domingo, 9 de abril de 2023

CRUX VACUA EST… SURREXIT!

 


Em nossa egolatria cotidiana, por vezes aspiramos a sabedoria e exibimos pretensões de adesivar toda a transcendência da Paixão de Cristo e da Páscoa às nossas misérias particulares, traçando similaridades entre o sofrimento do Verbo Encarnado e o nosso próprio.

Tal ato, embora vil e pretensioso, é compreensível e justificável pois não fosse esta possibilidade e a Palavra de Deus mofaria em alturas inacessíveis, a ninguém alcançando; é a forma primária de empatia, de sentir algo “semelhante” e identificar-se com o relato.

Não escapei de tal tentação e defini o atual momento de minha vida como uma longa sexta feira de trevas, vendo-me despojado de tudo, escarnecido e cumprindo uma espécie de condenação, ao viver no mais baixo degrau da condição humana. Minha soberba vai além e move tal identificação para o fato de, semelhante ao Cristo, ver-me nu mas conservando a integridade interior – no meu caso, a do intelecto – e direciona toda essa conjuntura, quase herética, à fé que me trará a Páscoa, a ressurreição, o reerguimento pessoal quando obtiver novamente uma vida normal.

A Páscoa é a passagem, o Pessach judeu, e consolo-me entendendo as privações atuais como apenas uma parte do caminho a percorrer, meus quarenta anos no deserto.

Condenem-me o quanto quiserem, pois é merecido. Apenas creio que não sou diferente de ninguém e, igual, busco desesperadamente lenitivos para as feridas abertas que tanto incomodam: no que erro, outros já erraram; em minha soberba, outros igualmente o foram; em meu egoísmo, outros também com nada mais preocuparam-se, além de si mesmos.

Hoje é domingo de Páscoa e a cruz foi vencida, junto com a morte. Jesus ressuscitou e nos salvou mas, ao descer os olhos sobre mim mesmo, nenhuma semelhança permanece. Eu, tal como milhões de outros humanos miseráveis, ainda não venci meu opróbrio. Permaneço em duradoura sexta feira de trevas e esta compreensão é o castigo por minha soberba.

Em minha cegueira, desconsidero o sacrifício de Jesus para salvar minha alma e preocupo-me, inconformado, com a salvação de meu bolso.

E esse texto, repleto de palavras como "eu", "meu", "mim" ou "minha" como tantos outros, é o atestado público de minha pequenez.


Walter Biancardine


Quer ler bons livros?

UMA BOA LEITURA!
O que aconteceria se um jornalista viajasse aos anos 60 e cobrisse 
o governo militar e a esquerda com os olhos de hoje?
As histórias dos livros seriam diferentes se vistas por nossos próprios olhos? 
E os amores do passado? Eles duram para sempre? 
O que escolher: o amor de sua vida ou a redenção?
Pegue o seu no Clube de Autores
https://clubedeautores.com.br/livro/preterito-perfeito-4
Ou na Estante Virtual!
https://www.estantevirtual.com.br/clube-de-autores/walter-biancardine-preterito-perfeito-3773722833?show_suggestion=0

EM E-BOOK:

https://a.co/d/i5bHzkA


UM E-BOOK DELICIOSO: GISLAINE DOS 3 VERÕES

Esta é uma coletânea de contos, escritos entre 2007 e 2010, que reproduzem as histórias e causos que, invariavelmente, escutamos ao ambientarmo-nos em alguma cidade pequena e fazermos amigos.

Tais causos – a versão roceira das lendas urbanas – foram por mim escutados desde muito jovem, na então pequena e desconhecida cidade de Cabo Frio, Região dos Lagos, Rio de Janeiro.

Não ouso dizer que nenhuma delas seja verdadeira, contudo tantas e tão repetidas vezes as ouvi que resolvi publicá-las em livro, para que ganhem a notoriedade – ou infâmia – merecida.

Divirtam-se com elas.

Mas se me perguntarem se é tudo verdade, jurarei que só ouvi dizer.

#Amazon

https://a.co/d/9PndFvs


terça-feira, 4 de abril de 2023

QUERO UMA AUDREY HEPBURN PARA MIM. ONDE ENCONTRO?

 

Vejo-me hoje em idêntica situação a de um amigo, recém defenestrado por mulher que amava, ao queixar-se de suas desventuras amorosas em meus ouvidos prestimosos:

- Fiz tudo por ela, abri mão de minha vida, de meus amigos, de minha liberdade e tudo isso foi em vão! As mulheres sempre querem tudo! Querem você como um joguete em suas mãos, um fantoche bonitinho que possam exibir às amigas e se valer dele para cortar grama, carregar sacolas no supermercado, botar o lixo pra fora,,,chega! Não quero mais saber de mulher! Estou cansado disso tudo, nada que fazemos é reconhecido!

Solidário, resmunguei concordando:

- É verdade, tem certas horas que enche mesmo, parece que nada vale à pena…

- E não vale! Nunca vale! Estou cansado disso, chega!

- E o que vai fazer agora?

- Sei lá...queria, na verdade, largar tudo...largar emprego, sair da cidade...queria estar numa ilha deserta…

E completou, esperançoso:

- Numa ilha deserta...só eu e uma mulher bem gostosa ao meu lado…


A lucidez que não me abandona faz com que eu veja claramente as minhas nenhumas condições de, sequer, ter uma namoradinha – a menos que o pipoqueiro da pracinha divida o pagamento em 3X sem juros.

Igualmente esta mesma lucidez me ofende com a velhice evidente, que insiste em contaminar meu rosto todas as vezes que olho no único e quebrado espelho que possuo, pois é fato que namoradinhas disponíveis para fósseis vivos como eu, só encontrarei no brechó.

Entretanto, movido pela necessidade de virar uma página traumática e irresolvível de minha vida, apelo para os postulados da física – dois corpos não ocupam o mesmo lugar ao mesmo tempo, no espaço – e decidi apostar esperanças em alguma criatura com a qual eu possa desalojar incômoda lembrança de fugaz paixão, nutrida desde meus 8 anos de idade – sim, coisa passageira.

A fé nos impele a crer no impossível, e é neste átimo de probabilidade que aposto: darei um jeito em minha vida, terei como pagar um aluguel e, quem sabe, até comprar um Gol bolinha 1996 para passear com a nova escolhida.

E quanto à nova eleita, nada mais de olhos verdes. Olhos de gazela, tais como os da inatingível miss Hepburn.

E que venham acompanhados de toda sua classe, feminilidade, etiqueta, doçura, fragilidade e que nenhuma vergonha tenha tal moça em depositar em mim toda a pesada responsabilidade de cuidá-la, protegê-la, alimentá-la, guardá-la – que jamais esconda sua completa dependência de mim pois o homem é, e sempre será, dependente da dependência da mulher.

Para que um homem não termine por esquecer que é homem, a mulher deve dizer, diariamente e sussurrante, que precisa dele, que confia nele e nele abriga todo o seu mundo, o sagrado e secreto universo feminino que as "emancipadas" de hoje soterraram, ao tornaram-se “resolvidas”.

