sábado, 14 de outubro de 2023

O NAZI-FASCISMO ACADÊMICO BRASILEIRO


Eventualmente acusam-me de fazer “tábula rasa” do meio acadêmico brasileiro, por eu desprezar todos os seus integrantes e, assim, exercer uma clara condenação da intelectualidade – tal como feito por Hitler e Mussolini, no exercício da consolidação de seus poderes ditatoriais.

A roda gira, o mundo dá voltas mas caímos sempre no mesmo ponto: o brasileiro médio está a tal ponto moldado pelo gramscismo, onipresente na grande mídia e cultura de massas, que sequer se dá conta do fato de seu comportamento ser evidente vassalagem aos ditames da esquerda – “Acuse-os do que você faz, xingue-os do que você é”.

Se houve um setor onde o expurgo de pensamentos dissidentes foi total, absoluto e impiedoso, este local foi o meio acadêmico. Entre as “paredes douradas” do saber acadêmico nacional, é absolutamente proibido “não ser de esquerda”. Alunos são ridicularizados nas salas de aula, discriminados pelos colegas, oprimidos e excluídos socialmente – por vezes ameaçados fisicamente – e, para piorar, seus trabalhos, estudos e teses merecem apenas o mesmo e abominável comportamento de seus mestres: nota zero, não aceitação de teses e, eventualmente, o uso de tal estudante como alvo de chacotas em sala de aula – bullying, para usar uma palavra que eles tanto gostam e “reclamam” de sofrer (lembre-se: “acuse-os do que você faz, xingue-os do que você é”). E este processo – este sim – é o mesmo que Hitler e Mussolini utilizaram, em suas ditaduras.

Não é preciso que um eventual observador seja conservador ou mesmo liberal para se dar conta que as teses de pós graduação, por exemplo, são, absolutamente todas, de viés esquerdista. As mesmas ganham aprovação, menções honrosas, destaques e subsídios. São orgulhosamente publicadas por universidades que nada ensinam – apenas doutrinam – em seu fanatismo cego stalinista, e reduzem a produção acadêmica nacional ao nível de redações de quinta série ginasial, escritas por revoltado e espinhudo adolescente, desejoso de “parecer intelectual” e impressionar as meninas.

Tais teses foram vergonhosamente expostas por útil artigo publicado pela Gazeta do Povo, endossando o que digo há tempos, e que pode ser acessado através do link https://www.gazetadopovo.com.br/educacao/dez-piores-teses-premiadas-pela-capes-em-2023/?utm_source=cpc&utm_medium=cpc&utm_campaign=fbklivre&fbclid=IwAR1cHJutcBd5Xf5jaLHHbMuTZWSKF4tDJt_fkC5f46j2q8LTSB1FsDsKg1A .

Já as teses imbuídas de outra ótica – não necessariamente conservadora – não estão disponíveis para que eu as exemplifique aqui: simplesmente não são aceitas. Ou o aluno se amolda à ideologia do Soviete Supremo ou esqueça quaisquer pretensões de posgrado.

A lógica mais primária nos permite concluir, com segurança, que as excelências acadêmicas superiores – seus “mestres” e, por vezes, renomadíssimos naquele círculo privé, denunciado no livro “O Imbecil Coletivo”, de Olavo de Carvalho – exalam o mesmo e pestilento viés, imposto aos alunos e reciprocamente lambido, entre os pares.

A academia é o lar da discussão. Lá, o debate deve ser livre e todos os tipos de pensamento e vieses devem – ou deveriam – ser estudados e debatidos com isenção, impondo ao professor sua obrigação natural: ensinar, orientar, e não doutrinar. Para deixar mais claro: o problema não é a exposição de teses esquerdistas e, sim, o seu monopólio nas universidades. As mesmas se resumem, portanto, em uma fábrica de imbecis monocórdios, tangidos por outros imbecis superiores que “chupam dialética” dia e noite, mas não a permitem. E isso é nazismo em estado puro.

Tais imbecis monocórdios são os que “orientam” o pensamento intelectual brasileiro desde meados da década de 60 e, portanto, nada mais natural que a sociedade em que vivemos tenha se barbarizado aos níveis horrorizantes que todos conhecemos, hoje.

Sem nenhum pejo, podemos pegar Cortellas, Karnais, Chauís e até pitadas de Paulo Coelho e adicionarmos à horrorosa e totalitarista sopa, cozinhada pelos Chefs do Supremo Tribunal Federal: todos eles são ervas daninhas da mesma rama, o veneno produzido é idêntico e consequência natural de sua correlação.

Mas quem se intoxica, vomita e não sai do banheiro, vitimado pelo piriri ideológico, é um só: nós, o povo.



Walter Biancardine





quinta-feira, 12 de outubro de 2023

“MISERICÓRDIA QUERO, NÃO SACRIFÍCIOS”

 


12 de outubro, dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil.
Não, não escreverei comentários pedindo a intervenção da Virgem por sobre nossa carecida Terra Brasilis - por demais necessitada e ela sabe disso, dispensa meus rogos.

Mais útil valer-me de algumas poucas linhas para lembrar que a Igreja Católica, em seu ensino teológico, é objetiva na diferença do culto que prestamos à Deus, à Nossa Senhora e aos santos.

Em grego, o termo "douleuo" significa "honrar", e não "adorar". No sentido verbal, "adorar" (ad orare) significa simplesmente orar ou reverenciar alguém. Para que não reste dúvidas, a própria Vulgata - Bíblia original, em latim - diz "Tu adorarás o teu Deus" (Mt 4, 10) mas, por outro lado, também enuncia: "Abraão, levantando o olhos, viu três varões em pé, junto a ele. Tanto que os viu, correu da porta da tenda a recebê-los e, prostrando em terra, os adorou". (Gn 18, 2).

Creio ter deixado bem expostos os dois sentidos, indicados pela própria Bíblia: adoração suprema, devida só à Deus, e adoração de reverência, devida à outras pessoas.

Em português claro, o culto de "latria" (do grego "latreuo") quer dizer "adorar", reservado à Deus. Já o culto de "dulia" (do grego "douleuo"), significa "honrar". Já a "hiperdulia" é algo acima do culto de honra sem, entretanto, atingir o culto de adoração - Nossa Senhora ou, em meu caso particular, Santa Therezinha de Lisieux são exemplos.

E para zerar nossa equação, lembro aos que eventualmente protestem alegando ainda que toda "inclinação" ou "genuflexão" é um ato eminentemente de "adoração" - só devido à Deus - recordo que isto pode ser até mesmo um ato de agressão, como no caso dos soldados de Pilatos que zombaram de Jesus, inclinando-se ao "Rei dos Judeus" em descarada galhofa.

Que católicos e evangélicos deixem de rezingas e unam-se, portanto, em adoração ao nosso Deus único e Uno - que é o mesmo de Israel. Nos trágicos dias que vivemos, a misericórdia é mais bem vinda que fundamentalismos religiosos.



Walter Biancardine



quarta-feira, 11 de outubro de 2023

CONSIDERANDOS -

 


A filosofia, em termos de prática, é um processo existencial e não há término - para o filósofo - que não seja sua morte. O simples interesse em "quais livros ler" e, efetivamente lê-los, não fará de ninguém um buscador da verdade e sim, apenas, um erudito.

Para completar, limitar-se á leitura não funciona, também, por ser preciso viver - junto com o autor dos mesmos - o drama que o fez conjecturar suas hipóteses, o caminho que seu pensamento e vivência percorreram, em busca da verdade primeira sobre aquilo.

Só depois de tudo isso absorvido é que poderemos começar a formar alguma conclusão sobre a obra e seu autor, a qual eventualmente nos levará a tecer hipóteses, ensaios ou mesmo estabelecer uma dialética com base no mesmo.

