sábado, 20 de julho de 2024

NADA ALÉM DE UM “PARABÉNS” -

 


Outros países, outras culturas, outros costumes.

Nos Estados Unidos e em países da Europa ocidental, o apoio das pessoas a causas que representem seus interesses, gostos ou mesmo pretensões diversas se traduz em contribuições financeiras para os promotores ou instituições que as promovam.

A tal ponto esta mentalidade é arraigada em seus hábitos e costumes que nos Estados Unidos, por exemplo, uma pequena parte dos rendimentos da maioria das pessoas já é previamente separada e destinada a tais finalidades. O raciocínio é simples e civilizado: se alguém tomou a iniciativa – e assumiu os encargos e consequências – de divulgar, alertar, promover ou mesmo advertir, ensinar ou, em última análise, entreter o público, tais pessoas ou organizações devem ser remuneradas e receber o apoio financeiro daqueles que se beneficiam com isto.

Existem, entretanto, povos que são notórias exceções e cito todos os países da antiga “Cortina de Ferro” – Polônia, República Tcheca, Eslováquia, Ucrânia e tantos outros – que, em decorrência da vida miserável imposta por governos comunistas, não só jamais dispuseram de tais pequenos valores para doações como, de modo pior, estas contribuições eram vigiadas pelas autoridades e poderiam representar, no mínimo, um “Gulag”. Para piorar, a mentalidade que “o Estado tudo provê, de tudo cuida e tudo resolve” terminou por levar seus cidadãos a um imobilismo atávico, fronteiriço ao comodismo puro e simples.

Já nosso Brasil, a nação de taipa, é uma cruza entre este mesmo Estado provedor – originado desde uma escravidão tardiamente extinta como, também, das sequelas civilizacionais impostas pela ditadura Vargas, a qual inaugurou o torpe assistencialismo que nos contamina até os dias de hoje: sim, não há necessidade de doar aos que tomam quaisquer iniciativas pois o Estado “tem a obrigação de resolver” e, ao fim e ao cabo, “esses caras só querem mesmo é aparecer e, depois, se candidatarem a vereador”.

O fundamento psíquico do brasileiro médio é indígena, extrativista: não há por que remunerar uma goiaba que pegamos no pé, e dele nos serviremos até que acabem. Quando acabarem, encontraremos outro. E isso descambou em uma desavergonhada preguiça de agir, vergonha em tomar iniciativas, omissão perpétua e, para piorar, uma suja desconfiança – e inveja – daqueles que ousam subir em um caixote para gritar por algo que creem. Não à toa, o Brasil é uma terra que abomina heróis e, quando os temos, tratamos logo de descobrir algum podre de seu passado, para desmerecê-lo; lamentar que “nada tem jeito e tudo é impossível” é a melhor maneira de justificar a própria preguiça, travestida de impossibilidades opressoras.

Nossa mente torpe de tudo desconfia: não se contribui para uma Santa Casa da Misericórdia, para uma APAE, ABBR, campanhas arrecadatórias para desabrigados e, muito menos, para campanhas políticas de candidatos em que votaremos – “eles que se virem, o Fundo Partidário está aí para isso”, alegamos. E tudo insistimos em medir pela nossa própria régua, que evidencia apenas a absoluta falta de valores e princípios morais, que vem sendo varridos impiedosamente pela cultura de massa e grande mídia.

Sempre haverão os que alegam “doar o dízimo” para a igreja de sua predileção mas, infelizmente, em maioria absoluta dos casos não se trata de um ato de fé e, sim, de um pitecantropus “fazendo negócios” com Deus: pagamos o milagre ou graça que, em breve, esperamos receber.

Tal niilismo moral se reflete diretamente naqueles que, ainda e sob todos os riscos, insistem em expor suas opiniões ou denunciarem arbitrariedades e falcatruas de nossa ditadura, nas redes sociais. Descontados os vigaristas – sempre existentes em quaisquer ramos da atividade humana – tais abnegados gastam seus dias, suas horas, suas inteligências e esforços analisando e estudando todo o panorama de nossa conjuntura para levar um grito de alerta aos seus ouvintes ansiosos – que tudo querem saber, mas nada darão em troca.

Em culturas ainda não sequeladas pelas mazelas acima expostas, os ganhos advindos das próprias redes pouco representam – ou mesmo “nada” representam, pois em sua maioria são desmonetizados – mas uma assistência consciente e sabedora do valor de tais informações (bem como dos esforços de seus autores) jamais se recusa a contribuir com tais corajosos e os garante, ao menos, uma justa remuneração por seu trabalho e asseguram um mínimo de dignidade em suas vidas e, óbvio, seus ideais.

Ney Matogrosso cantava, orgulhoso, que “não existe pecado no lado debaixo do equador”. Sim, nem pecado nem empatia, comiseração, solidariedade, nada. Por aqui assistimos o YouTube como quem vê uma TV – grátis – lemos livros somente se pudermos baixar um PDF gratuito e jamais, em hipótese alguma, doaremos mais que dois ou três minutos de nossa atenção à páginas de artigos escritos. Remunerar o autor de algo que li? Nunca!

Para o brasileiro médio, um analista político do YouTube ou mesmo de páginas pessoais é um diletante, um milionário com a vida resolvida e que, por passatempo, resolveu exibir-se escrevendo ou aparecendo nas telas.

Em um país que ostenta tamanho e notório desprezo pela cultura, o pesado fardo de estudar, aprender, desenvolver ao máximo todo seu horizonte intelectual não passa de lenda – tudo mentira, estudar é só sentar, ler e decorar!, dirão os “realistas” – e assim temos em nossos olhos, a cada vez que assistimos canais favoritos nas redes, os eternos “pedidos de pix”, rifas e toda a sorte de atrativos, para que alguém se digne a coçar o bolso e – ainda que em troca de algo material, pois informação “não se guarda na gaveta” – contribua para o sustento do abnegado.

Certamente alguém dirá – cheio das mais ferinas razões – que escrevo tal artigo em causa própria, pois a desmonetização me afastou do YouTube e ninguém contribui com um só centavo em minha página pessoal de artigos, mas não sou apenas um miserável egoísta: escrevo, também, em prol de pessoas sérias em canais que acredito, tais como Brasil Paralelo, PH Vox, Sr. Sepúlveda, Didi Red Pill, Olavo de Carvalho, Padre Paulo Ricardo e tantos outros, que gastam suas aparições a mendigar trocados de uma assistência que apenas recebe, mas em nada retribui.

Sei que estou “chovendo no molhado” e que a mentalidade de um povo não se muda com meia dúzia de linhas escritas ou vídeos postados, mas que este artigo produza, ao menos, uma reflexão por parte do leitor e que ele passe a incluir – na ordenação de suas despesas mensais – as necessárias, patrióticas e humanas doações para homens e entidades que acredite.

Ninguém nos entregará um Brasil melhor batendo à porta de nossa casa.

Não há felicidade “delivery”.



Walter Biancardine



quinta-feira, 18 de julho de 2024

MEMES E CULTURA -

 


Em momentos de soberba, sempre ostentei a facilidade que disponho em transitar dos livros de Sertillanges, Jacques Maritain ou Olavo de Carvalho até o volante de um FNM e suas duas alavancas de câmbio. Ainda embalado por tal soberba, igualmente passeio com gosto entre análises políticas, hipóteses filosóficas ou questionamentos teológicos para depois, sem cerimônias, descambar para o mais descarado pastelão e posts de humor em nível 5ª série.

Impossível ser unidimensional, um homem monolítico, um só e monótono bloco sólido, cujas facetas diversificantes são escondidas ou, como muitos desejam secretamente, inexistentes. Se tal tipo humano realmente existe, certamente será por conta de transtornos obsessivos e nunca devido a supostas e ostentadas “superioridades” a assuntos ditos “mundanos”, pois não há quem não goste de uma boa e eventual bagunça.

Se há um dom que não possuo mas gostaria de ter é desenvoltura no humor, não somente pelo bem evidente que faz à saúde mas, inclusive, por ser uma poderosa e letal arma contra pseudo-poderosos e opressores de plantão – e tal verdade vem se tornando cada vez mais evidente com o notório desconforto de nossa ditadura, sem saber como lidar com a enxurrada de memes apontados contra o Ministro Haddad.

A infantilidade primária, inerente a toda patologia megalomaníaca pelo poder, é demonstrada claramente se recordarmos alguns dos mais brilhantes humoristas brasileiros – cito Jô Soares, Agildo Ribeiro, entre outros – que eram todos esquerdistas e foram responsáveis por alguns dos momentos memoráveis no "show business" tupiniquim. Em outras palavras, a esquerda sabe muito bem como fazer humor, apenas é incapaz – pela patologia ditatorial citada – de sofrê-lo, sendo o alvo.

