quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

OVO MANDA, FARDA BAIXA AS CALÇAS -


O cúmulo do ridículo aconteceu: Voldemort deu 48 horas para que o Exército - sim, a corporação - explique por quê os militares, presos pela fraude do suposto golpe do 8 de janeiro, estão recebendo visitas diárias em suas celas.

Esta é a paga de quem se prostitui, recebendo a recompensa em seu próprio corpo tal qual a Bíblia nos ensina.

Um Alto Comando desfibrado, carreirista e frouxo, afeminado pelo positivismo desde os tempos do Império - por isso o derrubou - e prostituído pelas cintas-liga e espartilhos do comunismo globalista, nada mais merece além de tal humilhação.

O pagamento do michê - fazer vistas grossas, ouvidos moucos e praticar o carreirismo o mais cínico possível - é, agora, sofrer que um psicopata siderado pelo poder atropele até mesmo a Justiça Militar - única instituição com poder de julgar e condenar militares - e imponha seus caprichos, para que a farda rosa-oliva os cumpra passiva e gostosamente, entre gemidos e imprecações de lascívia.

Lamento pela corporação, pelos praças e oficiais: tal destino humilhante não mereciam. Mas gargalho descontroladamente, em pleno extase de deboche, diante do ridículo, pútrido e feminil Alto Comando, que não perde uma única oportunidade de sofrer um vexame.

A ditadura de toga - agora ladeada pelo 9 dedos, que invadiu prerrogativas do Legislativo de todos os Estados brasileiros e restringiu as armas dos policiais - brevemente extinguirá as Forças Armadas, substituídas que serão pela tão sonhada "Guarda Nacional Bolivariana", a guarda pessoal da Corte, sem nenhum treinamento mas totalmente dementizados pela doutrinação esquerdista. E eles matarão dissidentes com muito maior desenvoltura que qualquer policial diante de um traficante.

O calendário é óbvio, e antes do final do ano de 2025 Bolsonaro será preso, já que em hipótese alguma poderá atuar como cabo eleitoral de quem seja.

Houve tempos em que torci por uma intervenção militar. Hoje, conhecendo o teor de tal Alto Comando pó de arroz, dou graças à Deus que não tenha havido.

E que os excelentíssimos generais, com seus peitinhos cravejados de medalhas e condecorações, cumpram seu dever ficando de quatro para o psicopata de toga.

Não vai doer nada, os senhores já estão acostumados.


Walter Biancardine



quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

Quem Papai Noel trará?


UM FELIZ NATAL A TODOS!!!

(Santa bring my baby back to me - Elvis Presley)

EVENTOS DE NATAL E DECISÕES DE ANO NOVO -


Os finais de ano são épocas péssimas para mim. Há sempre um arrependimento, dívidas morais insolvíveis, mal-entendidos que assim permanecerão e até amizades e amores perdidos, os quais nem mesmo novenas trarão de volta – ou nos farão desejar que voltem.

Para piorar, a alegria automática de vizinhos – acionada a cada feriado ou data comemorativa – me entope olhos e ouvidos com sua barulhenta e vulgar gritaria; gargalhadas insofríveis e vocabulário de estivadores sempre complementarão o quadro o qual, pudesse eu, sequer veria ou escutaria.

Este ano, entretanto, foi um pouco diferente. À parte o fato de ter eu dado alguns tímidos passos adiante – realmente isso, em nada, mudaria meu péssimo estado de espírito – o que acendeu alguma luz em minhas trevas natalinas foi a aparição de graciosa senhorita, a qual não devo declinar o nome e que, visitando-me, convidou este escriba a assistir a Missa Solene de Natal, na Matriz Auxiliar de Cabo Frio.

É indiscutível o tanto que tenho a agradecer a Deus, que olhou para mim através da intercessão de Sta. Therezinha de Lisieux. Confesso, entretanto, que a ideia me atraiu principalmente pela companhia que eu teria e, também, pelo fato de poder ver gente – sim, pasmem: gente.

Na Matriz divisei figuras conhecidas, como o Prefeito eleito Dr. Serginho e mesmo seu secretário de governo, Alfredo Gonçalves. Vi centenas e centenas de cabeças, enchendo as dependências da espaçosa Nave – um tanto assemelhada a um teatro, confesso – e, finalmente, me senti como parte integrante da sociedade. Sim, pude saber que havia voltado ao convívio humano normal; as pessoas me enxergavam, cumprimentavam, falavam comigo.

Conhecedora profunda da liturgia católica, minha graciosa companhia orientava o que este impenitente deveria fazer: persignar-se, ajoelhar, ficar de pé e assim por diante. E tentei balbuciar toscos agradecimentos por todo o feito em mim, suplicando que me mantenha digno de tal e tamanho perdão concedido.

Cheguei de volta a minha casa já tarde da noite mas, ainda assim, tive tempo e lucidez para tecer algumas decisões as quais, se tudo der certo, tentarei cumprir neste 2025: a primeira coisa será voltar a fazer vídeos no YouTube. Não se espantem; mesmo com 28 deles removidos, submetido a um eterno “shadow ban” e com o canal definitivamente desmonetizado, a verdade é que não posso simplesmente abdicar de uma plataforma que permite a poucos e eventuais desconhecidos acessarem o que tenho a dizer. Que sejam poucos, mas sempre serão mais alguns.

A outra decisão tomada será a firme determinação – uma promessa, que seja – de voltar a escrever os livros que deixei pela metade, acabrunhado que estava em meio a tamanha surra que levava da vida. Estou de pé, tenho um teto sobre minha cabeça, posso comer comidas normais – não mais os eternos sanduíches, único meio sem fogões ou geladeiras disponíveis – e não ando mais a pé.

E por último, mas não menos importante, devo prestar séria atenção a quem me cerca pois não estou mais sozinho. Embora a solidão faça parte de meu DNA e dela precise em muitos momentos, a rotina do deserto se foi, e é hora de apreciar quem veio ao meu encontro neste Natal.

Afinal, segundo a graciosa senhorita, ela “apenas quis me ver”.

E quem me acompanha lembrou-se do que isto quer dizer.


Walter Biancardine



terça-feira, 24 de dezembro de 2024

FELIZ NATAL E UM PRÓSPERO 1957!

 



Abundam no YouTube canais como este acima, principalmente em épocas natalinas.

Em ousados sonhos, mesclam estilos e lembranças de um passado seguro, acolhedor, com elementos futuríscos exatamente ao estilo dos antigos filmes de ficção científica dos anos 50/60.

Como não notar os enormes automóveis rabos-de-peixe? Os eletrodomésticos e utensílios de cozinha que nós, os mais velhos, assistiamos nossas mães servirem-se? A maneira de se vestir nestes vídeos, tanto de homens quanto mulheres, nos chuta violentamente ao glamour de um passado em que sonhávamos ser logo adultos e poder, finalmente, adentrar aquele fantástico mundo dos adultos.

Tais filmes nos esfregam na cara o charme, a sofisticação e a sensação de segurança e acolhimento do passado - e isso não significa riqueza, mas hábitos e pessoas decentes.