A filosofia é uma atividade muito séria, é a adoção de um modo de vida condizente com suas crenças e pensamentos, buscar a verdade primeira e, obviamente, a prisão do filosofar em um sistema acadêmico apenas o atrofia e expõe tais portadores de seus diplomas ao ridículo.

Ou os condena a apenas lecionar.



Walter Biancardine



terça-feira, 10 de outubro de 2023

DESCONTROLE DA BOCA

 


A quase totalidade dos brasileiros não consegue entender sequer metade do que dizemos e, talvez por isso, tenha em tão baixa consideração as palavras que saem de sua boca, as que escreve ou mesmo as que repete – falando ou escrevendo – de terceiros.

Já faz parte de nossa rotina ouvirmos pessoas dizerem barbaridades despreocupadamente, sem nenhum constrangimento. Se confrontadas à evidências da asneira dita, inevitavelmente refugiam-se em sorrisos e alegações que “não entendemos, foi apenas força de expressão/sentido figurado/modo de dizer”. E ainda reclamam que levamos tudo muito a sério!

Pior ficou com o advento das redes sociais, onde o irresponsável compartilha algum texto onde sequer 10% foi por ele compreendido, os mesmos 10% foram entendidos erradamente e, para completar, o infeliz incauto sequer leu o restante escrito, repleto invariavelmente de asneiras, absurdos ou mentiras. E, como estamos em redes sociais e blindados atrás de um monitor ou celular, ao serem contestados reagem sempre de maneira furiosa, tão overdosed de testosterona que cegaria um Olavo de Carvalho.

É preciso entender e aceitar a imensa, pesadíssima responsabilidade que temos sobre cada sílaba por nós proferida, afinal a capacidade de dizer algo e de compreendermos o que nos foi dito é primordial distinção que nos afasta dos quadrúpedes. Palavras não podem ser “desditas”, pois seus efeitos não podem ser “desproduzidos”: no máximo, a asneira – se não causadora de desgraças pelo desentendimento – será “compreendida” pelo ouvinte tolerante, sempre recheada de alegações semi-irritadas de que ele “leva tudo muito á sério, era só um modo de dizer”. Se escritas, todo o exposto acima será multiplicado á enésima potência, pois não há como “desescrever” (apesar dos asnos atuais recorrerem á fácil remoção de seus “posts”).

Toda a miséria acima exposta tem por objetivo servir de alerta à nossa “despreocupação” em nossas conversas, ao uso abusivo e irresponsável de “figuras de linguagem” ou “sentido figurado” que distinguem um bate-papo no bar, com amigos, de uma conversa de trabalho, estudos, negócios ou mesmo em momentos privados em que o entendimento claro – devido a seriedade da ocasião – assim o exige.

Uma pessoa que não vê nenhum problema em ir á um encontro de trabalho vestindo bermudas e camisa de malha traduz, em seu aspecto, sua clara irresponsabilidade sobre o que diz.

A palavra é o bem mais precioso que possuímos. Como confiar em alguém assim?



Descontração e malemolência só nos levaram à merda. Quem sabe um pouco de seriedade não nos empurre á frente?

Walter Biancardine



domingo, 8 de outubro de 2023

A GUERRA CONTRA DEUS – AS FALSAS VOZES SE LEVANTAM

 


As redes sociais são a “cracolândia” da sociedade humana e, em momentos de tensão como o que atravessamos atualmente, diante das agressões do Hamas á Israel, o anti semitismo de muita gente é exposto sem nenhum disfarce, nas patológicas postagens que calhamos de, eventualmente, ver.

Inadmissível seria, entretanto, qualquer espécie de censura a tais entrevados, pois possuem os mesmos direitos de externar suas opiniões que todos nós. Igualmente é covardia inaceitável abandonar as redes, pois graças a elas a grande mídia perdeu o monopólio da verdade e, hoje, podemos saber de fatos que jamais seriam expostos poucos anos atrás. O que podemos fazer é estarmos preparados – cultural, intelectual e psicologicamente – para atravessarmos ilesos tal mar de ignorância, graças ao nosso discernimento e bom senso, inclusive, filtrando o que é bom e o que é nocivo.

Indo direto ao ponto – Hamas, muçulmanos, Sharia e outros – é importante deixar claro que nossa “tolerância com os intolerantes” é o poderoso motor que nos conduzirá, inevitavelmente, ao fim da civilização ocidental judaico-cristã.

Por décadas a indústria cultural, show business e grande mídia entupiram nossos ouvidos e nos adestraram, pavlovianamente, a uma atitude de passividade diante de barbarismos horrendos e sub humanos, praticados por povos hostis os quais, para cúmulo da hipocrisia covarde, abrigavam-se de suas conflagrações internas nos refúgios seguros dos países ocidentais.

Tal postura de “tolerância” revela o que temos de pior: na realidade, consideramos tais pessoas como cachorros – irracionais que, coitados, não sabem o que fazem. Assim, do alto de nossa “superioridade”, mostramos á sociedade como somos evoluídos e os acolhemos com paninhos para dormir, um pote de ração e ossos para roerem. Em nosso covarde desprezo íntimo e inconfessável pelos mesmos, não percebemos – ou nos recusamos a enxergar o mal – que tais “cachorrinhos” tem, em sua gênese religiosa, ódio mortal contra tudo o que somos, o que representamos, e quase justificável desprezo por nossa covardia. E eles nos matarão e esquartejarão nossos corpos na primeira oportunidade, pois esta é a verdadeira, óbvia e visível razão de sua “fuga” para países com uma tradição cultural que desprezam: o domínio de Allah e morte aos infiéis.

Nós, ocidentais, sofremos uma terrível compulsão suicida de nossa civilização e deliberadamente cegamo-nos, amparados pela grande mídia assassina, preferindo proteger e fazer manifestações em favor da barbárie religiosa (disfarçada de “tradições culturais”) ou – requinte de “isentões” – considerarmos, todos, apenas lixos humanos idênticos em sua podridão mas sempre merecedores de nossa “piedade” superior. E o nome disso é vaidade – a mais rasteira e abjeta vaidade.

Vamos exemplificar o modo de agir destes últimos, os “isentões”, pela maior dificuldade em detectar sua perfídia: nas redes sociais – Xwitter, especificamente – celerados digitais publicam supostas cartas de (assim eles denominam) um dos “papas” da maçonaria, Albert Price, na qual teria revelado pelos idos de 1871 que “tudo o que hoje acontece em Israel é parte de um plano dos ‘Illuminati” para provocar a terceira guerra mundial, através do fomento do sionismo contra palestinos”. E a tal carta citaria “exemplos”, expondo acontecimentos da primeira e segunda grande guerra, “profetizando” demencialmente o que já aconteceu e oferecendo isso como “prova” de suas alegações, aos idiotizados leitores. Para piorar, usa o povo judeu como meras peças de seu xadrez medonho e finaliza – este é o ponto – apontando Israel como verdadeira “espoleta” que detonará o terceiro conflito mundial.

Evidentemente, esclarecem ao embasbacado leitor que a tal carta “sumiu” e que as informações são oriundas de um site, https://bibliotecapleyades.net/ , o qual – de maneira nenhuma – tem autoridade ou legitimidade para atestar a veracidade dos absurdos lá contidos e “profetizados”. Como disse acima, apenas vaidade, a vaidade de “saber o que ninguém sabe” e sair bem na foto.

Deixemos de lado tais misérias primárias, entretanto, e analisemos a parte que nos afeta de modo mais direto – como seja, a participação sempre criminosa da grande mídia, no conflito em que o Hamas agride covardemente Israel e o povo civil judeu.