Tal incapacidade se espalha não apenas entre os destinatários mas, inclusive, em seus áulicos e aduladores de plantão – grande mídia e afins – que “rosnam ameaças” inócuas e vãs contra os milhões de brasileiros que, graças à internet, divulgam tais piadas. Sim, se os ditadores podem agir contra um grupo específico de humoristas – e cito o canal Hipócritas – nada podem fazer, por outro lado, para deter a enorme massa humana que viraliza o deboche contra tais sinistros personagens.

Não à toa as propostas de regulamentação das redes sociais vieram novamente à tona, exatamente no auge de esmagadora propagação de memes, citando o Ministro Haddad: ditaduras não suportam, não sabem lidar e podem mesmo implodir, se vitimadas pelo humor ácido, inteligente e, principalmente, unânime nas mais variadas redes sociais do país.

Volte aos tempos de criança e lembre-se o que sentia quando os colegas se reuniam e, rindo, apontavam o dedo para você: sim, extremamente incomodado e, desde então, sem saber o que fazer e como reagir.

Ora, provavelmente o leitor não é um ditador em potencial, tem uma vida normal e, mesmo assim, jamais aprendeu como reagir a tal situação. Imagine, por outro lado, uma pessoa que está plenamente convencida em ser alguém “superior”, cujos desejos não apenas devem, mas serão prontamente atendidos e que todos se curvam publicamente perante ele. E, em meio a toda essa pompa e circunstância, um gaiato te chama de “cabeça de ovo”.

E assim se dá o apocalipse pessoal da autoestima doentia de um ditador, e suas reações sempre serão figadais, irrazoáveis e desconexas.

O humor mata o mal, use-o sem moderação.

Não se restrinja, por comedimento ou vergonha, em repassar tais memes, temeroso do que tal atitude fará com sua imagem diante de seus amigos e colegas, pois aprendemos – o regime militar brasileiro nos ensinou – como a piada, o desdém e o deboche podem, verdadeiramente, desnortear aqueles que se atribuem o título de “proprietários” de um país e de um povo.

Quem é das antigas, lembrará: “Faça humor, não faça a guerra”.


Walter Biancardine





quarta-feira, 17 de julho de 2024

GASTANDO NEURÔNIOS -

 


O tédio é a raiz de todo o mal, a recusa desesperada em ser você mesmo.

Gênio é quem distingue o difícil do impossível.

Um problema insolúvel nada mais é que uma verdade a ser aceita.

A água fervente que amolece as batatas, também endurece o ovo.
A questão é do que você é feito, e não as circunstâncias.

Ninguém se cura no mesmo lugar onde ficou doente.

Amadurecemos com os danos, não com os anos.

A dúvida mata mais sonhos do que o fracasso jamais fará.

Não existe momento certo.
Somente o tempo, e o que decidimos fazer com ele.

Todos, em algum momento, sentam-se a um banquete de consequências.

Há mil lições nas derrotas, mas apenas uma nas vitórias.

Um navio está seguro no porto, mas não é para isso que ele foi feito.

É melhor acender um fósforo que amaldiçoar a escuridão.


Walter Biancardine



CONSTANTINO, O MILAGRE E O FIM DA CIVILIZAÇÃO -

 


Assistia eu, hoje pela manhã, ao excelente e necessário programa de Alexandre Pittoli na Rádio Auriverde, via YouTube, e tive a oportunidade de acompanhar a tristemente realista análise de nossa situação política brasileira, feita por Rodrigo Constantino.

Nela, o articulista discorre sobre as profundezas institucionais as quais descemos e a pesada parcela de responsabilidade dos Presidentes das casas legislativas – Câmara dos Deputados e Senado – os quais, por omissão, deixaram o caminho livre para os arreganhos ditatoriais da suposta mais alta Corte de Justiça do Brasil.

Constantino, entretanto, limitou-se a uma análise pragmática deste contexto e apontou – com justa razão – o evidente fato de uma maioria absoluta de parlamentares estar “nas mãos” do STF, sempre “pendurados” por alguns processos e pouco importando se os mesmos são por justa razão ou, simplesmente, “inventados” por aquela Corte apenas para controlá-los.

Nestas linhas de hoje ouso ir além e, deixando as chantagens institucionais de lado, creio ser extremamente necessário apontar uma outra razão – profunda e verdadeiramente civilizacional – que induz não apenas parlamentares como, igualmente, pessoas comuns em todas as ocupações profissionais e localizações geográficas, deste imenso país. Esta outra razão foi abordada “en passant” por Rodrigo Constantino ao citar – misto de alegoria retórica com uma infeliz constatação – que “somente ‘um milagre’ poderá salvar o Brasil dos destinos que aparenta estar apontado”.

Constantino, entretanto, clama por um milagre ancorado ainda na apatia inerme de congressistas – chantageados ou apenas oportunistas, pouco importa – que nada fazem para impor a necessária e constitucional separação entre os Três Poderes e deter a escalada ditatorial do Poder Judiciário. Eu, em minha humilde visão rogo por idêntica intervenção Divina, mas fruto de um entendimento, digamos, “latu sensu” da totalidade humana envolvida – parlamentares e povo.

Existe hoje a plena consciência que o comportamento humano é, em certa medida, “contagioso” em situações normais, onde um punhado de covardes tem o poder de contaminar todo um enorme círculo de pessoas, inclusive, em razoável distanciamento dos mesmos. Vale acrescentar que hoje, com a popularização das redes sociais, todos os padrões de comportamento podem ser facilmente difundidos, ao ponto de criarem uma espécie de “consenso” e se tornarem posicionamentos “acima de qualquer dúvida”, puro “bom senso” e “juízo”. E nesta dinâmica se encaixam tanto a covardia, por nós presenciada diariamente, quanto o aparentemente extinto heroísmo – clamado por Constantino em forma de “milagre”.

Indo direto ao ponto, para que esta análise não se torne uma tese: desnecessário dizer que existe uma condenação quase unânime daquilo que, oportunisticamente, classificaram como “masculinidade tóxica”. Do mesmo modo os valores morais, outrora difundidos pela Igreja Católica, foram vítimas de uma suicida “autofagia” clerical, derrubados por solerte “Teologia da Libertação” e enterrados por Padres, Bispos, Cardeais e até, quiçá, Papas.

Obviamente tal usurpação jamais poderia ser levada à efeito sem um solerte e contínuo processo de anestesia das consciências populares, e o mesmo foi obtido através do poderoso auxílio da grande mídia, da cultura de massa, das artes, do ensino acadêmico e de tudo o mais que nos cerca, a tal ponto que o simples ato de levantar da cama pela manhã já seja uma oportunidade para “nos conscientizarem”.

Tal massacrante processo – contínuo, imparável e inevitável – resultou na maior emasculação já vista na história humana, onde a testosterona é enxergada quase como um vírus letal e qualquer atitude tipicamente masculina é objeto de um bombardeio apocalíptico, por parte das “vozes falantes” da sociedade – leia-se rádios, TV’s, revistas, filmes, etc.

Pois tais “comportamentos tipicamente masculinos” foram, sempre, a tábua de salvação da civilização humana ao provocarem insurreições, revoltas e guerras justas contra as eternas forças que buscam – os megalomaníacos sempre existiram – o poder absoluto, domínio global, a escravização da humanidade. E quando não há mais “homens” – na acepção do termo – não há mais heróis, não há mais disposição ao sacrifício, não há mais esperanças.

Pois que sejam premiados o feminismo, os movimentos gay e todas as ferramentas de manipulação humana travestidos de “lutas por direitos”, que usaram milhões de pessoas apenas para extinguir quaisquer possibilidades de reações – másculas – às sinistras pretensões de reduzir a civilização humana a um simples e inofensivo galinheiro.

O milagre que Constantino espera chama-se “testosterona”, mas é feio dizer isso.

Vivi para ver o “homem” ser extinto.

Não merecíamos este destino.



L'audace, l'audace; toujours l'audace…” (Danton)



Walter Biancardine





terça-feira, 16 de julho de 2024

CAIO COPPOLA: NEM TUDO O QUE É LÍCITO, É MORAL -



Todos somos livres para escolhermos os caminhos de nossas vidas.

Existem, entretanto, decisões que podem colocar em xeque toda a coerência que buscamos, ao longo de nossa existência - e que, alguns, procuraram apenas 'aparentar' possuí-la.

