam até mesmo igrejas e anseiam por um Lula na cadeia.

Mas sempre terão uma filha, galinha e grávida, a exigir o tal puxadinho e um filho nóia, que trabalha no nobre ofício de "vapor", para "aqueles minino" alí de baixo.

Assim, o Brasil cumpre sua sina de deixar entrar e sair os anos, sem que nada mude ou melhore na qualidade da população que o habita. O país pode até mudar, mas o povo, jamais.

Não perca tempo desejando entregar um mundo melhor para seus filhos.

Crie vergonha na cara e entregue filhos melhores ao mundo.



Walter Biancardine



segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

CRISE? DÓLAR A R$6,50? DITADURA? E DAÍ? EU QUERO É BEBER, ACASALAR E REBOLAR!


Hoje, 30 de dezembro de 2024, cometi a imprudência de ir a um mercado comprar algumas pequenas coisas que me faltavam, para que eu possa ilhar-me em casa e dela só sair lá pelo dia 2 ou 3 de janeiro.

Moro agora em Unamar, 2º distrito de Cabo Frio e a poucos passos da rodovia que liga Macaé e Rio das Ostras ao município de São Pedro da Aldeia, servindo como artéria para quem segue em direção a Cabo Frio, Armação dos Búzios e Arraial do Cabo.

Resumindo a mixórdia: estrada engarrafada em ambos os sentidos, tráfego alucinante de desesperados, gargalhando ao som ensurdecedor de pancadões e famílias de 83 membros atulhados em bólidos como Monzas, Escorts, Fiat Uno e outros, com as malas e bagageiros abarrotados de isopores, sacos de gelo e incontáveis engradados de cerveja.

A rua que margeia a estrada não tem calçamento. Para fugir do engarrafamento, viajantes adentram a mesma e, juntos com os moradores locais, fazem verdadeiro rally pelos enormes buracos - buracos não, crateras - inundados de lama, caminho este que mal permite o trânsito de pessoas a pé, acreditem.

E pus-me a imaginar: por quê diabos meus vizinhos locais não se unem e intimam os vereadores, sob pena de não mais pagarem IPTU, que calcem a rua lateral? Mas imediatamente veio-me à lembrança o meu próprio contrato de aluguel: "não paga IPTU". E entendi que preferem trafegar no pantanal a pagar qualquer coisa.

Sim, pois "a situação está horrível" e "ninguém tem dinheiro pra nada", gemem ao alegar. Mas impossível é aceitar tais argumentos quando olho a rodovia e a vejo completamente paralisada, entupida de automóveis de turistas, que vieram fazer seu passeio de fim de ano e tirar muitas fotos para o Instagram e Facebook, só pra matar os amigos de inveja e mostrarem como são "ricos e felizes".

É um tiro n'água dizer "fazuéli!" e o governo, sempre ladrão e ditatorial, sabe muito bem que ainda pode nos espremer mais, muito mais.

Enquanto as estradas se entupirem nos feriados, finais de ano e carnavais, os sanguessugas federais terão a garantia de que ainda há muita gordura a se extrair desse povo.

Enquanto os bares estiverem lotados de beberrões, com mesas repletas de cascos de cerveja Glacial e rindo desesperadamente, ainda haverá muito sangue a se chupar.

Enquanto pais de família acharem vantagem não pagar IPTU - ainda que sua mulher e filhos andem na lama - para comprarem cerveja, fazerem churrasco, embebedarem-se e fingirem que acasalam, o Brasil será sempre a mesma imensa e eterna favela, pontilhada de minúsculas ilhas de civilização.

Enquanto o brasileiro não evoluir à condição de homo sapiens e constituir uma civilização, nosso destino será - literalmente - a lama.

Não reclame do 2025 que virá. Eles sabem que ainda há muito o que tirar de nós.


Walter Biancardine



domingo, 29 de dezembro de 2024

A ROTINA DO BRILHO -


Todo aquele que trabalha ou pratica atividades sujeitas ao julgamento do público já se deu conta - e cuidadosamente "esqueceu" de comentar - que é impossível ser "brilhante" todos os dias.

Artistas, escritores, atletas ou mesmo advogados (submetidos à julgamentos muito mais fatais) sabem perfeitamente quando apresentam um desempenho fantástico, que arranque aplausos de admiração, e quando arrastam-se em meio à mediocridade de ideias, cabeça vazia e árida de inspiração. Sim, naquele dia específico, o cidadão "não estava bem" e ponto, assim é a vida.