Não há como disfarçar: a grande mídia está, toda, contra Israel. Basta folhear qualquer jornal e lá veremos os assassinos sendo tratados como “combatentes” ou, no máximo, “extremistas”, enquanto senhoras de idade – presas ilegalmente por manobra pérfida do alto Comando de nossas Forças Armadas – estampam manchetes nestes mesmos jornais sob a acusação de serem “terroristas”, perigosíssimas e letais, com suas Bíblias e bengalas.

Ora, o simples fato da grande mídia, serva do globalismo, estar contra Israel já exclui, à priori, este país da acusação – feita por renomados ou mesmo anônimos dementes – de ser um Estado participante do criminoso processo de globalização e imposição de governo único mundial o qual, nestas horas, deixa de ser tratado como mera “teoria da conspiração”.

Em diversos artigos anteriores já escrevi que a grande mídia, ao longo do século XX e em nosso, atual, é sempre agente ativo em todas as conflagrações mundiais. Não há uma só guerra, nos últimos 150 anos, que editores sedentos de poder não tenham, de alguma forma, promovido, piorado, desvirtuado ou conduzido tais morticínios em favor dos interesses de seus soberanos – e sabemos quem são.

E esta mesma mídia – convenientemente cega – jamais, em todos os inúmeros conflitos em que Israel esteve envolvido, seja como Estado ou povo judeu, lembrou-se de noticiar a perfídia sempre utilizada contra eles. Dos vagões de trem nazistas, onde atulhavam-se judeus rumo á “campos de trabalho” (diziam os nazistas, os mesmos que os levavam às câmaras de gás “para uma chuveirada”) á mais recente guerra do Yom Kippur – onde o povo foi pego de surpresa em seu mais importante dia religioso, o Dia do Perdão – jamais, repito, a grande mídia teve o pudor de lembrar ao mundo que, se todas as guerras são horríveis, as contra os judeus sempre foram mais, fruto de criminosa perfídia, sempre empregada e nunca denunciada.

O atual e tétrico momento que Israel atravessa não foi diferente: os ataques foram realizados ontem (shabbath), com o agravante que, nesta mesma data, era relembrado o dia da Festa da Torá, a Festa do Tabernáculo – era o último dia de tal festa, um dia de alegria, de famílias reunidas e, novamente, tal perfídia nenhum grande jornal lembrou. Todos pegos de surpresa e mortos como moscas: homens, mulheres, pais, mães, avós, crianças, bebês, turistas, todos.

Nenhuma lembrança. Ao contrário, insinuam – junto com “isentões” das redes sociais – que seria impossível, á um sistema de defesa tão sofisticado quanto o de Israel, não detectar o avanço terrestre (coisa inédita) do Hamas sobre suas fronteiras bem como a chuva de mísseis, disparados contra os judeus. Tudo isso seria, segundo tais “luminares”, uma “estratégia de Nethanyahu (aquele “fascista extrema-direita!”) para ter motivos de atacar e dizimar o povo palestino”.

Meu professor Olavo de Carvalho ensinou-me que, para analisarmos um fato, precisamos nos imbuir das conjunturas que cercaram tal acontecimento e as pessoas nele envolvidas. Só assim, “respirando a mesma atmosfera” e sentindo idêntica “vibração” conjuntural, poderemos entender o que se passava na cabeça dos personagens e construir uma verdadeira dialética em tal análise.

Ora, não é impossível que tenha realmente havido tal traição por parte de comandos de tais forças de fronteiras – e ressalto aqui a discriminação “comandos de forças de fronteiras” para distinguir de quaisquer propósitos estratégicos de Nethanyahu. O que analistas apressados não levam em conta é que, se tal hipótese for verdadeira, isso de maneira alguma reflete a cabeça de um judeu típico, um israelita, seja ele soldado ou estrelado general em comando. A presença dos ensinamentos da Torá é constante na consciência de maioria absoluta do povo judeu, e um general comum – por mais importante que seja em suas funções – não escaparia dos grilhões de sua própria cabeça.

Assim, a se comprovar que houve realmente uma leniência proposital em tais forças de fronteira, ela terá sido ordenada não por um general judeu, mas por um israelense fardado e traidor. E eles são exceções, tal como Judas Iscariotes o foi.

Para completar o horrendo cozido de fake news midiáticas, insinua-se também que Volodmir Zelenski – sim, aquele da Ucrânia que muitos apontam como “herói” – teria fornecido armas ao Hamas e que, na verdade, Putin é que estava certo, Putin sim, é que seria o “herói conservador”. Impressionante virada de casaca em frações de segundo, por parte da mídia podre e de “interneteiros” sem a menor noção, interessados apenas em pix, cliques em seus vídeos e pouco se lixando para o fato de nenhum dos dois, acima citados, prestarem.

Tal é a tormenta na cabeça das pessoas que muitos chegam ao ponto de fugirem do problema alegando que ambos – judeus e muçulmanos – detestariam cristãos e, portanto, que se danassem e morressem juntos. Tal pensamento é típico de cabeças ignorantes, que atribuem idêntica persona á muçulmanos e árabes.

O árabe não é nem jamais foi nenhum problema. Temos no Brasil inúmeros descendentes de libaneses, turcos e chegaram mesmo a ser poderosa mola impulsora de comércios – e folclores – no país. Já o Islã é uma ideia pessoal do sr. Maomé que prega a morte para quem não se submeter às suas regras, e isso é uma coisa bem diferente. Este sim, é o fanático que nos odeia e nos matará – depois de abrigar-se entre nós – na primeira oportunidade que tiver, obedecendo a Sharia.

Quanto a hipótese de judeus odiarem cristãos, é tão descabida que só poderia ser fruto da grande mídia, anunciando como “confrontos entre cristãos e judeus” meras batalhas por disputas de territórios ou pontos estratégicos no Oriente Médio.

Não há como um judeu odiar um cristão, e vice versa. Temos o mesmo Deus e, de diferente, apenas o fato de termos aceitado Jesus como o Filho do Altíssimo, enquanto eles ainda aguardam seu Messias. Todas as citações de que o Corão “reconhece e respeita Jesus e a Virgem Maria” enquanto a Torá “não os trata com nenhuma dignidade” são apenas recortes dolosamente selecionados e expostos, com finalidades por demais óbvias para serem comentadas.

Neste momento, Israel acaba de decretar guerra ao Hamas – repito e ressalto: ao Hamas, não aos palestinos, à Faixa de Gaza ou seja o que for.

E é hora de compreendermos que não se trata apenas de uma guerra contra um país ou um povo: é a guerra contra Deus, o nosso Deus Único, e devemos total solidariedade ao povo judeu e ao Estado de Israel.

Lembremos que o pacifismo abre as portas para os abusos e por isso Jesus encheu os vendilhões do Templo de pauladas, e de lá os expulsou.

E que Deus nos proteja e abençoe a todos – cristãos e judeus, unidos em defesa d’Ele.



Walter Biancardine




sábado, 7 de outubro de 2023

OUVE, ISRAEL!

 


“Ouve, ó Israel! IHVH, nosso Elohim, é o único IHVH”!

Este verso é o âmago do judaísmo e o centro das opiniões sobre a unidade de Deus. Os mártires, através das eras, assim clamavam quando eram mortos por seus inimigos.

Elas foram dadas por Deus a Moshe (Moisés) há 3.500 anos e tem sido recitadas em cada sinagoga, em todo o mundo, através dos anos. Ainda assim, não é um mandamento como tal mas, sim, um clamor para que Israel e todos os seguidores do Deus de Israel deem atenção à Torah, às instruções do eterno.

Ao contrário do Corão muçulmano, a palavra Torah não significa Lei como alguns pensam, mas é a palavra hebraica para “ensinamento” ou “direção” e, genericamente, refere-se aos cinco livros de Moshe, também conhecidos como Humash (literalmente, “um quinto”), o Pentateuco.

Este verso da Escritura foi incorporado à vida judaica e é usado nas orações, ao amanhecer e ao anoitecer, e neste trevoso crepúsculo espiritual que o mundo mergulha, é preciso clamar “Ouve, Israel!”