Fácil é concluir que vivemos em uma sociedade esquizofrênica, onde a grande maioria de nós anseia retornar ao "way-of-life" de anos passados, mas a grande mídia e a cultura de massa nos violentam - diuturna e incansavelmente - à promiscuidade holocáustica, suja, escura, dos escombros de uma civilização que eles, e só eles, rejeitam.

Temo a reação do leitor ao afirmar que o mundo precisa, realmente, de uma guerra - uma grande, devastadora e apocalíptica guerra que nos faça reerguer, das sobras de um mundo podre e destruído por tais tarados ideológicos, como um novo e lindo lugar para se viver, com valores e princípios regendo a vida que realmente queremos.

O ambiente nos contamina, a grande mídia e a cultura de massa dão o toque final.

Havemos, pois, que impor o que, de fato, queremos.

Tenham um bom Natal ouvindo discos em suas vitrolas, tirando os presentes das crianças da mala de seus rabos-de-peixe e presenteando suas esposas com gracioso colar de pérolas, enquanto ela ajeita sua gravata e oferece-lhe um vinho.

Tal como um dia foi.

Feliz Natal e próspero 1957!


Walter Biancardine






segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

TIC-TAC


O papel é meu melhor amigo: com ele desabafo, conto meus medos, fracassos, vitórias e até alguns planos. Nele também deposito minhas neuras, tornando-o diplomado na nobre terapêutica dos malucos sem fundos suficientes para um analista de carne e osso.

E é hora da terapia, já que a angústia pré-natalina se apossou do meu ser, fazendo com que eu deseje adiantar o relógio - bem como o calendário - para meados de janeiro, ao menos.

Não, não quero saber de sinos badalando, árvores de Natal - até porque não tenho nenhuma - renas ou mesmo presentes, que só um amigo muito oculto (tão oculto que sequer conseguiria vê-lo por perto) traria para mim.

Do mesmo modo o Ano-Novo, atualmente, me repugna: mais um ano que se vai, menos um ano que tenho de vida - comemorar o quê?

Os finais de ano se transformaram, para mim, em dolorosa expectativa de uma aniquiladora explosão de lembranças, coisas mal-resolvidas, obrigação em ser gentil e sinto-me, na verdade, como se estivesse acorrentado a frente de uma bomba-relógio, que tudo destruirá na sequência de três detonações fatais: Natal, Ano Novo e aniversário - e eis a tríade do terror.

Desejo a todos um Feliz Natal e próspero Ano Novo, mas não os quero. Na realidade, sequer desejo o verão - a sempre suarenta e superpovoada estação de alucinados, cumprindo suas obrigações de gritarem e mostrarem ao mundo como são felizes e ricos.

O que quero é a paz do inverno, e seu frio que acorda minha alma.

Cobertores, café quente e livros são coisas que só podem ser verdadeiramente desfrutadas à sós, e sob temperaturas glaciais.

Suar é para adolescentes, e a introspecção trazida pela solidão exige o frio.

Anseio pelas águas de março, fechando o verão.


Walter Biancardine



domingo, 22 de dezembro de 2024

KEEP ON BURNING...



"Keep boiling", they say...
"Keep on burning", they say...
I'm trying...
I swear I'm trying...
But the past turn off my fire.

Walter Biancardine



SE FECHAR OS OLHOS, O NATAL PASSA MAIS RÁPIDO?



O glorioso dia do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo tem, para minhas empedernidas lembranças de infância, somente o gosto de casa cheia, mesa farta e presentes - previamente suplicados durante o ano inteiro.

Nenhuma criança imagina-se já velho, nenhum adolescente especula como será sua ceia aos sessenta anos e todo jovem crê-se imune à solidão - eu, inclusive.

Pois eis que é chegada a hora; olho em volta e nada ou ninguém vejo. Impossibilitado momentaneamente de ver meu filho - novamente uma calamidade imperdoável - sigo derivando e relembrando os antigos natais de infância. E é aí que o bicho pega.

Refugio-me vivendo uma ceia virtual, de hologramas da memória, pois as árvores que me cercavam e davam sua sombra se foram, todas.

Natal é família; pais, filhos e netos reunidos, e nada sobrou da minha.

Natal é hora de rever amigos, brindar com eles e não tenho mais nenhum.

Natal é hora do suave vinho com a amada, e sou só.

Talvez fechando os olhos passe mais rápido, e eu só acorde em 2025.

Feliz Natal para quem tem o privilégio e o tormento de ter uma família - bebam um Jack Daniel's por mim!


Walter Biancardine





sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

SR. PREFEITO, EU NÃO ENTENDI -


Lendo o exemplar desta semana no jornal Folha dos Lagos, me deparei com a notícia que o Prefeito eleito de Cabo Frio, Dr. Serginho, nomeou Carlos Ernesto Lopes – popular Carlão – para o cargo de futuro Secretário de Cultura do município.

Confesso que tal escolha me surpreendeu, não só pelo personagem envolvido – que, entre outras atitudes condenáveis, fundou a ridícula “Secretaria Paralela de Cultura de Cabo Frio por conta de suas contrariedades com o titular da pasta, José Luís Facury, e danou a incluir pessoas das redes sociais na página da mesma (eu, inclusive, que trabalhava na Secretaria oficial e não o autorizei a isso), bem como desferia pesadas e críticas contra a gestão da Cultura, resvalando até mesmo no então Prefeito, Alair Corrêa – o qual só não foi diretamente atingido por conta do medo.

Sem esmiuçar detalhes de suas desavenças com Facury, restrinjo meu constrangimento somente ao fato de ver uma pessoa com atitudes explicitamente subversivas – tentar depor um Secretário e fundar um órgão administrativo municipal em paralelo – ser nomeado, agora e como quase “prêmio”, para o cargo que tanto almejava.

Minto: meu constrangimento vai mais além.

Imagino a surpresa de Alair Corrêa, apoiador da candidatura do hoje quase Prefeito (questão de dias), ao saber que tal tipo de pessoa – que caluniou seus secretários, tentou mandar nas escolhas de Alair como Prefeito e ainda adotou as atitudes condenáveis descritas acima – será o novo Secretário de Cultura.

Do mesmo modo, sinto um inevitável temor que o querido Dr. Serginho – votei nele e suas convicções ideológicas são bastante semelhantes às minhas – esteja enveredando por um caminho sobejamente conhecido de nós, mais velhos, e que foi adotado pelos governos do regime militar: entregar a Cultura para a esquerda, como “válvula de escape” (busquem as teorias do Gen. Golbery do Couto e Silva, que desgraçaram nosso país).

Quero crer que nos anos das misérias realizadas pelo sr. Carlão (2013 - 2016) nosso Prefeito estivesse pouco ou nada envolvido com as miudezas da política cabofriense e, por isso, talvez não conheça este fato – mas basta perguntar ao ex-Prefeito Alair Corrêa e ele contará.