Sim, nada mais de mulheres fortes, bem sucedidas e donas de seu próprio – e emproado – nariz.

Que venham as frágeis, as que tem medos tímidos, as que poderíamos dobrar e guardar no bolso, em um gesto de amor.

Mas a lucidez é maior que qualquer fé, e um velho que ambicione tal ninfa acabará preso, em jaula imunda, acompanhado por 46 negões solícitos.

A lucidez é maior que a fé e se não resolvi minha vida até agora, não será nos poucos dias que me restam sobre a terra que o farei.

A lucidez é invencível e se assassinei todos os relacionamentos anteriores é porque sou incompatível com a vida à dois – e já cumpro a pena de solidão perpétua, devidamente julgado e condenado, sem direito à progressão de regime.

A lucidez prevalece, mas posso sonhar: quero uma Audrey Hepburn para mim.

Alguém sabe onde encontro?


Walter Biancardine


Quer ler bons livros?

Pretérito Perfeito:

Uma incrível viagem aos anos 60 pode levar alguém a rever seus valores?
Heróis e histórias antigas perdem o brilho quando vistos por nossos próprios olhos?
Amores do passado duram para sempre?
O que escolher: o amor de sua vida ou sua redenção?

https://clubedeautores.com.br/livro/preterito-perfeito-4


EM E-BOOK:

https://a.co/d/i5bHzkA

UM E-BOOK DELICIOSO: GISLAINE DOS 3 VERÕES

Esta é uma coletânea de contos, escritos entre 2007 e 2010, que reproduzem as histórias e causos que, invariavelmente, escutamos ao ambientarmo-nos em alguma cidade pequena e fazermos amigos.

Tais causos – a versão roceira das lendas urbanas – foram por mim escutados desde muito jovem, na então pequena e desconhecida cidade de Cabo Frio, Região dos Lagos, Rio de Janeiro.

Não ouso dizer que nenhuma delas seja verdadeira, contudo tantas e tão repetidas vezes as ouvi que resolvi publicá-las em livro, para que ganhem a notoriedade – ou infâmia – merecida.

Divirtam-se com elas.

Mas se me perguntarem se é tudo verdade, jurarei que só ouvi dizer.

#Amazon

https://a.co/d/9PndFvs


sexta-feira, 31 de março de 2023

SEXTA, SÓ. SÓ SEXTA.

E chega a noite de sexta feira, as horas vão passando e a noite avança.

A primeira estrela, minha companheira desde a juventude, apareceu e fiz o pedido diário. Não mais alguém que me livre da solidão, como pedia desde meus 15 anos, mas meu sustento.

Sim, pois voltando à dignidade, poderei morar onde mora gente e encontrar, por mim mesmo, alguém que me queira.

Mas o relógio nunca pára e a noite seguiu.

Há muito qualquer chance de avistar alguém – um boiadeiro ou peão qualquer – já se foi. Normalmente não são vistos e em uma noite de sexta, desaparecem por direito e merecimento.

Saio de minha casinha e olho em torno: só escuridão, grilos cantando em coro com os sapos da lagoa e nem mesmo as amigas vacas ou os compadres cavalos estão por aí. Um deserto.

Um alucinante, silencioso e pesado deserto que pior fica ao lembrar-me que, em um raio de quilômetros, sou eu a única alma viva a contemplar a imensidão de nada a minha volta.

Me afasto de casa, caminhando lentamente e falando sozinho, como faço todas as noites. Aproveito a brisa fresca, entro pelo pasto onde só a lua o ilumina e procuro um cupinzeiro para sentar.

Continuo falando sozinho, resmungando confiante em minha decisão de virar a página, mas a lua não perdoa e enxergo claramente os quilômetros de vazio, que fazem as saudades da vida que tive crescerem em igual proporção à sua grandeza.

Sexta feira e não mais uma viagem com quem amo. Sexta feira e não mais um chope com amigos. Sexta feira e não mais receber alguém na casa que um dia tive. Sexta feira e não mais a conversa fiada no sofá da sala, ambos exaustos após um dia de trabalho – só eu e quem um dia me amou.

Sexta feira e não mais nada, solitário entre quilômetros de angústia, uma sentença perpétua medida em hectares. Em algum momento da madrugada o sono vencerá a solidão e adormecerei, eu e eu, dando boa noite a mim mesmo.

Mas amanhã é sábado e o sol nascerá novamente – só para mim, sozinho, andando pela estrada deserta e muda.

Eu fiz um pedido á minha estrela, ela não costuma falhar.

Quero resultados dos meus trabalhos, dos livros que escrevi, dos artigos que publiquei, dos vídeos tão perseguidos. Quero um emprego. Quero pagar aluguel.

Não peço mais ninguém em minha vida, pois bem sei o que sou.

Só quero dignidade.

Walter Biancardine


Quer ler bons livros?

Pretérito Perfeito:

Uma incrível viagem aos anos 60 pode levar alguém a rever seus valores?
Heróis e histórias antigas perdem o brilho quando vistos por nossos próprios olhos?

Amores do passado duram para sempre?

O que escolher: o amor de sua vida ou sua redenção?

https://clubedeautores.com.br/livro/preterito-perfeito-4


EM E-BOOK:

https://a.co/d/i5bHzkA

UM E-BOOK DELICIOSO: GISLAINE DOS 3 VERÕES


Esta é uma coletânea de contos, escritos entre 2007 e 2010, que reproduzem as histórias e causos que, invariavelmente, escutamos ao ambientarmo-nos em alguma cidade pequena e fazermos amigos.

Tais causos – a versão roceira das lendas urbanas – foram por mim escutados desde muito jovem, na então pequena e desconhecida cidade de Cabo Frio, Região dos Lagos, Rio de Janeiro.

Não ouso dizer que nenhuma delas seja verdadeira, contudo tantas e tão repetidas vezes as ouvi que resolvi publicá-las em livro, para que ganhem a notoriedade – ou infâmia – merecida.

Divirtam-se com elas.

Mas se me perguntarem se é tudo verdade, jurarei que só ouvi dizer.

#Amazon

https://a.co/d/9PndFvs

 

sábado, 25 de março de 2023

É PRECISO FORÇA PARA CONTINUAR MORTO


O fato é raro mas, por vezes, acontece: o telefone toca, é alguém querendo falar comigo.

Em dias de comunicação verbal quase extinta e isolado como um náufrago, em ilha de solidão cercada de pastos por todos os lados, a campainha surpreende e gratifica.

Como é bom saber que alguém quer nos falar algo! Principalmente: falar, e não digitar abreviações engraçadinhas e incompreensíveis, em redes sociais ou aplicativos eternamente vigilantes de suas opiniões.