Exemplificando de modo curto e grosso: ser comerciante é lícito, obedecendo as prerrogativas legais. Todavia um Padre - mesmo com seus alvarás, impostos e licenças em dia - se colocaria em uma posição inaceitável ao resolver abrir, por exemplo, um sex shop.

Do mesmo modo um jornalista, que alcançou repercussão nacional comentando sobre política e destacou-se por seu embasamento e inteligência, perde toda a 'moral' em seus julgamentos ao candidatar-se justamente para as funções as quais tantas e ferozes críticas dirigiu.

Falo sobre Caio Coppola, e acrescento que o rapaz nada faz de ilegal - apenas não é moral, ao candidatar-se nas próximas eleições.

Ele não foi o primeiro, não é o único e nem será o último; mas tão sabidamente constrangedora é tal decisão que todos eles, que se candidatam, alegam as mesmas justificativas: afirmam conhecer bem os meandros sujos da política e que pretendem, com sua argúcia, sanear as imundícies que criticaram no passado e que tanto nos afetam.

A confiança é como um copo de cristal que, ao quebrar-se, esfarela e não admite consertos - perde-se para sempre.

Não à toa, apesar de reconhecer seu talento, jamais consegui "comprar" a figura de Coppola como alguém sinceramente imbuído de verdadeira indignação em suas críticas. Mais parecia-me um produto, dono de boa embalagem para o consumo das donas de casa e pais de família, mas cujo efeito é nulo - bastou-me seu apoio à candidatura de Sérgio Moro, em passado recente.

Um antigo ditado romano dizia que, para a mulher de César, não basta ser honesta: tem de "parecer" honesta.

Caio Coppola "parece" honesto, mas não terá meu voto.

Ou será o mesmo que um policial dono de boca de fumo.


Walter Biancardine



segunda-feira, 15 de julho de 2024

O ALVO NÃO ERA TRUMP, E SIM VOCÊ -


Já previa o irritantemente infalível professor Olavo de Carvalho que Donald Trump e o “stablishment” globalista norte americano não ocupariam jamais o mesmo lugar, e assistimos ontem a tentativa de monopolizar esta posição.

Agride nossas inteligências a obviedade de toda a preparação para o atentado, que incluía a conveniente viagem da Primeira Dama, onde recursos do Serviço Secreto foram desviados do comício de Trump para um evento de campanha de Jill Biden, em Pittsburgh. Essa mudança resultou no ex-Presidente sendo protegido por agentes temporários, de vários escritórios de campo e, como diversos vídeos mostraram, sem nenhum treinamento ou mesmo aptidão para as funções.

A tropa de trapalhões – na melhor hipótese – incumbida desta segurança ignorou as pessoas apontando para o telhado de um prédio, estrategicamente localizado, vendo o atirador rastejar à procura do melhor ângulo. O telhado tem visada para o pódio do comício e – vejam bem – não estava ocupado pela segurança, que deixou um ponto vital desguarnecido. Após o primeiro tiro do agressor, passaram-se 40 segundos – 40 longos segundos – até que ele fosse alvejado e morto.

Tempo demais, segurança – se não dolosa – amadora, pois o “sniper” que abateu o atirador afirmou que “esperava a autorização de um superior”, e ainda deu uma olhadinha para o Trump. Essa falha terrível causou a morte de um pai de família, enquanto tentava proteger os seus. Cabe lembrar, entretanto, que o atirador de elite dos agentes governamentais não precisava de aprovação para atirar, dado o risco e a iminência da situação.

Mas não somos apenas nós – desconfiados por DNA – que achamos tudo muito esquisito: em entrevista à Fox News, o congressista norte americano Corey Mills “sugeriu” que a negligência do Serviço Secreto durante o comício pode ter sido intencional.

Para piorar, o atirador que tentou alvejar Trump – após a inacreditável “demora” de quase dois minutos após seu primeiro tiro – foi “convenientemente” morto pelos agentes de segurança. Sim, pois defuntos nada confessam. Deveria ter sido capturado antes que pudesse atirar, pois já tinha presença conhecida e fez uma aproximação amadora, notada por diversas pessoas.

Deve-se acrescentar, como nota adesiva, a todo este relato teratológico de um quase óbvio assassinato, premeditado pelo próprio governo, agências de segurança e informação norte americanas: Mathew Crooks, o atirador, está em um vídeo (agora viralmente divulgado) de propaganda comercial da Black Rock, uma das principais empresas de gestão de ativos e investimentos do mundo. Ela detém participações em “big techs” como Google, Apple, Meta (dona do Facebook, WhatsApp e Telegram), Amazon, além de potências farmacêuticas, empresas de “commodities” e de serviços financeiros ao redor do mundo.

E quem é o dono da Black Rock? Larry Fink, cofundador e CEO, é o maior acionista individual da companhia, que é uma empresa de capital aberto e exibe rixa pública com George Soros – o qual dispensa apresentações – muito embora, neste tipo de mundo metacapitalista, tais desavenças sejam mais como as antigas rivalidades entre Emilinha Borba e Marlene, na era de ouro do rádio brasileiro: apenas “para inglês ver”. Como dizia o professor Olavo, Trump e o stablishment globalista não poderão, jamais, coexistir e seus associados/cúmplices – o governo Democrata, somado ao FBI e CIA, pesadamente aparelhados por tal tipo de gente – providenciaram um “pistoleiro” para liquidar a fatura e, depois, ser jogado no lixo tal qual Lee Harvey Oswald o foi, por Jack Ruby, após matar Kennedy.

E não é de hoje que conservadores (de modo geral) vem sendo rigorosamente extirpados da vida pública norte americana: uma extensa lista de assassinatos, que pode ser vista na figura que ilustra este artigo, comprova o método empregado pelos que anseiam o poder global desde que tal ideia deu seus primeiros passos, ainda no início do século XIX. O conhecido apego e respeito que o povo americano nutre por suas instituições não permite quarteladas, golpes de estado e outras falcatruas tão empregadas em repúblicas mais, digamos, tropicais. O que resulta disso é o assassinato puro e simples, pois é notório que o povo choca-se muito mais com a violência do ato que com a motivação de seus autores/mandantes: execra-se um assassino e esquece-se a guinada política nacional, rumo aos objetivos desejados por tal sinistro grupo.

Por pouco Trump não juntou-se a nomes como Lincoln, Garfield, McKinley e Kennedy – um Democrata que governava como Republicano e, para “piorar”, era apático (ocupava-se mais em seu “affair” com Marilyn Monroe que, curiosamente, morreu pouco antes dele – um aviso?) e fez a máfia perder milhões de dólares em seus cassinos, expropriados pela revolução comunista cubana.

Temos ainda, em tão lamentável lista, nomes como os de Theodore Roosevelt, Gerald Ford e Ronald Reagan, o que esfrega em nossas caras que conceitos como Deus, pátria e família não são bem vindos nos planos comuno-globalistas e, por consequência, todos aqueles que os professam – famosos ou anônimos – tornaram-se inimigos do sistema.

Nós, anônimos, não fazemos comícios. Tampouco temos poderes para, em uma canetada, mudar radicalmente a orientação política de uma nação inteira mas, dada nossa atuação “incômoda” nas ruas e redes sociais, somos alvo da mais violenta e descarada repressão, discriminação, censura injustificada, processos ensandecidos e sem base legal e até – pior – prisões completamente arbitrárias e de duração infinita.

Recentemente, o Ministro Lewandowski - vergonhas inacreditáveis da grande mídia à parte - referiu-se ao atentado como "o resultado de quem defende as armas", permitindo-nos traçar uma analogia em que o estupro é o resultado das moças andarem de mini-saias - uma imbecilidade de calibre ímpar, onde a vítima torna-se o culpado de tudo.

Mas para o sistema aqui no Brasil, somos demasiado “ralé” para merecermos o preço de uma bala; pura e simples opressão, declarações ensandecidas de Ministros, mídia escandalosamente mentirosa (lá e cá), censura, prisões e pau no lombo saem bem mais em conta.

Ao fim e ao cabo, o sistema se alimenta e troca informações. Já circula, na mídia norte americana, que o atirador era apenas "um lobo solitário", vinculado inclusive ao Partido Republicano - o Adélio deles, lá.

Para mal dos pecados, os inimigos somos nós; Trump vai bem, obrigado.

E graças à Deus.



Walter Biancardine


BRUNA TORLAY E A IMITAÇÃO DA GROSSERIA -


Confesso que nem todo dia tenho paciência em aturá-la.

Ao comentar sobre alguns cursos oferecidos pelos filhos de Bolsonaro, a infeliz mete os pés pelas mãos e descamba para a grosseria, pura e simples.