Igualmente, jovem e cheio de forças, nosso Prefeito provavelmente não era nascido nos anos mais pesados do regime militar e, certamente, desconhece o verdadeiro suicídio patriótico que generais medrosos e positivistas infligiram ao Brasil, ao entregar o ensino, as artes e a cultura nas mãos de comunistas impiedosos – e que resultaram no Brasil lacrador de hoje.

Tenho certeza das boas intenções de Serginho e não o deixarei de apoiar por isso. Apenas desejo expressar meu pasmo por tal e desavisada decisão, que em nada contribuirá para nossa cultura além de promover alguns batuques, oficinas de capoeira e doutrinação esquerdista.

Mais que isso: como prova de meu desejo sincero de novos tempos para Cabo Frio, deixo aqui a sugestão que crie uma PPP – Parceria Público-Privada – instituindo uma espécie de “Conservatório Municipal de Cultura”, destinado aos alunos da rede pública e privada de ensino médio e que fomente o ensino filosófico, teológico, cidadania, economia doméstica e as muito necessárias aulas de apoio aos aspirantes ao ENEM.

Tal conservatório pode e deve ter o apoio da Igreja Católica e evangélica, bem como daqueles empresários que tenham o desprendimento de deixar mais que um mundo melhor para seus filhos: é para aqueles que desejem deixar filhos melhores para o mundo.

Reconsidere suas escolhas, estimado Prefeito. Votei e votarei novamente no senhor, enquanto se mantiver fiel aos ideais conservadores – jamais esquecerei o senhor e Bolsonaro juntos – e tudo o que escrevi acima é o pouco que posso fazer em nome de dias melhores.

É impossível agradar a todos, tal como é impossível servir a dois senhores.

E é motivo de orgulho para mim, hoje, saber que Cabo Frio tem um Prefeito conservador, com um caminho já apontado para destinos muito mais altos.


Walter Biancardine



terça-feira, 17 de dezembro de 2024

UM FELIZ NATAL PARA TODOS - E PARA MIM TAMBÉM!


Foram dois anos, dois longos e áridos anos aprisionado em meio a bois, vacas, cavalos, pastos, árvores - tudo, menos gente.

Dois anos recluso em minha solidão, atravessando o mais escaldante deserto de privações e desamparo que um ser humano poderia suportar, mas eu sabia que a dor passaria quando eu aprendesse - e o mal acabaria, quando merecesse.

Pouco sei se aprendi ou sequer mereço, mas fui resgatado em meu oblívio; as cicatrizes jamais irão embora mas, ao menos, as lições igualmente permanecerão, também. 

Que Deus me faça humilde e sabedor que nada sei, para que possa continuar a estudar, aprender, escrever e usar um dos únicos dons que Ele me deu.

Que Deus me mantenha ciente de que aquele que não vive para servir, não serve para viver.

E que Deus jamais se arrependa de haver me resgatado do opróbrio - há que se trabalhar, e muito.

Passarei, enfim, um Natal sob meu próprio teto e isso é algo que, há apenas um ano atrás, sequer atreveria imaginar: era somente eu, um pobre cachorro, bois, vacas e pastos. E se hoje sou eu ainda sozinho, como duvidar quem o Senhor poderá me trazer, no futuro?

Um Feliz Natal para todos, como jamais soube antes desejar!


Walter Biancardine 



segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

COVARDIA CULPOSA -


Embora não haja dolo, apenas culpa, ainda assim causa-me pasmo assistir renomados jornalistas da Oeste Sem Filtro defenderem fortemente a concessão de anistia aos presos políticos, encarcerados injustamente pelo fraudulento 8 de janeiro.

NÃO SE ANISTIA INOCENTES! E vou além: ressalvadas circunstâncias personalíssimas (saúde e etc.), aconselharia aos presos que, uma vez concedida a mesma – o que muito duvido – adotassem a firme recusa de tal benefício, pois seria a mais baixa humilhação, além de confissão implícita de uma culpa que não carregam.

Lembrou o jornalista Augusto Nunes a vergonhosa conjuntura política que provocou a promulgação do AI-5, no dia 13 de dezembro de 1968, e ressaltou ser a data idêntica ao nascimento do carrasco da pátria, Alexandre Imorais - e eis quando a data torna-se destino.

Ressaltou Nunes que a assinatura do ato, mercê de um Costa e Silva pré-derrame e apático, teria sido forçada pela assim chamada "linha dura" das Forças Armadas, e esbravejava pelo fato do STF - mais precisamente Imorais – ter cassado todas as liberdades do país e imposto uma ditadura apenas com a força de uma caneta, sem tropas, armas ou tanques, para melhor e mais convincente argumentação.

O que o nobre Augusto se esqueceu é que as Forças Armadas, hoje, são outras; seu Alto Comando está gostosamente sentado ao colo do ditador togado e nada deseja com assuntos tais como legalidade, honra e vergonha na cara. 

Não bastasse a frouxidão feminil da caserna, esqueceu-se o jornalista de outro e trágico fato: o artigo 142 – tantas vezes suplicado pelos brasileiros a Bolsonaro – pode ser invocado, constitucionalmente, pelos líderes de qualquer um dos Três Poderes da República. E o chefe do Judiciário chama-se Lewandowski, o homem que impichou Dilma Roussef mas rasgou seu julgamento – e a Constituição – ao meio, mantendo-a elegível, eleitoralmente.

O quê a Oeste Sem Filtro quer, afinal?

Que se conceda anistia a inocentes que, deste modo, estarão admitindo o cometimento de crimes jamais praticados?

Que Alexandre Imorais mande Lewandowski requerer o artigo 142, o qual será mansamente aprovado no Congresso, para assim reinar melhor?

Ou que as Forças Armadas se amotinem, prendam todos seus oficiais-Generais e se rebelem, invadam Brasília e ponham um fim neste sinistro cabaré da luz vermelha, que se transformou nossa República?

Das três opções acima, a única com alguma possibilidade é a do artigo 142, nas mãos do Judiciário.

E não se dá ideias ao inimigo. 

Melhor que Augusto Nunes mude de assunto ou cale a boca.


Walter Biancardine 



sábado, 14 de dezembro de 2024

GENERAL PRESO E ALTO COMANDO DIZ “AMÉM” -


Direto ao ponto: a farda nada mais manda neste país, prestando-se ao papel de meros jagunços serviçais da aristocracia togada – uns lixos verde-oliva que, uma vez cumprida suas obrigações, devem voltar para suas senzalas.

Longe de ser uma sucessão de desacatos, o parágrafo inicial apenas descreve a realidade humilhante das Forças Armadas brasileiras, jogadas neste esgoto por obra e graça da passividade carreirista de comandantes como Tomás Paiva e outros biltres de igual teor e forma, que ostentam o galardão de “Alto Comando”. Bela porcaria.

A prisão do General Braga Netto – fato inédito na história deste país – é a coroação da passividade afeminada e entreguista deste Alto Comando; a mesma foi determinada por razões pífias (como todas, em uma ditadura) tais como “obstrução de justiça” e por tentar “saber detalhes da delação do Tenente Coronel Mauro Cid”. 

