seria hoje o mais longo dos uivos
daqueles que o fôlego parcela a dor
em noites de gritos
a pior das noites
cada rosto que vejo me assusta
parece um aviso que morreu
inclusive o meu porque
morrer nunca foi
novidade
pra mim
e os gritos dos porcos morrendo
ainda estão em minha cabeça
porque morro com eles
porque os comeria
mesmo chorando
merda de fome
sempre a fome
tudo se embaralha e nada faz sentido
só quero dormir e nada mais sentir
nem fome nem dor nem culpa
nem solidão nem tudo
o que me fizeram
sentir sem eu
pedir
isso tem que ter um fim e meu grito
não é pros outros porque nada adianta
meu grito é pra Deus e pra vida
deixem de ser miseráveis
me levem logo daqui
só quero a piedade
de um dedo desligando
o botão
“off”
Walter Biancardine
daqueles que o fôlego parcela a dor
em noites de gritos
a pior das noites
cada rosto que vejo me assusta
parece um aviso que morreu
inclusive o meu porque
morrer nunca foi
novidade
pra mim
e os gritos dos porcos morrendo
ainda estão em minha cabeça
porque morro com eles
porque os comeria
mesmo chorando
merda de fome
sempre a fome
tudo se embaralha e nada faz sentido
só quero dormir e nada mais sentir
nem fome nem dor nem culpa
nem solidão nem tudo
o que me fizeram
sentir sem eu
pedir
isso tem que ter um fim e meu grito
não é pros outros porque nada adianta
meu grito é pra Deus e pra vida
deixem de ser miseráveis
me levem logo daqui
só quero a piedade
de um dedo desligando
o botão
“off”
Walter Biancardine
Nenhum comentário:
Postar um comentário