Posso emitir com tranquilidade opiniões pessoais, as quais jamais escondi de meus leitores, no que tange aos inúmeros cursos sobre todos os temas do mundo, oferecidos na internet: tábula rasa, nada além de "click-baits", porcarias irretocáveis cujo único beneficiário é seu promotor. Mas limito-me aos cursos, não aponto os autores dos mesmos.

Quando Bruna Torlay comenta o que mostra a ilustração deste artigo, o problema não é achar os cursos medíocres mas, sim, incluir os irmãos Bolsonaro em um rol que direciona nosso pensamento, inevitavelmente, à conclusão que não passam de charlatães; agrava-se ainda o fato de - em sua ânsia pelo desacato olaviano - incluir toda a direita brasileira, seus simpatizantes e eleitores na categoria de energúmenos terminais. Em outras palavras, a sra. Torlay declara a direita brasileira "órfã" e irremediavelmente sem rumo - a menos que todos a escutem e estudem (esta é uma conclusão sarcástica minha, não compliquem o que já é ruim).

Fica patente, pois, o óbvio desejo (e inveja) de imitar o inimitável professor Olavo de Carvalho.

Bem sei da imbecilidade reinante, mas a vejo não apenas na direita e esquerda como, igualmente e de modo mais grave, na incipiente intelectualidade brasileira, que gasta-se em desejos de herdar a posição quase lendária de um Olavo de Carvalho - por parte da direita - como, igualmente, na fúria insana esquerdista e tucana de, sequer, considerá-lo filósofo e preferir chamá-lo "astrólogo".

Ambos se equivalem na inveja, despeito e carbonizam-se nas chamas da vaidade patológica, pouco importando se tentam imitá-lo ou denegri-lo.

Lamentável posição da moça, que ostenta grande conhecimento mas - que as feministas não ouçam - igualmente exibe a peculiar limitação feminina para a transcendência e profundidade especulativa filosófica.

Preferiu restringir-se à maledicência de comadres.


Walter Biancardine




domingo, 14 de julho de 2024

TUDO É VOCÊ -


Cada privilégio de políticos e burocratas, é você quem paga.
Cada escândalo de corrupção, é dinheiro de seu bolso.
Cada trapaça noticiada, você permitiu por ação ou omissão.
Cada rua imunda e cidade quebrada, é culpa sua.

Cada música pornográfica ou filme nojento, você financiou.
Cada poderoso do governo ou particular, vem de seu dinheiro.
Cada assalto ou arrastão, você fingiu que não viu e só reclamou.
Cada jornal, rádio ou TV mentindo, é você quem sustenta.

Cada crime, você paga a bala.
Cada assassinato, você morre um pouco.

Não cuide apenas de sua própria vida,
ela só existe escorada nas vidas alheias.

Walter Biancardine


OS SINOS DOBRAM POR TRUMP -

 


Por inúmeras vezes fui acusado de não ter nenhuma empatia com o próximo, de em nada me importar com a dor e sofrimento alheios e, confesso, por maior quantidade de vezes assim me esforcei em aparentar.

Não cabe aqui explicar as razões de assim me comportar; o que desejo significar é o que, há muito, já foi descrito magistralmente por John Donne:

Nenhum homem é uma ilha, isolado em si mesmo; cada ser humano é uma parte do continente, uma parte de um todo.

Se um torrão de terra for levado pelas águas até o mar, a Europa ficará diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar de teus amigos ou o teu próprio; a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano.

E por isso não pergunte por quem os sinos dobram; eles dobram por ti.”

Bolsonaro teve as tripas rasgadas, viveu meses com uma bolsa de colostomia colada em sua barriga e, até hoje, sofre as consequências deste atentado. E senti o rasgo em minha própria barriga, senti a dor que ele sentiu e o frio da lâmina perfurante.

Trump estaria com um buraco na testa e morto, se tudo desse certo – mas não deu. Teve a orelha rasgada e a clara visão que o mal demoníaco, avassalador e imparável, de fato existe. E sinto minhas orelhas em fogo até agora, acompanhado pelo animal desejo de caçar – de arma em punho – não apenas os atiradores como, principalmente, seus mandantes. Eu senti sua dor também, acompanhado do gosto de sangue na boca.

Mesmo o amor de minha vida, que sofria por seus filhos, por mim e minha secura, apenas conseguia saber deste autor covardemente escondido, sofrendo por ela sofrer – mas disso ela não sabia, embora igualmente sentisse sua dor, piorada por minha impotência.

No momento em que escrevo estas linhas – prenhe de fúria e com o coração compassando tambores de guerra – pouco ou nada direi sobre a infâmia e o atentado em si. Apenas que tenh em mim, também, a mortal vergonha de ter a profissão que tenho; o embaraço incurável de ombrear-me à cínicos, mentirosos, canalhas enganadores que não coram em criar verdades particulares, as escrevendo em instrumentos que deveriam informar, prevenir e salvar pessoas, vitimadas pelos segredos sempre escondidos que todos os governos e elites possuem, mas enganando-as por sua vez – dopados por ideologias, fanatismos e idealismos que favorecem apenas seus vícios, jamais um ideal de vida melhor.

Sim, eu sinto a dor dos outros.

Sim, eu sinto a vergonha alheia.

Sim, nenhum homem é uma ilha, e os sinos dobram por ti.

Mereça-os.



Walter Biancardine



sábado, 13 de julho de 2024

PENSAMENTOS DE QUEM ACORDOU NO MEIO DA NOITE - INSÔNIA


"Para mim, ela era o livro.
Para ela, eu fui um capítulo. 
Não se dá sentimentos permanentes a pessoas temporárias."

"Se posso sobreviver aos meus próprios pensamentos, 
posso sobreviver a qualquer coisa."

"Tudo o que tenho é o hoje.
O resto são apenas lembranças ou planos."

"Minha dor vai passar, assim que acabar de me ensinar."

Walter Biancardine

sexta-feira, 12 de julho de 2024

INOCÊNCIA, MEDO OU COVARDIA? -

 


Reação natural no ser humano é buscar assuntos mais amenos quando o ambiente torna-se pesado demais, os sentimentos mais íntimos acendem o sinal de alerta e prenunciam nuvens negras na conjuntura ou, como diriam os mais jovens, a “vibe” fica “carregada” e desagradável.

Não à toa gastei os últimos dias escrevendo futilidades, divagando sobre whisky e jazz ou mesmo comentando histórias familiares mal contadas; tudo isso objetivando fugir de prenúncios e constatações sinistras que, por mais que eu finja não ver, pesam-me os ombros e a consciência.

Este peso não diz respeito à minha situação particular precária ou mesmo ao estado pós-operatório que me encontro mas, sim, à clara percepção do que brevemente virá, ao observar o posicionamento dos jogadores em campo e nossa inocência e inação diante disso.

Conversava recentemente com um velho amigo, via WhatsApp, e o mesmo advertia-me sobre meus escritos, alertando que poderiam causar-me problemas e, até mesmo, processos e prisão. Ora, este amigo está longe de ser um ignorante, possui o terceiro grau completo e atua na profissão que escolheu mas, ainda assim, não consegue diferenciar uma reportagem, denunciando crimes, de um simples artigo opinatório. Mais: assume como “normal” alguém ser preso por algo que, no máximo, renderia processos de calúnia, injúria e difamação – caso provada a culpa. Pior: crê piamente na lisura do sistema, não admite como possível instituições como o TSE sofrerem influências externas e põe a mão no fogo sobre a impossibilidade de adulteração no registro e contagem eletrônica de votos, jogando todas as hipóteses na caixa cômoda e fácil da “teoria da conspiração” – posto que são hipóteses terríveis demais para sua humana capacidade de suportar.

Uma das pesadas constatações com que tenho de lidar é o fato que uma pessoa ostensivamente inteligente e de nível superior não sabe interpretar um texto e, de modo pior, claramente “deleta” partes essenciais do mesmo, as quais contrariam frontalmente suas alegações – um misto de mecanismo psicológico de fuga com simples desejo de “ganhar a discussão”, e não de compreender o que se passa, independente de suas convicções ideológicas.

Tal fato causa-me profundo abalo, pois trata-se de alguém que conheço há anos, amigo leal mas, mesmo assim, ainda orientado pelos noticiários de TV e pleno de ideias pré concebidas e preconceituosas contra quaisquer informações que não sejam oriundas dos “meios oficiais de comunicação”: TV Globo, Record, Band, SBT, etc. Se ele, do alto de sua inteligência e cultura pensa assim, o que se passará na cabeça de pessoas não tão privilegiadas quanto ele? O que pensarão milhões de eleitores, Brasil à fora?