Sim, “Ouve, ó Israel”, porque no sangue muitos saciam sua sede de notoriedade, fama, admiração ou respeito. E nenhum respeito à seiva da vida, dada por Deus e cruelmente derramada no chão – sangue de crianças, sangue de mães, sangue de velhos, de puros e de pecadores, mas todos inocentes e filhos do Pai – nenhum respeito sentem tais hienas, ao contrário, pedem: “Mais! Mais!”

Igualam-se aos enlouquecidos e sanguinários carrascos do Hamas, um trabalho em sociedade onde um o derrama e outro o vende, nas mídias mundiais. Ambos abomináveis aos olhos dos homens e de Deus.

“Ouve, Israel”, porque nas palavras escorregadias de hipóteses loucas, nas teorias apóstatas e suspeitas criminosas também pastam outros chacais – creem-se limpos daquele sangue, mas não o são pois o bebem de segunda mão. E tais palavras ensombrecem espíritos, confundem ideias e jogam as pessoas em perdida peregrinação, em deserto intelectual do qual não sairão em quarenta anos, pois que inútil é aconselhar bêbados de juízo.

“Ouve, ó Israel”, pois pelo muito falar se perderam. Não é hora de hipóteses, de opiniões ou certezas compradas em redes sociais ou mídias.

“Ouve, Israel”, é chegada a hora de cobrar sangue por sangue, alma por alma, olho por olho e dente por dente. E aos omissos e covardes, aos mesmos Deus proverá seu merecido quinhão.

Não é guerra contra um país: é guerra contra Deus – o nosso Deus, que nos deu seu filho, Jesus, em holocausto por nossos pecados.

Christo nihil praeponere.



Walter Biancardine



quarta-feira, 4 de outubro de 2023

DOMÍNIO DO MEDO: O FIM PLANEJADO DE NOSSO EQUILÍBRIO MENTAL -

 


A considerar datas precisas, os Donos do Mundo – chamemos assim, doravante, o seleto grupo de metacapitalistas que, teoricamente, decidem os destinos da humanidade alheios a governos ou povos – deram-se conta, de forma ainda embrionária, do poder produzido pelo medo na psique coletiva quando da crise dos mísseis, em Cuba, ao raiar dos anos 60.

Por mais horrendos que tenham sido os acontecimentos em ambas as Grandes Guerras mundiais, a mídia mainstream ainda não havia desenvolvido por completo suas técnicas de influências sobre nossa psique – mesmo utilizando ensinamentos gramscianos – e a presença do rádio e da TV eram quotas insípidas, um potencial ainda em níveis primários de aprendizado.

Testes inescrupulosos e de estrondoso sucesso foram realizados em tempos imediatamente posteriores, criando assim a “paranóia nuclear”, que desaguou no blockbuster temático contra a guerra do Vietnã, justificando a aparição planejada do movimento hippie – contra as guerras, contra a violência, contra o modo de vida tradicional – burguês capitalista conservador – contra o sistema, contra tudo: era a contra-cultura. E essa “nova consciência e juventude” abriu as portas para a submissão de multidões ao comando comportamental de alguns poucos que, inevitavelmente, estenderiam tal poder ao determinar em quem votar, o que consumir, o que amar, o que odiar e, principalmente, o que temer. Festivais como o de Woodstock foram apenas a cerimônia de coroação – agora sim, de fato e de direito – do poder efetivo, total e duradouro dos atuais Donos do Mundo, em sua nova forma de gestão midiática e cultural.

Por estes anos, nossos medos eram as guerras – ainda haviam muitos sobreviventes da Segunda Grande conflagração – mas já se testavam argumentos como “um terrível futuro tecnológico”, disseminados em filmes de ficção científica, e mesmo o vulgar (mas sempre eficiente) fim do mundo, através dos livros de Nostradamus, ainda amparados pela contra-cultura. Mas era pouco.

Uma estratégia de prazo mais longo tomou corpo quando alguns sheiks árabes puseram suas poltronas no deserto e resolveram racionar o fornecimento de petróleo ao mundo, em 1973, criando a “grande crise dos combustíveis fósseis” que, incrivelmente, perdura até os dias de hoje.

Enquanto cidadãos comuns gemiam de dor nos bolsos ao abastecerem seus carros, enfrentando racionamentos, filas, horários limitados de funcionamento das bombas e outras agruras, os Donos do Mundo perceberam estar diante da chance dourada de não apenas instilar um poderosíssimo vetor de medo como, também, de mudança estrutural da sociedade ao iniciarem a remoção da testosterona no exemplar macho de nossa espécie – testosterona essa sempre causadora de inúmeros problemas em suas incessantes tentativas de “domesticação” das massas humanas. E como isso foi feito?

Argumentaram – sempre através da mídia mainstream e da indústria cultural – que o petróleo não apenas havia se tornado proibitivo em termos de preços como, também, era um produto em extinção, com um curtíssimo prazo de existência sobre a face da terra. Não bastasse isso, alegavam, os resíduos da produção e – principalmente – queima destes combustíveis eram altamente poluentes, ameaçando o próprio ar que respiramos. E incontáveis cientistas prestaram alegre contribuição a tais teorias levando o absurdo ao além, divulgando estudos sobre supostos estragos feitos pela queima de combustíveis na camada de ozônio que circunda o planeta e apontando diretamente – agora sim, embasados pela “ciência”! - para uma “grave e real ameaça sobre nossa existência sobre o planeta”, já que haviam acabado de parir um monstro chamado “aquecimento global”, sempre causado pela gasolina que você gastou ao ir de carro para o trabalho.

E estava pronta a primeira “paranóia comportamental do medo”, o fim da raça humana sobre a terra devido ao “aquecimento global”.

Para evitar isso, inúmeras, detalhadas, minuciosas e exasperantes regras foram criadas – determinando até que tipo de gás seria permitido usar em embalagens de desodorantes spray ou em motores de geladeiras e ar-condicionados domésticos – enquanto o procedimento de remoção da testosterona era dirigido ao principal símbolo da masculinidade pós guerras, o automóvel.

De fato, todos os valores e conceitos conservadores sobre Deus, pátria, família, liberdade e os papéis masculinos, femininos e infantis haviam sido reduzidos de suas profundidades filosóficas a um nível mais popular, rasteiro, mas que de algum modo funcionava: era o tripé “mulheres – armas – carros potentes” grandemente disseminado pela mesma indústria cultural que, agora, procura exterminá-los.

Vamos encurtar a história: hoje temos medo dos automóveis, poluidores, barulhentos e agressivos, preferindo os mansos, emasculados e silenciosos carros elétricos. Temos medo das mulheres e não mais sentimos necessidade de protegê-las pois são, antes, concorrentes no mercado de trabalho que mães e donas de nossos lares – quase um arremedo de homossexualismo, ao termos relações sexuais com “um igual” que nada de nós precisa, além de boa e cinematográfica trepada. As mulheres, por sua vez, certamente temerão homens inseguros, incapazes de protegerem a ela e seus filhos e, mesmo, darem uma só opinião que não seja após horas de pedidos de “desculpas pela intromissão”. As pobres mulheres não tem mais homens e sim, filhos barbudos. E chegamos ao nível de nós, pais e mães, temermos nossos próprios filhos pois, prenhes de “direitos”, podem nos colocar na cadeia se seus caprichos não forem atendidos. Para piorar, tanto homens quanto mulheres sofrem o medo de expor gostos, opiniões e preferências publicamente pois, eventualmente, podem estar em desacordo com a “unanimidade consentida” e, por isso, serem banidos do convívio social – ou melhor dizendo, das redes sociais – e terminarem solitários e ridicularizados, em algum consultório de terapeuta ou, pior, cadeia.