Difícil é, para quem jamais enfrentou a solidão compulsória – pois que a opcional é privilégio – compreender a sensação de ser um cadáver que respira: você sente fome, toma banho, arruma sua cama, escreve, fuma, descansa ou pensa – sozinho, sempre – no que fazer. Lê uma notícia, quer comentar e não tem com quem. Termina um texto, precisa de opiniões, mas não há ninguém para dar. Está com fome, pensa em algo para comer, mas não há companhia e muito menos quem sugira um prato diferente. Chega o fim do dia, você deita na cama, acende um cigarro e quer conversar. E o monolito gigantesco da solidão rola por sobre sua cabeça, esmagando sua energia de vida.

E no dia seguinte você acorda e não há com quem partilhar o café. Sim, tudo se repetirá, ao logo de semanas, meses, enterrando o solitário cada vez mais fundo em sua lápide até que – seja por sorte ou piedade – o telefone toque.

Mas tal fato, como disse, é raro. O mais das vezes, as maravilhas da tecnologia fazem companhia ao pobre náufrago, o defunto que ainda perambula: escolhe-se uma web rádio – particularmente, com músicas antigas, aquelas que continham coisas estranhas como melodias e poesias metrificadas em letra de música – para ter-se algum som, algum ruído que não o mugir de vacas, relinchar de cavalos ou o uivo fantasmagórico do vento, sempre a lembrar de nossa morte – se não de fato, ao menos de direito. Mas a emenda sai-nos pior que o soneto, pois antigas canções sempre evocam lembranças, dias felizes, épocas em que éramos vivos e amados, onde nossa presença era não apenas notada como esperada.

Então, um dia, sentenciado por juiz que só deseja o bem de todos, resta-nos cumprir a sentença de solidão perpétua e morte virtual – para o bem de todos, é bom repetir.

Ou somos passionais ou somos justos, não há meio termo. Justiça sem temperança é vingança, e ouso perguntar o quão escuras serão as trevas que conceberam tal sentença. E tal vingança se dá em revanche desigual, numericamente: juntam-se dezenas de mágoas para abater, surrar um só e indefeso amor.

Mas é para o bem de todos, importante lembrar. E não há apelação.

É preciso equilíbrio emocional, uma fé sem tamanho, para um ser humano sobreviver a tal regime de vida – e a ajuda de Deus também, pois que ontem foi dia do telefonema! E a tal ponto lembrou-me do bom que é estar vivo que, após o mesmo, saí de minha ilha de mato e solidão rumo à estrada para – sim, é verdade – ver os carros passarem! Ver gente! Ver movimento!

Ontem pude respirar, foi um bom dia. A tampa da lápide foi levantada por breves instantes, conversei ao telefone, vi carros passando na estrada, caminhões buzinaram me cumprimentando – sim, eles me viram!

Ontem foi um bom dia. Pude respirar, ganhar forças para continuar morto.

A vida é assim.

Walter Biancardine


Quer ler bons livros?

Pretérito Perfeito:

Uma incrível viagem aos anos 60 pode levar alguém a rever seus valores?
Heróis e histórias antigas perdem o brilho quando vistos por nossos próprios olhos?
Amores do passado duram para sempre?
O que escolher: o amor de sua vida ou sua redenção?

https://clubedeautores.com.br/livro/preterito-perfeito-4


EM E-BOOK:

https://a.co/d/i5bHzkA

UM E-BOOK DELICIOSO: GISLAINE DOS 3 VERÕES

Esta é uma coletânea de contos, escritos entre 2007 e 2010, que reproduzem as histórias e causos que, invariavelmente, escutamos ao ambientarmo-nos em alguma cidade pequena e fazermos amigos.

Tais causos – a versão roceira das lendas urbanas – foram por mim escutados desde muito jovem, na então pequena e desconhecida cidade de Cabo Frio, Região dos Lagos, Rio de Janeiro.

Não ouso dizer que nenhuma delas seja verdadeira, contudo tantas e tão repetidas vezes as ouvi que resolvi publicá-las em livro, para que ganhem a notoriedade – ou infâmia – merecida.

Divirtam-se com elas.

Mas se me perguntarem se é tudo verdade, jurarei que só ouvi dizer.

#Amazon

https://a.co/d/9PndFvs

terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

O QUE ESCREVEMOS EM VIDA, IMPRIME-SE NA ETERNIDADE

 


Relendo comentários meus que o Facebook – para o melhor ou pior – não nos deixa esquecer, acusando-nos de termos escrito aquilo naquela data, encontrei alguns que podem ser interessantes se lidos já sob a ótica dos dias atuais. Senão, vejamos:


Em 28 de fevereiro de 2019

* Não vejo a esquerda como nenhum sinal de inteligência intrínseca. Apenas contam com um livro, uma ideologia que os une muito mais em sentimentos, em enfermidades da psique do que em crenças. A direita, por ser apenas o resultado natural da vida em sociedade, jamais teve esta síntese. Falta-nos um livro.


* Por vezes penso que a direita só sabe impor seus conceitos via mando pessoal, ditadura. Na falta de uma ideologia clara, sintetizada em livro, catalisa-se os anseios na figura de um homem. Esta é a obra que Olavo de Carvalho poderia fazer mas, sábio, recusa-se.


* Perambulando pelo YouTube, acessei o canal muito bom de Leda Nagle e lá estava ela, entrevistando Mario Sérgio Cortella.

É o Lair Ribeiro das faculdades, embrulhado em papel de seda tucano.


* Temo as possíveis semelhanças entre boa parte de nosso generalato e o de Maduro.


* Chegará o momento em que o deslumbre da direita com o poder, associado á sua "generosidade democrática" com arreganhos da mídia e acolhimento de infiltrados em suas fileiras, acabará por alijá-la desse breve e inglório instante de mando.


* Intervenção militar seria uma solução? Só se a mesma fosse levada a frente por oficiais com graduação máxima de Coronéis. Os generais, para serem assim designados, dependem da aprovação da Presidência da República. Quais Bolsonaro promoveu?


* Passada a euforia, percebemos que o clamor dos brasileiros nada adiantou, tudo permanece igual e os mesmos se arranjam em seus lugares. Antes de condenar Bolsonaro, bom lembrar de condenar o sistema, muito mais forte e auto-protetor. E contra o sistema, apenas balas resolvem.


* "Analistas políticos" que criticam a exacerbação dos partidários de Bolsonaro sofrem de miopia incurável: não enxergam tais demonstrações de raiva como a legítima expressão do clamor que elegeu o novo presidente, o desejo de que tudo mude já, radicalmente, sem concessões, diálogos ou outros subterfúgios infiltradores de comunistas. Condenar esta "fúria" nas redes sociais é burrice. Preferem, estes analistas, o povo nas ruas quebrando tudo?


* A direita precisa aprender a mandar.

Impor pontos de vista não se traduz em socos na cara nem tanques na rua.

Ser democrático não significa ser um arregão, bunda mole traidor.


* Nem a extrema-imprensa e muito menos o povo vê qualquer problema em um governo de esquerda indicar apenas simpatizantes ou militantes seus para compor os quadros.

Quando a direita assim igualmente procede, é acusada de polarização, partidarismo e - pasmem - "ideologizar" a administração!


