saio pra comer alguma coisa
um frio que nunca vi por aqui
portão trancado
preciso dar a volta
no caminho escuto porcos
eles gritam no chiqueiro
são criados pra isso
os comemos
mas aqueles gritos nunca mais
vão sair de minha cabeça
chego ao outro portão
trancado
volto pra casa ainda escutando
os gritos de agonia deles
e a fome que sinto lembra
que os como
mas assim é a vida normal
do mesmo jeito que me comem
sem dó nem piedade
só que não grito
não mais
ninguém lembrou que existe
um filho da puta morando aqui
então trancaram tudo
ele não grita
não mais
prisioneiro de minha própria
miséria e insignificância
tem horas que me farto
e sei que não existo
não mais
e o dia que já estava péssimo
consegue ficar ainda pior
ao menos tenho café
e uns cigarros
cara de sorte
Walter Biancardine
um frio que nunca vi por aqui
portão trancado
preciso dar a volta
no caminho escuto porcos
eles gritam no chiqueiro
são criados pra isso
os comemos
mas aqueles gritos nunca mais
vão sair de minha cabeça
chego ao outro portão
trancado
volto pra casa ainda escutando
os gritos de agonia deles
e a fome que sinto lembra
que os como
mas assim é a vida normal
do mesmo jeito que me comem
sem dó nem piedade
só que não grito
não mais
ninguém lembrou que existe
um filho da puta morando aqui
então trancaram tudo
ele não grita
não mais
prisioneiro de minha própria
miséria e insignificância
tem horas que me farto
e sei que não existo
não mais
e o dia que já estava péssimo
consegue ficar ainda pior
ao menos tenho café
e uns cigarros
cara de sorte
Walter Biancardine
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