O parágrafo acima foi todo destinado a alguns poucos – mas potentes – medos de nossa vida doméstica; é hora agora de examinarmos os temores globais que, estes sim, de fato, ameaçam a existência da sociedade humana por sobre a terra, do modo que a concebemos desde milênios atrás.

Sem traçar um retrospecto de tais terrores globais – caso o fizesse este artigo, que já vai longuíssimo, se tornaria um livro – podemos elencar apenas aqueles que preenchem nosso cotidiano, do momento em que abrimos os olhos pela manhã até a hora em que – sabe-se lá às custas de quantos remédios, terapias, superstições ou mézinhas – voltamos à cama, para tentar dormir.

Temos então as “mudanças climáticas” (o termo “aquecimento” não sobreviveu, vitimado pela verdade dos fatos) causadas por tudo – do pum da vaca ao monóxido de carbono dos automóveis, passando pelo gás CFC de geladeiras e embalagens spray até chegarmos, pasmem, na alegação de que pastos para agropecuária não renovam o oxigênio tal qual as florestas! E as “mudanças climáticas” seriam, segundo tais doutores, responsáveis pelas enchentes, inundações, furacões e até terremotos, em todo o planeta. Não é outra causa, alegam, a responsável pelo hipotético derretimento das calotas polares – e consequente e catastrófica elevação do nível dos mares, arrasando (em tese) importantes metrópoles costeiras, sempre ocidentais.

Do mesmo modo, verdadeiro bombardeio de notícias sensacionalistas “mostram” a devastação que nós, homens, estaríamos provocando no meio-ambiente, colocando todos os animais – desde que bonitinhos e fofinhos – em perigo iminente de extinção, por nossa caça predatória – interessante observar que, coincidentemente, animais de aspecto repugnante nunca entram em tais listas.

Igualmente temos, de tempos em tempos, avisos sinistros da aproximação de cometas e asteroides sempre noticiados, sugestivamente, “quase em rota de colisão com a terra”, enquanto divulgam-se – ainda a níveis de “boatos” – a existência de cadáveres de extra-terrestres mantidos em sigilo por governos poderosos, enquanto estes mesmos governos “deixam escapar” filmagens – sempre desfocadas, mesmo em plena era das câmeras HD, disponíveis em qualquer aparelho de telefone celular – de Objetos Voadores Não Identificados, verdadeiras “ameaças” á Terra e que, naturalmente, exigiriam a formação de um governo único, global, para que possamos nos defender de tais “perigos”.

Correndo por fora mas participante essencial neste páreo estão os problemas mais comezinhos de qualquer país: inflação, desemprego, corrupção, criminalidade e até guerras, variando de intensidade de uma nação à outra, mas sempre presentes e terrivelmente preocupantes em todos os países. Igualmente ameaçadoras são as opiniões ou atos comuns praticados pelo pobre cidadão e que venha, eventualmente, a ofender alguém pertencente às sacrossantas “minorias”: negros, gays, gordos, índios ou o que o governante da vez assim considerar. Se tal acontecer, os tribunais não terão piedade de sua alma.

Finalmente, e coroando de maneira apoteótica tal desfile de horrores nossos de cada dia, estão as doenças: surtos, epidemias e – a grande glória – pandemias! E de tais horrores ninguém – repito, ninguém – escapa, pois um inimigo que não podemos ver, detectar ou mesmo sair de perto é um inimigo onipresente, onisciente e onipotente: é o medo diuturno, sem barreiras, algo como se tivéssemos o próprio Deus Pai nos perseguindo, furioso, até em nossos sonhos ou momentos mais íntimos – é o medo eterno!

A ciência progrediu demais para se conformar com um câncer vulgar e aleatório, fora de seu controle. A cura para a maioria dos casos seguramente já existe, mas é cuidadosamente sonegada de nós, pois quimioterapias caríssimas – e dolorosas, verdadeiras torturas – dão muito mais lucro.

Assim, depois do sucesso estrondoso da fabricação e disseminação do vírus da AIDS, voltaram-se tais cérebros para a produção de agentes que não fossem tão dependentes da interação humana – até porque o ato de interagir é, precisamente, uma das coisas que pretendem extinguir – e focaram seus esforços na produção de vírus transmissíveis por via aérea ou – vá lá, a “evolução” demora, às vezes – alimentar.

Encaremos a verdade: quisessem produzir um vírus eficaz e rápido em sua letalidade – matando a quase totalidade da raça humana sobre a terra – eles já teriam produzido. Entretanto tal devastação causaria problemas para tais Donos do Mundo, pois abriria oportunidades a algum país dissidente, que de alguma forma conseguisse preservar boa parte de sua população, de formar exércitos infinitamente superiores, em número, aos dos próprios metacapitalistas – e o tiro sairia pela culatra. Deste modo, há de se encontrar o delicado equilíbrio entre uma letalidade apavorante – e, se tal não for atingido, a grande mídia e as estatísticas falsas de hospitais providenciarão o pânico necessário – e a permanência de seres humanos aptos à convocação militar, em caso de necessidade.

De tentativas – por algum motivo não tão portentosas – como Ebola, H1N1 e outros, chegamos na canhestra COVID 19, igualmente uma doença, em si, pífia mas cuja vacina (anterior à própria doença), esta sim, poderia causar os efeitos desejados. Desta vez a grande mídia, auxiliada por artistas, formadores de opinião, governos e – principalmente – organismos internacionais como a OMS, tais agentes se superaram. Conseguiram criar, se não uma doença fatal, níveis absurdos e alarmantes de lesões psíquicas e comportamentais na quase totalidade dos seres humanos, causadas pelo bombardeio diuturno, incessante e sensacionalista – auxiliado por normas governamentais que configuravam um verdadeiro “Estado de Exceção” mundial – de notícias falsas, estatísticas forjadas, leis comportamentais constrangedoras e o fatal “lockdown”, confinando a humanidade às suas tocas, tal qual ratos assustados.

O estrago causado na psique humana foi além do que se possa medir, e viram os Donos do Mundo que estão em vias de obter, finalmente, seus intentos.

A vacina contra a COVID é, em si, o verdadeiro veneno. Não só nada previne – somente “atenuar efeitos” não configura uma verdadeira vacina – como introduz em nossos organismos substâncias desconhecidas e de efeitos, em sua maioria, ignorados. Os efeitos conhecidos da mesma são, infelizmente, infartos, mortes súbitas, o novo “câncer turbo” e diversas más formações fetais. E tais colateralidades não são – e provavelmente, jamais serão – divulgadas, pois teria que resultar, obrigatoriamente, em um Tribunal Internacional infinitamente mais rígido que o de Nuremberg pós guerra.

Muito mais poderia eu mostrar, exemplificar, mas definitivamente ultrapassei todas as medidas aceitáveis de duração de um mero artigo de opinião. O que temos citado, agora por último, são apenas os medos, terrores e pavores com os quais o pobre e sequelado (mentalmente) homem de hoje precisa enfrentar, carregando toda essa vastidão fatal embutida dentro de si, enquanto cumpre suas obrigações cotidianas e tenta conviver, normalmente, com amigos, colegas, amores, filhos.

Este homem é a vítima do medo e, instintivamente, obedecerá tudo o que mandarem na próxima (já a preparam) “pandemia”.

Este homem, caro leitor, pode ser você.


"O medo é o feitor mais eficiente que existe: todos o obedecem sem discutir"


Walter Biancardine





segunda-feira, 2 de outubro de 2023

SEM VERGONHA -

 

A verdade é que jamais me acanhei em escrever o que porventura passasse em minha cabeça.

Igualmente sou contumaz sem-vergonha ao juntar frases - quase um arremedo de pintura abstrata - sobre idênticas eventualidades, só que do coração.