* De apoiadores que confundem a justa crítica com um "romper em definitivo" até o próprio governo, que supõe ser "democrático" o ato de trair seus pontos de vista, temo que a direita logo perderá o (pouco) poder, e Bolsonaro apenas cumprirá tabela até o fim do jogo.

Não sabemos ganhar, muito menos exercer o poder.


28 de fevereiro de 2013

* Da institucionalização da ignorância, cafajestice, absolutismo ditatorial e cleptomania implantados por Lulla, passando pela insistência com que este patético déspota de oficina insiste em permanecer nas manchetes - com a conivência da grande mídia - tudo isso nos remete á constatação abismada de que não temos um só homem que aglutine forças políticas em contrário. O quadro sombrio se complementa com o verdadeiro golpe federativo sofrido pelos estados do RJ e ES, os quais apenas esboçam reações canhestras - obviamente sob o beneplácito do personagem Dilma. Da encruzilhada de roubos ao erário, ditaduras ensaiadas, censura e controle de mídia e assalto aos direitos dos Estados da Federação, restam-nos aparentemente apenas dois caminhos sombrios: o separatismo ou a força das armas. Falta apenas um líder.


Walter Biancardine

Quer ler bons livros?

Pretérito Perfeito:

Uma incrível viagem aos anos 60 pode levar alguém a rever seus valores?
Heróis e histórias antigas perdem o brilho quando vistos por nossos próprios olhos?

Amores do passado duram para sempre?

O que escolher: o amor de sua vida ou sua redenção?

https://clubedeautores.com.br/livro/preterito-perfeito-4


EM E-BOOK:

https://a.co/d/i5bHzkA

UM E-BOOK DELICIOSO: GISLAINE DOS 3 VERÕES

Esta é uma coletânea de contos, escritos entre 2007 e 2010, que reproduzem as histórias e causos que, invariavelmente, escutamos ao ambientarmo-nos em alguma cidade pequena e fazermos amigos.

Tais causos – a versão roceira das lendas urbanas – foram por mim escutados desde muito jovem, na então pequena e desconhecida cidade de Cabo Frio, Região dos Lagos, Rio de Janeiro.

Não ouso dizer que nenhuma delas seja verdadeira, contudo tantas e tão repetidas vezes as ouvi que resolvi publicá-las em livro, para que ganhem a notoriedade – ou infâmia – merecida.

Divirtam-se com elas.

Mas se me perguntarem se é tudo verdade, jurarei que só ouvi dizer.

#Amazon

https://a.co/d/9PndFvs


terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

VERBA VOLANT, SCRIPTA MANENT

Ousei-me, no dia de ontem, relatar experiências e descobertas durante a faina de publicar desatinos em livro e o resultado me surpreendeu, por vários aspectos.

Em primeiro lugar, recebi e-mails. Considerava esta uma forma já defunta de comunicação, tal qual os antigos telegramas fonados ou mesmo simples ligações telefônicas. Em sua grande maioria – da imensidão de 14 mensagens – parabenizavam-me por meu début como escritor mas condenavam o teor geral da feira de vaidades ali descrita, alegando – com razão – que eu poderia desestimular outros calouros, como eu, a lançarem-se em tal aventura por receio de parecerem simples ególatras, em busca de aplausos.

E este segundo e último ponto foi toda a razão que levou-me de volta aos teclados, neste momento – não posso esconder mesmo um certo sentimento de vergonha por ter produzido, ainda que involuntariamente, tal temor.

Enxergo, em toda plenitude de seu poder, o pecado predileto do Encardido – como seja, a vaidade – e sei dos quantos e tamanhos atos que ela é capaz de impulsionar no pobre ser humano, eterno buscador da igualdade mas ansioso por exibir-se diferente. O que não vi e causou-me surpresa foi o desejo sincero de muitos, ansiosos por imprimirem em papel não apenas histórias que desejam contar como, também, seus pensamentos, teses, conjecturas e mesmo valores e conceitos.

Em um mundo cuja história recente e toda a informação circundante no globo terrestre pode ser apagada à primeira falta de energia elétrica, causa-me enorme alívio perceber a quantidade de pessoas tais como eu, antigas e retrógradas como muitos apontam, mas que creem piamente no dito latino que titula estas mal-traçadas: “Verba volant, scripta manent”, infelizmente popularizada por infame vampiro de nossa atualidade política.

Assistir um video do bom e velho Olavo de Carvalho é necessário e muito bom, mas se não tivermos seus livros à mão, todo o fundamento das palavras voláteis no YouTube se perderá ou não encontrará solo propício onde criar raízes.

Não há tecnologia que substitua o poder e a perenidade do papel impresso e encadernado – portador, em si, de uma moral e dignidade que nenhum site, arquivo PDF ou vídeo do YouTube jamais terá. Igualmente, o mesmo livro poderá ser lido até mesmo à luz de velas se assim exigido, bem como seu manuseio – a sensação tátil e o cheiro inconfundível – sempre nos predispõem a uma atenção mais benevolente que à uma tela de celular. Os anos passarão, haverá energia elétrica e sua falta, a internet virá, cairá, será em 5G ou G nenhum, mas os livros ficarão para nossos netos e – quiçá – bisnetos.

Assim, encerro esta em sonora mea culpa se tal impressão, contrária à pretensões literárias, causei. E vou além: peço que escrevam! Escrevam sempre, sobre tudo, sobre todos, e não hesitem em publicá-los – por mais que os preços cobrados pelas editoras tornem quase inviáveis os exemplares de autores iniciantes, que serão invariavelmente vendidos tão caros quanto um Shakespeare.

Não é à toa que nada acontece na política sem que, antes, não tenha sido imaginado, previsto, suposto, desejado ou mesmo temido em livros. George Orwell é uma prova disso.

Escrevam hoje, jovens. Vocês podem moldar nosso mundo de amanhã.


Walter Biancardine


Conheça meu livro "Pretérito Perfeito", disponível na Amazon em e-book e livro físico!
Um homem falido e solitário, obcecado pelo passado e não enxergando nenhuma chance na
vida, tenta o suicídio mas fracassa. Começa então o que pode ser uma nova oportunidade, uma
viagem extraordinária ao passado, onde compreende que tudo o que amava era igual ao presente, e
que a vida real não tem o glamour das lembranças.
Da conturbada política dos anos 60 aos seus conceitos sobre o país, a família e Deus, ele
derruba os mitos de suas memórias, redescobre suas raízes e deve decidir entre dois amores:
uma é sua paixão de infância e outra é a resposta para sua vida.
Como escolher entre o desejo e a redenção?
Viver o passado pode nos ensinar?
Ou e-book, bem mais barato!



segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

VAIDADE EM CAPA DURA

 

A clássica história do escritor iniciante, que luta para encontrar um editor que aposte em seu talento e publique seu livro, ficou no passado.

Hoje em dia – aliás, já há uns bons anos – não é mais preciso ter uma boa história para contar, formas cativantes de narrá-las, esmiuçar teses originalíssimas ou escrever relatos e biografias portentosos para motivar as editoras – aliás, sequer dominar a língua portuguesa e ser dono de um belo estilo de escrita são necessários: basta pagar. 