Infelizmente meus temores não cessam por aí: toda a conjuntura geopolítica – planetária – leva-me quase ao pânico, ao perceber que as peças do jogo de xadrez estão sendo ostensivamente movimentadas e nada podemos fazer, independente de termos governantes gêmeos em pensamentos políticos ou oriundos de outras preferências.

Os países mais importantes da Europa, como Inglaterra, Alemanha e França estão sob governos de esquerda – e evitarei discorrer sobre as estranhas contabilidades de votos que levaram estas ideologias ao poder. Nos Estados Unidos não há como ser otimista com relação a Donald Trump, pois claro está que os Democratas – independentemente de seu candidato – “ganharão” as eleições; a mídia norte americana já aponta abertamente nesta direção e, como sempre, o ativismo judiciário (copiado de nós), somado à força do terror disseminado pela TV e jornais, provavelmente enterrarão Trump – e ele que se dê por satisfeito, se não terminar atrás das grades.

Já na Rússia, Vladmir Putin age como bem entende contra a Ucrânia (nem de longe defendo Zelenski, mas sim os ucranianos) e, pior, propõe uma “governança única” para os países que compõem o BRICS – leia-se uma só gestão política, um só judiciário e, obviamente, uma só força militar, policial, de inteligência e repressão. E nós outros, botocudos, estamos alinhados a tais canalhas pelas mãos imundas de Lula.

Por falar em América Latina, toda ela – com exceção provisória da Argentina e do Paraguai – está já nas mãos da esquerda globalista, bem como o principal país, híbrido entre as Américas do Norte e Central, México, igualmente assim se encontra.

O domínio mundial do discurso esquerdo-globalista (woke) é claro e jamais agiram de modo tão ostensivo e com tamanha fúria, em suas intervenções. A grande mídia – sempre aliada do mal – comporta-se de maneira quase inacreditável, apostando em uma “realidade paralela” baseada nas teorias nazistas de “repetir uma mentira até que ela se torne uma verdade”, e noticia fatos completamente distorcidos, rotula pretensões oposicionistas sob as pechas mais odiosas e embasa a indústria cultural em suas produções hipnotizantes, formadoras de uma juventude completamente dopada, em termos de realidade das coisas.

Todos os absurdos que assistimos aterrorizados no Brasil repetem-se, com ligeiras variações locais, por toda a Europa, pelas Américas, Ásia, Oriente Médio e até mesmo o impávido Japão não está imune a tal veneno.

A alienação – inocente ou covarde – observada no amigo citado ao início deste artigo, não se diferencia do comportamento médio do homem europeu ou norte americano de modo geral, e assim se fecha um círculo autofágico, incentivado e patrocinado por metacapitalistas como Soros, Schwab, Bill Gates, Rockfeller e Ford Foundation, bem como amparados pela inteligência russa e dinheiro chinês.

Confesso que, por vezes, a carga desta consciência que possuo – brutalmente resumida e amputada nas linhas acima – torna-se pesada demais para mim e, covardemente, fujo.

Tal como a orquestra do transatlântico Titanic, ponho-me a valsar em divagações familiares, musicais ou mesmo em anedotas particulares enquanto finjo não ver, desesperadamente, o naufrágio da civilização ocidental que ocorre sob as bênçãos e omissões de um Papa militante, o qual recusa-se, sequer, a amparar nossas almas.

Tremo ao pensar que, em breve, o conceito de “civilização” será apenas uma vaga e distante lembrança, parte de doces memórias de tempos que não mais voltarão.

E viveremos em um mundo de escravidão e escombros, cenário de vídeo game, cercados de zumbis drogados e ameaças depravadas, amparadas por alguma poderosa e planetária Gestapo.

O que será de meu filho?

O que fará meu amigo, quando isso acontecer?

O que farão as pessoas que pensam como ele? Se lamentarão? 

Será tarde demais.

De fato, é mais agradável especular se a vovó Condessa de Barral tinha ou não um chamego com o Imperador Dom Pedro.

Aproveite a vida civilizada, antes que acabe.

Boa sexta feira a todos.



Walter Biancardine





quinta-feira, 11 de julho de 2024

SURPRESAS AGRADÁVEIS -


Desfruto já há dois anos da gentileza e compaixão de meu amigo Alair Corrêa, que caridosamente cedeu-me um teto onde sarar os hematomas da existência.

Coisas da vida, dei-me conta hoje que jamais havia recebido ninguém nesta casa até que - para minha honra e alegria - visitou-me o Dr. Vitor Travassos Filho, que esteve no Riala para ultimar os preparativos de um evento de sua igreja, Lagoinha.

Pela primeira vez, desde que aqui estou, pude tomar um café com alguém - e devo acrescentar a excelência da companhia - e conversar aquilo que chamam "trivialidades", muito corriqueiras nas vidas de pessoas normais, não no cotidiano de exceções como eu.

Um privilégio, um conforto, um alento que fez crer-me quase alguém como todos, um sujeito comum, ocupando um lugar no espaço e na vida - e tenho certeza de que Dr. Vitor nem de longe imagina o bem que me causou.

Dentre os "causos" contados, comentamos sobre as lendas familiares em torno de uns e outros antepassados dele e, citando os meus, o Visconde de São Sebastião do Alto, que inventou um moedor de cana à vapor e ganhou o título de D. Pedro II, e a sugestivamente comentada Condessa de Barral, tutora dos filhos de Sua Alteza  - incluindo, é claro, a Princesa Isabel - cuja estreitíssima amizade com o Imperador originou inúmeros fuxicos e fofocas ao pé do ouvido.

Concluirá o leitor, com a lógica dos puros, que Dr. Vitor prestou-me grande favor, ao deixar fluir meus "causos" e lendas familiares que certamente usei, desesperadamente, para tentar diminuir os inúmeros e incontáveis rombos presentes em minha auto-estima - talvez até a empregada do Freud concluísse tal obviedade.

Pouco importa. O que vale é minha gratidão ao mesmo, pela paciência em acompanhar a aridez de um velho, na peregrinação por suas lembranças estéreis.

Muito obrigado Dr. Vitor, pela paciência.

Muito obrigado Alair Corrêa, pela generosa mão estendida.

Muito obrigado meu Deus, por saber o quão pequeno sou e perdoar-me acessos de soberba.

"Noblesse ruinée... dommage!"


Walter Biancardine



SOBRE A AGONIA EM RELAXAR -


Por algumas vezes brinquei a respeito da impossibilidade de conciliar sólidos hábitos com meus rendimentos líquidos e ontem tive uma dessas noites, chiques demais para o chiqueiro econômico-financeiro em que vivo.

O acúmulo de semanas tensas acenderam o sinal de alerta, com direito a pálpebras tremelicando, lapsos de memória e uma digitação plena de erros disléxicos - era hora de por um freio nisso e relaxar.

Um bom e suave jazz instrumental em meu som, o velho amigo Jack Daniel's no copo (descontada a pobreza de não ter copos adequados) e cachimbo aceso; a poderosa e calmante frente fria da tranquilidade invernal tomou conta de mim e comecei, finalmente, a sentir-me um pouco mais tranquilo.

Uma amiga do Facebook cumprimentou-me por isso e - sabe-se lá por qual relação - de pronto lembrei-me do estado pós-operatório em que me encontro, tomando toneladas de medicamentos (que sangraram ainda mais meu esnobismo vão) e me dei conta que, sim, estava fazendo uma grande merda - este é o preciso e grosseiro termo.

Mais de 40 anos de direção ensinaram-me que, se a colisão é inevitável, procuremos o melhor jeito de bater, e foi o que fiz: terminei de fumar meu cachimbo, o copo do velho amigo Jack já vazio, não o renovei. Deitei-me e, literalmente, apaguei.

Acordei quase meio dia, leve, relaxado, de bom humor (!!!!) e renovado para prosseguir em minhas atividades de "sparring" da vida.

Casualmente funcionou, mas não recomendo tal prática aos recém-chegados: há que se possuir um couro grosso o suficiente para contrariar as fatais bulas dos remédios.

E não é sempre que conseguimos.

De volta às atividades!


Walter Biancardine



quarta-feira, 10 de julho de 2024

RELAX AND ENJOY...

Não sou exatamente um fã do jazz mas, neste exato momento, dou-me ao desplante de ouvir um bom e calmo instrumental, acompanhado de meu velho amigo Jack, o Daniel's.

Sem ter onde cair morto, ainda assim insisto em hábitos que, ao menos, tem o miraculoso poder de relaxar-me e trazerem a sempre bem vinda paz de espírito para meditar.