O detalhe é que, segundo os noticiários, este mesmo Cid é que teria informado aos carrascos de toga que Braga Netto andava bisbilhotando sua delação – ou é mais um covarde fardado ou é mera intriga vil (não seria a primeira) da imprensa brasileira. Detalhes de delações apenas a Rede Globo possui a permissão de vazar.

Vamos repetir: Braga Netto é um General de quatro estrelas, o mais alto posto na carreira militar, e a Inquisição Togada pouco se lixou para isso, mandando prendê-lo e confiscando seus celulares, devassando suas conversas e entregando tal material para que a assessoria de imprensa da ditadura – a Rede Globo – faça o que sempre fez: invente calúnias, crie factóides e humilhe, a não mais poder, a grande e recente vítima do revanchismo esquerdista.

Houve tempos, recentes, em que tal abuso geraria grandes preocupações e abalos em toda a sociedade mas, diante de um Alto Comando tão afeminado, positivista a perder de vista e carreirista, resta ao brasileiro a infeliz certeza que a farda – rosa oliva – nada fará.

Está explicada nossa suprema humilhação de acendermos velas e dedicarmos orações, todos os dias, para que um estrangeiro – Donald Trump – nos tire de uma situação a qual não fomos homens suficientes para sairmos dela, por conta própria.

O Brasil encontrou um subsolo, no fundo de seu poço moral.

As vergonhas não param.


Walter Biancardine




segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

VIAGEM DECISIVA -


Em meu último artigo relatei recentíssima viagem que fiz ao Rio de Janeiro, usando-a como pano de fundo para diversas reflexões que me vieram à cabeça, estrada a fora – manias de ex-caminhoneiro, ex-motociclista e ex-andarilho, perdido na vida.

Sob o feitiço que as estradas sempre exerceram sobre mim, murmurei quanto à solidão, resmunguei privações e apertos, grunhi a respeito do isolamento de tudo e todos e, principalmente, rosnei contra um incerto, duvidoso e improvável futuro amoroso – romances, beijos e descobertas fascinantes são para jovens, e pouco se me dá o filme de Clint Eastwood (As Pontes de Madison) tentar resgatar, ao nível do viável, um romance entre criaturas com mais rugas que anos restantes de vida.

Contei, no artigo anterior, que a estrada acabou sem que meus pensamentos corrosivos cessassem, mas não disse tudo: a verdade é que, antes de rumar para casa, algum mórbido impulso levou-me ao bar do grande amigo, quase irmão e já falecido Rei do Rock, Luís Antônio, dono do The House of Rock and Roll, em Armação dos Búzios.

Adentrei o local – palco de tantas lembranças, alegrias inesquecíveis e companhias idem – e lá encontrei circunspecto rapaz, funcionário do bar, que consertava algumas cadeiras para a noite promissora. Narrei-lhe ínfima parte de minha história com a casa e com o Rei do Rock, o mesmo se espantou e prontamente se dispôs a tirar algumas fotografias minhas, o que muito agradeci.

Pensei nos anos passados, pensei em meu “brother” Luís Antônio, lembrei mesmo de minha vida errática sobre enorme motocicleta estradeira – escudo de motoclube nas costas – a perambular pelas estradas e desfrutar da viciante sensação de estar vivo sobre a terra. Mas lembrei também de pessoas que se foram, dos erros que cometi e tais “insights” foram suficientes para encerrar minha breve carreira como modelo do The House: chega de fotos, é hora de ir para casa.

O tempo não pára e, muito menos, anda para trás.

Tal viagem ao Rio – decisiva, como diz o título deste – teve o condão de ser um ponto final e definitivo em longo rastro de sangue que espalhei ao longo do caminho trilhado, pouco me importando com a repulsiva hemorragia de mágoas, solidões e tristezas que deixava pingar pelo chão. Ainda que anêmico, percebi-me curado: não mais passados, não mais assuntos irresolvíveis – se assim me parecem, assim serão.

E me dei conta que estas são as fundações para que se possa construir uma nova vida – solo sepulto, compactado e firme – com outros amores e novas alegrias.

Não sei quando nem como será, mas Deus não usa relógio: na hora certa, um amor baterá à minha porta e ela será explícita: “apenas quis te ver”.

Bendita seja esta viagem, que me abriu os olhos e ressuscitou meu coração.

Minha vida sempre foi, de fato, uma longa, longa estrada.


Walter Biancardine




domingo, 8 de dezembro de 2024

NADA É COMPLETO -


Os dias recentes tem sido corridos com a mudança de casa e toda uma rotina de vida para retomar, sempre sendo obrigado a lembrar de hábitos que perdi ou pequenos luxos há muito sepultados por longos anos de vida de náufrago – uma ilha de solidão, desesperança e miséria, cercado de pastos vazios por todos os lados.

Voltava eu de viagem ao Rio de Janeiro, onde fui cumprir obrigações profissionais e, ao atravessar a ponte Rio-Niterói, foi inevitável a lembrança que aquele Rio não mais era meu: excetuando meu filho Victor, nada mais tenho por lá. Os antigos amigos sumiram no mundo, muitos mesmo morreram e a velha turma de Copacabana se evanesceu, com os anos.

Igualmente desapareceu meu viço, o brilho e entusiasmo da juventude onde nada me parecia impossível e havia toda uma vida pela frente, para pôr em prática os mais loucos projetos ou sonhos, inclusive amorosos.

Não, esse tempo se foi. Ainda que tenha conseguido sobrepujar os desertos em torno, o agreste sempre habita a alma dos velhos, e doeu-me a falta de um amor.

Lembrei do conselho daquele que foi minha salvação, única mão estendida no momento mais miserável de minha existência, Alair Corrêa: “Esqueça tudo o que passou, rapaz. Esqueça as mágoas, esqueça as privações, a fome, o desamparo e agradeça tudo o que Deus tem te presenteado. Agora, vá e viva sua nova vida”, disse ele, na sabedoria de seus oitenta e vários anos de vida.

Dirigindo meu carro, vento fresco no rosto e a caminho de minha própria casa, orei em silêncio, agradecendo. E, confesso, algumas lágrimas indisfarçáveis vieram-me aos olhos em plena praça de pedágio da ponte, com todos olhando para mim.

Mas é da natureza vil do ser humano jamais dar-se por satisfeito ou contente com as bênçãos recebidas e em nada sou diferente do resto desta corja, a quem costumamos chamar de “humanidade”: eu também não estou satisfeito, sempre falta algo e a mim, agora, falta-me alguém.

Pela estrada vim pensando: onde um velho de minha idade poderá arranjar companhia? Uma mulher que dele goste e com ele se preocupe, que tenha não só atrativos físicos mas – em meu caso específico – possua e use igualmente cérebro e cultura para que, nestes anos cada vez mais platônicos da existência, possa eu sublimar a carne pelos debates filosóficos, teológicos ou mesmo quaisquer faits divers, desde que abordados com inteligência?