Não é novidade o mecenato de alguns poucos abastados que, enxergando em profundidade uma obra apresentada por algum artista ou escritor miserável, bancam a mesma perante editoras e custeiam não apenas a impressão, revisão, edição e encadernação como, também, sua distribuição em todo o território nacional.

Não, não se trata disso. Hoje o mecenas é o próprio ego dos aspirantes ao título pomposo de escritor – ou, mais ribombante ainda, intelectual – que financia a empreitada. Se alguém que jamais ouvimos falar é apresentado como verdadeiro trabalhador das letras, exibindo invejável portfólio de uns 10, 15 livros – ou, por vezes, bem mais – não significa, necessariamente, talento ou receptividade por parte do minguado público literário brasileiro e sim polpuda e recheada carteira, para bancar tudo isso.

As editoras descobriram o maravilhoso mundo de nosso ego e atuam, hoje, tal como as redes sociais alavancando vaidades e cobrando – caro – por isso. É uma rede mais refinada, digamos, que aponta diretamente para um narcisismo deveras elaborado e, por isso, merecedor de ser extorquido impiedosamente até seu último centavo – pois nada é caro demais para vaidades potentes.

Os preços variam, de acordo com seu ego: de simplórios mil Reais, que permitem apenas publicação – sem revisão, diagramação ou distribuição em livrarias; você pega seus calhamaços e se vira – até astronômicos vinte e cinco mil Reais, que catapultarão você e sua obra diretamente para pequeno stand na FLIP! De modo pior, tais empresas sequer ruborizam e oferecem as citadas tentações em suas páginas na internet; um tiro certeiro, à queima roupa, em alguém cuja vaidade, muito provavelmente, é infinitamente maior que seu conteúdo.

Assim, graças ao talento financeiro de alguns, suas obras poderão ser revisadas, corrigidas de barbarismos paulofreireanos ou, até mesmo, contar com um “personal ghost writer”, que escreverá a obra inteirinha para você! Sim, é isso! Apenas dê a idéia e pronto: você será mais um dos “intelectuais cenográficos” do decrépito panorama cultural brasileiro.

Em relativa contramão disso tudo vai a Amazon – a qual, particularmente, não tenho nenhuma simpatia decorrente de suas panfletagens políticas – mas que oferece serviços de maneira menos libidinosa que as citadas editoras: apenas publica seu livro, seja em formato e-book para Kindle ou impresso, sob demanda. Seu mote de vendas é a poderosa estrutura de vendas que possui, cobrindo praticamente todo o globo terrestre e, se sua obra é compreensível e traduzível para outros idiomas, provavelmente oferecerá algum retorno financeiro ao autor.

Por outro lado, nesta mesma Amazon você faz tudo: revisão, diagramação e até mesmo a capa de seu trabalho, mas é de graça! Faça, tenha fé em Deus e publique!

E foi em tais paragens que atrevi-me a publicar meus desatinos. Em condições financeiras abaixo da linha do risível e sabedor do quanto pessoal, íntimo e de doloroso expurgo minha obra contém, também estou ciente que dificilmente poderá ser elogiada pela estrutura rítmica de sua narrativa – tudo aquilo saiu à fórceps de minha alma, doeu e não foi pouco, por mais ficção que a mesma contenha. Entretanto, à parte condenar o wokismo da empresa, sempre elogiarei a chance oferecida a autores como eu, que buscam um lugar ao sol na esperança de terem suas idéias discutidas e – é claro – algum retorno financeiro.

Afinal, o mercado literário ainda não foi desmonetizado por nenhuma decisão do STF nem queimas de livros em praça pública foram ordenadas, por súmula exarada do pleno.

Ainda.


Walter Biancardine

Conheça meu livro "Pretérito Perfeito", disponível na Amazon em e-book e livro físico!
Um homem falido e solitário, obcecado pelo passado e não enxergando nenhuma chance na
vida, tenta o suicídio mas fracassa. Começa então o que pode ser uma nova oportunidade, uma
viagem extraordinária ao passado, onde compreende que tudo o que amava era igual ao presente, e
que a vida real não tem o glamour das lembranças.
Da conturbada política dos anos 60 aos seus conceitos sobre o país, a família e Deus, ele
derruba os mitos de suas memórias, redescobre suas raízes e deve decidir entre dois amores:
uma é sua paixão de infância e outra é a resposta para sua vida.
Como escolher entre o desejo e a redenção?
Viver o passado pode nos ensinar?
Ou e-book, bem mais barato!

domingo, 19 de fevereiro de 2023

A WHITER SHADE OF PALE

 

A alegria simples:

E tudo era alegria enquanto dançávamos, pois que a música era nossa, o ritmo ditávamos, os risos aumentavam, e os giros no salão também.

A euforia de nosso prazer se espalhava em todos, que se aproximavam e pediam:

- Mais! Mais!

A felicidade embebedou-me e o teto se foi longe, ao agachar-me para o beijo.

Gargalhadas, risos altos, aplausos – e nós, felizes a girar nossos sorrisos.

O garçom trouxe-nos as taças, e uma pausa se fez.

Saindo de lá, um conhecido solitário encontrou-nos e contou sua triste história.

Em tudo contrastava com nossa alegria, mas ela me disse:

- Não há razão nenhuma, a verdade é simples e basta ver.

Fingi não escutar, fingi não entender, apenas jurei que com ela não seria igual.

E descobri que uma decisão pode ser cega.

Só então entendi, enquanto o amigo falava, o por quê de sua palidez.


A loucura da festa:

E tudo era loucura enquanto dançávamos, nossos corpos pulsavam juntos e do modo que queríamos.

Nossa tonteira aumentava, o salão girava, a visão turvava.

A viagem não era só nossa, outros sedentos também pediam:

- Mais! Mais!

Em um mundo de pessoas com asas e paredes moles, o teto voou e no chão ficamos.

Gargalhadas, risos altos, aplausos – e nós, loucos, a girar nossas cabeças.

O garçom trouxe-nos as taças, mas nada mais cabia-nos.

Saindo de lá, um conhecido lúcido encontrou-nos e contou sua triste história.

Em tudo contrastava com nossos delírios, mas ela me disse:

- Não há razão nenhuma, a verdade é simples, não devemos fugir.

Fingi estar louco demais para compreender, apenas jurei que com ela não seria igual.

E descobri que a covardia embebeda.

Só então entendi, enquanto o amigo falava, o por quê de sua palidez.


A tristeza do fim:

E tudo era silêncio enquanto dançávamos, nosso abraço embalado era um réquiem de nós dois.

Girávamos no salão, em sentido contrário ao relógio. O luto era lento, suave e melódico, e não haviam mais risos e aplausos.

Eu estava surdo e jamais escutei quando ela pediu:

- Mais! Mais!

Em uma sala vazia, de paredes nuas, o teto se foi e enxerguei as trevas da noite.

O garçom trouxe-nos as taças, e não havia por quê beber.