Pobre e besta.

Como dizia alguém, entretanto:

"Eu mereço...!"


Walter Biancardine



PESQUISAS MENTIROSAS GERAM ELEIÇÕES MENTIROSAS –

 


O histórico brasileiro de adesão às propostas, temas e pautas da esquerda sempre giraram em aproximadamente 30% do eleitorado, com tais percentuais repetindo-se de maneira quase idêntica em todos os níveis de eleições, sejam elas municipais, estaduais ou federais.

Desnecessário relembrar que a eleição de um esquerdista gramsciano – Fernando Henrique Cardoso – foi consequência direta do brilhante Plano Real, que consertou uma hiperinflação crônica advinda do descontrole econômico e financeiro observado nos últimos anos dos governos militares. Vale acrescentar que o esquerdismo de FHC foi tacitamente “esquecido” pela mídia e mesmo o próprio PT e diversos e ilustres representantes progressistas o rotulavam como “direitista”, em contraposição às propostas bem mais radicais do próprio Partido dos Trabalhadores – que condenou o Plano Real e gastou os oito anos da gestão Fernando Henrique criticando-o duramente e pedindo, por diversas vezes, seu impeachment.

Na verdade, tudo não passava de estratégia – o hoje conhecido “teatro das tesouras” denunciado pelo filósofo Olavo de Carvalho – e, com um grande e feliz sorriso nos lábios, FHC passou a faixa presidencial para Lula, que o sucedeu vestido de “Lulinha Paz & Amor” e, hipoteticamente, comprometido em manter as diretrizes econômicas – ainda que jamais houvesse, de maneira explícita, citado isso em sua campanha.

O que pretendo dizer com todo o retrospecto acima é que tanto FHC quanto Lula – sendo este último incluído apenas em sua primeira vitória eleitoral para a Presidência – foram eleitos expressando um real desejo dos eleitores, satisfeitos com o fim da inflação e com a estabilidade da moeda, bem como com a chegada de um (teoricamente) trabalhador ao cargo mais elevado da República.

Já o segundo mandato do petista deveu-se, primordialmente, aos cofres públicos generosamente escancarados à grande mídia – que, em troca, não economizavam elogios e escondiam escaramuças – e ao advento do mais terrível e ditatorial instrumento de perpetuação de grupos políticos no poder: as urnas eletrônicas.

Um poderoso e eficaz tripé de atuação foi formado, onde os institutos de pesquisa apresentavam números segundo os desejos do núcleo governante, a grande mídia os divulgava sem nenhum reparo – afinal, tratava-se de institutos e empresas “sérias” e “confiáveis” – e, por último, analistas políticos (notoriamente militantes, mas o público não sabia) forneciam o “aval técnico” necessário. O resultado das urnas era, sempre, um fiel espelho do retrato eleitoral encomendado por seus patrões, o governo de esquerda.

Vivíamos então uma época em que o único meio de se obter informações sobre qualquer aspecto do país que nos interessasse – política, economia, saúde, etc. – era a grande mídia e suas TV’s, emissoras de rádio, jornais e revistas impressos. Eram tempos em que bastava ler um jornal e já teríamos visto todos, embora ainda sem o “copiar e colar” descarado dos dias atuais, pois absolutamente todas as redações de notícias já estavam devidamente aparelhadas por militantes esquerdistas desde os anos 60.

Mas o surgimento da internet, das redes sociais e a popularização dos “smartfones” mudou completamente o cenário tranquilo da perpetuação de uma ideologia no poder: logo contestações começaram a ser apresentadas, provas em vídeos, gravações de áudios ou prints de documentos desmentiam cabalmente as mentiras apresentadas pela mídia e algo precisava ser feito, pois a credibilidade dos institutos de pesquisa – para nos atermos ao tema deste artigo – foi destruída ao ponto do tradicionalíssimo IBOPE precisar mudar de nome para sobreviver.

Na Europa e nos Estados Unidos as urnas já imprimiam um comprovante de votação, que era transferido automaticamente para as tradicionais urnas. Em caso de contestação, bastaria comparar os números do sistema eletrônico com os comprovantes de papel. Mas, e aqui no Brasil?

Nas terras tupiniquins o assunto foi tratado na base do baixo nível, mesmo: nada de voto impresso – chegando às notórias manobras no Congresso para impedirem esta medida – e, para resolver de maneira definitiva, censura, prisões, processos e acordo de manipulação com as grandes redes sociais. As que não se submeteram foram, simplesmente, banidas do Brasil, tal como o Rumble. O que antes era uma tranquila sucessão de “kamaradas” no poder foi obrigada a revelar sua verdadeira face, e a ditadura – comandada pelo Supremo Tribunal Federal – tornou-se pública e, pior, temida.

Pois bem, isto foi no Brasil. E na Europa e Estados Unidos, onde adotaram a impressão e depósito dos comprovantes de votação nas urnas? Por quê a esquerda se perpetua nestes locais? Como conseguem? “Do que se alimentam? Como se reproduzem?”, provocaria uma chamada do conhecido programa Globo Repórter. Pois bem, vamos às razões.

Comecemos pela Europa, cuja explicação é bem mais simples e curta: o europeu, de modo geral, crê-se civilizado demais, evoluído demais para desconfiar do que seja, por parte de seus civilizadíssimos governos. Excetuando-se exceções extremas como guerras, jamais sofreram governos que os extorquissem até a última moeda sem nada dar em troca. Jamais tiveram líderes que deixaram suas cidades apodrecerem, sem nenhuma manutenção ou mesmo preocupações quanto a uma mínima decência em seu aspecto.

Este ambiente – quase asséptico – aliado à massiva propaganda gramscista de suas rádios, TV’s, jornais, cinemas e teatros os emasculou a ponto de que, mesmo habitando uma pulga atrás de suas limpíssimas orelhas, jamais pensariam em cometer a deseducação de protestar, esbravejar e demonstrar tal descontentamento nas ruas – a lição veio rápido pois hoje, por questões de sobrevivência, urram contra os estupros, vandalismos e assassinatos cometidos pela horda bárbara de imigrantes, todos eles – à princípio – uns coitados, que mereceriam suas altivas ajudas. Des élections truquées ? Non, pas question !

Já com os americanos a coisa não foi tão fácil, principalmente ao tratarem com sua “maioria silenciosa” (lembram-se de Reagan?) composta por espertissimos e calejados “Rednecks”, que não caem em qualquer conversa fácil recheada de palavras difíceis.

Para tal empreitada os Democratas – a (cada vez mais) esquerda deles, lá – valeu-se de buracos inacreditáveis na legislação eleitoral que, para início de conversa, é determinada por cada Estado e resulta em unidades diferentes da federação possuírem leis diversas para o mesmo pleito. Acrescente-se a isso a inaceitável possibilidade de votar pelos Correios, somada a explícita fraude de acrescentarem milhares – ou milhões, não ficou determinado – de votos, que chegaram nas juntas de apuração e foram devidamente registradas em vídeo, e temos a explicação de um senil Joe Biden estar, hoje, na Presidência da nação mais poderosa do mundo.

A grande mídia norte americana – as mídias são sempre “amigas” de qualquer governo – procurou abafar a fraude com os mesmos argumentos da ditadura brasileira, além de seu acumpliciamento no vergonhoso caso da invasão do Capitólio – claramente coordenada pela esquerda e com a participação de funcionários, policiais e agentes do FBI – que depois foi descaradamente copiada em Brasília, no 8 de janeiro, o qual muitos caíram feito trouxas e custou-lhes as masmorras da atual ditadura, de onde não podem sair nem seus advogados fazerem qualquer coisa. E tudo isso, para finalizar, com a grande mídia de ambos os países acusando o povo de praticar exatamente o que seus donos – a esquerda – ostensivamente fazia.

O fato é que, caso alguém ainda não tenha se dado conta, desde o advento do sistema eletrônico de votação – e pouco importa se imprime os mesmos ou não – as esquerdas não perdem mais. O mesmo fenômeno se observa nos mais diversos países do mundo e, em todos eles, a grande mídia cumpre o mesmo papel de conduzir, enganar e doutrinar aqueles que, por ignorância ou falta de condições, ainda insistem em utilizá-la.

Importante observar que, pela verdadeira lenda em que a ciência se transformou (o Iluminismo, sempre ele), uma apuração resultante de contagem computadorizada de votos causa uma impressão muito mais profunda e confiável que qualquer contagem manual. Creem, tais coitados, que homens sempre são corrompíveis e que um resultado emitido por um computador estará imune destas ameaças – apenas esquece-se o infeliz que alguém, corruptível, precisa programar tais computadores, mas uma boa manchete sensacionalista na TV, falando sobre o último escândalo sexual de Hollywood, o fará esquecer isso.