Não bastasse a inexistência de “locais de paquera” para velhos, ainda existe o agravante de que realmente ninguém conheço – jamais tive “amigas” (verdadeira abominação hipócrita, pois homens não tem amizade com mulheres) e, pior, trabalho em casa e sozinho, sequer existindo a possibilidade de surgir uma colega de trabalho interessante e em minha faixa etária.

Para ser justo e não afirmar a total ausência de “colegas de trabalho” (vá lá), existem as palestras que tenho comparecido no Rio de Janeiro, a convite da graciosa e pós-doutoranda Miss Jay. Creio, entretanto, que tal senhorita não apenas deva ter outros interesses que não sejam a escavação de fósseis paleolíticos como eu, bem como, certamente, desfrutará de verdadeira renca de solicitantes ao redor – notoriamente mais jovens que o brontossauro autor destas linhas.

A estrada acabou, cheguei em casa, guardei o carro na garagem e abri a porta – uma casa vazia.

Se lembranças de um passado decrépito ainda me perseguem, tal tormento é só um e chama-se “solidão”. Não tenho vergonha em reclamar nem de elocubrar meios de sair da mesma, afinal dizem que “sempre há um sapato velho para o pé cansado”.

Apenas espero que meu sapato velho – que Deus há de provir, perdoado o abuso – venha com um formoso intelecto e rechonchudo estofo cultural.

Cansei de arriscar dialéticas com bois e vacas.

Eles sempre vencem.


Walter Biancardine



quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

TURNING BACK THE OLD AND GOOD TIMES -


São terríveis as coisas que fazemos pela última vez e disso não nos damos conta.

Sim, houve uma última vez que fui ao The House of Rock and Roll ver e ouvir meu amigo, quase irmão e rei do rock nas horas vagas, Luís Antônio.

Um último "oh, yeah!" no momento em que cheguei e ele estava no palco. Um último Creedence Clearwater cantado para mim, pois ele sabia que eu gostava. Uma última vez em que ligou o motor de sua Harley Davidson no meio da música. Uma última vez em que sentou à minha mesa no intervalo, para saber das novas.

E houve um último abraço na hora de ir embora - certamente mal percebi, de bêbado que estava - e um último "vai pela sombra, bonitão", sabendo que eu estava em minha moto estradeira.

Jurei nunca mais voltar após sua partida deste mundo, mas voltei.

Jurei nunca mais respirar aquele ar, rescendendo a tantas memórias; dias e gentes que se foram, amores que se suicidaram por incúria, noites que amanheceram em terríveis dias de tempestades.

Mas de que servem as juras, se não podemos quebrá-las?

Luís Antônio, meu brôu, fui à sua casa hoje, bonitão.

E quase achei que você estava lá.







Walter Biancardine




domingo, 3 de novembro de 2024

POR QUEM OS SINOS DOBRAM?

 


Na famosa novela de Ernest Hemingway um homem chamado Roberto, dinamitador inglês, chega ao esconderijo de guerrilheiros a favor da república espanhola e conhece Maria, uma bela mulher que havia sido salva pelo grupo.

Não houve romance, a não ser em suas almas e na linguagem muda dos sentimentos. Eram tempos de uma sangrenta guerra civil, cotidiano de medo, caos e Guernica. A atração foi imediata, a morte os espreitava e, sem maiores conversas ou galanteios se uniram em amor, pois o amanhã era improvável.

O tema enfoca o quanto o sangue alheio nos importa, e a pressa do amor diante da morte - morte essa, por vezes, de quem sequer conhecemos: "Nenhum homem é uma ilha, inteiramente isolado; todo homem é um pedaço de um continente, uma parte de um todo. Se um torrão de terra for levado pelas águas até o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar de teus amigos ou o teu próprio; assim, a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti", escreveu John Donne.

A velhice leva o homem á guerra civil de sua existência; a luta cotidiana contra o fim de seus dias, a ceifadeira sempre à espreita – hoje, amanhã, depois. Quem sabe?

Sob o impiedoso ataque dos dias, meses ou anos, aqueles que ousaram resistir ao tempo aprenderam que já não mais restam tantos entardeceres para o romance e, tal qual Roberto e Maria, devem expressar seu amor urgente através de olhares, gestos e mesmo tons de voz.

Para mulheres mais jovens, impossível crer que tal secura tenha nascido sob manto tão pesado; para as mais velhas, o medo – de tudo, todos e da pouca vida que resta – as impede, em forma de recato.

Assim, os velhos percebem-se isolados e lamentam a falta de pedaços do coração, que oceanos tempestuosos da vida levaram. Muitos disso se dão conta, buscando a juventude no fundo de um copo ou em conversas desaforadas e mentirosas com amigos.

Mas pouquíssimos – homens ou mulheres – cresceram e resignaram-se ao ponto de considerar que nenhum sentimento é uma ilha.

Sim, pois todo amor é parte de um coração, de uma história, e se tal fervor for levado pelos dias negros da vida, o homem diminui-se: torna-se menor e apartado, como náufrago em ilha deserta, cercado apenas de lembranças por todos os lados. Assim é o fim de cada amor, somado ao tempo impiedoso, que insiste em passar; corações amputados de tais pedaços, esses, tanto nos diminuem por também sermos sentimentos, coração e história.

Solidão é o tamanho do espaço que sobra à nossa volta e corações sofridos são minúsculas ilhas, cercadas por um oceano de indiferença juvenil e bela.

Por isso não perguntes por quem os velhos choram. 

Eles choram por ti.


Walter Biancardine



segunda-feira, 28 de outubro de 2024

POR TODA ETERNIDADE

 


Um texto de uma moça que não conheço, chamada Rosemeri Martins, eventualmente visto em redes sociais mas que abriu-me o coração:

"Porto Alegre, 1983 -

O Hotel Majestic colocou Mário Quintana no olho da rua.

A miséria havia chegado absoluta ao universo do poeta.

Mário não se casou e não tinha filhos.

Estava só, falido, desesperançoso e sem ter para onde ir.

O porteiro do hotel, jogou na calçada um agasalho de Mário, que tinha ficado no quarto, e disse com frieza: - Toma, velho!

Derrotado, recitou ao porteiro: - A poesia não se entrega a quem a define.

Mário estava só.

Absolutamente só.

Onde estavam os passarinhos?

A sarjeta aguardava o ancião. Alguém como Mário Quintana jogado à própria sorte!

Paulo Roberto Falcão, que jogava na Roma, à época, estava de férias em sua cidade natal e soube do acontecido.

Imediatamente se dirigiu ao hotel e observou aquela cena absurda.

Triste, Mário chorava.

O craque estacionou seu carro, caminhou até o poeta e indagou: - Sr. Quintana, o que está acontecendo?

Mário ergueu os olhos e enxugou as lágrimas - daquelas que insistem em povoar os olhos dos poetas - e, reconhecendo o craque, lhe disse: - Quisera não fossem lágrimas, quisera eu não fosse um poeta, quisera ouvisse os conselhos de minha mãe e fosse engenheiro, médico, professor. Ninguém vive de comer poesia.