Saindo de lá, um conhecido ferido encontrou-nos e contou sua triste história.

Não quis ouvir, não quis saber, apenas descobri que juras não evitam o igual.

Aprendi, tarde, que a mudez é fatal.

Só então enxerguei, enquanto o amigo falava, sua palidez de virgem vestal.

Só então enxerguei um tom mais branco de pálido.




quarta-feira, 23 de março de 2022

SOCIEDADE

A sociedade é uma criação do homem, fruto de seu instinto gregário e da necessidade de proteção.

Naturalmente, regras e padrões surgiram para balancear os individualismos, os abusos, omissões e frear aquilo que passou a ser considerado crime.

Assim sendo, é perfeitamente normal - uma obrigação moral, diria - que o indivíduo se ajuste a sociedade, jamais tendo a pretensão que a sociedade se ajuste a seus gostos, egoísmos, taras ou preferências.

Elementos que assim agem, impondo seus gostos aos demais e criminalizando a repulsa aos mesmos, são sociopatas egoístas, infelizmente elevados pela mídia ao posto de "inovadores, a frente de seu tempo".

Nós, que respeitamos hábitos e gostos frutos de um consenso de milênios, somos acusados de "preconceituosos, retrógrados", apenas por reprovamos absurdos de egocêntricos exibicionistas.

O homem deve se ajustar a sociedade, nunca a sociedade ao homem, pois isso é personalismo totalitário.

Quando em Roma, aja como romano...

domingo, 6 de março de 2022

MINHA CIDADE EM UMA ELEIÇÃO SEM ANÁLISE -

Andei revirando velharias da imprensa da cidade onde moro - Cabo Frio, RJ, e o resultado foi decepcionante.

De um militante que persegue diplomas e usa como exemplo de suprema humildade a maiêutica socrática para fazer uma análise pretensiosa, acadêmica e esquerdista das eleições - embora o texto seja antigo e o blog esteja desativado - até luminares do ridículo como os blogueiros e professores Chicão e Totonho - desavergonhadamente militantes - cujas páginas prudentemente sumiram, tudo o que resta para lermos sobre...vá lá, "análises políticas" da cidade são os comentários - alguns muito bons, por sinal - de Manoel Atanásio, personagem local.

Cabe aqui o destaque a esta exceção porque meu amigo Atanásio jamais teve a pretensão de ser quem não é, nunca teve aspirações filosóficas e sempre concentrou seu foco em um jornalismo feroz, tal como a velha escola ensinava.

Um furibundo blogueiro, Álex Garcia, em seus dias de bom - ou mau - humor também era assim mas o mesmo, creio, cansou desta labuta ingrata.

Temo em pensar que tudo o que o cabofriense contará para se informar nestas eleições seja o mercantilismo de Moacir Cabral, donoi do mais antigo jornal local, a ovariana militância de uma ex repórter policial Renata Cristiane, que se meteu a ser "analista política", a cegueira de um aposentado Álvaro Neves ou os velhos mercenários das rádios e TV's.

Não é justo nem prudente deixar tudo nas mãos do pobre Atanásio.

Onde estão os verdadeiros professores?

 Professores possuem um dom admirável, divino, que é a didática. Confundir o ato de ensinar com a baixeza de conscientizar é reduzir ao mais humano estelionato uma missão dada por Deus.


A didática da chinelada funcionava

 Penso que a didática exige amor e paciência infinitos com os que apresentam dificuldades. Já a conscientização doutrinária vale-se da discriminação pura e simples aos recalcitrantes. Expurgo, exclusão e zoação.

É o que vemos nas salas de aula hoje.


Professor, eu?

 Jamais, nem de longe imaginei-me um dia professor. Minha megalomania levou-me ao jornalismo, a catarse da didática ditatorial.

Quem nunca acreditou ser a voz da verdade jamais sentará numa redação.

Beleza

Não confunda estética com conjuntivite.

A beleza não está nos olhos de quem vê, está no que acolhe e inspira nossa alma.

Artis gratia artis é conversa de cego que se acha pintor. 

O TOVARISH VLADMIR VLADMIROVICH -

Putin não tem como não ser, intrinsecamente, comunista. 

Ele foi criado e formado pela KGB - e sabemos que não existe isso de "ex KGB" - todo o seu ser, seu pensamento, foi formado e moldado por ela. 

Por outro lado é hoje notoriamente sabido que o comunismo - na acepção básica do proposto por Karl Marx e levado a efeito por Lenin - há muito não existe: ele sobrevive, unicamente, como caminho para o poder graças a práxis dialética, ao pensamento dúbio, triplo, multiforme, que não cultiva dogmas e tudo se utiliza em seu benefício para chegar ao comando. 

Com este modo de agir, o eurasianismo de Alexandr Dugin (nada além de uma colcha de retalhos ideológica, encomendada pela KGB no pós muro de Berlim) caiu gostosamente no colo de Putin, que hoje ousa posar até de "conservador", como chamado por alguns direitosos míopes ou com disfunção cognitiva.

Apoiado nesse eurasianismo, Vladmir Vladmirovich finge ser defensor da Igreja Ortodoxa Russa (nada além de uma instituição estatal) ao mesmo tempo em que apoia grupos muçulmanos que matam católicos e destroem suas igrejas. 

Prega, para o povo russo, a moralidade - chegando até mesmo a perseguir gays - enquanto a influência gramsciana do veneno russo é sentida diariamente em nossa cultura de massas e em nossa atual vivência da total emasculação do homem ocidental - a frouxidão dos líderes diante da crise Rússia X Ucrânia é notória.

Nesta brevíssima pincelada mostro apenas alguns poucos dados e informações, públicas, pelas quais enxergamos facilmente que Putin nada mais é que comunista, seguindo a velha estratégia de camaleão das narrativas.

A diferença entre um burro e um gênio, hoje, é a data de nascimento

 Se eu, com todo o conhecimento que tenho agora, levantasse questões políticas, teológicas ou filosóficas em meus 20 anos de idade, certamente diriam: "Até que ele não é tão burro". 

Nos dias de hoje, este mesmo conhecimento me coloca no pretenso pedestal de "elite pensante". 

Não sei se agradeço ou amaldiçôo Paulo Freire.

Quem sois vós?

 Quem é você, na verdade?

O que você mostra aqui ou o que você jamais poderá esconder de Deus?

Não reclame da falsidade das relações humanas: a mentira começa quando você prefere apresentar seu personagem das redes sociais do que sua essência de alma.

Você tem livre arbítrio.

Você escolhe o que mostrar e envergonhar.

O livro de quem não valia nada, hoje vale muito.

 Carlos Andreazza - o pseudo intelectual que jamais acertou nenhuma de suas previsões - é um dos diretores executivos da Editora Record que, em um rompante pré menstrual, cancelou unilateralmente seu contrato com Olavo de Carvalho.

O último livro lá publicado pelo professor foi "O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota", que há muito não está mais disponível e, provavelmente, jamais será reimpresso.