Para completar, o tempo, as pancadas da vida e meu péssimo hábito de sempre estar enfiado no jornalismo político deram-me o prudente conselho de jamais ter segredos - a chantagem come solta, neste meio.

Junte os ingredientes acima, adicione pitadas de compulsão irresistível em produzir inúmeras laudas e deixe em fogo alto até ferver: pronto, você terá, diante de si, a sopa de pedras que publico insistentemente em minhas páginas.

De alguma bebedeira que cometi no passado, atravessando por poeminhas pernetas, de pura revolta e dor de corno adolescente, até parar em intrincadas análises políticas ou ousadias filosóficas, tais mixórdias traçam o retrato deste escriba, merecedor de epítetos como "o atormentado" ou, vá lá, "câncer da mídia", este último afixado por dono de conhecido jornal local.

Todo o exposto acima tem apenas o propósito exibicionista de ostentar minha completa liberdade no ato de escrever e dizer que, ainda que o amigo leitor discorde de absolutamente tudo o que rabisco, ao menos reconhecerá uma indiscutível sinceridade em meus garranchos.

Se escrevo que amo, é porque amo.

Se chamo de burro ou ladrão, é porque acho burro e ladrão.

Se prego a esquerda na cruz, creio-a merecedora.

Se derreto-me em miados de paixão, é porque meu coração assim mandou.

Se rastejo diante de Deus, implorando que me redima, é porque somente isso me restou.

E, se eu latir, não se engane: é porque quis mesmo latir - e morder.

Ninguém me paga para gostar ou desgostar.


Walter Biancardine



sábado, 30 de setembro de 2023

HERANÇAS -


Meu pai deixou-me uma caixa de ferramentas e o único bilhete que escreveu, em vida, para mim.
Minha mãe deixou-me uma Bíblia e, igualmente, o único bilhete - além de listas de compras no supermercado - que escreveu, em vida, para mim.
Meu pai pedia que eu tivesse fé, enquanto minha mãe rogava que Deus me acompanhasse por minha vida.
Ele me deixou ferramentas; ela, a proteção de Deus.
Fé e trabalho, é tudo o que tenho.
É tudo que preciso.
Mas, o que deixarei para meu filho?


Walter Biancardine




domingo, 10 de setembro de 2023

COM QUEM VOCÊ SE CONFRONTA?

Somente a solidão pode nos proporcionar o confronto único e exclusivo com o que somos, a oportunidade de encontrarmos nossa essência. Se, por mais sozinhos que estejamos, conseguimos alguns poucos amigos - um pequeno círculo - nossa busca terminará por ser a adequação á esse grupo, ao consenso dominante.

Escrevi já algumas vezes que uso minha solidão como um silício, a penitência de alma que proporciona o postar-me diante do Único, o Onisciente do qual nenhuns pecados meus - e minha essência - poderei esconder. Quando adotamos tal parâmetro para a unidade de nosso próprio conhecimento (e, consequentemente, de nós mesmos), o universo de nossos pensamentos, valores e objetivos transcende o cotidiano que a busca do pão de cada dia nos limita e impinge. Ao fim e ao cabo, o perdão de Deus é a maior graça que podemos e devemos buscar.

Mas existem efeitos colaterais adversos, dentre eles - e muitos devem estar fartos de ver-me exibi-los - a depressão, auto crítica exacerbada e a adoção de um determinismo que beira o eclesiástico (do Eclesiastes) - fatalista, quase pessimista e cruel em conclusões.

Isto, entretanto, é um processo; sigo á meio caminho e somente Deus sabe se o concluirei.

As contingências de minha vida pessoal agravam tal quadro mas, paradoxalmente, são tais vicissitudes que me proporcionaram esta oportunidade - muito difícil recomendá-la a outros.




 

sábado, 9 de setembro de 2023

PEQUENAS ALEGRIAS


De volta aos escritos, após longo e negro túnel, motivado por tocante coincidência de pequenos detalhes. Para alguns, pouco ou nada podem significar mas, para mim, carregam em si o resumo de uma felicidade que há muito joguei fora.

Cerca de quinze minutos atrás liguei a cafeteira para passar um novo e fresco café, tendo saído logo em seguida para buscar o almoço, sempre generosamente fornecido por seu Dail de quinta á domingo. Ao voltar e abrir a porta de casa - eram exatas 17:05h - o cheiro do café recém coado invadiu-me as narinas, o coração e a alma.

Tal como acontecia quando jovem, voltando da padaria e com minha mãe tirando o café da velha Bender.

Tal como acontecia até recentemente quando, ao voltar da rua trazendo paçoquinhas, minha (ex) mulher cobria a mesa com a toalha e lá colocava a garrafa térmica recém abastecida, um cesto de pães e manteiga "Aviação".

Tal como acontecia quando eu era homem, gente, indivíduo prestante, com gente que eu amava ao meu redor.

Sozinho, sentei na cama, sorri e agradeci a Deus.

Muitos sequer boas lembranças possuem.

Amanhã é outro dia.



terça-feira, 5 de setembro de 2023

A CORAGEM DE SER COVARDE

 


É um crepúsculo que não me abandona, trazendo sempre noites de culpa e remorso.

Busco permanecer em pé convencendo-me que, se não há mais razões para perambular pelos vazios que me cercam, devo eu, entretanto, o pagamento por tantos males que causei. Sim, preciso me redimir, penso, emprestando um nome mais bonito às tais pendências e tentando crer que, antes de ir, manda a vergonha que eu as pague.

Olho o passado e dou conta de ter vivido tal como um drogado, alguém cujo egoísmo o entorpeceu durante décadas e que, só agora, beirando a sobriedade da velhice e internado em solidão, percebe o desprezível que foi e o farrapo moral que tornou-se.

Sim, são muitas dívidas, há muito o que pagar – ou do que me redimir, como digo em franca auto piedade.

Mas sei somar 2 + 2, compreendi minhas limitações, fraquezas e incapacidades. E, em um raciocínio puramente contábil, concluo que a quitação de tais débitos é impossível – é hora de declarar falência e retirar-me do ramo.

Não tenho, entretanto, coragem – o paradoxo de faltar bravura para ser covarde.

Permanecerei tal qual pano de chão, esquecido em algum canto, até que um desespero impulsivo seja mais forte que a resiliência que traveste o medo.

Sigo cumprindo minha longa sentença de entardeceres.

Não preciso de um 6 de setembro para lembrar de comprar o pão.


A solidão e o tempo
trouxeram a aridez
em minha vida;
Não foram escolhidas,
ao gosto do freguês,
Nem o tempo, a miséria,
muito menos a solidão sofrida.



quarta-feira, 30 de agosto de 2023

SOBRE GAYS E TRANS -


Andei ouvindo comentários a respeito do vídeo que postei em minha página no Facebook, de um rapaz norte americano que faz uma paródia de conhecida música onde, em sua versão, esfrega na cara dos deslumbrados a cruel verdade sobre a mudança de sexo, resultante da lavagem cerebral - verdadeira hipnose - promovida pela cultura de massas e grande mídia.

O meu ponto de vista é de uma obviedade incontestável: conheço gays, conheço trans mas, por acaso, não conheço ninguém que tenha se submetido a tal operação. Em minha ótica, gays são gays e ninguém tem nada a ver com o que fazem na cama - desde que não tragam esta mesma cama para a rotina do dia a dia: trabalho, estudos, vida social. Ninguém aceita um hétero que, por sua condição, saia por aí arrepanhando as partes para cada mulher que passe ou que embole-se em agarramentos quase explícitos com sua parceira, em público. É questão básica de educação e respeito e convido-os a pensar em que momento uma simples preferência sexual tornou-se um "estilo de vida".

É gosto ou auto afirmação?