Mário explicou a Falcão que todo seu dinheiro acabara, que tudo o que possuía não era suficiente para pagar sequer uma diária do hotel.

Seus bens se resumiam apenas às malas depositadas na calçada.

De súbito, Falcão colocou a bagagem em seu carro, no mais completo silêncio.

E, em silencio, abriu a porta para Mario e o convidou a sentar-se no banco do carona.

Manobrou e estacionou na garagem de um outro hotel, o pomposo Royal.

Desceu as malas.

Chamou o gerente e lhe disse: - O Sr. Quintana agora é meu hóspede!

Por quanto tempo, Sr. Falcão? - indagou o funcionário.

O jogador observou o olhar tímido e surpreso do poeta e, enquanto o abraçava, comovido, respondeu: - POR TODA ETERNIDADE.

O Hotel Royal pertencia ao jogador!

O poeta faleceu em 1994.

Por isso sou fã desse ex jogador!

POR TODA ETERNIDADE"

__ O Hotel Majestic, abriga hoje em dia, a Casa de Cultura Mário Quintana, na Rua dos Andradas ( conhecida como Rua da Praia) no Centro Histórico de Porto Alegre -RS


Não me contive, e escrevi:

Não sou poeta, apenas teimoso prosador.

Não tenho o dom divino de um Quintana, não arrebato almas e sentimentos de ninguém, eis que somente escrevo nossas misérias cotidianas e derivo em sonhos filosóficos.

Não tenho amigos ricos ou poderosos, apenas um único - e sob seu teto vivo até hoje, abençoada mão estendida.

Jamais serei lembrado, muito menos louvado e aclamado.

Mas algo em comum tenho com o poeta: ambos conhecemos o gosto da rua, do desalento; saber-se em fim de linha à caminho da morte indigente.

Se em nada me posso comparar aos grandes, ao menos sobreviví ao oblivio - a carne, não o dom.

Mas já me basta ao meu orgulho combalido.

Não fale da fome, do desamparo e da solidão quem jamais os viveu em casos terminais - tudo isso pode rechear as páginas de um romance ou inspirar versos, mas não alimenta a barriga nem nos mantém de pé.

Bendito seja Deus, que me deu um único amigo e sua mão estendida.

Mesmo novamente de pé, jamais o esquecerei.


Walter Biancardine



sexta-feira, 25 de outubro de 2024

ESCREVO, LOGO EXISTO -


Meus agradecimentos à Doutora Miss Jay, pós-doutoranda em Análise do Discurso, por utilizar alguns ensaios filosóficos meus como "Estudo de Caso", em debates com seus colegas pós-Doutores esta semana, no Rio de Janeiro.

À parte a gentileza e simpatia da Doutora - que me permitiu atrevimentos tais como chamá-la por tal e carinhoso apelido - devo igualmente agradecer a ressurreição de minha autoestima profissional e, mesmo, pessoal. A escolha de meus textos empresta, certamente, algum valor tanto à carpintaria literária deste que vos escreve quanto, também e evidentemente, ao conteúdo dos mesmos.

Breve estarei de volta ao Rio para uma segunda fase de tais estudos, ligeiramente ansioso por saber-me tão bem vindo à rotina desta simpática Doutora.


Walter Biancardine



quinta-feira, 3 de outubro de 2024

ENEL: UM MONOPÓLIO PRIVADO -

 


Depois de três dias de trevas, sem energia elétrica e que me deixou sem internet - notícias e trabalho - sem geladeira (tudo estragou), sem tomar banho (acreditem, sem energia a bomba de água não funciona) e quase enlouquecendo, nas noites e madrugadas absolutamente escuras destes vastos pastos, eis-me aqui de volta.

O problema foi causado por uma "banana" - espécie de disjuntor - em um dos postes de transmissão, na estrada em frente onde moro. Houve alguma sobrecarga, ela desarmou (como todo disjuntor) e, para consertar, bastaria um funcionário com o bastão apropriado para religá-la, Sim, só isso, e que pode ser feito em cinco minutos sem, sequer, subir ao poste.

Pois bem: após três dias, nove reclamações à Enel, uma reclamação à ANEEL e mais uma queixa ao programa de meu amigo Eduander “Panorama”, aparentemente o problema foi solucionado.

Dois pontos nisso tudo merecem destaque: o primeiro é o absoluto descaso que a Enel ostenta aos seus clientes, principalmente aos que, como eu, moram em áreas rurais e são de baixa renda. Bem sabem eles que nenhum poder econômico ou - muito menos - político nós temos e, por isso, nos desprezam.

O segundo é a necessidade de aprendermos que fomos vítimas de um engodo esquerdista, promovido pelo sr. Fernando Henrique Cardoso em seus anos na presidência do Brasil, quando levou à cabo seu conhecido e extenso programa de privatizações.

Áreas como a telefonia, água e esgoto e energia elétrica foram privatizadas sob a alegação que "a concorrência entre as empresas favoreceria o consumidor, não só pela qualidade dos serviços como, também, pelos preços cobrados". Pois bem, à exceção da telefonia celular, todas as demais áreas simplesmente transformaram-se, de monopólios estatais, para monopólios privados!

Quais opções tenho, se estou insatisfeito com a Enel ou mesmo Prolagos? Há outra opção? Não, e para que uma companhia destas perca seu contrato com o Estado seria necessário um escândalo sem precedentes, amparado por extensos e vantajosos acordos políticos.

Reconheço que, em minha ignorância na engenharia civil e urbanismo (apesar de minha faculdade de arquitetura), pouco ou nada consigo imaginar em termos dois ou mais encanamentos de água e esgoto por baixo das ruas e calçadas ou fiações de várias companhias elétricas compartilhando o mesmo poste. A logística é, de fato, difícil.

Isto não nos exime, entretanto, da obrigação em cobrar tais companhias e mesmo exigir ações contundentes do Poder Público - concedente da licença - contra empresas relapsas ou incompetentes.

Somos nós, pagando nossas contas em dia, que concedemos a tais empresas suas condições de funcionamento, lucratividade e mesmo salários de funcionários, diretores e suas excelsas presidências.

Também somos nós, votando em pessoas certas, que "assinamos uma procuração" para que o eleito represente nossos interesses e conveniências - todos são nossos empregados.

Sim, o povo é quem manda.



Walter Biancardine




segunda-feira, 23 de setembro de 2024

ODE À ALEGRIA, NÃO À ESCRAVIDÃO – Ode An Die Freude




O Freunde, nicht diese Töne!

Sondern lasst uns angenehmere anstimmen

und freudenvollere!


Freude, schöner Götterfunken

Tochter aus Elysium

Wir betreten feuertrunken

Himmlische, dein Heiligtum!


Deine Zauber binden wieder

Was die Mode streng geteilt

Alle Menschen werden Brüder

Wo dein sanfter Flügel weilt…


Tradução:


Oh amigos, mudemos de tom!