Pois bem, tal livro de tal autor - amplamente esculhambado pela esquerda - atingiu, de ontem para hoje, a cifra de 900 reais nos sebos.

Mais que a ganância de uns, fica a lição de que quem lacra não lucra.

Pobres almas que pretendem deter a imortalidade...


Olavo de Carvalho

Olavo foi uma cruza perfeita entre Aristóteles e Dercy Gonçalves, não fossem seus palavrões, o povo jamais teria ouvido falar dele.

Pois eis que morreu meu professor: um dos maiores intelectuais e filósofos do planeta está, agora, sob a graça e proteção do Pai.

A dor da perda só é compensada por saber que a morte de um pensador é sua ascenção á perenidade humana.

Olavo sempre teve razão.

A palavra mais certa

 A dificuldade de entendermos Deus deve-se, basicamente, ao fato da Divina Essência transcender o conteúdo significativo de qualquer palavra existente.

Com isso, torna-se claro o valor que precisamos dar a preservação da língua portuguesa tal como ela é: não conseguimos racionalizar sobre aquilo que não dispomos de palavras para significar.

Novidades como "todes" ou desvios como o termo "inclusão" são propostos com dolo, restringindo sua capacidade de compreensão ao diminuir suas ferramentas gramaticais para tal.

Acorde, antes que seja tarde!

Nuremberg

 Diante de tantas mortes - adultos, atletas, jovens e crianças - em decorrência da vacinação, o mínimo que se espera dos líderes mundiais é um novo Tribunal de Nuremberg.

Agora o xingamento leviano "genocida" faz sentido.

Entendeu, esquerda?

Você é marxista?

Marxista é quem leu Karl Marx. 
Anti-marxista é quem o leu e entendeu.

Simples assim.

Fraqueza em Combate

O ponderável, o razoável, ambos só são cabíveis até a deflagração da guerra.Uma vez iniciados os conflitos o raciocínio torna-se binário: amigo ou inimigo, ponto final.

Pois que da dúvida nasce a fraqueza em combate.

sábado, 1 de setembro de 2012

Do jornal Opinião, "Coisas da vida" - João Sem-sonho



João Sem-sonho

João era um orgulhoso marinheiro, que servia na Base Aero-naval de São Pedro da Aldeia.
Militar entusiasmado, conseguira chegar rapidamente à posições de destaque junto aos seus pares e a gozar de certo prestígio naquele restrito círculo.
Mesmo pagando mal, com condições de trabalho por vezes quase torturantes, o Sargento João prosseguia em sua carreira – ainda mais depois de haver conhecido uma bela mocinha, pela qual se apaixonara e casara tão rapidamente que pegara de surpresa amigos chegados e até mesmo parentes.
Estela era o nome de sua amada que, além de uma fatal beleza física, trabalhava e sustentava-se – coisa rara naqueles idos de 1970, ainda mais em uma pequena cidade como Cabo Frio.
Sua dedicação à João era comparável somente ao amor que nutria pela pintura, que retribuía sua atenção em obras incontestavelmente belas. Um crítico exigente até poderia apontar aqui e alí alguns senões, mas o que importava? Ela amava aquele homem que conhecera e aprendera a admirar como um bravo e competente militar, e nada seria maior que isso.
A vida seguia bela e feliz, coisa que desde que o mundo é mundo sempre irritou as invejas alheias, e com o casal não foi diferente: um superior de João, intimamente irritado com tanta felicidade, enviou-o para um dos piores trabalhos daqueles tempos – ajudar no aparelho repressor do governo, contra os subversivos.
O sargento não tinha saída: ou cumpria as ordens ou seria transferido para Rio do Sumiço, sabe-se lá onde. Como bom militar que era, cumpriu suas ordens o melhor que pode no frágil equilibrio entre seu dever e o que não lhe repugnaria a consciência.
Um dia, em um confronto com os tais subversivos, o Sargento João levou um tiro na perna que o deixou imobilizado durante meses. Uma longa recuperação se seguiu, com sua mulher o ajudando e amparando em todas as situações, até que o Alto Comando deu baixa em sua carreira.
João agora não era mais militar, e dias difíceis começaram.
O ex-sargento era agora um homem frustrado, irritadiço, que capengava pela casa mantida pela mulher que – além de tudo – ainda ouvia seus queixumes. Apegara-se João à promessa de um Almirante que, dizia-se, admirara sua bravura em combate, e iria providenciar seu retorno à ativa.
E assim os anos passaram, pingando lentamente como gotas de fel em uma taça de cristal que – percebia-se agora – embaçara.

* * *
Verdade seja dita, João até tentara trabalhar em outros empregos mas já não era jovem e, além do mais, talvez a única coisa que soubesse fazer bem fosse ser militar.
Persistia aferrado à promessa do Almirante, cada vez mais estereotipado no papel de homem em casa, cada vez mais desestimando-se, descendo lentamente os degraus que levariam o comum dos mortais à depressão.
Sua mulher, por sua vez, era apenas um ser humano. Abrigava-se daquele homem que agora desconhecia em suas telas e pincéis, produzindo obras cada vez mais angustiadas, escuras e distantes da vida que um dia imaginara.
Tudo tornara-se um círculo vicioso: João sabia que sua mulher o conhecera soldado, admirara o soldado e somente o amor que ainda nutria pelo homem a fazia suportar a amputação da alma de seu marido, estrangeiro agora á ela e até á ele mesmo.
Um dia conversaram muito sério e Estela suplicou-lhe que esquecesse o sonho de voltar à ativa. Ela não aguentava mais aquele trapo assombrando sua vida e seu pedido era tão desesperado de amor que se esquecia do que significava. Se abandonasse seu sonho, quem seria João? Ela amaria aquele sujeito amorfo, sem profissão, sem história, quase um recém-nascido em vias de encanecer?
João sabia disso, mas mesmo assim arriscou, pelo igual amor que devotava à sua amada e bela mulher: foi ao Comando Naval e cancelou formalmente todos os inúmeros pedidos de reintegração que o Almirante fizera requerer.

* * *
Em 1970 Cabo Frio mal aparecia nos mapas do Rio de Janeiro. Quem vivesse na bela cidadezinha teria de se conformar em passar sua existência adulta como pescador, salineiro, empregado da Álcalis ou Prefeitura – as duas últimas opções apenas para um restrito número de privilegiados, seja por formação acadêmica, seja por apadrinhamento. João não tinha padrinhos nem formação, e vagou em vão pelas ainda salitradas ruas da cidade durante meses, errando de porta em porta, fazendo bicos insignificantes e vendo-se nitidamente diminuir cada vez mais diante de sua mulher.
Quem era João? Era apenas um homem sem sonhos, como a maioria dos mortais que amadurecem. Mas acostumara-se a viver com eles, acostumara-se com o brilho da farda – que, no íntimo, bulia com sua tôsca vaidade – e, sobretudo, acostumara-se a ser não só amado como admirado por Estela, cujos olhos enevoavam em mágoas e decepções por todo cada dia seus juntos. João amargava-se, Estela pintava e esperava dias melhores. A pobre mulher acreditava tanto em seu amor que confiava poder continuar amando aquele homem, ainda que ele fizesse a vida atrás de um balcão de açougue.
Mas, prudentemente, jamais cogitara se continuaria admirando.
Por alguma intuição misteriosa, João sabia que não haveria mais retorno em sua vida e resolveu ir embora. Ao menos sua mulher – ainda bela e jovem – teria a chance de refazer sua vida ao lado de gente normal, que jamais tivesse tido o desatino de afundar-se em um enlouquecido combate à comunistas, e que estivesse em condições de disputar seu lugar na vida como homem prestante e arrimo de família – coisa que, no fundo, envaidece uma mulher normal.