Quanto aos trans, meu critério é singelo: se cruzo com ele na rua e nada vejo além de uma mulher que passou por mim, eu usarei indubitavelmente o pronome feminino e como tal o tratarei. E o inverso também é válido, pois nada no mundo me obrigará a chamar Pablo Vittar de "ela". Vou acreditar no que Pablito diz ou no que meus olhos veem? Vou me violentar, mentir para mim mesmo apenas para satisfazer as idiossincrasias do rapaz?

Eu era um adolescente quando Rogéria reinava e a famosa Roberta Close surgiu e sempre as chamei de "ela" - este é meu parâmetro.

Quanto a última categoria - a dos operados, que parece incluir o moço do vídeo - inevitavelmente sinto dó por serem verdadeiramente enfeitiçados por uma cultura de massas doentia, que impingiu-lhes dolorosa, cruel e irreversível mutilação, as quais sempre terminam por acarretar sérios transtornos psicológicos e - em número grande demais para nos omitirmos - chegam mesmo ao suicídio.

Uma grande mídia, uma cultura de massas que exibe tamanha força ao ponto de convencer alguém a mutilar-se, a extrair glândulas produtoras de hormônios imprescindíveis ao seu equilíbrio biológico, e tudo isso em nome de uma fantasia psicótica transmitida por filmes, vídeos, músicas, teatro e as pequenas mensagens subliminares, contidas em todos os meios de comunicação, esta grande mídia e cultura de massas deve merecer apenas nosso repúdio. 

Trata-se de um veneno, de um sinistro agente de desestabilização que trazemos para o conforto de nossos lares em forma de aparelhos de TV, rádios, revistas e jornais impressos, computadores e seus youtubers.

Um ser humano é livre para agir como quiser, vestir-se como quiser, amar quem quiser.

Mas não para mutilar-se, vitimado por verdadeiro feitiço que poderá levá-lo ao suicídio e dor dos entes queridos.



segunda-feira, 28 de agosto de 2023

SEM QUERER

Acordei hoje pela manhã e me dei conta que não queria escrever.

Aliás, não queria ligar o computador, não queria saber das notícias e muito menos parasitar a felicidade alheia, escandalosamente estampada nas redes sociais.

Lá fora um clima londrino – garoa, vento e um frio anormal – justificavam que eu igualmente não quisesse caminhar pelos pastos, como faço rotineiramente em minhas desesperadas tentativas diárias de manter a lucidez, através de uma auto análise medíocre e a sempre presente, feroz e porca auto crítica – a qual ainda preciso decidir se não é um complexo de inferioridade, caridosamente travestido.

A verdade é que hoje acordei sem querer – em todos os sentidos possíveis.

Não queria acordar, não queria trabalhar, não queria ter de buscar comida, não queria nada.

Sem querer, forcei-me a caminhar pelo pasto e concluí que, sequer, queria existir. Não uma tendência suicida mas apenas a percepção que seria melhor nem haver nascido – um aborto que não teria trazido falsas perspectivas de felicidade á ninguém, que igualmente não teria decepcionado, frustrado, magoado, irritado, indignado ou atrasado a vida e a felicidade de ninguém – a inocência indiscutível da não existência. Sim, pois da vida só legarei meus erros, e só por eles se lembrarão de mim.

Morbidamente, imaginei o quê aconteceria se eu morresse repentinamente e a conclusão não foi memorável: nada. Certamente algum povo local daria por minha falta, mas pelo respeito e cerimônia com que me tratam e desejosos de não parecerem incômodos, inevitavelmente uma ou duas semanas passariam até que – a natureza é sábia – o cheiro de podre de minha carcaça noticiasse a todos o meu paradeiro. E então? Ora, se um estorvo fui em minha existência, na morte não seria diferente pois algum parente teria o sórdido trabalho de remover meus restos e enterrá-los alhures – inclusive financiando tais despesas, que nunca são baratas.

Minhas tralhas – pequenas lembranças, obsessivamente colecionadas e guardadas, de um passado em que ousei ser feliz – por sua insignificância em número e valores, acabariam no lixo com exceção deste computador, que ainda bem pode ser usado mais alguns anos. E só, the end, fim.

Mas persisto em minhas auto análises, na sôfrega busca de não ceder á tentação da loucura, e finquei meus pés na lama gelada, no chão, na realidade. Sim, tudo isso é devaneio, a maldita solidão que convida fantasmas para nos assombrarem.

É preciso espanar tais pensamentos, é preciso viver, é preciso querer!

Mas o único “querer” que me veio á cabeça depois disso foi:

- Quero ir pra casa.

E eu a joguei fora.




sexta-feira, 25 de agosto de 2023

VOLTAR PARA CASA


E então, meu pai respirou fundo e disse:

- Bom...é isso. Vamos voltar pra casa!

Minha mãe seguiu ao lado dele e me chamou. Fui caminhando atrás e olhando em volta, já cansado e entediado por termos ficado ali tempo demais.

De fato, é um lugar muito bonito. Árvores, pastos imensos, pitorescos caminhos de chão batido e algumas cercas de arame farpado. Sim, lindo, mas solitário demais. Andamos horas sem ver nada além do capim colonião e troncos de árvores secas. Sem ver ninguém que não fosse o gado e cavalos, pastando sempre ao longe. Sem ouvirmos nada que não fosse os mugidos e relinchos, abafados pela distância, e o uivo do vento em nossos ouvidos.

Lindo sim, mas de uma solidão sepulcral. Gastamos tempo demais ali e o que era bonito virou angústia.

- Vamos voltar pra casa!

E aquela frase, dita por meu pai, nunca mais saiu de minha cabeça.

Ele abriu a porta do carro, puxou o encosto do banco para que eu fosse para o assento traseiro. Lá acomodado, o cheiro do produto de lustrar o couro do estofamento igualmente ficaria em minha memória, mesmo provocando enjoos terríveis em minha mãe. Meu pai deu a partida, um barulho que mais parecia de imenso navio, e seguimos estrada à fora comigo já antecipando a alegria de voltar para o que era meu – minha casa, meu quarto, meus brinquedos – e ver novamente todos os que, em minha implicância infantil, achava chatos: meus irmãos, minhas irmãs e até mesmo, eventualmente, tios, tias, primos e primas que por lá apareciam. Sim, tudo estaria de volta! O que era meu e sempre fora; minhas referências, minhas raízes, toda a história de minha – até então – curta vida!

Nada importava, eu estava indo de volta á minha casa, meu lar!

Miúdo demais para, sentado no banco, poder apreciar a paisagem pela janela do carro, adormeci e só dei conta de mim novamente quando meu celular tocou o despertador diário, às 8:30 da manhã.

Abri os olhos e vi que estou aqui. Nada de quarto, nada de irmãos ou irmãs, nada de pai ou mãe, nada de nada – não há um lar.

Saí de casa, olhei os campos – o mesmo pasto enorme e solitário de meu sonho – e, por morbidez ou masoquismo a frase do meu pai voltou-me à memória:

- Vamos voltar pra casa!

Nada aconteceu, apenas o silêncio. Respondi a mim mesmo, tal qual criança ainda fosse:

- Mas eu quero ir embora!

Mas não há casa para voltar.




NOTA POSTERIOR, de 30/08:

Somente agora dei-me conta da semelhança entre este artigo e a letra da música "Green, green grass of home" de Tom Jones, 1967.

"Then I awake and look around me
At four grey walls that surround me
And I realize, yes, I was only dreaming"



terça-feira, 22 de agosto de 2023

HOSPÍCIO GLOBAL

O nível médio de tensão do ser humano por sobre o planeta terra pode ser medido facilmente nas redes sociais, bastando contabilizar as postagens sobre OVNI's, anti-cristos e sinais mediúnicos.