O problema é a avaliação e cobrança daqueles que nos assistem ou mesmo lêem: é uma cobrança, ao fim das contas, até justa pois vendemo-nos como um "produto para consumo", e o comprador não aceita pagar mais por menos.

O tempo de labuta e a experiência, entretanto, acabam por nos fornecer algumas saídas - gambiarras, é a verdade - das quais podemos nos valer, em tais e secos momentos.

No meu caso, como escritor, jornalista e aprendiz estagiário "trainee" na filosofia, também desenvolvi meus próprios macetes: em tais dias, busco textos antigos e os refaço ou mesmo misturo dois ou mais artigos pretéritos; recorto trechos dos mesmos e os compilo em forma de "reflexões" e rezo para que ninguém note aquilo que eu mesmo considero quase uma fraude - nada pior que um elevado padrão de qualidade, auto-imposto.

Mas é quando adentro na seara filosófica que a coisa se torna pior pois, para mim, o filosofar é quase oriundo de uma "inspiração"; como se fosse eu um poeta e vagasse em busca das musas, que me elevariam às alturas necessárias para a composição de minhas - no caso - teses.

Aprendi, com meu professor Olavo de Carvalho, a filosofar para minha própria salvação e sobrevivência. Mas, a bem da verdade, não são todos os dias que estou disposto a salvar-me. Assim, posso assumir a obrigação de escrever artigos e crônicas diárias e, neles, me sairei melhor ou pior segundo as vicissitudes que já mencionei.

Mas, para este pobre e porco aprendiz de filósofo, não há como filosofar 365 dias por ano. Nem mesmo pela salvação de meu espírito e psique - e talvez, por isso, eu seja o que sou.

Esta confissão profissional é uma dívida que tento pagar aos meus escassos leitores que, certamente, já se deram conta da montanha-russa contida na qualidade de meus escritos.

Com tal obrigação moral cumprida, sinto-me mais à vontade para seguir em frente, pedindo a Deus - e às musas também - que iluminem as trevas que em mim habitam, para continuar produzindo artigos e teses - vá lá - que sejam úteis e acrescentem alguma coisa aos caridosos que ainda gastam seu tempo comigo.

Um feliz e inspirado 2025 para todos nós!



Walter Biancardine




sábado, 28 de dezembro de 2024

COMO FOI SEU 2024? COMO SERÁ SEU 2025?


Livre arbítrio é tudo aquilo que planejamos, prometemos ou idealizamos, principalmente nestas vésperas de Révéillon: novo emprego, dietas, novos amores e por aí vai.

Nos sentimos poderosos, donos de nossos próprios narizes, firmes e determinados no novo ano que inicia - mas, por via das dúvidas, pulamos sete ondas, usamos branco ou amarelo e pedimos a Deus que tudo se realize. E isto configura nosso livre arbítrio e o novo 2025.

Determinismo - o velho e cruel destino - encarna-se, nestes dias, no terrível 2024 que passamos. Sonhos e casamentos desfeitos, empregos perdidos, saldos bancários hemorrágicos e toda uma série de desgraças que, conformados, suspiramos: "era o destino, mesmo".

Do triunfante livre arbítrio ao desconsolado determinismo, onde ficamos? O quê escolhemos?

Pedir a Deus um bom novo ano? Mas não temos livre arbítrio?

Esconjurar um 2024 maldito, cuja força do destino sobrepujou nossas mais fervorosas orações?

E nossas vitórias no ano que agora finda? Não temos mérito? Foi apenas o destino?

O que escolher? Deus, livre arbítrio, determinismo ou os três juntos?

Pois esta é a maior "pegadinha" filosófica já lançada, e que incontáveis pensadores insistem em cair.

Como a mesma não tem solução lógica, tranque-se no banheiro e reflita quando puder.



Walter Biancardine



sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

DESAFIOS QUE SE IMPÕEM -


O prefeito eleito Dr. Serginho tem, diante de si, verdadeira sucata que é a cidade de Cabo Frio, corroída por anos de administração esquerdista e populista, mais focada em obtenção de proveitos próprios e na manutenção de eleitores, encabrestados por sacos de cimento, telhas, bujões de gás e - para os mais ativos - portarias municipais.

À parte a imensa tarefa que se descortina diante do futuro mandatário, penso sempre haver lugar para a lembrança de alguns pontos básicos, os quais são os verdadeiros pilares da criação de empregos, arrecadação farta e mudança da já citada "mentalidade de cabresto", por parte de alguns cidadãos.

Áreas como o turismo podem e devem ser completamente reformuladas: por mais cruel que possa parecer, o antigo ditado "trabalhar para patrão pobre é pedir esmolas para dois" é verdadeiro e, neste setor, se aplica à perfeição.

