terça-feira, 13 de janeiro de 2026

MEUS UÍSQUES COM BUKOWSKI -


Não se bebe para esquecer, mas para suportar lembrar.

Um bom uísque destila a hipocrisia, dissolve as máscaras e deixa o homem nu, diante de si mesmo. E isso causa dor.

A dor é o idioma da verdade. Ela fala baixo, mas quem a escuta, desperta. E quem desperta, nunca mais volta a dormir.

Quem não dorme vê que o trabalho é o disfarce da escravidão - não a do corpo, mas a da mente.
É a prisão invisível que transforma o homem em engrenagem: quanto mais ele trabalha, mais pobre se torna de si mesmo.

São rostos em ônibus, olhares vazios nas ruas, conversas bestas sobre o tempo ou salário. E quem não dorme sabe que a rotina é a assassina da alma. O tédio é mortal, mata homens e mulheres, e a rotina é a morte lenta e inexorável.

Todo dia é igual, todo sonho é adiado, toda alegria é parcelada - e ninguém percebe, porque o mundo chama isso de "normalidade".

O trabalho é necessário, mas a necessidade - tal como o medo - é uma grande forma de controle. Quem tem medo de perder o emprego obedece, quem depende do salário se cala, e quem cala se esquece quem é - e até quem já foi.

Você, útil cidadão, tem seu trabalho como religião. Chefes são sacerdotes, metas são dogmas e a exaustão, penitência. Só que, ao contrário das igrejas, esta religião não promete salvação.

Desde crianç
a você é treinado para obedecer, estudar, produzir e consumir. É um ciclo sem significado, sustentado por medo e culpa.
Você aprende, te dão um emprego e chamam isso de "vida".

E você fica ocupado demais para pensar. Se você der tempo a um homem para pensar, ele vai perceber que está sendo enganado. E essa é a tragédia moderna: todos estão ocupados, mas ninguém está vivo.

O homem nasce selvagem, mas morre domesticado.


Walter Biancardine

(Baseado em produção do canal Mente Filosófica)






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