Somente votações absurdas e massivas, não previstas pelos piores pessimistas da esquerda, podem escapar ao poder manipulatório das urnas e da grande mídia, e estes foram os casos de Bolsonaro no Brasil, Georgia Meloni na Itália e do recentemente presente no CPAC, Javier Millei, da Argentina.

Para finalizar, podemos argumentar de maneira realista que – independentemente do sistema ser através de urnas eletrônicas ou votos manuais – qualquer eleição pode ser fraudada. Sim, é fato, e principalmente se dispomos de cúmplices tão poderosos e hipnotizantes quanto a grande mídia, os institutos de pesquisa e a cultura de massa em geral.

Podemos, entretanto, pressionar legisladores para que a feitura e divulgação de pesquisas de intenção de votos – ou quaisquer outras que induzam a demonstrar posição ideológica popular – sejam proibidas, principalmente em épocas de campanha eleitoral. Em um país como o Brasil, onde o eleitor – quase sempre uma besta primária e interesseira – torce pelo time que está ganhando, compra a roupa que todos compram, usa o carro que todos admiram e vota somente em quem lidera as pesquisas (pois tem vergonha de perder) isto causaria um impacto brutal nos resultados.

Do mesmo modo as análises políticas presentes nos programas de rádio e TV, bem como nos jornais e revistas, deveriam ser acompanhadas obrigatoriamente de um grande aviso que “trata-se de uma opinião pessoal do analista e não reflete, necessariamente, a realidade dos fatos”.

Aqui no Brasil reclamamos muito, e com razão, de nossas urnas botocudas mas cometemos o grave erro de não exigirmos uma ação parlamentar contra a atuação descarada da grande mídia, talvez culpada em grau idêntico às urnas e ao próprio TSE, pelos descalabros que sofremos diariamente. Esta atuação no Congresso deve, obrigatoriamente, atingir de maneira contundente os institutos de pesquisa, seus divulgadores e, mesmo, os analistas que as avalizam e as tornam críveis.

Não temos o poder de tomarmos tais atitudes nos outros países mas, em nosso Brasil, falta-nos apenas testosterona e vergonha na cara.


Walter Biancardine



segunda-feira, 8 de julho de 2024

A MALDIÇÃO DO SUFIXO -


Não sou bolsonarista, não sou olavista e o mais próximo que poderia encaixar-me em um sufixo seria dizer-me direitista.

Tal morfema pressupõe uma adesão incondicional, cega, à pessoa referenciada, e não tenho - por índole e zelo filosófico - tal tendência, por maior que seja minha admiração por alguém.

Bolsonaro, por exemplo, é credor de todo meu respeito mas já exibiu atitudes com as quais discordei profundamente - e discordo até hoje. Ademais, se um belo dia Jair Messias resolvesse apoiar o aborto, certamente causaria não apenas o fim de minhas considerações como, igualmente, mereceria repúdio integral. Votei, voto e votarei em Jair, mas jamais o seguirei incondicionalmente.

Igualmente o professor e filósofo Olavo de Carvalho, meu mestre a quem devo o despertar de minha plenitude de consciência bem como a apresentação da filosofia como caminho para a busca da verdade: também com ele divirjo de maneira irreconciliável - até porque, infelizmente, meu mestre já faleceu - e poderia citar o breve exemplo de Olavo considerar o conservadorismo como ideologia e eu, não. 

Para mim, tal pensamento não reserva nenhuma "promessa de um mundo melhor" nem propõe mudanças na sociedade para que este fim seja atingido. Apenas luta para que o que é bom permaneça e o que é mau, seja extirpado - ou seja, é apenas o resultado de toda a evolução do homem em sociedade.

Quem reduz uma pessoa com o sufixo "ista" apenas tenta aprisioná-la em um personagem pré-definido, desumanizá-lo para exterminá-lo sem remorsos, tratá-lo como um boneco a ser jogado em um canto qualquer.

Não sou "ista", apesar de tudo o que falam. Tenho uma longa trajetória no desenvolvimento de meu pensamento - obviamente prenhe de influências diversas, que vão de Olavo a Tomás de Aquino e Platão, passando pelo Tião da Borracharia - mas a resultante desta salada sou eu, único e inclassificável, para melhor ou pior.

Os últimos 22300 acessos em meu blog não podem ser à toa.

"Yo soy yo y mis circunstáncias" (Ortega Y Gasset)


Walter Biancardine



A DEMÊNCIA SIMPLÓRIA DA DIREITA -


Postei ontem, no Telegram, um simples link para um artigo que fiz em minha página pessoal: “CPAC BRASIL, 2024 -É difícil fazer com que entendam que conservadorismo é uma coisa, bolsonarismo é outra. LEIA -”. 

Neste artigo critiquei o excesso de menções à Bolsonaro como o principal responsável pelo ressurgimento da direita no Brasil, feitas no CPAC, lembrando que o mesmo apenas concordou e adotou o longo e eficaz trabalho desenvolvido, durante anos, pelo professor e filósofo Olavo de Carvalho. Em nenhum momento neguei ou menosprezei a fabulosa divulgação do sentimento patriótico, do orgulho em ser brasileiro bem como, em boa dose, dos valores conservadores feitos por nosso ex-presidente.

Entretanto e considerando que o congresso é “conservador”, não um ato de campanha de Jair Messias, nisto baseei meus argumentos ou estaremos diante de um desvio de foco.

O resultado, confesso, surpreendeu-me.

Críticas como “Olavo atacou Bolsonaro muitas vezes. E quanto à sua crítica ao bolsonarismo, não vejo como culto à personalidade, vulgo populismo. Se Bolsonaro morre, o bolsonarismo continuará” (sic) são, em si, uma contradição: se Bolsonaro morre e o “bolsonarismo” continua, evidentemente é um culto à personalidade. Já a expressão “populismo” foi enfiada aí sabe-se lá Deus por qual razão – talvez o simples hábito de repetir discursos já ouvidos, a síndrome do “papagaio”, pois culto à personalidade é uma coisa e populismo, outra. Devo explicar o básico?

Não satisfeita, a pessoa prossegue: “Vejo o bolsonarismo como a expressão mais pura e fidedigna do Conservadorismo. Olavo idealizou, Bolsonaro incorporou e deu forma” (sic). O que dizer disso?

Podemos começar pelo fato de que Olavo jamais “idealizou” o conservadorismo. Olavo nunca foi um ideólogo e, mesmo que fosse, não poderia idealizar um pensamento político anterior, inclusive, ao seu nascimento. Bolsonaro “incorporou”? Correto, mas o “dar forma” que a mesma alega resumiu-se à timidez e poda (demissão) de seus auxiliares verdadeiramente conservadores, exigida e obtida pelo sistema. Bolsonaro fez um (eficaz) governo positivista, orientação básica de todo militar, bem como teve o mérito de escolher um excelente ministério.

Um outro participante, mais moderado, opinou: “São coisas diferentes que querem o mesmo objetivo, quem insiste em bolsonarismo até pejorativo é a imprensa comunista paga com nosso imposto mas no Brasil o bolsonarismo é maior que o conservadorismo porém os dois movimentos se completam” (sic).

Necessário concordar com o “bolsonarismo pejorativo” adotado pela imprensa – por sinal, a mesma autora do termo “bolsonarista”, que as pessoas abraçaram, sem atinarem que estariam cedendo ao personalismo – vide o antigo “getulismo” – que assola o Brasil. Por outro lado, se admitimos o “bolsonarismo” como um “movimento” tal como alegado, e que o mesmo seria até maior que o conservadorismo, então novamente entregamos nossos destinos nas mãos de um homem, não de um ideal – e esta é a receita correta para a diluição, inconsistência e fraqueza argumentativa de qualquer pretensão.

O primeiro argumentador, entretanto, não deu-se por convencido e alegou: “não existe e não existiria Conservadorismo no Brasil sem Bolsonaro” (sic). E completou: “esse evento não faria sentido algum sem Bolsonaro. O q TODOS os palestrantes estão fazendo, bolsonaristas ou não, é prestar homenagens e agradecimentos ao ÚNICO LÍDER DE DIREITA NO BRASIL” (sic).

A confusão mental e a ignorância renitente dos fatos é notória. Primeiro, insiste em Jair como o “inventor” do conservadorismo; segundo, alega que o CPAC não faria sentido sem Bolsonaro e considera exigir algo para Olavo uma espécie de atentado contra a liderança de Jair. Onde uma coisa se mistura com outra, poder intelectual e liderança política?