De nada valem hordas de ônibus de excursão - populares "farofeiros", os quais tem os mesmos direitos de passear que todos os demais - se não promovemos, criamos ou incentivamos eventos que tragam visitantes de alto poder aquisitivo, que não terão comedimento em gastar seu dinheiro por toda a cidade - assim fez Armação dos Búzios e se deu muito bem.

Campeonatos de pesca submarina, regatas (temos uma das melhores raias do mundo), criação de campos de pouso para ultraleves, feiras literárias aos moldes da FLIP de Paraty ou até festivais de jazz podem trazer gastadores de dinheiro que gerarão empregos e polpuda arrecadação, para o município.

Paralelo a isso, é preciso mudar urgentemente o triste resultado mental de décadas de coronelismo esquerdista por sobre nossas finas e brancas areias.

A criação de institutos municipais de complemento e formação estudantil para adolescentes do ensino médio é vital: nestes locais, através de PPP (Parceria Público-Privada) serão ministradas noções - à profundidade possível - de filosofia, conhecimento básico dos fundamentos teológicos cristãos além de aulas de economia doméstica e metodologias de preparo para inserção do jovem no mercado de trabalho.

Regras básicas de etiqueta (a sempre necessária "boa educação"), compreensão do comportamento do indivíduo na sociedade e suas consequências bem como até mesmo noções de como trajar-se em locais públicos - sim, infelizmente chegamos a isso - podem ser administradas.

Coroando tudo isso, uma parte essencial: preparo acadêmico para o ENEM, que atenderá milhares de estudantes não apenas de Cabo Frio mas, também, de locais vizinhos.

Por óbvio o Prefeito Serginho tem, diante de si, tarefa hercúlea a ser realizada mas penso que, de maneira alguma, tais pilares básicos na criação de cidadãos melhores, trabalhadores e responsáveis pode ser relegada.

Fica aqui a sugestão e meus melhores votos ao nosso novo e conservador Prefeito, Dr. Serginho.


Walter Biancardine



quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

OVO MANDA, FARDA BAIXA AS CALÇAS -


O cúmulo do ridículo aconteceu: Voldemort deu 48 horas para que o Exército - sim, a corporação - explique por quê os militares, presos pela fraude do suposto golpe do 8 de janeiro, estão recebendo visitas diárias em suas celas.

Esta é a paga de quem se prostitui, recebendo a recompensa em seu próprio corpo tal qual a Bíblia nos ensina.

Um Alto Comando desfibrado, carreirista e frouxo, afeminado pelo positivismo desde os tempos do Império - por isso o derrubou - e prostituído pelas cintas-liga e espartilhos do comunismo globalista, nada mais merece além de tal humilhação.

O pagamento do michê - fazer vistas grossas, ouvidos moucos e praticar o carreirismo o mais cínico possível - é, agora, sofrer que um psicopata siderado pelo poder atropele até mesmo a Justiça Militar - única instituição com poder de julgar e condenar militares - e imponha seus caprichos, para que a farda rosa-oliva os cumpra passiva e gostosamente, entre gemidos e imprecações de lascívia.

Lamento pela corporação, pelos praças e oficiais: tal destino humilhante não mereciam. Mas gargalho descontroladamente, em pleno extase de deboche, diante do ridículo, pútrido e feminil Alto Comando, que não perde uma única oportunidade de sofrer um vexame.

A ditadura de toga - agora ladeada pelo 9 dedos, que invadiu prerrogativas do Legislativo de todos os Estados brasileiros e restringiu as armas dos policiais - brevemente extinguirá as Forças Armadas, substituídas que serão pela tão sonhada "Guarda Nacional Bolivariana", a guarda pessoal da Corte, sem nenhum treinamento mas totalmente dementizados pela doutrinação esquerdista. E eles matarão dissidentes com muito maior desenvoltura que qualquer policial diante de um traficante.

O calendário é óbvio, e antes do final do ano de 2025 Bolsonaro será preso, já que em hipótese alguma poderá atuar como cabo eleitoral de quem seja.

Houve tempos em que torci por uma intervenção militar. Hoje, conhecendo o teor de tal Alto Comando pó de arroz, dou graças à Deus que não tenha havido.

E que os excelentíssimos generais, com seus peitinhos cravejados de medalhas e condecorações, cumpram seu dever ficando de quatro para o psicopata de toga.

Não vai doer nada, os senhores já estão acostumados.


Walter Biancardine



quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

Quem Papai Noel trará?


UM FELIZ NATAL A TODOS!!!