Entoemos algo mais agradável

E cheio de alegria!


Alegria, mais belo fulgor divino

Filha dos Elíseos

Ébrios de fogo entramos

Em teu santuário celeste!


Tua magia volta a unir

O que o costume rigorosamente dividiu

Todos os homens se irmanam

Onde pairar teu voo suave...



Esta é a letra de uma das peças mais transcendentais da música clássica, da 9ª Sinfonia do genial Ludwig Van Beethoven, “Ode An Die Freude” – “Ode à Alegria”, algo próximo ao Divino e que aconselho ouvir, enquanto estiver lendo estas mal-traçadas linhas.

Confesso uma submissão quase infantil à tal melodia, que por um lado enche-me de felicidade inexplicável, por vezes injustificável mas sempre incontida e, por outro, sacode-me pelos ombros em um gesto de irmão que diz: “Anda! Esqueça a dor e levanta! O melhor ainda está por vir!”

E talvez seja o único momento em que ouso permitir que lágrimas cheguem-me aos olhos por pura e simples alegria, felicidade e pela triunfante sensação de respirar por sobre a terra. Sim, também sou humano; sim, também atrevo-me a chorar – sozinho – de felicidade. Pelo quê? Não o sei.

Menos ainda saberá o bom e velho Ludwig – aquele, o Beethoven – ao sofrer que sua obra prima, de inspiração quase deífica, seja aviltada em um gesto supremo de deboche cínico ao ser escolhida, como hino oficial, para uma das mais teratológicas excrescências da perversidade criativa humana: a União Europeia.

Não existe outra dupla de adjetivos – “deboche cínico” – que melhor nos faça compreender o requinte de sádica crueldade ao empregar tal peça, tendo em seu corpo versos como “Tua magia volta a unir/ O que o costume rigorosamente dividiu”, para dar corpo à tal alma penada escorada na união de povos para melhor escravizá-los, contrariando a máxima francesa “Diviser pour régner”.

A letra da mesma é um poema, escrito por Friedrich Schiller em 1785 e tocado no quarto movimento da 9.ª sinfonia de Ludwig van Beethoven. Nestes versos, Schiller expressava uma visão idealista da raça humana como irmandade, opinião que tanto este como Beethoven partilhavam mas que – certamente – jamais os incluiriam na monstruosidade globalista dos nossos tristes dias.

E a série de analogias não para por aí: logo de início aconselham Schiller e Ludwig que “mudemos de tom”, que falemos sobre algo mais agradável – e neste ponto o pérfido Antônio Gramsci veio, séculos depois, a calhar. Sim, haveremos de nos distrair e alegrar! Você não terá nada e será feliz! O mundo será vazio, despovoado, limpo e arejado de toda esta corja que se costuma chamar “humanidade”, graças às vacinas salvadoras – e nenhuma fábrica ou instalações custosas serão destruídas, bem como seu precioso lar, o que seria natural após catastrófica e despovoadora guerra!

Não haverão mais fronteiras, as ruas serão vazias nas “cidades de 15 minutos” e seu vizinho sequer falará sua língua, mas você terá seu celular, computador e games – todos eles do governo, alugados para você e devidamente “calibrados” para acessarem apenas conteúdos “sadios”. Seu trabalho será “home office”, suas noites de folga serão em casa, regadas a comidas e bebidas “delivery” e você jamais precisará andar novamente – mas o mundo não terá fronteiras, e os sábios sempre estarão zelando para que as justas leis globais sejam cumpridas em todo o planeta, ainda que não mais você deseje percorrê-lo.

Sim, cheios do “mais belo fulgor divino/ Filho dos Elíseos/ Ébrios de fogo entramos/ Em teu santuário celeste!” e, bêbados de consumo e futilidades, atenderemos apenas aos deuses globais e seus arcanjos midiáticos e corporativos!

E não haveremos de ligar para as antiquadas queixas de Beethoven e Schiller, que se remexem em seus túmulos, protestando contra a heresia cometida.

Alegria! An Die Freude! 2030 está próximo!






Walter Biancardine





quinta-feira, 19 de setembro de 2024

TECNOLOGIA (FINALMENTE) A SERVIÇO DO BEM -



O sonho de todo terrorista do Hamas é amarrar um cinturão de bombas ao corpo e explodir algum lugar bastante “ocidental e podre”, tal como fizeram com as Torres Gêmeas em Nova York, ou o massacre de jovens que comemoravam o Yom Kippur recentemente e até na infindável série de matanças de judeus, pouco ou nada noticiados por uma grande mídia – no mínimo – conivente. Deste modo, poderão chegar aos céus e desposar as infindáveis virgens, que estarão à sua espera para recompensar os esforços de tão devotado fiel.

Pois esqueçam: simples e obsoletos “pagers”, utilizados por grupos como o Hezbollah e Hamas e normalmente portados nos bolsos dianteiros das calças, estão explodindo como mágica e espalhando nuvens de genitálias voadoras ao redor de seus corpos. Ainda que cheguem aos céus, tais terroristas pouco ou nada terão a fazer com as incontáveis – e decepcionadas – virgens, à sua espera.

Para piorar, sequer o choque inicial foi absorvido e já rádios (walk-talkies) e mesmo celulares começaram hoje a, igualmente, explodir junto com seus portadores.

É a tecnologia a serviço do bem: enquanto a mídia mainstream norte americana, associada ao seu cinema, teatro e música, dedicaram-se durante quase um século a apenas destruir, difamar e envergonhar o cidadão pelo país que construiu e viveu; enquanto o próprio e demagogo governo valeu-se de tal onda cultural para emagrecer os dinheiros de seus exércitos, agências de inteligência (devidamente infiltrados, todos, de espiões internacionais) e órgãos como o FBI e a NASA, o Exército de Israel (IDF) e seu serviço de inteligência – Mossad – trabalharam com afinco para se atualizarem e desenvolverem métodos inusitados de prevenção, ataque, contra-ataque e defesa contra o inimigo (por enquanto) palestino.

A verdade é que, aparentemente, não existem nenhuns dispositivos pré-instalados em tais artefatos. A tecnologia israelense – auxiliada por alguns hackers, por suposto – encontrou meios de provocar tamanho superaquecimento nas baterias destes “gadgets” que, inevitavelmente, os levaria à explosão – e é somente isso que se sabe, ou se supõe, até o momento.

Para piorar a situação palestina, tal ataque provoca uma infinidade de camadas interpretativas, eis que o embaixador iraniano no Líbano, Mojtaba Amani, também ficou ferido em uma das explosões. Do mesmo modo, o ataque atingiu um “amigo” do repórter europeu, igualmente no Líbano, Elija J. Magnier. Este jornalista postou nas redes sociais suas lamentações pela “violência” praticada contra o amigo...terrorista.

O que um embaixador faz com contatos de terroristas? Seria ele avisado sobre cada ataque, para que se escondesse embaixo da mesa? E um repórter europeu? Estaria bebendo (perdão) diretamente na fonte? Mais que uma massiva ofensiva, que atingiu, matou e imobilizou milhares de terroristas, a ação do Mossad expôs o baile de máscaras hipócrita, dançado por agentes de governos e grande mídia, contra o Estado de Israel, o mundo e suas liberdades.

