Concordo com Bukowski: a literatura é o último refúgio dos que não se encaixam. Por isso ela é minha analista. Os teclados são meu divã e as histórias, a terapia.
O conteúdo delas é o melhor diagnóstico que posso pagar.
Não gosto de rótulos. Se me acham conservador, se deve ao resto de normalidade que tenho. Mas nem em tudo concordo. Aliás, uma boa parte discordo. E pior fica quando vejo alguns "conservadores" - os "sepulcros caiados" que Jesus Cristo falou: se fantasiam de fariseus e vestem virtudes como roupas, pregando uma moral que nunca seguiram.
Mas a rebeldia é necessária, o sistema é um mal. Um mal desnecessário.
Foi uma alegria que vi uma tarde, voltando do trabalho em um ônibus lotado, um garoto de uns 18 a 20 anos sentado e lendo um livro. Sim, ao invés de um celular, ele lia um livro. O título seria, por si, um meme naquela situação: "Como Deixar de Ser Pobre".
Eu poderia ter escrito aquilo, se acreditasse mesmo que o sucesso tudo resolve.
Mas o lado bom é que ele lia. Poderia estar lendo algo meu, um "Pretérito Perfeito" mostrando que os "anos dourados" não foram tão dourados assim. Mas é um progresso, é uma esperança. Se a juventude lê - ainda que buscando bolsos cheios - isso é rebeldia e pode trazer alguma curiosidade sobre outras coisas, até romances ou histórias tortas como as minhas.
O resumo é um cara como eu, 62 anos e em pé no ônibus, feliz por ver um garoto lendo. Este mesmo velho do ônibus também nada mais quer, desse mundo maravilhoso da NetFlix e do Instagram. Aliás, não sei dizer se um dia quis isso por inteiro.
Tudo o que desejo é uma casinha na roça, minha onça pantaneira ao meu lado me aquecendo no clima frio e tempo de vida para escrever tudo o que quero.
Só isso. Uma casinha, meus discos, meus livros e nada mais.
Nos dias de hoje, isso é pura rebeldia.
Walter Biancardine

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