(Santa bring my baby back to me - Elvis Presley)

EVENTOS DE NATAL E DECISÕES DE ANO NOVO -


Os finais de ano são épocas péssimas para mim. Há sempre um arrependimento, dívidas morais insolvíveis, mal-entendidos que assim permanecerão e até amizades e amores perdidos, os quais nem mesmo novenas trarão de volta – ou nos farão desejar que voltem.

Para piorar, a alegria automática de vizinhos – acionada a cada feriado ou data comemorativa – me entope olhos e ouvidos com sua barulhenta e vulgar gritaria; gargalhadas insofríveis e vocabulário de estivadores sempre complementarão o quadro o qual, pudesse eu, sequer veria ou escutaria.

Este ano, entretanto, foi um pouco diferente. À parte o fato de ter eu dado alguns tímidos passos adiante – realmente isso, em nada, mudaria meu péssimo estado de espírito – o que acendeu alguma luz em minhas trevas natalinas foi a aparição de graciosa senhorita, a qual não devo declinar o nome e que, visitando-me, convidou este escriba a assistir a Missa Solene de Natal, na Matriz Auxiliar de Cabo Frio.

É indiscutível o tanto que tenho a agradecer a Deus, que olhou para mim através da intercessão de Sta. Therezinha de Lisieux. Confesso, entretanto, que a ideia me atraiu principalmente pela companhia que eu teria e, também, pelo fato de poder ver gente – sim, pasmem: gente.

Na Matriz divisei figuras conhecidas, como o Prefeito eleito Dr. Serginho e mesmo seu secretário de governo, Alfredo Gonçalves. Vi centenas e centenas de cabeças, enchendo as dependências da espaçosa Nave – um tanto assemelhada a um teatro, confesso – e, finalmente, me senti como parte integrante da sociedade. Sim, pude saber que havia voltado ao convívio humano normal; as pessoas me enxergavam, cumprimentavam, falavam comigo.

Conhecedora profunda da liturgia católica, minha graciosa companhia orientava o que este impenitente deveria fazer: persignar-se, ajoelhar, ficar de pé e assim por diante. E tentei balbuciar toscos agradecimentos por todo o feito em mim, suplicando que me mantenha digno de tal e tamanho perdão concedido.

Cheguei de volta a minha casa já tarde da noite mas, ainda assim, tive tempo e lucidez para tecer algumas decisões as quais, se tudo der certo, tentarei cumprir neste 2025: a primeira coisa será voltar a fazer vídeos no YouTube. Não se espantem; mesmo com 28 deles removidos, submetido a um eterno “shadow ban” e com o canal definitivamente desmonetizado, a verdade é que não posso simplesmente abdicar de uma plataforma que permite a poucos e eventuais desconhecidos acessarem o que tenho a dizer. Que sejam poucos, mas sempre serão mais alguns.

A outra decisão tomada será a firme determinação – uma promessa, que seja – de voltar a escrever os livros que deixei pela metade, acabrunhado que estava em meio a tamanha surra que levava da vida. Estou de pé, tenho um teto sobre minha cabeça, posso comer comidas normais – não mais os eternos sanduíches, único meio sem fogões ou geladeiras disponíveis – e não ando mais a pé.

E por último, mas não menos importante, devo prestar séria atenção a quem me cerca pois não estou mais sozinho. Embora a solidão faça parte de meu DNA e dela precise em muitos momentos, a rotina do deserto se foi, e é hora de apreciar quem veio ao meu encontro neste Natal.

Afinal, segundo a graciosa senhorita, ela “apenas quis me ver”.

E quem me acompanha lembrou-se do que isto quer dizer.


Walter Biancardine



terça-feira, 24 de dezembro de 2024

FELIZ NATAL E UM PRÓSPERO 1957!

 



Abundam no YouTube canais como este acima, principalmente em épocas natalinas.

Em ousados sonhos, mesclam estilos e lembranças de um passado seguro, acolhedor, com elementos futuríscos exatamente ao estilo dos antigos filmes de ficção científica dos anos 50/60.

Como não notar os enormes automóveis rabos-de-peixe? Os eletrodomésticos e utensílios de cozinha que nós, os mais velhos, assistiamos nossas mães servirem-se? A maneira de se vestir nestes vídeos, tanto de homens quanto mulheres, nos chuta violentamente ao glamour de um passado em que sonhávamos ser logo adultos e poder, finalmente, adentrar aquele fantástico mundo dos adultos.

Tais filmes nos esfregam na cara o charme, a sofisticação e a sensação de segurança e acolhimento do passado - e isso não significa riqueza, mas hábitos e pessoas decentes.