Poderá o leitor ponderar: “mas e os inocentes que eventualmente tenham sido atingidos pelas explosões?”

Respondo que, em primeiro lugar, as detonações não foram tão fortes a ponto de afetar nada que não fosse o próprio corpo do terrorista. Além do mais, onde estaria a humanidade de tal questionador, que não lembrou dos milhares de inocentes – crianças inclusive – mortos sem nenhum remorso por tais bestas-feras, em seus ataques assassinos? Eles podem matar, Israel não?

Insistente, tal questionador revidará: “Mas isso é sionismo!” E respondo: muito feio é confundir a legítima defesa de um povo, condenado à extinção pelo ódio anti-semita alheio, com um sionismo o qual ainda cabem discussões. O que não cabe discutir é a proteção e segurança dadas pelas IDF (Israel Defense Forces) e o Mossad ao povo judeu, que deseja apenas recuperar sua paz e a plena liberdade de existir.

E por falar na liberdade do ser humano, continuemos com a tecnologia a seu serviço: a censura determinada pela ditadura do Brasil à rede social X (antigo Twitter) de Elon Musk, que poderia gerar mais de 18 bilhões em prejuízos para os utilizadores da mesma, aparentemente foi contornada após a decisão de seu proprietário em utilizar os serviços da mundialmente conhecida Cloudfare, que atua como um “escudo” para proteger os servidores da rede social. 

Ao distribuir o tráfego do X por novas rotas, esses serviços criam obstáculos para o bloqueio do acesso à rede social, mesmo com a ordem judicial. O X passou então a empregar um novo software que não mais utiliza os IPs da rede social, mas sim os da Cloudflare, dificultando o bloqueio determinado pelo déspota Alexandre de Moraes, Ministro da Suprema Corte brasileira.

Segundo matéria de Rafael Fonseca no site brasileiro Carta de Notícias, especialistas na área de informática explicam que o uso de um proxy reverso, como o oferecido pela Cloudflare, permite mascarar o IP real do servidor, mostrando apenas o IP do proxy. Isso funciona como uma “barreira invisível” que protege a infraestrutura sem impactar a experiência dos usuários.

Ainda segundo a matéria, as provedoras de internet estão em contato com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para entender como fazer o bloqueio da rede, já que o IP registrado passou a ser o da Cloudflare. Porém isso tornou este novo capítulo, da saga entre Elon Musk e o ministro Alexandre de Moraes, um verdadeiro quebra-cabeças para o STF e para a Anatel solucionarem. O STF insiste em determinar o bloqueio do Cloudflare no Brasil, mas teme que uma enorme parte do conteúdo da internet brasileira – e de quase a totalidade dos serviços governamentais e de segurança – simplesmente se tornem indisponíveis.

Para completar o deboche, Elon – o Musk – postou ontem, no X, um claro trocadilho de deboche com a confusão provocada na cabeça dos déspotas brasileiros: “Any sufficiently advanced magic is indistinguishable from technology”. E eu acrescento: “Cloudflare is the name”.

A realidade que experimentamos até o momento é que as forças da ditadura brasileira, ao que parece, conseguiram um acordo com a Cloudflare, que “isolará” a rede X (Twitter) para que ela, e tão somente ela, seja bloqueada no Brasil conforme os desejos de Sua Majestade Alexandre, a Glande. Até o momento a situação é bastante confusa e, para muitos usuários a rede está inacessível enquanto, para outros, perfeitamente livres.

Mais que nunca, entretanto, devemos tomar consciência que a tecnologia, quando a serviço do bem, pode nos levar à vitória – tanto explodindo terroristas quanto expondo ditadores megalômanos a vexames mundiais.

Shalom, Alexandre.


Walter Biancardine





domingo, 8 de setembro de 2024

NOVOS HORIZONTES -

 


Estranhará o leitor minha longa ausência destas páginas, mas não se trata de relaxamento ou descuido com a atenção que sempre me deram: como sabem, nos últimos tempos uma misericordiosa sucessão de bons acontecimentos fez com que tivesse eu de desviar todo meu tempo e atenções para assuntos que podem decidir e impor novos rumos em minha vida.

Neste mês de agosto último tive a grata satisfação de ser convidado para escrever na prestigiada revista do Vale do Aço mineiro, Carta de Notícias. É uma demanda forte, artigos diários inclusive aos domingos, mas não reclamo – esta é minha vocação. Igualmente, neste mesmo mês, a prestigiada publicação portuguesa ContraCultura – um site que reúne refinados pensadores europeus e brasileiros – igualmente convocou-me para a honra de publicar meus desatinos tupiniquins em seu renomado espaço. Reconheço que a periodicidade é menor, apenas terças, quintas e domingos, mas o nível é outro e muito mais acima do corriqueiro.

Cabe ao leitor imaginar a exaustão cerebral de quem escreve, diariamente, durante oito ou mais horas para tais renomadas publicações e ainda, por puro atrevimento e porque sempre termino o que ousei começar, mete-se a continuar seu épico e inglório labor de escrever três – sim, três! - livros ao mesmo tempo.

Certamente quem me acompanha nestas mal-traçadas saberá de meus rabiscos a respeito do “Livre Arbítrio e o Determinismo Behaviorista”, bem como a introspectiva “Solidão e Transcendência” e o rebelde “Estilo e Ideologia”, todos eles teses filosóficas em maior ou menor profundidade, e que serão livros que publicarei.

Igualmente saberá o leitor, se me acompanha, dos artigos que cedi à bela Miss Jay – senhorita que está às voltas com teses em seu pós-doutorado em Letras, focando na “Análise do Discurso” e que solicitou os mesmos como “case history” para os debates com seus colegas, também pós-doutores (coisa que, confesso, sequer sabia da existência de tal graduação), infelizmente a milhares de quilômetros de mim  e que a mesma permita-me tal ousadia.

Fácil será concluir as razões de meu desaparecimento destas fedorentas páginas, ainda mais considerando a possibilidade – ainda um pouco distante, reconheço – de que tamanha atividade acabe por me levar a uma mudança de endereço, mais precisamente a uma mudança de cidade e que, devo admitir, muito me alegra. O quarto de século que vivi em Cabo Frio muito me ensinou, tirando-me tudo e aprisionando-me numa gaiola dourada de sonhos que, ao fim e ao cabo, revelaram-se pesadelos. Mas, tal como recentemente escrevi em meu perfil no Facebook, “A dor irá embora assim que eu aprender”, e ela está de malas prontas.

Que o leitor perdoe minha ausência e compreenda que o máximo que poderei fazer será – ao menos pelo próximo ano – republicar, nestas páginas, seleções de artigos já penosamente escritos para as outras publicações que participo.

A vida segue e conto com a companhia de vocês.

A dor irá embora assim que eu aprender



Walter Biancardine