Acrescento: trata-se de um congresso conservador ou estamos diante de um ato de campanha? Alegar que sua presença seria fundamental é algo que concordo e apóio, mas talvez tenha havido um exagero na redação da argumentação – uma evidência da incapacidade brasileira em expressar-se em sua própria língua. Já apontar Jair Messias como o único líder de direita no Brasil, concordo e assino embaixo, pois é um fato. Apenas às “homenagens” cabe meu reparo – tema inclusive de meu artigo original – que julguei desiguais entre nosso ex-presidente e o falecido filósofo Olavo.

Mas tem mais: “pelo q o Walter nos diz , nem todo Conservador é um Bolsonarista. Muito bem. Sem um líder, os "Conservadores" da Direita estariam perdidos, por puro preciosismo linguístico e/ou ideológico. E só resulta em uma coisa: Divisão, Discórdia” (sic). E tal declaração cabe uma análise mais apurada.

Sim, nem todo conservador é bolsonarista – eu, inclusive. Votei, voto e votarei em Bolsonaro porque, mais que uma boa e honesta pessoa, ele é de fato o único líder da direita brasileira. Em segundo lugar, alegar que “sem um líder os conservadores estariam perdidos por preciosismo linguístico e ideológico” é, em si, um absurdo demonstrativo da incapacidade interpretativa de um texto. Em nenhum momento julguei Bolsonaro alguém que não deveria liderar a direita; para piorar, a pessoa alega que eu estaria buscando confusão por “preciosismo” linguístico e – pasmem – ideológico.

Não, não é “preciosismo” linguístico, é expressar-se corretamente – coisa que a pessoa queixosa evidentemente não sabe fazer. Em segundo lugar, o absurdo por ela condenado como “preciosismo ideológico” é justamente o que separa um pensamento político de outro. Ou, tal como Vladmir Putin deseja aparentar, teremos algum dia um “conservador socialista”?

E assim, entre inúmeros resmungos – pois mais que entender, as pessoas desejam ganhar a discussão – o debate encerrou-se, não sem antes chamarem-me de “invejoso” (?) e de “provocador da desunião da direita”.

É notório o apego aos argumentos de “desunião da direita” e da elevação de um único homem – e dane-se o que ele pensa – como “salvador da pátria”, um real fanatismo xiita e messiânico (nenhum trocadilho com o sobrenome de nosso Bolsonaro). Tais discursos são repetidos por verdadeiros papagaios que, sequer, refletem e procuram entender o significado daquilo que eles próprios dizem – apenas repetem slogans e hashtags, brandindo-os como espadas, cujo manejo desconhecem mas julgam eficazes e matadoras.

Por muito tempo debochamos da ignorância esquerdista, de sua dissonância cognitiva, da incapacidade de interpretar um texto ou, sequer, expressarem-se. Igualmente ríamos de seu aparente “adestramento”, pois apenas sabiam repetir o que lhes era “ensinado”, de modo quase irracional e canino.

Era uma época em que nos orgulhávamos de nossa cultura, norteada por um homem do calibre de Olavo de Carvalho, e das argumentações precisas e eficazes de nossos representantes, quando em debates com esquerdistas, os quais quase sempre fugiam do mesmo.

O sonho, entretanto, acabou.

Talvez a pior consequência da morte de Olavo de Carvalho tenha sido a orfandade intelectual em que a direita se encontra, sem um pai que a puxe pelas orelhas e aponte a direção certa onde lutar, como argumentar e quais os pontos onde bater e se defender.

Aos poucos vamos voltando ao que sempre fomos: apenas frutos de uma – vá lá – “educação” construtivista, vítimas da lobotomia paulofreiriana e assim, miséria das misérias, terminamos por sermos iguais em desgraça: direitistas e esquerdistas se equivalem, em suas ignorâncias monolíticas e impermeáveis.

Cada vez mais o futuro deste país revela-se desalentador, e temo que uma simples vitória conservadora, nas urnas, apenas piore a situação pois o brasileiro tem o péssimo hábito de com nada mais se preocupar, se a vitória está garantida.

Que o bom Deus seja piedoso diante de nossa ignorância.

E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:32)


Link para o artigo original: 

https://walterbiancardine.blogspot.com/2024/07/cpac-brasil-2024-conservadorismo-ou.html

Walter Biancardine





domingo, 7 de julho de 2024

FIM DO MUNDO: JÁ ACONTECEU E VOCÊ PERDEU -

A sociedade ocidental europeia é baseada na fé no Deus de Israel, na razão filosófica grega e no saber jurídico romano; estas são as três colunas de nossa sociedade e que vivem, hoje, em estado terminal pela força da insanidade hegeliana – tudo destruir, para que, do nada restante, resulte uma nova sociedade paradisíaca.

À isso soma-se as aspirações secretas de Karl Marx – divinizar-se, tornar-se o novo Deus em lugar do Jesus Cristo por ele, teoricamente, derrubado – e podemos entender os porquês de, em suas obras, aparecer de forma evidente a mesma estrutura de toda a narrativa bíblica, com o proletariado sendo o povo crente e Marx (suas ideias) o novo Messias, que abriria as portas – através da revolução – ao paraíso na terra.

Colocando à parte as vicissitudes dos últimos 150 anos, o fato é que o tripé básico da sociedade ocidental está ruindo fragorosamente. O Deus de Israel foi contaminado pelo vírus da Teologia da Libertação; a filosofia grega sofre diuturna contestação – sejamos claros: negação – pela absoluta maioria dos filósofos atuais, auxiliados pela mídia e cultura de massas; e mesmo os princípios basilares do Direito Romano sucumbem ao ativismo judicial, um fenômeno preocupante que já se espalha pelo mundo.

A grande mídia ocupou, garantida pela preguiça e omissão de pais e mães, o lugar de formadora de valores e conceitos nas crianças e jovens. Igualmente, o comodismo e fobia em pensar transformou jornalistas em sábios e profetas; oráculos reveladores das verdades sobre todos os temas – se um famoso tem ou não um bom caráter ou mesmo se Deus existe e qual é o sentido da vida, tudo o que se diga sobre isso – desde que publicados em jornais, revistas e programas de TV –  assim tomamos como a Verdade Revelada.

A resultante disso é chegarmos ao ponto de, ao menos no Brasil, sequer termos a capacidade de falar. A ignorância deliberada transformou homens pensantes em pitecantropus, incapazes sequer de expressarem suas necessidades básicas.

Nenhuma de nossas instituições funciona, estamos sempre aquém de uma justa remuneração, vivemos em aglomerados sujos e feios e tudo o que nos retrata foca apenas na luxúria, diversão ou na exaltação do crime que compensa.

O Brasil já alcançou o preconizado pela Escola de Frankfurt: tudo foi devidamente destruído. O apocalipse – o fim de nosso mundo – aconteceu em 1979 e ninguém, até hoje, percebeu.

Somos zumbis em um mundo de escombros.


Walter Biancardine



SOLIDÃO: PERSONAGEM BÍBLICO E FORÇA TRANSCENDENTE -


"A companhia de um ser de outra natureza não basta para romper a solidão. Podemos estar sós num jardim, embora nos cerquem plantas e animais.'" (Sto. Tomás de Aquino)

Minha primeira intenção era escrever sobre o livre arbítrio e o determinismo behaviorista mas, dada a complexidade do tema e meu estado pessoal na época, troquei o propósito pela composição de um livro sobre a influência das ideologias sobre os estilos arquitetônicos, modas, etc.

Não obtive grandes progressos em meu estado de espírito, e então resolvi aproveitar o mesmo para produzir uma outra obra, mais de acordo com minha realidade e, igualmente, algo que julgo extremamente útil para o crescimento pessoal: a solidão - personagem bíblico e força transcendente.

Escreveu Sir Roger Scruton: “Somos criaturas carentes, e nossa maior necessidade é o lar - o lugar onde estamos, onde encontramos proteção e amor. Alcançamos esse lar através de representações de nossos próprios pertences, não sozinhos, mas em conjunto com os outros. Todas as nossas tentativas de fazer com que o ambiente pareça certo - através da decoração, arranjos e criação - são tentativas de dar boas-vindas a nós mesmos e àqueles a quem amamos.

Se meus problemas tornaram-se maiores que eu, os usarei como escada para escapar do fosso em que me jogaram. 

O que seria de mim sem Sto. Tomás, que ilumina meu intelecto, e Sta. Therezinha do Menino Jesus (Therese de Lisieux), que me puxou pelas orelhas em direção á Deus?


Walter Biancardine