* * *
Estela não soube mais de João. Nem ela, nem seus amigos, ninguém.
Em uma cidade tão pequena como Cabo Frio, era um absurdo que ninguém houvesse ao menos avistado ele pelas ruas, mas era o que acontecia.
Suspeitara mesmo que houvesse ido embora tentar a sorte em outro lugar, até que um dia, tomando um suco no Café Society, os olhos treinados de pintora deram à Estela a visão de um homem que lia as manchetes dos jornais expostos na banca: era apenas um homem, mas não se podia dizer que roupas trajava, qual sua altura, que rosto tinha. Era uma figura difusa, sem contornos, sem alma.
Era um homem sem sonhos.
E Estela compreendeu que João se fora.

Walter Biancardine

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Sem script, sem bússola, sem prognósticos

Existem pessoas que possuem o dom de fazer com que nos sintamos crianças - pelo que elas tem de pior, ignorantes de tudo, até de si mesmos.
Observam-nos, analisam-nos, medem-nos.
E pior, concluem.
O espontâneo ou involuntário torna-se premeditado e mau.
Não sabem que voamos cegos, sem a menor idéia de onde ou como estamos.
E nem imaginam que, quanto mais nos sentimos vigiados e observados como num Big Brother, mais metemos os pés pelas mãos para escapar do paredão.
E pior: involuntariamente.
E se o silêncio for apenas sentir-se out?
E se a distância for apenas achar-se indigno?
E se? E se?
Mas quando a mágoa se instala, ela expulsa os bons olhos.
Poderia eu culpar alguem por isso?
As vezes, uma mão estendida é tudo o que o náufrago quer.
Ele, mais do que ninguém, sabe que vai morrer.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Feliz Natal e que se danem

Mais um natal, o 47º de minha torta existência.
Onde estão todos?
Por aí, e se eu quiser vê-los, será preciso renunciar à tudo o que me tornei.
Precisarei ser - não o que sou, por mais abjeto que pareça a minha tosca presença nesta terra - mas apenas uma massa informe, amoldada a tudo o que os outros disseram, pensaram ou tentaram fazer de mim.
Não sou flor que se cheire, sou insuportável e realmente inconvivível, mas ao menos sou autêntico e meus absurdos são e foram feitos e ditos de maneira absolutamente convicta e sincera - posso não estar certo, mas creio em meus erros piamente.
Não há quem me suporte, e não culpo ninguém por isso.
Se alguém, que conviveu comigo, me acha um grosso, mal educado, tosco, brigão, rude, paranóico ou mesmo metido a dono da verdade, eu posso aceitar. Dêem-me o merecido pé na bunda antes que eu me chute por conta própria.
Mas se alguém me acha feio que seja, mas sem ter convivido comigo - tudo baseado em opiniões alheias - então à esses eu digo que não há remédio além do preconizado pelo imortal Nélson Rodrigues: "Cresçam", e aprendam a vida pelos seus próprios sentidos.
Sim, eu sei: sou o fim da picada, não há como dialogar comigo.
E é por isso que o Natal, para mim, é apenas uma data fictícia para uma falsa comemoração de uma instituição folclórica: familia.
Minha familia sou eu e meus fantasmas.
E que se danem os que se fazem de surdos, cegos e desentendidos.
Feliz Natal para mim. E para meus fantasmas também.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Vencido?

Tudo é passivel de vícios: pessoas, famílias, relacionamentos.
Existem pessoas aparentemente exuberantes, falam alto, riem alto, a ansiedade estampada nos olhos exoftálmicos, gesticulantes, a verdadeira “alegria da festa” - pois, segundo elas mesmas, “precisam de gente, precisam viver!”
Ser a alma da festa, dominar, impor opiniões ou mesmo proclamar com orgulho que “fulano come aqui, na minha mão” é característica deste tipo de gente. E elas realmente conseguem impor. Se não pela racionalidade, que seja através da lavagem cerebral de um discurso ininterrupto anos a fio.
A compulsão de dominar é evidente quando toda uma família possui a mesma caracteristica: as brigas olímpicas só cedem lugar quando o rompimento iminente e definitivo os obriga a substituir a gritaria pseudo alegre e comunicativa pelos “veneninhos” cotidianos, destilados ad nauseam – verdadeiro esporte familiar, derivativo de prazeres mais construtivos. E tome veneninhos – uns contra os outros, outros contra um e todos contra os execrados pelo atrevimento de não prestarem reverência a suas superioridades.
De nada adianta proclamarem-se radiantemente felizes, pois a realidade de suas solidões – não de amigos de farras, pois isso é fácil. Falo de amores – desmascara a verdadeira impossibilidade de convívio com quem quer que seja.
Não existe ninguém totalmente santo nem totalmente demônio, é bom que se diga. Mas, à parte a boa indole ou os bons sentimentos destas pessoas, o fato é que elas vencem. E não apenas vencem, elas massacram, deformam a mente de quem não pode fugir de perto e não tem consciência do estrago que fazem.
E é aí que vencem.
Quando terceiros – inocentes, sem parâmetros comparativos ou com os mesmos determinados por estas mesmas pessoas – são envolvidos neste insano redemoinho, tentar demovê-los de suas convicções herdadas é rematada perda de tempo. Tenta-se, tenta-se e nada. Não há como expor pontos de vista contrários sem que isso não envolva desnudar as falhas daquele que moldou suas ideias. E aí, o recolhimento – sair de cena – impõe-se.
Resta esperar que o tempo cumpra seu papel – com todo o sofrimento que isso acarreta – e que o machucado envolvido involuntário amadureça para pensar por sí próprio, ainda que a custa de abominar ambas as duas partes do triângulo conflitante.
Só aí, quando a criatura descobre-se independente de seu criador, ela poderá ver o mundo com seus próprios olhos.
E então, de nada mais valerá a alegria sufocante e insana; a necessidade de viver e de ver gente será finalmente inferior ao fato, perfeitamente natural, de que ninguém é dominado e teleguiado por ninguém, eternamente.
Bem aventurados os que enxergam o mundo por seus próprios olhos, decidem quem merece seu afeto e são capazes de dar, a cada um deles, a justa medida de seu merecimento.
Aos turbulentos, ofereça a paz.
Aos recolhidos, a boa vontade de ouvir.
As portas do mundo sempre estão abertas aos homens de boa vontade.