sábado, 12 de setembro de 2026

LINHAS MOLHADAS


agarraria você pelos braços
com toda sua fineza e 
sofisticação
e te espremeria na parede
até seu perfume pingar
junto com seu suor

enfiaria minha coxa 
entre suas pernas pra separar
e saber que estou certo
ao sentir a quentura molhada
em mim

eu riria de sua cara aflita
preocupada com virtudes
e satisfações a dar pra outros
mas com olhos revirando
e suspirando
no “foda-se” mais sincero
que já vi

você chupa minha língua
como um picolé
até que te viro de cara
pra parede e arrebito sua bunda
e abro suas pernas
já abertas

e descubro dentro de você
todo seu universo
de sonhos e fantasias
e ilusões e esperanças
quase infantis dos
contos de fadas

porque você agora
aberta pra mim
faz com que eu seja
sua vida inteira de sonhos
encarnada em um
cafajeste

e no último beijo
olhando seus olhos
embaçados e vesgos
de olhar os meus
vou ler
envergonhado
o soneto de amor
mais lindo e sincero

que uma alma humana
uma alma de mulher
já escreveu

e terei vergonha
vergonha de mim
muita vergonha

e serei obrigado
a tentar ser
melhor

o melhor que puder




Walter Biancardine








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