Fácil é concluir que vivemos em uma sociedade esquizofrênica, onde a grande maioria de nós anseia retornar ao "way-of-life" de anos passados, mas a grande mídia e a cultura de massa nos violentam - diuturna e incansavelmente - à promiscuidade holocáustica, suja, escura, dos escombros de uma civilização que eles, e só eles, rejeitam.

Temo a reação do leitor ao afirmar que o mundo precisa, realmente, de uma guerra - uma grande, devastadora e apocalíptica guerra que nos faça reerguer, das sobras de um mundo podre e destruído por tais tarados ideológicos, como um novo e lindo lugar para se viver, com valores e princípios regendo a vida que realmente queremos.

O ambiente nos contamina, a grande mídia e a cultura de massa dão o toque final.

Havemos, pois, que impor o que, de fato, queremos.

Tenham um bom Natal ouvindo discos em suas vitrolas, tirando os presentes das crianças da mala de seus rabos-de-peixe e presenteando suas esposas com gracioso colar de pérolas, enquanto ela ajeita sua gravata e oferece-lhe um vinho.

Tal como um dia foi.

Feliz Natal e próspero 1957!


Walter Biancardine






segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

TIC-TAC


O papel é meu melhor amigo: com ele desabafo, conto meus medos, fracassos, vitórias e até alguns planos. Nele também deposito minhas neuras, tornando-o diplomado na nobre terapêutica dos malucos sem fundos suficientes para um analista de carne e osso.

E é hora da terapia, já que a angústia pré-natalina se apossou do meu ser, fazendo com que eu deseje adiantar o relógio - bem como o calendário - para meados de janeiro, ao menos.

Não, não quero saber de sinos badalando, árvores de Natal - até porque não tenho nenhuma - renas ou mesmo presentes, que só um amigo muito oculto (tão oculto que sequer conseguiria vê-lo por perto) traria para mim.

Do mesmo modo o Ano-Novo, atualmente, me repugna: mais um ano que se vai, menos um ano que tenho de vida - comemorar o quê?

Os finais de ano se transformaram, para mim, em dolorosa expectativa de uma aniquiladora explosão de lembranças, coisas mal-resolvidas, obrigação em ser gentil e sinto-me, na verdade, como se estivesse acorrentado a frente de uma bomba-relógio, que tudo destruirá na sequência de três detonações fatais: Natal, Ano Novo e aniversário - e eis a tríade do terror.

Desejo a todos um Feliz Natal e próspero Ano Novo, mas não os quero. Na realidade, sequer desejo o verão - a sempre suarenta e superpovoada estação de alucinados, cumprindo suas obrigações de gritarem e mostrarem ao mundo como são felizes e ricos.

O que quero é a paz do inverno, e seu frio que acorda minha alma.

Cobertores, café quente e livros são coisas que só podem ser verdadeiramente desfrutadas à sós, e sob temperaturas glaciais.

Suar é para adolescentes, e a introspecção trazida pela solidão exige o frio.

Anseio pelas águas de março, fechando o verão.


Walter Biancardine



domingo, 22 de dezembro de 2024

KEEP ON BURNING...



"Keep boiling", they say...
"Keep on burning", they say...
I'm trying...
I swear I'm trying...
But the past turn off my fire.

Walter Biancardine



SE FECHAR OS OLHOS, O NATAL PASSA MAIS RÁPIDO?



O glorioso dia do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo tem, para minhas empedernidas lembranças de infância, somente o gosto de casa cheia, mesa farta e presentes - previamente suplicados durante o ano inteiro.

Nenhuma criança imagina-se já velho, nenhum adolescente especula como será sua ceia aos sessenta anos e todo jovem crê-se imune à solidão - eu, inclusive.

Pois eis que é chegada a hora; olho em volta e nada ou ninguém vejo. Impossibilitado momentaneamente de ver meu filho - novamente uma calamidade imperdoável - sigo derivando e relembrando os antigos natais de infância. E é aí que o bicho pega.

Refugio-me vivendo uma ceia virtual, de hologramas da memória, pois as árvores que me cercavam e davam sua sombra se foram, todas.

Natal é família; pais, filhos e netos reunidos, e nada sobrou da minha.

Natal é hora de rever amigos, brindar com eles e não tenho mais nenhum.

Natal é hora do suave vinho com a amada, e sou só.

Talvez fechando os olhos passe mais rápido, e eu só acorde em 2025.

Feliz Natal para quem tem o privilégio e o tormento de ter uma família - bebam um Jack Daniel's por mim!


Walter Biancardine