Homens normais são passarinhos, que cantam disfarçando a dor da prisão.
Quem olha, acha o canto belo, invejável e pensa como deve ser feliz.
Fingem amores que não sentem, riem em festas que não encontram amigos, bradam bravuras que não tem e escondem a flacidez na mentira de um passado ereto, glorioso, desses que os garotos de hoje jamais conseguiriam viver.
Não entendem o que leem, não entendem sequer o que ouvem - como poderiam entender o que veem e sofrem na pele? Apenas esbravejam, clamam, gritam uma virilidade defunta e organizam opiniões como torcidas de futebol: a favor ou contra, o resto é traíra.
Pobres homens que não pensam. Pobres homens que não ousam. Pobres homens que não enlouquecem. Que vida miserável devem levar.
O fim inevitável da lucidez é a solidão, mas ela é o único lugar onde temos uma companhia que nada precisamos explicar ou mentir: nós mesmos, pois o vazio é o lugar onde a alma mora.
Mas trocamos tudo isso por aplausos, por curtidas, pertencimento, inclusão, reconhecimento. Tudo em nossa vida é externo, agrega-se valor como se coloca acessórios em um carro, esquecendo que o motor é o mesmo e ele não vai correr mais por isso.
Mas só queremos o aplauso, porque nossa alma já nos trata - há anos - com profunda indiferença.
Sim, nós matamos nossa alma.
Por isso não entendemos um simples texto.
Walter Biancardine

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