Jogando gasolina na fogueira de tal histerismo, ainda temos ratos militantes dedicados a propagar boatarias cataclísmicas sobre mudanças climáticas (aquecimento não colou), aumento do nível dos oceanos, vulcões maiores que os EUA e as indefectíveis e rentáveis pragas epidêmicas - Bill Gates, George Soros, Fauci e sua turma já estão prontos e ansiosos para lançarem a nova pandemia da temporada e sua lucrativa e mortal vacina.

Se há nisso tudo um fato inegável é que o genocídio covídico (ou melhor, de sua "cura") destruiu a psique média do ser humano sobre o planeta e hoje a humanidade é presa fácil do sensacionalismo terrorista e cúmplice da grande mídia e cultura de massa.

Pode-se tratar a patologia mental de um indivíduo. Pode-se mesmo, no caso de clínicas, tratar grupos deles e com relativo sucesso.

Como, porém, tratar tal sequela sintomatizada a um nível de bilhões de pacientes, piorados em sua doença pela mais poderosa e alienante droga - a grande mídia - já inventada?

Que os ainda lúcidos se unam, se não pela salvação do juízo humano, que seja por sua própria integridade física e mental.

segunda-feira, 21 de agosto de 2023

MUGINDO PARA NINGUÉM - OU "O DETERMINISMO BOVINO BEHAVIORISTA"

O PT é como Átila, o Huno: por onde passa, nem a grama nasce. Por isso hoje as vacas comem árvores.

A vida é um constante aprendizado e eu, nestes dias de John Wayne compulsório, percebi que o gado segue - tal qual nós, humanos - uma rotina própria, instintiva, em busca de segurança e conforto.

No momento em que escrevo estas linhas, não se completou meia hora em que eu estava ainda no pasto vazio, à esmo, falando sozinho como de hábito, a resmungar sobre meus erros e minha remissão improvável, diante de um melancólico sol poente e meu baio, entediado e farto de minhas lamúrias.

O gado já havia sido recolhido e muito me estranhou ver uma solitária vaquinha pastando longe, muito longe mesmo, destacada e esquecida pela boiada amiga. Pastava ao lado de uma cacimba no vale, farejava os ares e mugia, como em um chamado aos que já haviam se recolhido.

Naturalmente galopei até ela e a toquei em direção ao curral, mas "tocar" é força de expressão: apenas apontei seu focinho na direção certa e a vaca, diante da visão familiar, seguiu o resto do caminho sozinha e feliz.

Estava eu já abrindo a porteira para a “colega” entrar quando um mugido aflito, vindo de longe, me chamou atenção: ora essa, então ainda havia uma outra vaca solitária, esquecida, e que se apressava para chegar ao curral antes que eu o fechasse?

Recolhidas e em segurança, tratei de dar uma última ronda no pasto em busca de mais alguma “esquecida” que eventualmente pastasse ainda por lá. Enquanto meu pobre baio seguia em marcha andadeira, pensava eu no paralelo existente entre a situação da “Mococa” – assim batizei a vaquinha – e a minha própria.

Não me fixei no fato de a Mococa ter ficado para trás por interesse próprio – pastar em algum local preferido – ou simplesmente não ter se dado conta do horário pontual em que o instinto bovino as recolhe, inexoravelmente, ao curral. O fato é que ela estava sozinha e não gostara disso.

Sim, também eu estou sozinho e não gosto disso – agravado pelo fato incontornável de tal solidão ser resultante de minhas próprias ações, omissões e escolhas.

Neste momento o conceito do determinismo behaviorista não me pareceu tão mal como sempre o julgara: tivesse eu um mínimo de prudência e humildade e não teria, talvez, perdido a mulher que amo, o lar hoje inexistente, a família longínqua, minhas raízes, referências e origens. Teria sido mais paciente, compassivo e jamais emprestaria a tal comportamento a pecha de “bovino”, que ironicamente sempre dei.

Não aceitei que, em determinados momentos, a vida é o que é. Orgulhoso e arrogante, armei-me de meu poderoso livre arbítrio e proclamei-me senhor de meu destino – o mesmo, hoje, vergonhosamente conhecido pelos que me seguem nestas mal-traçadas.

São cinco e meia da tarde, a hora em que minha mãe fazia pontualmente o café – na pesada e mortífera cafeteira Bender – e me mandava na padaria, chamada “Casa Dois Marujos”, comprar três bisnagas, dois cigarros Chanceller e dois sacos de leite. Anos depois, neste mesmo horário, estava eu de volta da padaria do condomínio onde morava, sobraçando um saco de pãezinhos, cigarros e duas paçoquinhas para minha amada mulher, que me esperava em casa.

Me dei conta disso tudo e apontei Baião – meu cavalo – de volta para casa, numa busca instintiva do que não mais tenho.

Sim, eu tenho casa. Mas não tenho lar.

Conheço gente, mas não tenho família. Faço meu lanche, mas sem companhia. Conto como foi meu dia às paredes, sempre indiferentes. E não tenho a cumplicidade amiga de referências, raízes, história, quinze anos de casamento e, sequer, meu filho reclamando de qualquer coisa.

Percebi que não há o mal completo nem o bem absoluto – e, pior para meu orgulho – mesmo todo meu portentoso livre arbítrio não passa de opções já determinadas por Deus Pai, Todo Poderoso.

Certamente terei de rever o que andei garatujando sobre o tema, assunto do novo livro que ora escrevo. Ao fim e ao cabo, nada é relativo, pois tudo provém do Pai.

Humildade é prudência.


domingo, 2 de julho de 2023

POR QUEM OS SINOS DOBRAM

 


Na famosa novela de Ernest Hemingway um homem chamado Roberto, dinamitador inglês, chega ao esconderijo de guerrilheiros a favor da república espanhola e conhece Maria, uma bela mulher que havia sido salva pelo grupo.

Não houve romance, a não ser em suas almas e na linguagem muda dos sentimentos. Eram tempos de uma sangrenta guerra civil, cotidiano de medo, caos e Guernica. A atração foi imediata, a morte os espreitava e, sem maiores conversas ou galanteios, se uniram em amor pois o amanhã era improvável.

O tema enfoca o quanto o sangue alheio nos importa, e a pressa do amor diante da morte - morte essa, por vezes, de quem sequer conhecemos: "Nenhum homem é uma ilha, inteiramente isolado, todo homem é um pedaço de um continente, uma parte de um todo. Se um torrão de terra for levado pelas águas até o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar de teus amigos ou o teu próprio; assim, a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti"disse John Donne.

A velhice leva o homem á guerra civil de sua existência; a luta cotidiana contra o fim de seus dias, a ceifadeira sempre à espreita – hoje, amanhã, depois. Quem sabe? E sob o impiedoso ataque dos dias, meses ou anos, os que ousaram resistir ao tempo aprenderam que já não mais restam tantos entardeceres para o romance e, tal qual Roberto e Maria, devem expressar seu amor urgente através de olhares, gestos e mesmo tons de voz.

Para mulheres mais jovens, impossível crer que tal secura tenha nascido sob manto tão pesado; para as mais velhas, o medo – de tudo, todos e da pouca vida que resta – as impede, em forma de recato.

Assim, os velhos percebem-se isolados e dão falta de pedaços do coração que oceanos tempestuosos da vida levaram. Muitos percebem, buscam juventude no fundo de um copo ou conversas desaforadas e mentirosas com amigos.

Mas pouquíssimos – homens ou mulheres – consideram que nenhum sentimento é uma ilha. Todo amor é parte de um coração, de uma história, e se tal fervor for levado pelos dias negros da vida, o homem diminui-se: menor e apartado como náufrago em ilha deserta, cercado apenas de lembranças por todos os lados. Assim, o fim de cada amor mais o tempo impiedoso, que insiste em passar, esses, tanto nos diminuem por também termos sentimentos, coração e história.

Por isso não perguntes por quem os velhos choram. Eles choram por ti.


Walter Biancardine